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Comunicado de Imprensa
22 janeiro 2026
Declaração atribuída ao Porta-voz do Secretário-Geral sobre Moçambique
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História
22 janeiro 2026
Moçambique, ONU e Parceiros Intensificam Esforços para Salvar Vidas
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Discurso
21 janeiro 2026
Discurso da Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitára para Moçambique na Reunião com a S.Exa. Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e ONGs sobre as Cheias no Sul de Moçambique
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão a contribuir a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 em Moçambique:
História
24 outubro 2025
“A ONU pode contar com Moçambique”
MAPUTO, Moçambique - Moçambique se juntou às celebrações globais dos 80 anos das Nações Unidas, num evento realizado no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MINEC), em Maputo, que também assinalou os 50 anos da parceria entre a ONU e o País.A cerimônia foi dirigida por Sua Excelência a Ministra da Educação e Cultura, Sra. Samaria Tovela, e contou com a presença de Sua Excelência a Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas no Exterior, da Chefe da ONU em Moçambique, Dra. Catherine Sozi, bem como de representantes do Corpo Diplomático, do Governo e do Sistema das Nações Unidas.Sob o lema “Unidos para um Futuro Comum”, as comemorações destacaram a importância de fortalecer a cooperação internacional e o multilateralismo solidário, num ano de grande simbolismo para o país, que celebra também o Jubileu de Ouro da Independência Nacional neste ano. Reforçar o multilateralismo e investir na juventudeDurante a sua intervenção, a Ministra Samaria Tovela elogiou o papel da ONU na reconstrução nacional e na promoção do desenvolvimento humano, sublinhando a necessidade de uma parceria renovada centrada na juventude.“Ao olhar para esses 80 anos da ONU e 50 anos da independência, de cooperação, vemos claramente a necessidade de reafirmarmos o multilateralismo solidário para fazer face aos desafios globais das crises climáticas“, afirmou a Ministra Samaria Tovela. Segundo a governante, os mais jovens “são quem, efetivamente, irão levar para frente o desenvolvimento das nações”. A Ministra da Educação e da Cultura defendeu ainda que a cooperação entre Moçambique e a ONU deve se basear nos jovens, raparigas e crianças, sobretudo no setor da educação, para a concretização também da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. “Em Moçambique, a presença das Nações Unidas é mais do que institucional, é uma parceria viva que se manifesta em ações concretas”, frisou Sua Excelência a Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas no Exterior, Sra. Maria de Fátima Simão Manso, em sua intervenção.“Sobretudo nas áreas da saúde, educação, igualdade de gênero, segurança alimentar, adaptação às mudanças climáticas, paz e coesão social”, complementou.Já o Decano do Corpo Diplomático, o Embaixador Professor Antoine Masala Ne Beby, afirmou que “Moçambique é, sem dúvida, um exemplo inspirador de compromisso com os ideais das Nações Unidas”. Por sua vez, a Dra. Catherine Sozi destacou que “Moçambique nasceu acreditando no poder da autodeterminação, e as Nações Unidas nasceram acreditando no poder da cooperação”, lembrando que o país é um exemplo de compromisso com o multilateralismo.Foram lembrados também os contributos históricos de Moçambique à ONU, desde a luta anti-apartheid e a reconciliação nacional até ao papel ativo no Conselho de Segurança das Nações Unidas.O evento contou ainda com a inauguração de uma exposição fotográfica celebrando as contribuições de Moçambique às Nações Unidas e uma apresentação da cantora Neyma, Embaixadora da Boa Vontade do UNICEF, que encerrou a comemoração exaltando a cultura moçambicana. “A ONU pode contar com Moçambique”Por motivos de agenda, Sua Excelência a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação se encontrava fora do país. Contudo, gravou uma mensagem de vídeo especial para assinalar a data.Na mensagem, a Ministra felicitou a ONU pelas suas oito décadas de promoção da paz, do diálogo e do desenvolvimento sustentável; e destacou a liderança do Secretário-Geral António Guterres pela sua defesa incansável do multilateralismo e pela atenção dedicada às prioridades da África. “Para Moçambique, esta celebração representa um momento de reconhecimento a uma organização que tem estado connosco desde a independência, apoiando o nosso caminho rumo à paz, à estabilidade e ao progresso”, realçou a governante na mensagem de vídeo.“A ONU pode contar com Moçambique – e Moçambique continuará a contar com a ONU”, frisou a Ministra Maria Manuela dos Santos Lucas.A Ministra também destacou a relevância do Pacto do Futuro, adotado em 2024, como um marco global para renovar o sistema multilateral e enfrentar desafios como as mudanças climáticas, os conflitos e o terrorismo. Declaração Conjunta reafirma laços de cooperaçãoPara assinalar o Dia das Nações Unidas foi divulgada uma Declaração Conjunta assinada por Sua Excelência a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Sra. Maria Manuela dos Santos Lucas, e pela Coordenadora Residente das Nações Unidas, Dra. Catherine Sozi.O documento reafirma o compromisso conjunto de trabalhar lado a lado pela paz, pelo desenvolvimento sustentável e pela prosperidade partilhada de todas as pessoas em Moçambique.“Guiados pelos princípios intemporais da Carta das Nações Unidas, o Governo de Moçambique e as Nações Unidas reafirmam o seu compromisso de continuar a trabalhar juntos para realizar a promessa e o potencial desta Organização indispensável. Os desafios diante de nós são enormes, mas somos, de facto, melhores juntos”, sublinha o texto. Um compromisso que renova-seAs comemorações do Dia das Nações Unidas em Moçambique reforçaram a mensagem de que a cooperação multilateral continua a ser o caminho mais eficaz para enfrentar os desafios globais.Em suas notas finais, a Dra. Catherine Sozi sublinhou que o Sistema das Nações Unidas em Moçambique continuará a trabalhar com o Governo e o Povo moçambicano para promover paz, direitos humanos, igualdade e desenvolvimento sustentável.“Hoje, celebramos o passado, mas, acima de tudo, renovamos o nosso compromisso com o futuro – um futuro em que ninguém seja deixado para trás”, afirmou a Dra. Catherine Sozi, Chefe da ONU em Moçambique.
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História
30 novembro 2025
Caminhos para Resistir à Seca em Moçambique
MAPUTO, Moçambique - Alguns desastres chegam de repente - ciclones, cheias e terremotos mudam vidas em minutos. Mas a seca é um tipo diferente de crise: lenta e persistente. Para quem é afetado, cada dia traz novos desafios, enquanto os meios de subsistência, a saúde e a esperança se desgastam, deixando as famílias com poucas opções para reagir.“Nas duas últimas safras, não consegui colher nada”, compartilha Leria Maria, agricultora de 36 anos de Chemba, Província de Sofala, centro de Moçambique.Para Serenia Sezi, mãe de 10 filhos em Caia, a luta foi igualmente dura. “Durante a seca, ficamos sem nada. Comíamos o que conseguíamos encontrar”.Belinha Celestino, mãe de 39 anos de Caia, presenciou de perto o impacto do El Niño em sua comunidade. “No auge da seca, vi crianças desmaiarem de fome na escola dos meus filhos, estavam fracas”, relembra.“Alguns pais não tiveram escolha a não ser tirar os filhos da escola para ajudar a buscar comida no mato ou trabalhar para em troca de algum dinheiro ou comida”, continua Belinha.Essas mulheres vivem em comunidades rurais remotas, longe de serviços essenciais. A dura realidade da seca foi sentida em seus corpos e lares. Muitas vezes, a única forma de fazer a farinha de milho durar era deixar de comer para que as crianças pudessem se alimentar.“Sacrifiquei minhas refeições por muitos dias para que meus filhos tivessem pelo menos uma tigela de papa de milho por dia”, conta Serenia. O último fenômeno El Niño foi um dos mais intensos já registrados, devastando o centro e o sul de Moçambique.A seca nas Províncias de Tete, Manica, Sofala, Inhambane e Gaza afetou 1,8 milhão de pessoas que já viviam em situação de insegurança alimentar. As lavouras foram destruídas, os preços dos alimentos dispararam e a escassez regional de milho elevou os custos de importação.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
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História
30 outubro 2025
Hackathon: Jovens Combatem o Tráfico Humano Usando Tecnologia
MAPUTO, Moçambique – Trinta jovens programadores, de seis universidades diferentes de Moçambique – alguns já com experiência em hackathons, outros a participar pela primeira vez – ligaram os seus computadores prontos para enfrentar um dos crimes organizados mais complexos: o tráfico de pessoas.“Com as vossas linhas de código, podeis criar soluções com impacto na vida de milhares de moçambicanos”, afirmou o professor José Nhavoto, da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), na abertura do primeiro hackathon contra o tráfico humano em Moçambique.A iniciativa foi organizada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em parceria com a UEM, a Knowledge Foundation e a Procuradoria-Geral da República de Moçambique durante os dias 29 e 30 de outubro em Maputo.Antes de iniciarem a competição de 48 horas de programação, os 30 participantes passaram cinco dias num bootcamp intensivo centrado no tráfico de pessoas. A formação incidiu não só sobre o tráfico de pessoas, mas também sobre outras competências-chave de aprendizagem, como a aplicação de tecnologia no combate a este crime, o design thinking e a inovação Entre os formadores estiveram representantes da Procuradoria-Geral da República, professores da UEM, especialistas do UNODC, peritos Knowledge Foundation e membros da equipa “Lovelace”, vencedora do hackathon global co-organizado pelo UNODC em 2024 (Coding4Integrity).“Os participantes fizeram muitas perguntas pertinentes: ‘quais mecanismos existem nas fronteiras para detectar casos de tráfico? Como as investigações funcionam na prática? Como elas podem ser aprimoradas? Como funciona a cooperação com outros países?’”, recordou a Sra. Inilsa Esteves, Magistrada do Ministério Público e formadora do bootcamp. “Foi ótimo trabalhar com um público tão jovem e curioso”, afirmou a Magistrada Inilsa Esteves.Para muitos, o bootcamp marcou uma mudança de perspectiva. “Este bootcamp teve um impacto enorme em mim, tanto pessoal como profissional”, disse Dalton Chivambo, estudante de Engenharia Informática.“Antes do bootcamp, tinha apenas uma ideia vaga do que era o tráfico de pessoas; agora percebo a gravidade e a complexidade deste fenômeno. Esta formação me motivou a aprender mais e a contribuir para iniciativas como esta”, comentou Dalton.Já para Clementina Elihud, o que mais lhe inspirou foi a oportunidade de interagir com os formadores do hackathon. “Profissionalmente, os formadores inspiraram-me, sobretudo a Amanda e a Kea – mulheres na tecnologia que nos mostram o que podemos atingir enquanto mulheres neste setor”. 48 horas para fazer a diferençaOs participantes puderam escolher entre dois desafios: o recrutamento de vítimas em plataformas digitais ou a reintegração social das vítimas após o seu resgate.Enquanto todas as outras equipas optaram pelo primeiro desafio, a equipa Libertech, composta por Domingos Alfredo, Esperança Munlela e Isa Neide Sitoe, escolheu o segundo desafio.“No início do bootcamp, queríamos nos focar na prevenção”, contou Domingos. “Mas depois percebemos que também precisamos de pensar no que acontece depois do tráfico. Em Moçambique, este tema quase não é falado”.Assim nasceu a WIRA, uma plataforma de formação, cujo nome na língua local emakhuwa significa “reerguer, revitalizar, reedificar”. “A WIRA devolve às vítimas o que o tráfico lhes roubou: a capacidade de escolher o seu próprio futuro”, explica Esperança, um dos membros da equipa. Reconhecendo os desafios de conectividade do país, a Libertech integrou também tecnologia USSD e SMS no desenvolvimento da plataforma, a fim de torná-la acessível até para utilizadores de telemóveis sem acesso à internet.“Candidatamo-nos ao hackathon para aprendermos, para nos divertirmos e pela experiência”, explica Esperança.A experiência se transformou em vitória. A equipa Libertech conquistou o primeiro lugar do hackathon, recebendo computadores portáteis e uma oportunidade de colaboração com a rede internacional de programadores da Knowledge Foundation. Além da Libertech, várias equipas criaram soluções criativas e acessíveis, adaptadas à realidade moçambicana – desde chatbots e sistemas USSD até ferramentas de verificação de ofertas de emprego e canais anónimos de denúncia.Outras soluções apostaram em sistemas de análise de dados, visando apoiar autoridades na detecção de padrões e riscos. Parceiros no combate ao tráfico de pessoasO painel do júri das oito soluções apresentadas reuniu representantes do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, da Procuradoria-Geral da República, da BCX, uma empresa de tecnologia de informação focada na transformação digital, e da WansaTi Lab, a Associação Moçambicana de Mulheres na Tecnologia.“Em apenas 48 horas, fizeram um trabalho notável”, disse Aristides Parruque, da BCX. “Muitos profissionais desta área teriam dificuldade em entregar produtos com esta qualidade em tão pouco tempo”.Ângela Massango, Magistrada do Ministério Público e Coordenadora do Grupo de Referência para a Proteção da Criança, Combate ao Tráfico e Migração Ilegal da Cidade de Maputo, sublinhou que, caso fossem adotadas, as soluções apresentadas poderiam fortalecer de forma significativa o trabalho do Ministério Público no combate ao tráfico de pessoas na Cidade de Maputo. Mais do que uma competição“Foi o meu primeiro hackathon; e aprendi imenso, não só sobre tecnologia, mas sobre o tráfico de pessoas” contou Miro Lino, um dos participantes. “O que eu achava que sabia sobre este tópico era completamente diferente da realidade. Até aprendi a integrar aplicações, e em apenas 48 horas”, continuou.“Adoro programar, e fazê-lo por uma causa como combater o tráfico de pessoas foi realmente especial”, disse Isaltina Pepete, uma outra participante. Para Daya Hayakawa, Coordenadora do UNODC para o Tráfico de Pessoas e Tráfico de Migrantes na África Austral, “colaborar com mentes brilhantes para encontrar soluções reais, trazendo a juventude para o centro do nosso trabalho é o que torna o trabalho das Nações Unidas no terreno tão inspirador”.“Ouvir as dúvidas e reflexões destes estudantes, tão diferentes das que encontro no meu dia a dia, ensinou-me tanto quanto espero ter-lhes ensinado”, acrescentou Daya Hayakawa.Para Moçambique, fica a promessa: uma geração de jovens programadores pronta a desenvolver soluções que protegem comunidades do tráfico de pessoas, uma linha de código de cada vez.O UNODC agradece ao Reino da Noruega e ao Governo de Moçambique pelo seu apoio no âmbito desta iniciativa.
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História
22 agosto 2025
“Erradicar a exploração e o abuso sexuais é um imperativo moral”
MAPUTO, Moçambique - O Senhor Christian Saunders, Subsecretário-Geral e Coordenador Especial para o Aprimoramento da Resposta das Nações Unidas à Exploração e ao Abuso Sexuais, concluiu hoje uma visita oficial a Moçambique, realizada entre 17 e 22 de agosto.A missão reforçou o compromisso conjunto do Governo de Moçambique e das Nações Unidas na proteção da dignidade, dos direitos humanos e da segurança de todas as pessoas, em particular das mais vulneráveis. “Estou aqui para ouvir as comunidades, para compreender os desafios e para garantir que a ONU continua a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para prevenir e responder a qualquer forma de exploração e abuso sexuais”, afirmou o Subsecretário-Geral.Durante os seis dias de visita, o Senhor Saunders se reuniu com autoridades nacionais, representantes da sociedade civil, parceiros de cooperação, bem como com entidades humanitárias e de desenvolvimento das Nações Unidas. Em Maputo e em Cabo Delgado, manteve encontros com pessoas afetadas por conflito e eventos climáticos extremos. “As vozes das vítimas e sobreviventes devem estar no centro da nossa ação coletiva. Elas não podem ser esquecidas nem silenciadas”, sublinhou Christian Saunders. A visita destacou os esforços em curso para reforçar mecanismos de prevenção, de denúncia e de prestação de contas em Moçambique. Para a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente da ONU e Coordenadora Humanitária para Moçambique, a missão foi uma oportunidade de continuar o "engajamento com o governo, com as comunidades, com mulheres e homens, com pessoas com deficiência, com crianças, com jovens e idosos, para reforçar e passar a mensagem de que não há lugar para a exploração e abuso sexuais". "Há uma compreensão das pessoas de que não podemos fazer mal, uma compreensão de que o governo deve assumir a liderança, uma compreensão de que a legislação não deve apenas ser forte, mas também implementada, e que realmente não há espaço para exploração e abuso sexuais em nenhuma comunidade, nem aqui em Moçambique, nem em nenhum lugar do mundo" - afirmou a Dra. Sozi, Chefe da ONU em Moçambique. Entre as áreas priorizadas durante a missão estiveram o fortalecimento de canais seguros e confidenciais para denúncias, a formação de profissionais que atuam em contextos de emergência e o apoio às instituições nacionais na implementação de políticas de tolerância zero contra a exploração e o abuso sexuais. “O Governo e as Nações Unidas em Moçambique já deram passos importantes, mas precisamos garantir que as medidas de prevenção e resposta são consistentes, eficazes e sustentáveis”, afirmou o Subsecretário-Geral da ONU sobre os progressos alcançados até ao momento no país.Desde 2017, Cabo Delgado tem vivido uma complexa crise causada por conflito e eventos climáticos extremos que já deslocou mais de um milhão de pessoas. A proteção das comunidades e a garantia de respostas humanitárias seguras continuam a ser prioridades centrais do trabalho da ONU. “Erradicar a exploração e o abuso sexuais não é apenas uma obrigação institucional, é um imperativo moral. Todos temos a responsabilidade de proteger os mais vulneráveis”, concluiu o Senhor Saunders.
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História
23 setembro 2025
"ONU ajuda a garantir equilíbrio entre países grandes e pequenos"
NOVA IORQUE, EUA - Moçambique traz uma mensagem de renovação às Nações Unidas, neste momento em que a organização completa 80 anos. Já o país africano celebra o 50º aniversário desde sua independência de Portugal.O país está sendo representado no Debate Geral das Nações Unidas pelo seu novo presidente, Daniel Chapo. Nesta primeira entrevista à ONU News, desde que assumiu o posto, ele disse que a ONU segue sendo indispensável para um mundo mais próspero e justo para todos. Semente para a juventude“E não tem como desenvolver sem ter paz e segurança e não estar dentro deste grande órgão que toma grandes decisões sobre estes aspectos a nível do mundo. Portanto, esta é a grande mensagem que queria deixar para a juventude. Pensarmos numa ONU no futuro. O engenheiro António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, já lançou uma semente. Cabe a nós regá-la, acarinhá-la para crescer e termos, portanto, uma ONU do futuro”.Chapo chega à ONU, após uma onda de violência em seu próprio país depois das eleições presidenciais. Houve protestos de rua e até mortes. O novo chefe de Estado também herdou uma situação de conflito na província de Cabo Delgado, uma área rica em recursos naturais, no norte de Moçambique, que está sendo alvo de extremistas islâmicos e grupos armados não-estatais desde 2017. Terrorismo em Cabo Delgado“Realmente em Cabo Delgado, norte da província de Cabo Delgado, principalmente, temos descoberta de recursos naturais, principalmente o gás. Temos três empresas, mas quatro projetos. Com a Eni que é italiana, tempos dois projetos Coral Sul e Coral Norte. Os dois estão orçados em cerca de US$ 14 bilhões. Tempos um projeto com a Total que é francesa, cerca de US$ 15 bilhões. E um outro projeto liderado pela americana Exxon de cerca de US$ 20 bilhões. Portanto os três projetos fazem cerca de US$ 150 bilhões, mas infelizmente, desde 2017 que estamos a ter ataques terroristas”.O presidente disse que o apoio de forças africanas regionais com alguns países têm ajudado a controlar a situação, mas “ataques esporádicos” ainda ocorrem. Numa outra frente política, ele lançou um diálogo nacional para promover reconciliação e mais entendimentos em todos os estratos da sociedade moçambicana. Desastres naturaisEm 2019, Moçambique foi atingido por dois ciclones em um mês: Idai e Kenneth. A partir daí, o país tem sofrido com desastres naturais, que assolam regiões inteiras deixando milhares de desabrigados. Este é um tema que o presidente está levando a cabo com o governo para que a esfera de alertas precoces se alastre por todo o território nacional.Ao falar da mensagem que deve levar para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP30, Daniel Chapo, defendeu que os países que poluem mais precisam contribuir mais para a ação climática. E para ele, a ONU é o fórum ideal para esse diálogo. Justiça global“Quando realmente não há este fórum de comunicação multilateral e passamos para apenas comunicações bilaterais, o que acontece é que depois há aquele jogo dos mais fortes e os mais fracos. Em função disso, há realmente reuniões em que se tomam grandes decisões, mas depois não se cumprem. Mas quando organizações multilaterais desta dimensão, achamos que é muito importante depois dar seguimento e passarmos não só da palavra para a ação. O financiamento climático está a acontecer. Nós, há duas semanas, com Moçambique aprovamos uma estratégia de financiamento climático, a nível do Conselho de Ministros, mas temos que sair da palavra para ação e sobretudo fazermos a justiça global nesse aspecto associado com a mudança climática e as suas consequências”.Um dos temas da 80ª. Sessão da Assembleia Geral este ano é o Primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial. Para o secretário-geral da ONU, é preciso assegurar que os seres humanos estejam no centro das políticas sobre inteligência artificial para que a nova tecnologia seja usada para o bem. Redes sociaisChapo que investe nas redes sociais como uma das vertentes de comunicação e informação do seu próprio governo diz que é preciso ser consequente com o trato da informação tanto para quem divulga como para quem recebe.“Como se sabe, as redes sociais, elas trazem tudo incluindo os famosos fake news, mas também a questão relacionada com manipulações em termos de informação e conteúdo. E com a inteligência artificial, a situação piorou de vez, em todo o planeta Terra. Daí que acho que é extremamente importante a manutenção de órgãos tradicionais como este caso da ONU News. Quando nós estamos em órgãos como esse, as pessoas sabem muito que bem que esta notícia, esta informação, esta entrevista é real e é verdadeira”.Daniel Chapo chega ao poder como um dos estadistas mais jovens do continente africano e representando uma faixa eleitoral que exige mudanças. Para ele, esse também deve ser o rumo a tomar quando se trata da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp. CplpO bloco, que faz 30 anos em 2026, deve ser mais comercial para gerar riqueza e influência política para seus cidadãos. E isso passa por mobilidade para que qualquer lusófono possa trabalhar e viver livremente dentro desse espaço geográfico, que inclui os quatro cantos do globo.Daniel Chapo foi claro: a Cplp tem que investir mais em negócios ao mesmo tempo que faz concertação diplomática e promove a língua em comum.Moçambique é o terceiro país de língua portuguesa a discursar na ONU no primeiro dia do Debate Geral. O presidente Daniel Chapo será seguido pelos chefes de Estado e Governo de Angola, Guiné-Bissau, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.
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História
22 janeiro 2026
Moçambique, ONU e Parceiros Intensificam Esforços para Salvar Vidas
MAPUTO, Moçambique - Mais de 600 mil pessoas já foram afetadas pelas cheias severas no sul e centro de Moçambique e 120 mortes registradas, após semanas de chuvas intensas. As províncias de Gaza, Maputo e Sofala estão entre as mais atingidas, com casas, unidades de saúde e infraestruturas gravemente danificadas.Quase 5.000 km de estradas foram afetados em nove províncias, incluindo a principal via que liga Maputo ao resto do país, hoje inacessível. Cadeias de abastecimento estão interrompidas e mais de 27 mil cabeças de gado foram perdidas.O Governo de Moçambique lidera a resposta, com apoio das Nações Unidas e parceiros humanitários. Estão em curso operações de busca e salvamento, evacuações preventivas e avaliações de danos. Atualmente, mais de 50 mil pessoas deslocadas encontram-se acolhidas em 50 centros temporários em todo o país.As Nações Unidas estão a reforçar assistência vital — abrigo, água potável, saneamento, cuidados de saúde, nutrição para bebés e mães, vacinação e apoio em dinheiro — garantindo dignidade, proteção e segurança às famílias afetadas.“Neste momento, a prioridade absoluta é salvar vidas — garantindo alimentação, água limpa, abrigo seguro, cuidados de saúde, nutrição para bebés e mães, e apoio em dinheiro para proteger a dignidade e a segurança”, afirmou a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente da ONU e Coordenadora Humanitária para Moçambique. “Ao mesmo tempo, precisamos ajudar as comunidades a reconstruir e reduzir riscos futuros. Este é um momento que exige renovada solidariedade global”, continuou. Em apoio à liderança do Governo, o sistema das Nações Unidas está plenamente mobilizado em Gaza e noutras províncias afetadas para responder à emergência das cheias:A FAO está a priorizar o apoio à restauração rápida da produção alimentar — destacando equipas de emergência, apoiando agricultores com sementes de ciclo curto, proteção pecuária e reabilitação das pescas, ajudando a evitar a perda da janela crítica de plantio.O IFAD está a ativar o seu mecanismo de Resposta Rápida a Emergências e Desastres (RRED) nos projetos PRODER e PROCAVA, permitindo prestar apoio rápido e direcionado às comunidades afetadas pelas cheias.A OIM continua a apoiar com o acompanhamento essencial do deslocamento populacional e a reforçar as medidas de proteção e PSEA.A UNESCO está a investir no reforço das capacidades de alerta precoce e resposta multirriscos, com intervenções que reforçam as avaliações de risco climático, o planeamento adaptativo e a governação inclusiva do risco de desastres, etc.O UN-Habitat está a apoiar a coordenação do setor de abrigo em Gaza e a avançar com avaliações críticas dos assentamentos, infraestruturas públicas e serviços básicos, fornecendo igualmente orientação técnica para uma reconstrução resiliente e reforço das capacidades locais.O UNICEF intensificou o apoio em água e saneamento, saúde, nutrição, educação, proteção infantil e proteção social, destacando liderança de clusters e capacidade logística para Gaza, e respondendo em várias províncias com fornecimento de serviços e bens vitais.A OMS e a ONUSIDA estão apostos para apoiar a continuidade do acesso aos serviços de saúde, e do tratamento para as pessoas que vivem com VIH.Olhando para a frente, o PNUD está preparado para apoiar a avaliação de danos em habitações e edifícios, e coordenar um Análise de danos pós-desastre, com o Governo e parceiros.Por meio das 25 entidades da ONU trabalhando no país, e juntamente com os nossos parceiros regionais, já mobilizamos uma equipa humanitária multissectorial que está a apoiar o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE) móvel na Província de Gaza.Adicionalmente, uma equipa do Sistema de Avaliação e Coordenação de Desastres das Nações Unidas, composta por especialistas com habilidades em coordenação, gestão de informações, avaliação, emergências ambientais, administração e finanças, foi mobilizada e chegará ao País o mais rápido possível.Moçambique enfrenta crises sobrepostas - cheias, deslocamento forçado, doenças e pressão económica - que afetam repetidamente as mesmas comunidades.A solidariedade internacional é urgente e essencial.
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História
03 dezembro 2025
Quebrando Barreiras: Saúde e Proteção para Pessoas com Deficiência
MAPUTO, Moçambique - O acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva (SSR) e violência baseada no género (VBG) é um direito humano fundamental, mas em Moçambique, as pessoas com deficiência enfrentam desafios significativos e complexos relacionados com esse acesso. Estas barreiras são multifacetadas, variando desde a inacessibilidade física até preconceitos sociais profundamente enraizados. O problema: uma teia de obstáculosO acesso limitado aos serviços deve-se a várias barreiras críticas:Distância física e transporte: Longas distâncias até clínicas e centros de serviços, juntamente com uma grave falta de transporte acessível e económico;Má qualidade e acessibilidade dos serviços: muitas instalações existentes são fisicamente inacessíveis (sem rampas, corrimãos ou dispositivos auxiliares). Além disso, há falta de pessoal que saiba usar linguagem gestual ou fornecer materiais em braille ou linguagem de fácil leitura; eDiscriminação e falta de conhecimento: os prestadores de serviços muitas vezes não têm consciência dos desafios associados às deficiências e nutrem atitudes e crenças discriminatórias, o que prejudica gravemente a qualidade dos cuidados. A intersecção da vulnerabilidade: mulheres e raparigas com deficiênciaMulheres e raparigas com deficiência enfrentam desafios únicos devido à intersecção entre o seu género e a sua deficiência. Isso muitas vezes significa que lhes é negado o direito de tomar decisões sobre a sua própria saúde sexual e reprodutiva.Esta maior vulnerabilidade resulta em riscos mais elevados de:Violência sexual e baseada no género;Gravidezes indesejadas;Abortos inseguros; eInfecções sexualmente transmissíveis.O isolamento social e familiar aumenta ainda mais o risco. Muitas vezes, essas pessoas ficam escondidas em casa e não têm apoio da comunidade. Embora a subnotificação de violência de género seja comum em Moçambique, as barreiras à mobilidade, comunicação e o isolamento severo agravam a situação das pessoas com deficiência, que também podem sentir vergonha ou culpa, especialmente quando o agressor é um membro da família ou cuidador. A solução: ferramentas inclusivas e procedimentos padronizadosPara resolver esta lacuna crítica e tornar os serviços mais inclusivos, o UNFPA estabeleceu uma parceria com a organização da sociedade civil AIFO – Associazione Italiana Amici di Raoul Follereau, em 2024. Esta colaboração teve como objetivo equipar os prestadores de serviços com conhecimentos e ferramentas práticas e detalhadas. O Que Foi Desenvolvido?O projeto resultou de um rigoroso processo de consulta com pessoas com deficiência, cuidadores, prestadores de serviços e setores governamentais. Os principais recursos incluem:Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) e Manual Operacional: orientações detalhadas e práticas para todas as fases da prestação de serviços — desde o atendimento e tratamento até o encaminhamento e acompanhamento.Álbum Seriado: uma ferramenta vital para comunicação alternativa e aumentativa. Este álbum facilita a interação entre prestadores e pessoas com dificuldades de comunicação, incluindo pessoas surdas, com deficiências auditivas ou intelectuais, ou indivíduos que temporariamente apresentam dificuldade para falar (por exemplo, devido a trauma). Fase Piloto e Próximos PassosApós aprovação do governo, os POPs foram testados durante quatro meses em três províncias — Maputo (sul), Manica (centro) e Cabo Delgado (norte) — tanto em unidades de saúde como em centros de atendimento único para vítimas de violência baseado no género. Principais atividades durante o projeto-piloto:Os prestadores de serviços receberam formação intensiva sobre a utilização dos POPs, do Manual e do Álbum Seriado.Representantes de Organizações de Pessoas com Deficiência (OPDs) foram contratados para criar ativamente procura pelos serviços e monitorizar o progresso da implementação.É evidente nesta fase que o impacto é positivo e significativo, com benefícios diretos para a qualidade de vida da população e para o fortalecimento de um sistema mais justo e inclusivo. Com este programa, a qualidade da prestação de serviços melhorou, conquistando a confiança da população — especialmente das pessoas com deficiência — que agora tem muito mais facilidade para acessar os serviços devido à remoção das barreiras.Como explicou Eunice Lacastre, psicóloga clínica do Centro de Cuidados Integrados de Chimoio, “as principais conquistas que observámos com a implementação deste projeto incluem a capacidade dos profissionais de desenvolver uma abordagem inclusiva, aprendendo a lidar com cada tipo de deficiência, e a implementação de materiais de comunicação inclusivos". "Antes do início do projeto, não recebíamos pessoas com deficiência nos nossos serviços porque elas tinham medo de vir devido às barreiras existentes. Agora, temos visto um aumento na procura por serviços por parte de pessoas com deficiência", afirmou a psicóloga Eunice. Financiamento e apoioEsta iniciativa crucial resulta de programas conjuntos da ONU em Moçambique, com apoio financeiro do Fundo Global para a Deficiência (GDF)*. O desenvolvimento do Álbum Seriado, que mudou vidas, foi apoiado pelo Programa Global da UNFPA-UNICEF para Acabar com o Casamento Infantil (GPECM).*O programa GDF Parceria para a Realização dos Direitos das Pessoas com Deficiência em Moçambique, implementado conjuntamente pela UNICEF, UNFPA e OHCHR, financiou a fase de desenvolvimento dos POPs e do Manual Operacional, enquanto o programa regional GDF Cuidados Não Remunerados, Deficiência e Abordagem Transformadora de Género, implementado conjuntamente em Moçambique pelo PNUD, UNFPA e ONU Mulheres, financiou a fase piloto.
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História
23 outubro 2025
80 Anos da ONU: Foco nos Jovens e na Inclusão
MAPUTO, Moçambique - As Nações Unidas e o Governo de Moçambique iniciaram as celebrações conjuntas do Dia da ONU com uma cerimônia especial na Escola Primária Completa Benfica Nova, em Maputo, neste 23 de outubro, marcando os 80 anos da organização e os 50 anos da parceria com Moçambique.O evento reuniu mais de 1.000 participantes entre crianças, professores, pais, autoridades locais e representantes das Nações Unidas, e teve como lema central “construindo nosso futuro juntos”. Educação inclusiva e o poder de não deixar ninguém para trásA celebração foi codirigida por Sua Excelência a Ministra da Educação e Cultura, Sra. Samaria Tovela, e pela Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária para Moçambique, Dra. Catherine Sozi.Ambas destacaram a importância de colocar as crianças e os jovens no centro das políticas públicas e dos programas de desenvolvimento.“Desde a sua fundação, em 1945, a ONU tem sido um farol de esperança para milhões de pessoas, e uma parceira essencial na promoção da educação de qualidade em Moçambique”, afirmou a Ministra Samaria Tovela. Segundo a governante, o país está comprometido em construir um sistema educativo mais inclusivo, que permita a todas as crianças e a todos os jovens aprender e crescer com dignidade.“Mesmo diante de desafios, mantemos firme o nosso compromisso de garantir uma educação de qualidade que transforma vidas e constrói o futuro de Moçambique”, frisou a Ministra da Educação e Cultura.“Os jovens e as crianças são quem efetivamente levarão adiante o desenvolvimento das nossas nações. Precisamos de um pacto que coloque a juventude no centro das políticas públicas, garantindo que ninguém fique para trás”, continuou a Ministra Samaria Tovela. Aprender pela experiência: futebol para cegos e oficinas sobre os ODSA manhã começou com uma demonstração de futebol para cegos, parte do programa de inclusão da escola, que integra alunos com deficiência visual nas atividades desportivas.Durante a atividade, tanto a Ministra como a Dra. Catherine Sozi colocaram viseiras escuras e jogaram com bolas equipadas com guizos, experimentando em primeira pessoa a dificuldade e a coragem que acompanham as crianças com deficiência no dia a dia. “Foi uma experiência transformadora”, disse a Dra. Sozi. “Jogando com os olhos vendados, percebemos como a inclusão exige empatia, adaptação e solidariedade”.“Cada criança deve ter a oportunidade de participar, aprender e sonhar, independentemente das suas limitações físicas ou circunstâncias de vida”, afirmou a Chefe da ONU em Moçambique, Dra. Catherine Sozi. Após o jogo, os estudantes se dividiram em grupos temáticos sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), guiados por professores e representantes das diferentes entidades da ONU no País. As crianças e os jovens tiveram a oportunidade de discutir temas como educação, igualdade de gênero, saúde, migração, meio ambiente e paz, aprendendo de forma lúdica como os ODS moldam o futuro de Moçambique e do planeta.No final, cada grupo apresentou as suas conclusões e desejos para o futuro, desde “um mundo melhor para todas e todos, sem casamento prematuro” até “água potável em todas as escolas”. Um olhar para o futuro: 50 anos de parceria entre ONU e MoçambiqueEm sua intervenção, a Coordenadora Residente da ONU, Dra. Catherine Sozi, destacou que Moçambique é um exemplo de compromisso com o multilateralismo, a paz e os direitos humanos. A Chefe da ONU lembrou que o país tem contribuído ativamente para o Sistema das Nações Unidas, desde a luta anti-apartheid até o atual papel no Conselho de Segurança da oganização.“Moçambique nasceu acreditando no poder da autodeterminação, e a ONU nasceu acreditando no poder da cooperação”, afirmou a Dra. Sozi.“Os progressos são visíveis: mais crianças vão à escola, há maior igualdade de gênero e avanços na resposta às mudanças climáticas. Contudo, ainda há muito a ser feito”, continuou a Chefe da ONU em Moçambique.Para a Dra. Catherine Sozi, “a ONU continua ao lado do Governo e do povo moçambicano para garantir que cada pessoa tenha oportunidades reais de viver em paz e de alcançar o seu pleno potencial”.A celebração terminou com o corte simbólico do bolo comemorativo dos 80 anos da ONU e 50 anos da parceria com Moçambique, seguido de uma apresentação especial da cantora Neyma, Embaixadora da Boa Vontade do UNICEF. “Hoje, vimos a esperança nas vozes das nossas crianças. Elas são a razão pela qual existimos e trabalhamos todos os dias”, ressaltou a Dra. Sozi. “Como Coordenadora da ONU em Moçambique, prometo que vos ouviremos e faremos o nosso melhor para honrar essa esperança hoje, neste dia de festa, e em todos os dias”, concluiu.
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História
14 outubro 2025
Do risco para a resiliência: Proteção das infraestruturas críticas de Moçambique
MAPUTO, Moçambique - As infraestruturas são a espinha dorsal de todas as sociedades. Quando a electricidade, a água, os transportes ou as comunicações são interrompidos, milhões de pessoas podem ser afectadas em poucos minutos. Em Moçambique, onde as comunidades do Norte do País continuam a enfrentar ataques de grupos armados não-estatais, que deslocaram mais de um milhão de pessoas e causaram mais de 6.200 mortes desde 2017, a proteção das infraestruturas críticas não é apenas uma questão de eficiência. É uma questão de segurança e sobrevivência.Desde 2024, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) tem apoiado Moçambique, com o apoio dos governos do Japão e da Noruega, no reforço da resiliência das infraestruturas críticas contra o fenômeno do terrorismo. Seis ciclos de formação, totalizando mais de 150 horas, envolveram 199 funcionários de agências de segurança, justiça e técnicas de todo o país, dotando-os de ferramentas práticas para prevenir e responder a ameaças que visam serviços essenciais."Hoje em dia, infraestruturas como redes de energia, comunicações e transportes estão cada vez mais expostas a ataques", explica uma formanda da Polícia da República de Moçambique (PRM). "Esta formação foi uma oportunidade importante para a PRM reforçar a sua capacidade de proteger esses sistemas essenciais e responder de forma rápida e eficaz a ameaças que ultrapassam fronteiras", continuou.O programa abrangeu várias instituições, reunindo instituições responsáveis pela aplicação da lei e de justiça criminal, nomeadamente a PRM, a Procuradoria-Geral da República, o Serviço Nacional de Migração, o Serviço Nacional de Investigação Criminal e o Serviço de Informação e Segurança do Estado, bem como agências especializadas, incluindo a Agência Nacional de Energia Atómica (ANEA) e o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).Como destaca o Diretor-Geral da ANEA, Moniz Ernesto Zuca, esta dimensão técnica é essencial, "o nosso mandato de proteger as pessoas, os bens e o ambiente contra riscos nucleares e radiológicos requer mais do que normas e supervisão: requer também resiliência prática e capacidades de segurança". "Ao dotar os nossos técnicos de competências em áreas como a identificação e designação de infraestruturas críticas, avaliação de riscos, sistemas de controlo de acessos e detecção de intrusões, cibersegurança, proteção de dados e comunicação de crises, estes cursos de formação oferecem ferramentas concretas para reforçar a proteção das infraestruturas críticas sob a nossa jurisdição", explica Zuca.As formações combinaram módulos operacionais e técnicos com exercícios práticos. Os participantes aumentaram a sua capacidade de avaliar ameaças terroristas, identificar indicadores de radicalização violenta e aplicar procedimentos de avaliação de riscos e resposta a emergências. As sessões reforçaram, também, a coordenação entre agências através de exercícios práticos sobre controlo de acessos, prevenção de incêndios e explosões, protecção de dados e comunicação em situações de crise.Para muitos participantes, a formação foi marcante. "[Este curso] impactou muito na minha visão e análise sobre as ameaças crescentes e as vulnerabilidades do nosso país e os desafios inerentes a segurança e protecção das infraestructuras críticas", afirma Mário Tamela, coordenador da Unidade Nacional de Proteção Civil do INGD."Proteger infraestruturas críticas significa proteger pessoas. Através desta formação, as autoridades moçambicanas envolvidas reforçaram a sua capacidade de implementar procedimentos-padrão para prevenir, detectar e responder a ameaças terroristas que visam infraestruturas críticas, incluindo portos, redes energéticas, sistemas de água e ligações de transporte", explica a Coordenadora de Projetos de assistência técnica no âmbito do contraterrorismo do UNODC em Moçambique. "Através desta abordagem prática e multiagências, baseada em normas internacionais e adaptada à realidade de Moçambique, pretendemos reforçar a resiliência nacional contra a ameaça do terrorismo", frisa a Coordenadora de Projetos do UNODC.A Guarda Nacional Republicana de Portugal tem participado enquando organização formadora das sessões, partilhando a sua experiência e abordagens. "Estamos muito satisfeitos por partilhar a experiência de Portugal na protecção de infraestruturas críticas com as instituições moçambicanas"."Ao longo destas seis formações, tivemos oportunidade de testemunhar um elevado nível de compromisso e de empenho por parte dos participantes, refletido no interesse, na qualidade das discussões e na vontade de aplicar os conhecimentos adquiridos", afirma o Coronel José Tavares Duarte, oficial de ligação da Embaixada de Portugal em Moçambique.
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História
01 outubro 2025
Comunidades de Corrane se beneficiam de novas instalações sociais e de saúde
CORRANE, Moçambique - A Organização Internacional para as Migrações (OIM) entregou hoje um novo centro de saúde, casas sustentáveis e instalações de água e saneamento às autoridades governamentais em Corrane, Província de Nampula. Isso representa um marco significativo nos esforços colaborativos para apoiar as comunidades deslocadas e de acolhimento em Nampula. O centro comunitário, anteriormente construído e em funcionamento, continua a servir como um centro de serviços sociais.O novo centro de saúde, construído com métodos duráveis e resilientes, fornece cuidados primários à comunidade de Mucapassa, fortalecendo o acesso equitativo aos serviços de saúde para famílias que vivem em condições vulneráveis. 50 casas resilientes também foram concluídas, somando-se aos mais de 2.300 abrigos de emergência construídos anteriormente. As intervenções de água e saneamento incluem uma torre de água para a instalação, dois furos com design inclusivo e luz solar, além de latrinas ventiladas com unidades de banho para 450 famílias.“Enquanto o centro comunitário serve como plataforma de diálogo para abordar os desafios da comunidade de Corrane, o centro de saúde recém-inaugurado fornecerá cuidados de saúde primários a crianças, idosos, gestantes e jovens em idade reprodutiva”, afirmou Luísa Meque, Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). Meque recordou ainda que o centro de reassentamento de Corane foi criado em 2020 para acolher famílias oriundas de Cabo Delgado, em área de 1.500 hectares, dos quais 300 destinados à habitação e 1.200 à produção agrícola. “O Governo continuará a mobilizar recursos e meios para manter a assistência humanitária e reforçar o autossustento das famílias reassentadas”, garantiu.Nos últimos quatro anos, a OIM implementou uma resposta multissetorial em Corrane, apoiando a coordenação e gestão de acampamento, a saúde, a proteção, o abrigo, a água e o saneamento e a coleta de dados. Desde a melhoria da acessibilidade e da mobilidade em Corrane, a criação de um centro comunitário, o avanço das iniciativas de empoderamento das mulheres e a coleta contínua de dados e o treinamento da equipe local, a OIM continua a promover a mudança social e a apoiar as autoridades no planejamento e na resposta eficaz.“Esta transferência é um testemunho da força da colaboração e da liderança local”, disse a Dra. Laura Tomm-Bonde, Chefe de Missão da OIM em Moçambique.“Juntos, atendemos às necessidades urgentes e, ao mesmo tempo, lançamos as bases para a recuperação e resiliência a longo prazo”, continuou a Dra. Laura. Por sua vez, o Secretário de Estado da província de Nampula, Plácido Pereira, enalteceu o empenho da OIM e de outras agências das Nações Unidas na melhoria das condições de vida dos deslocados. “No início eram apenas tendas e lonas. Hoje temos casas, estradas, furos de água e um centro de saúde. Este progresso é fruto de uma cooperação sólida e deve beneficiar tanto deslocados como comunidades locais”, afirmou.“As instalações oficialmente entregues hoje fazem parte dos esforços de cooperação entre o Governo e os parceiros para melhorar as condições de vida tanto das populações deslocadas quanto das comunidades anfitriãs”, disse Plácido Nerino Pereira, Secretário de Estado da Província de Nampula. “Moçambique mostra que, com liderança e resiliência, é possível transformar o deslocamento e a vulnerabilidade em soluções dignas e duradouras”, disse a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente da ONU em Moçambique.“A ONU tem orgulho de apoiar o Governo nesta jornada rumo à resiliência e de garantir que todas as pessoas deslocadas internamente tenham o direito de viver com dignidade, esperança e segurança”, continuou a Dra. Catherine Sozi. As famílias reassentadas aproveitaram o momento para manifestar gratidão ao Governo e aos parceiros. “As casas, os furos de água, as latrinas e o centro comunitário mudaram as nossas vidas e ficarão para sempre gravados na memória da comunidade”, declararam em mensagem colectiva.Apesar do reconhecimento, os deslocados pediram mais apoios, sobretudo na área da saúde materna. “Precisamos de uma maternidade e de um furo de água para o centro de saúde em Mucupassa, para garantir melhores condições de higiene e segurança”, apelaram.Os deslocados encerraram a sua mensagem com um apelo à continuidade da solidariedade. “O que hoje temos é fruto da cooperação, mas ainda falta. Continuamos a acreditar que, com o apoio do Governo e da OIM, a nossa dignidade será plenamente restaurada”, concluíram os reassentados À medida que o Governo de Moçambique assume a liderança em Corrane, a OIM e os parceiros reafirmam o seu apoio ao fortalecimento dos serviços e à construção de um futuro mais seguro e resiliente para a comunidade.
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Comunicado de Imprensa
22 janeiro 2026
Declaração atribuída ao Porta-voz do Secretário-Geral sobre Moçambique
NOVA IORQUE, EUA - Além disso, em Moçambique, nosso Coordenador de Ajuda de Emergência, Tom Fletcher, destinou US$ 5 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências para responder às inundações generalizadas no país. Os novos recursos apoiarão a resposta dirigida pelo governo nos distritos afectados pelas enchentes em Gaza e províncias vizinhas, incluindo Maputo e Sofala.Entretanto, os nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários informam que um total estimado de 350.000 pessoas foram deslocadas devido a essas inundações em Moçambique.Nós, juntamente com nossos parceiros, continuamos a intensificar nossos esforços, com barcos disponíveis para operações de busca e resgate. Dois veículos anfíbios do Programa Mundial de Alimentos também foram enviados para a área para tentar alcançar pessoas que, de outra forma, seriam inacessíveis.O PMA está utilizando seus recursos limitados ao máximo para apoiar 375.000 homens, mulheres e crianças com kits de alimentos de emergência para sete dias. O OCHA também afirma que um Plano de Resposta e Necessidades Humanitárias revisado para 2026 será lançado amanhã pelo Governo de Moçambique e pela ONU para refletir sobre as necessidades humanitárias relacionadas a essas inundações.A Organização Internacional para as Migrações (OIM) tem equipes que trabalham em locais prioritários para melhorar as condições nos centros de acolhimento, fortalecer a cooperação e garantir a proteção daqueles que estão em maior risco.
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Comunicado de Imprensa
21 janeiro 2026
Declaração atribuída ao Porta-voz Adjunto do Secretário-Geral sobre Moçambique
NOVA IORQUE, EUA - De Moçambique, nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários informam que o número de pessoas afetadas pelas inundações subiu para 600.000. Muitos dos centros temporários que abrigam algumas dessas pessoas estão superlotados e precisam de apoio humanitário. Segundo as autoridades, quase 80.000 casas foram destruídas, danificadas ou inundadas em Moçambique.Enquanto isso, na província de Gaza, uma das áreas mais afetadas, a barragem de Massingir permanece acima do nível operacional seguro e continua liberando grandes volumes de água para reduzir a pressão sobre a estrutura. Isso está contribuindo para a elevação do nível dos rios e para as inundações contínuas a jusante, inclusive em áreas já afetadas.Nós, juntamente com nossos parceiros humanitários, continuamos a apoiar os esforços de resposta liderados pelo governo, que estão focados em evacuações e também na melhoria dos centros de acolhimento. Nossos parceiros estão fornecendo água, saneamento e higiene, entre outros auxílios.Por sua vez, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou que as inundações não estão apenas destruindo casas, escolas, centros de saúde e estradas em Moçambique. Elas estão transformando a água contaminada, surtos de doenças e desnutrição em uma ameaça mortal para as crianças. O UNICEF alertou que doenças transmitidas pela água e desnutrição formam uma combinação letal.O UNICEF destacou que, mesmo antes das recentes inundações, quase quatro em cada dez crianças em Moçambique sofriam de desnutrição crônica. A renovada interrupção no fornecimento de alimentos, nos serviços de saúde e nas práticas de cuidado agora ameaça empurrar os mais vulneráveis para uma espiral perigosa, incluindo riscos de desnutrição aguda e grave.
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Comunicado de Imprensa
20 janeiro 2026
Declaração atribuída ao Porta-voz Adjunto do Secretário-Geral sobre Moçambique
NOVA IORQUE, EUA - Recebemos uma atualização sobre as cheias em Moçambique dos nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários. Eles informaram que mais de meio milhão de pessoas foram afetadas até o momento.A cidade de Xai-Xai, capital da província de Gaza, a mais atingida, localizada perto do rio Limpopo, foi inundada, o que levou à evacuação da população para áreas mais altas. As autoridades também emitiram alertas para o centro de Xai-Xai, incluindo avisos sobre o risco de crocodilos aparecerem nas áreas alagadas.Muitas estradas ainda estão inacessíveis e nossos parceiros estão explorando alternativas, incluindo o uso de rotas marítimas entre a capital, Maputo, e o pequeno porto de Inhambane, que fica mais próximo da maioria das áreas afetadas.Nós, juntamente com nossos parceiros, em apoio ao Governo, estamos ampliando a assistência humanitária, enquanto as avaliações continuam em áreas de difícil acesso. Mais apoio está chegando, incluindo para busca e resgate, coordenação, gestão da informação e logística.Nossos colegas humanitários observam que esta emergência de inundações se soma ao deslocamento massivo de pessoas devido ao conflito no norte do país, que já esgotou os estoques de ajuda humanitária.O OCHA alerta que as chuvas provavelmente continuarão na próxima semana e que há risco de novas inundações. Também levará tempo para que os níveis das barragens baixem, a água das enchentes recue e o solo se estabilize o suficiente para a reabertura das estradas.Nossos colegas humanitários também destacam que este último desastre é um forte lembrete da vulnerabilidade de Moçambique a múltiplos choques simultâneos – desde conflitos, secas e ciclones repetidos até as graves inundações que estamos presenciando agora.Essas crises convergentes continuam a pressionar as comunidades e nossa capacidade de resposta.Precisamos urgentemente de financiamento adicional para sustentar e ampliar a resposta humanitária. Solicitamos US$ 348 milhões este ano para apoiar mais de um milhão de pessoas.
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Comunicado de Imprensa
19 janeiro 2026
Declaração atribuída ao Porta-voz do Secretário-Geral sobre Moçambique
NOVA IORQUE, EUA - A partir de Moçambique, o OCHA afirma que mais de meio milhão de pessoas foram afetadas pelas recentes inundações nas províncias do sul e do centro do país.As fortes chuvas desde meados de dezembro provocaram inundações generalizadas nas Províncias de Gaza, Maputo e Sofala. As autoridades referem que mais de 510 mil pessoas foram afetadas até à data, com grandes danos em instalações de saúde e estradas.Quase cinco mil quilómetros de estradas foram danificadas em nove províncias de Moçambique, sendo que a principal estrada que liga a capital, Maputo, ao resto do país está agora inacessível. As cadeias de abastecimento foram significativamente interrompidas e as autoridades relatam a perda de mais de 27 mil cabeças de gado.O governo está a liderar a resposta. No sábado, solicitou formalmente o apoio da ONU para operações de busca e salvamento, evacuações preventivas, avaliação de danos e fornecimento de abrigos temporários.As evacuações continuam e 50 centros de acolhimento temporário em todo o país estão a acolher mais de 50 mil pessoas.Nós e os nossos parceiros estamos a alargar a assistência vital, concentrando-nos em aliviar a sobrelotação nos centros de acolhimento, particularmente na Província de Gaza, enquanto as avaliações continuam em áreas de difícil acesso. É urgentemente necessário financiamento adicional para sustentar a resposta humanitária.Entretanto, o OCHA está em contacto com países da África Austral – incluindo Moçambique, África do Sul, Zimbabué, Malawi, Zâmbia, Tanzânia, Botswana, Lesoto e Essuatíni – que também estão a sofrer com graves inundações.
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Comunicado de Imprensa
08 janeiro 2026
Declaração atribuída ao Porta-voz do Secretário-Geral sobre a decisão dos EUA de se retirarem das entidades da ONU
NOVA IORQUE, EUA - O Secretário-Geral lamenta o anúncio da Casa Branca relativamente à decisão dos Estados Unidos de se retirarem de várias entidades das Nações Unidas.Como temos vindo a sublinhar reiteradamente, as contribuições obrigatórias para o orçamento regular e para o orçamento de manutenção da paz das Nações Unidas, tal como aprovado pela Assembleia Geral, são uma obrigação legal, nos termos da Carta da ONU, para todos os Estados-Membros, incluindo os Estados Unidos.Todas as entidades das Nações Unidas continuarão a implementar os seus mandatos, tal como designados pelos Estados-membros.As Nações Unidas têm a responsabilidade de cumprir as suas promessas para aqueles que dependem de nós. Continuaremos a cumprir os nossos mandatos com determinação.
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05 junho 2025
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