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Comunicado de Imprensa
25 março 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos
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Discurso
25 março 2026
Discurso da Coordenadora Residente durante a Abertura do Seminário de Alinhamento Estratégico e Validação do Quadro de Cooperação
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Comunicado de Imprensa
25 março 2026
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão a contribuir a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 em Moçambique:
História
22 janeiro 2026
Moçambique, ONU e Parceiros Intensificam Esforços para Salvar Vidas
MAPUTO, Moçambique - Mais de 600 mil pessoas já foram afetadas pelas cheias severas no sul e centro de Moçambique e 120 mortes registradas, após semanas de chuvas intensas. As províncias de Gaza, Maputo e Sofala estão entre as mais atingidas, com casas, unidades de saúde e infraestruturas gravemente danificadas.Quase 5.000 km de estradas foram afetados em nove províncias, incluindo a principal via que liga Maputo ao resto do país, hoje inacessível. Cadeias de abastecimento estão interrompidas e mais de 27 mil cabeças de gado foram perdidas.O Governo de Moçambique lidera a resposta, com apoio das Nações Unidas e parceiros humanitários. Estão em curso operações de busca e salvamento, evacuações preventivas e avaliações de danos. Atualmente, mais de 50 mil pessoas deslocadas encontram-se acolhidas em 50 centros temporários em todo o país.As Nações Unidas estão a reforçar assistência vital — abrigo, água potável, saneamento, cuidados de saúde, nutrição para bebés e mães, vacinação e apoio em dinheiro — garantindo dignidade, proteção e segurança às famílias afetadas.“Neste momento, a prioridade absoluta é salvar vidas — garantindo alimentação, água limpa, abrigo seguro, cuidados de saúde, nutrição para bebés e mães, e apoio em dinheiro para proteger a dignidade e a segurança”, afirmou a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente da ONU e Coordenadora Humanitária para Moçambique. “Ao mesmo tempo, precisamos ajudar as comunidades a reconstruir e reduzir riscos futuros. Este é um momento que exige renovada solidariedade global”, continuou. Em apoio à liderança do Governo, o sistema das Nações Unidas está plenamente mobilizado em Gaza e noutras províncias afetadas para responder à emergência das cheias:A FAO está a priorizar o apoio à restauração rápida da produção alimentar — destacando equipas de emergência, apoiando agricultores com sementes de ciclo curto, proteção pecuária e reabilitação das pescas, ajudando a evitar a perda da janela crítica de plantio.O IFAD está a ativar o seu mecanismo de Resposta Rápida a Emergências e Desastres (RRED) nos projetos PRODER e PROCAVA, permitindo prestar apoio rápido e direcionado às comunidades afetadas pelas cheias.A OIM continua a apoiar com o acompanhamento essencial do deslocamento populacional e a reforçar as medidas de proteção e PSEA.A UNESCO está a investir no reforço das capacidades de alerta precoce e resposta multirriscos, com intervenções que reforçam as avaliações de risco climático, o planeamento adaptativo e a governação inclusiva do risco de desastres, etc.O UN-Habitat está a apoiar a coordenação do setor de abrigo em Gaza e a avançar com avaliações críticas dos assentamentos, infraestruturas públicas e serviços básicos, fornecendo igualmente orientação técnica para uma reconstrução resiliente e reforço das capacidades locais.O UNICEF intensificou o apoio em água e saneamento, saúde, nutrição, educação, proteção infantil e proteção social, destacando liderança de clusters e capacidade logística para Gaza, e respondendo em várias províncias com fornecimento de serviços e bens vitais.A OMS e a ONUSIDA estão apostos para apoiar a continuidade do acesso aos serviços de saúde, e do tratamento para as pessoas que vivem com VIH.Olhando para a frente, o PNUD está preparado para apoiar a avaliação de danos em habitações e edifícios, e coordenar um Análise de danos pós-desastre, com o Governo e parceiros.Por meio das 25 entidades da ONU trabalhando no país, e juntamente com os nossos parceiros regionais, já mobilizamos uma equipa humanitária multissectorial que está a apoiar o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE) móvel na Província de Gaza.Adicionalmente, uma equipa do Sistema de Avaliação e Coordenação de Desastres das Nações Unidas, composta por especialistas com habilidades em coordenação, gestão de informações, avaliação, emergências ambientais, administração e finanças, foi mobilizada e chegará ao País o mais rápido possível.Moçambique enfrenta crises sobrepostas - cheias, deslocamento forçado, doenças e pressão económica - que afetam repetidamente as mesmas comunidades.A solidariedade internacional é urgente e essencial.
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História
21 janeiro 2026
Um Futuro Mais Seguro para as Mães em Dondo
MAPUTO, Moçambique - Durante anos, a segurança foi um luxo com que as mães na Província de Sofala não podiam contar. Complicações durante o parto causavam pânico, e a distância criava perigo; quando a ajuda chegava, muitas vezes já era tarde demais. Em Dondo, ambulâncias frequentemente saíam à noite transportando mulheres em risco de vida — algumas nunca regressavam.Essa realidade começou a mudar em 2024 com a inauguração de um novo bloco de partos no Centro de Saúde Distrital de Dondo, estabelecido com o apoio da Agência Coreana de Cooperação Internacional (KOICA) através do projecto "Melhorar a Saúde Reprodutiva, Materna e Adolescente" (IRMAH). Pela primeira vez, cuidados obstétricos de emergência passaram a estar disponíveis localmente, 24 horas por dia. Todos os dias, o bloco ganha vida com uma coordenação silenciosa: enfermeiras preparam instrumentos, parteiras revisam casos e a equipa de anestesia verifica os equipamentos. Formada no âmbito do projecto IRMAH, a equipa multidisciplinar fortaleceu as suas competências por meio de formação conjunta e simulações de emergência, construindo um sistema preparado para agir rapidamente quando cada minuto conta.Para Rosa Saquina, Enfermeira Sénior de Saúde Materna no Centro de Saúde Distrital de Dondo, o bloco de partos marcou uma viragem para a saúde materna. “Antes, muitas mães não sobreviviam. Agora, podemos resolver complicações mesmo aqui”, disse. Rosa recordou quando a maioria das emergências exigia encaminhamento para o Hospital Central da Beira.“Este bloco de partos foi um ganho real para nós. Reduzimos muitas transferências. Antes, quando uma mãe tinha complicações, tínhamos de chamar uma ambulância e enviá-la para muito longe. Perdemos várias mães no caminho”, afirmou Rosa.As mudanças sentiram-se no dia-a-dia. Com infraestrutura, equipamentos e pessoal treinado, partos difíceis que antes representavam alto risco passaram a ser geridos localmente. “É gratificante lidar com um parto complicado e resolvê-lo aqui,” acrescentou Rosa. “Ver uma mãe segurar o seu bebé em segurança faz toda a diferença”.O projecto também investiu fortemente na capacidade dos profissionais de saúde. Desde 2024, o bloco foi apoiado por uma equipa treinada e dedicada, incluindo Beth Xavier, Técnica de Anestesiologia, cujo papel é crucial para procedimentos cirúrgicos seguros. “Preparo as mães, tranquilizo-as e certifico-me de que tudo está pronto”, explicou. Antes de administrar anestesia, Beth fala com cada mulher, explica o procedimento e acalma os seus receios. Verifica os equipamentos, prepara os medicamentos e garante que o bloco está pronto para emergências — práticas que se tornaram padrão com o apoio do projecto.Para além da prestação imediata de serviços, o investimento moldou o futuro da força de trabalho na saúde. Para Orpa Feliz, estagiária de medicina no Centro de Saúde de Dondo, o bloco representa oportunidade e inspiração.“Ver este novo bloco deu-me esperança”, disse. “Sonhava em ser cirurgiã, e agora sei que posso treinar e praticar aqui” - afirmou a Técnica de Anestesiologia, Beth Xavier.A mudança se estendeu muito além de um centro de saúde. O bloco de partos integra uma parceria mais ampla entre a KOICA e o UNFPA para fortalecer os serviços de saúde sexual, reprodutiva, materna, neonatal e do adolescente na Província de Sofala, incluindo os distritos de Beira, Dondo, Búzi e Nhamatanda.Por meio do projecto IRMAH, foram alcançados 26 estabelecimentos de saúde, 14 escolas secundárias e 80 comunidades, melhorando o acesso a cuidados para mais de 321.000 adolescentes e mais de 305.000 mulheres entre 15 e 49 anos, incluindo 61.000 grávidas nos quatro distritos alvo.Desde a inauguração do bloco, mais de 320 mulheres grávidas receberam cuidados cirúrgicos essenciais, principalmente cesarianas, salvando vidas de mães e recém-nascidos.Alinhado com o Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável em Moçambique, o projecto apoiou os esforços nacionais para expandir o acesso equitativo a serviços de saúde essenciais, reforçar a igualdade de género e proteger os direitos e o bem-estar de mulheres e meninas. Os investimentos em infraestrutura, equipamentos modernos de maternidade e cirurgia, formação de profissionais de saúde, serviços de planeamento familiar e prevenção da violência baseada no género contribuíram para reduzir a mortalidade materna e neonatal e restaurar a confiança no sistema de saúde.Quando o projecto terminou no ano passado, o seu impacto já era evidente. Os atrasos nas referências se reduziram, a capacidade local de gerir emergências aumentou e a confiança no sistema de saúde cresceu.Com o apoio da KOICA e a parceria do UNFPA com as autoridades de saúde nacionais e provinciais, o bloco de partos em Dondo continua a ser uma contribuição duradoura para uma maternidade mais segura em Sofala.O UNFPA trabalha de perto com o Governo de Moçambique, particularmente o Ministério da Saúde e a Direcção Provincial de Saúde em Sofala, e estabeleceu parcerias com Médicos com África CUAMM e com o Consorzio Associazioni con il Mozambico para garantir a sustentabilidade.Em Dondo, o bloco de partos é mais do que uma sala. É o resultado de uma parceria que salvou vidas, fortaleceu sistemas e garante que mais mulheres sobrevivam ao parto com dignidade.Com cada parto seguro, Dondo e os distritos vizinhos aproximam-se de um futuro em que nenhuma mulher teme dar à luz simplesmente por causa do lugar onde vive.
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História
03 dezembro 2025
Quebrando Barreiras: Saúde e Proteção para Pessoas com Deficiência
MAPUTO, Moçambique - O acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva (SSR) e violência baseada no género (VBG) é um direito humano fundamental, mas em Moçambique, as pessoas com deficiência enfrentam desafios significativos e complexos relacionados com esse acesso. Estas barreiras são multifacetadas, variando desde a inacessibilidade física até preconceitos sociais profundamente enraizados. O problema: uma teia de obstáculosO acesso limitado aos serviços deve-se a várias barreiras críticas:Distância física e transporte: Longas distâncias até clínicas e centros de serviços, juntamente com uma grave falta de transporte acessível e económico;Má qualidade e acessibilidade dos serviços: muitas instalações existentes são fisicamente inacessíveis (sem rampas, corrimãos ou dispositivos auxiliares). Além disso, há falta de pessoal que saiba usar linguagem gestual ou fornecer materiais em braille ou linguagem de fácil leitura; eDiscriminação e falta de conhecimento: os prestadores de serviços muitas vezes não têm consciência dos desafios associados às deficiências e nutrem atitudes e crenças discriminatórias, o que prejudica gravemente a qualidade dos cuidados. A intersecção da vulnerabilidade: mulheres e raparigas com deficiênciaMulheres e raparigas com deficiência enfrentam desafios únicos devido à intersecção entre o seu género e a sua deficiência. Isso muitas vezes significa que lhes é negado o direito de tomar decisões sobre a sua própria saúde sexual e reprodutiva.Esta maior vulnerabilidade resulta em riscos mais elevados de:Violência sexual e baseada no género;Gravidezes indesejadas;Abortos inseguros; eInfecções sexualmente transmissíveis.O isolamento social e familiar aumenta ainda mais o risco. Muitas vezes, essas pessoas ficam escondidas em casa e não têm apoio da comunidade. Embora a subnotificação de violência de género seja comum em Moçambique, as barreiras à mobilidade, comunicação e o isolamento severo agravam a situação das pessoas com deficiência, que também podem sentir vergonha ou culpa, especialmente quando o agressor é um membro da família ou cuidador. A solução: ferramentas inclusivas e procedimentos padronizadosPara resolver esta lacuna crítica e tornar os serviços mais inclusivos, o UNFPA estabeleceu uma parceria com a organização da sociedade civil AIFO – Associazione Italiana Amici di Raoul Follereau, em 2024. Esta colaboração teve como objetivo equipar os prestadores de serviços com conhecimentos e ferramentas práticas e detalhadas. O Que Foi Desenvolvido?O projeto resultou de um rigoroso processo de consulta com pessoas com deficiência, cuidadores, prestadores de serviços e setores governamentais. Os principais recursos incluem:Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) e Manual Operacional: orientações detalhadas e práticas para todas as fases da prestação de serviços — desde o atendimento e tratamento até o encaminhamento e acompanhamento.Álbum Seriado: uma ferramenta vital para comunicação alternativa e aumentativa. Este álbum facilita a interação entre prestadores e pessoas com dificuldades de comunicação, incluindo pessoas surdas, com deficiências auditivas ou intelectuais, ou indivíduos que temporariamente apresentam dificuldade para falar (por exemplo, devido a trauma). Fase Piloto e Próximos PassosApós aprovação do governo, os POPs foram testados durante quatro meses em três províncias — Maputo (sul), Manica (centro) e Cabo Delgado (norte) — tanto em unidades de saúde como em centros de atendimento único para vítimas de violência baseado no género. Principais atividades durante o projeto-piloto:Os prestadores de serviços receberam formação intensiva sobre a utilização dos POPs, do Manual e do Álbum Seriado.Representantes de Organizações de Pessoas com Deficiência (OPDs) foram contratados para criar ativamente procura pelos serviços e monitorizar o progresso da implementação.É evidente nesta fase que o impacto é positivo e significativo, com benefícios diretos para a qualidade de vida da população e para o fortalecimento de um sistema mais justo e inclusivo. Com este programa, a qualidade da prestação de serviços melhorou, conquistando a confiança da população — especialmente das pessoas com deficiência — que agora tem muito mais facilidade para acessar os serviços devido à remoção das barreiras.Como explicou Eunice Lacastre, psicóloga clínica do Centro de Cuidados Integrados de Chimoio, “as principais conquistas que observámos com a implementação deste projeto incluem a capacidade dos profissionais de desenvolver uma abordagem inclusiva, aprendendo a lidar com cada tipo de deficiência, e a implementação de materiais de comunicação inclusivos". "Antes do início do projeto, não recebíamos pessoas com deficiência nos nossos serviços porque elas tinham medo de vir devido às barreiras existentes. Agora, temos visto um aumento na procura por serviços por parte de pessoas com deficiência", afirmou a psicóloga Eunice. Financiamento e apoioEsta iniciativa crucial resulta de programas conjuntos da ONU em Moçambique, com apoio financeiro do Fundo Global para a Deficiência (GDF)*. O desenvolvimento do Álbum Seriado, que mudou vidas, foi apoiado pelo Programa Global da UNFPA-UNICEF para Acabar com o Casamento Infantil (GPECM).*O programa GDF Parceria para a Realização dos Direitos das Pessoas com Deficiência em Moçambique, implementado conjuntamente pela UNICEF, UNFPA e OHCHR, financiou a fase de desenvolvimento dos POPs e do Manual Operacional, enquanto o programa regional GDF Cuidados Não Remunerados, Deficiência e Abordagem Transformadora de Género, implementado conjuntamente em Moçambique pelo PNUD, UNFPA e ONU Mulheres, financiou a fase piloto.
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História
30 novembro 2025
Caminhos para Resistir à Seca em Moçambique
MAPUTO, Moçambique - Alguns desastres chegam de repente - ciclones, cheias e terremotos mudam vidas em minutos. Mas a seca é um tipo diferente de crise: lenta e persistente. Para quem é afetado, cada dia traz novos desafios, enquanto os meios de subsistência, a saúde e a esperança se desgastam, deixando as famílias com poucas opções para reagir.“Nas duas últimas safras, não consegui colher nada”, compartilha Leria Maria, agricultora de 36 anos de Chemba, Província de Sofala, centro de Moçambique.Para Serenia Sezi, mãe de 10 filhos em Caia, a luta foi igualmente dura. “Durante a seca, ficamos sem nada. Comíamos o que conseguíamos encontrar”.Belinha Celestino, mãe de 39 anos de Caia, presenciou de perto o impacto do El Niño em sua comunidade. “No auge da seca, vi crianças desmaiarem de fome na escola dos meus filhos, estavam fracas”, relembra.“Alguns pais não tiveram escolha a não ser tirar os filhos da escola para ajudar a buscar comida no mato ou trabalhar para em troca de algum dinheiro ou comida”, continua Belinha.Essas mulheres vivem em comunidades rurais remotas, longe de serviços essenciais. A dura realidade da seca foi sentida em seus corpos e lares. Muitas vezes, a única forma de fazer a farinha de milho durar era deixar de comer para que as crianças pudessem se alimentar.“Sacrifiquei minhas refeições por muitos dias para que meus filhos tivessem pelo menos uma tigela de papa de milho por dia”, conta Serenia. O último fenômeno El Niño foi um dos mais intensos já registrados, devastando o centro e o sul de Moçambique.A seca nas Províncias de Tete, Manica, Sofala, Inhambane e Gaza afetou 1,8 milhão de pessoas que já viviam em situação de insegurança alimentar. As lavouras foram destruídas, os preços dos alimentos dispararam e a escassez regional de milho elevou os custos de importação.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
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História
12 fevereiro 2026
Reconstruindo Vidas em Mocímboa da Praia
MAPUTO, Moçambique - Na costa norte de Moçambique, aninhada na Província de Cabo Delgado, encontra-se a resiliente cidade de Mocímboa da Praia, um lugar em reconstrução e revitalização.Após anos de conflito que intensificaram-se em 2017, esta cidade costeira está agora a restaurar as vidas e os meios de subsistência dos seus habitantes. Outrora o coração da economia local, a pesca começa agora a prosperar novamente, oferecendo esperança às famílias que regressaram a casa depois de quatro anos de deslocamento.Entre os que regressaram está Andi Ibrahim, um pescador de 30 anos que vive com os pais e quatro irmãos.Quando o conflito eclodiu na sua cidade natal, Mocímboa da Praia, Andi e a sua família foram obrigados a fugir. Caminharam quilómetros, até encontrarem transporte que os levou a Muidumbe, uma aldeia a 130 quilómetros de casa.“Mesmo em Muidumbe, eu pescava para sustentar a mim e à minha família”, recorda Andi.Agora, Andi está de volta a Mocímboa da Praia, fazendo o que sabe fazer de melhor: pescar. Mas, no início, enfrentou desafios. Vender peixe diretamente na praia não lhe rendia muito dinheiro.“Eu não ganhava mais dinheiro vendendo diretamente na praia”, diz Andi.Isso mudou quando Andi recebeu um refrigerador portátil como parte do apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM), financiado pelo Governo do Japão e em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e a Peace Winds Japan.Através do projeto, a OIM apoiou 133 pessoas com kits iniciais, que incluíam congeladores, balanças e refrigeradores portáteis.Andi agora leva sua pesca para o mercado, onde pode vendê-la por um preço melhor.“Antes eu pescava em um balde de plástico e vendia diretamente na praia, o que não era lucrativo”, conta Andi. “Com a caixa térmica, consigo transportar o peixe e vendê-lo fresco no mercado. Agora ganho até 1.500 meticais (25 dólares americanos) por semana, o que me sustenta e à minha família”, conta Andi, explicando o seu dia a dia. A OIM também construiu um novo mercado de peixe em Mocímboa da Praia, com previsão de conclusão em 2025, equipado com instalações de armazenamento refrigerado movidas a energia solar, permitindo que jovens pescadores como Andi armazenem seus produtos com segurança e os vendam em melhores condições.Para muitos que voltam aos seus lugares de origem, o setor pesqueiro tornou-se a base da sobrevivência e da resiliência.Desde o início do conflito, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas do norte de Moçambique. Mas, com o retorno da paz, mais de 500 mil pessoas voltaram, cada uma em busca de uma forma de reconstruir suas vidas.“O projeto de Resiliência Comunitária e Consolidação da Paz (CRP) não só apoia esses jovens a restabelecerem seus meios de subsistência, como também é fundamental para a construção de uma paz duradoura”, afirma Alexandra Ferro, Gerente de Projetos do programa CRP da OIM.“Quando as pessoas têm ferramentas e oportunidades para reconstruir suas vidas, elas se tornam menos vulneráveis e menos propensas a serem atraídas para a violência”, continuou Alexandra Ferro. Além do apoio direto aos pescadores, o projeto também capacita autoridades portuárias, ajudando a agilizar o comércio, melhorar a comunicação com as comunidades pesqueiras locais e garantir segurança e transparência.Esses esforços coordenados servem a outro propósito em uma região onde jovens desempregados correm o risco de serem recrutados por grupos armados não estatais; proporcionar trabalho digno e estabilidade é uma proteção poderosa.Para Andi, a pesca é mais do que apenas um meio de subsistência. É uma forma de reconstruir suas vidas e conduzir sua família e comunidade rumo a um futuro melhor.
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História
11 março 2026
Moçambique propõe rede global de justiça social para fim da violência contra mulher
NOVA IORQUE, EUA - Para acabar com a violência de gênero é preciso eliminar a pobreza feminina. Essa é a mensagem que Moçambique quer marcar na 70ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, que acontece na sede da ONU, em Nova Iorque, até 19 de março.Em entrevista para a ONU News, a ministra do Trabalho, Gênero e Ação Social de Moçambique, Ivete Alane, revelou que o país está propondo a criação de uma articulação internacional para proteger as mulheres com abordagens que passam pelo empoderamento econômico. Relação entre pobreza e violência de gênero“Assumimos dois compromissos, que é a zero violência e a eliminação da pobreza feminina. E nós viemos para esta sessão da CSW com um evento paralelo com a intenção de criarmos uma rede global de justiça social para o fim da violência baseada no gênero e a eliminação da pobreza feminina, a pobreza da mulher. E foi um evento bastante importante que nós realizamos à margem da CSW, em que tivemos diversos países que partilham dos mesmos objetivos e opiniões que nós temos, que assumem que existe uma ligação intrínseca, difícil de separar, entre a pobreza e a violência baseada no gênero”.A ministra disse que o evento paralelo também serviu para colher experiências de outros países e definir novas parcerias para avançar em ações de igualdade de gênero. Expansão do atendimento às vítimasA nível nacional, ela destacou o lançamento recente do programa “Empodera”, que é focado na prevenção da violência baseada no gênero por meio de estratégias de sensibilização e reforço da rede de cuidados para sobreviventes. “Vai ser um programa que prevê a expansão dos centros de atendimento integrados. Portanto, são centros que atendem vítimas da violência, onde as vítimas encontram no mesmo local todos os serviços que elas precisam para poderem ser devidamente atendidas sem ter que passar por várias portas de entrada, temos uma única porta de entrada. Aí a vítima evita passar por uma questão de revitimização. Não tem que contar a história várias vezes sobre o que aconteceu”.Ivete Alane explicou que, nesses centros, as vítimas que forem vítimas atendidas poderão ter acesso a pacotes de empoderamento econômico da mulher. Influenciadores digitais apoiam combate ao feminicídioA ministra destacou a importância do envolvimento de diversos setores da sociedade no combate à violência de gênero, inclusive celebridades e influenciadores das redes sociais.“Nós estamos agora a iniciar uma campanha de combate ao feminicídio, que é uma das formas mais agressivas da violência baseada no gênero. E estamos a envolver os influenciadores, estamos neste momento a produzir um vídeo, spots de divulgação, uma campanha, e ainda ontem recebi com muita satisfação um vídeo produzido pela sociedade civil, porque a sociedade civil também são parceiros importantes, complementam a ação do governo. E a sociedade civil fez um vídeo muito recente com vários influenciadores em que eles falam da importância do combate à violência baseada no gênero, em que eles assumem o papel, e eles como homens devem sensibilizar outros homens”.Ela ressaltou a importância de criar peças de comunicação que abordem o papel do homem na mobilização pelos direitos das mulheres. “Estamos agora também a desenvolver e a desenhar a estratégia do engajamento masculino. Portanto, estamos a trabalhar com influenciadores masculinos, pois sentimos que é preciso trazer o homem para o barco. A mulher não pode ser a única que deve lutar ou promover a igualdade de gênero e combater a violência baseada no género. Se nos referimos à violência baseada no gênero, nós estamos a falar de duas pessoas: homem e mulher. Então precisamos de ter o homem. Precisamos de engajar o homem nesta luta”. Uma luta de toda a sociedadeA representante moçambicana também mencionou o papel da primeira-dama do país, Gueta Chapo, que foi convidada para ser patrona da iniciativa “Empodera”.O objetivo é fazer com que a mensagem chegue para diversas comunidades sobre a importância de prevenir a violência baseada no gênero, a exemplo de uma intervenção feita no lançamento do Mês da Mulher, na província de Cabo Delgado.A ministra relatou que Gueta Chapo conseguiu transmitir para as comunidades mensagens sobre a necessidade de deixar as meninas estudarem e de pôr fim às agressões praticadas por homens. A ministra enfatizou que os influenciadores, os membros do governo e todos os estratos da sociedade moçambicana devem reforçar a luta por igualdade e justiça para a população feminina.
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História
11 março 2026
Juntos Protegemos: Fortalecendo a Prevenção contra a Exploração e o Abuso Sexual
MAPUTO, Moçambique — Proteger a dignidade, a segurança e os direitos das pessoas que servimos não é apenas um princípio orientador do trabalho das Nações Unidas. É uma responsabilidade fundamental que sustenta a confiança das comunidades e a credibilidade das instituições que trabalham em contextos humanitários e de desenvolvimento.Em Moçambique, esta responsabilidade ganhou um novo impulso em 2025, quando a Equipa de País das Nações Unidas identificou a Proteção contra a Exploração e o Abuso Sexual (PSEA em sua sigla inglesa) como uma das suas principais prioridades coletivas. A decisão reafirmou um compromisso já existente e elevou a proteção contra a exploração e o abuso sexual ao mais alto nível de ação interagências. Uma prioridade num contexto de vulnerabilidadeEsta prioridade surge num contexto em que persistem vulnerabilidades profundas. A violência baseada no gênero continua a afetar mulheres e raparigas em muitas comunidades, enquanto fatores como deslocamentos, desigualdades estruturais e crises climáticas recorrentes agravam riscos de proteção.Estes desafios nos lembram de uma realidade essencial: a exploração e o abuso sexuais podem ocorrer em qualquer contexto, incluindo em programas destinados a apoiar e proteger as pessoas.Prevenir estes danos exige mais do que políticas. Exige liderança, responsabilidade partilhada e capacidade coletiva para identificar riscos, mitigá-los e responder quando surgem preocupações. Reforçar capacidades para prevenirNos últimos 18 meses, Moçambique deu passos importantes nesse sentido.Desde setembro de 2025, mais de 80 profissionais em todo o país foram capacitados por meio de um programa avançado de formação de formadores em PSEA. Este modelo vai além da sensibilização básica. Os participantes desenvolvem competências para facilitar conversas difíceis, abordar dinâmicas de poder, apoiar respostas centradas na vítima e conduzir formações de qualidade nas suas próprias organizações e comunidades.O pacote formativo, desenvolvido pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), está a ser implementado em apenas um número limitado de países no âmbito global. A sua aplicação em Moçambique coloca o país entre os contextos que beneficiam desta abordagem inovadora de reforço de capacidades. Parcerias que ampliam o alcanceIgualmente importante, tem sido a forma como este esforço tem sido conduzido: através de uma colaboração estreita entre entidades das Nações Unidas, parceiros implementadores, organizações da sociedade civil e instituições nacionais.Em vez de atuarem de forma isolada, as entidades alinharam esforços, partilharam recursos e aproveitaram missões e presença territorial para expandir rapidamente a formação a diferentes regiões do país, incluindo nas cidades de Maputo, Pemba, Nampula e Beira.Entre os participantes se encontram pontos focais de PSEA das entidades da ONU, organizações parceiras, fornecedores e contratados. De forma particularmente significativa, participaram também os Pontos Focais de Salvaguarda do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).A participação do INGD representa um passo importante rumo à apropriação nacional e à sustentabilidade desta agenda. Também reflete o compromisso crescente de integrar normas de salvaguarda em todo o sistema de resposta humanitária no país. Formação e mitigação de riscos: pilares da prevençãoA formação é uma das ferramentas mais eficazes para prevenir a exploração e o abuso sexuais. Quando equipas e parceiros compreendem claramente quais comportamentos são proibidos, conseguem reconhecer sinais de alerta e sabem como agir perante preocupações, criam-se ambientes mais seguros para todas e todos.Quando esta formação é acompanhada por medidas de mitigação de riscos — como o reforço de mecanismos de denúncia seguros, avaliações de parceiros e mapeamento de riscos em programas — a prevenção se torna parte integrante da programação.Os mais de 80 formadores capacitados desde 2025 estão agora preparados para multiplicar conhecimentos em todo o País. Muitos já iniciaram a replicação das formações nas suas próprias organizações, ampliando o alcance da prevenção e fortalecendo uma cultura de responsabilidade. Um compromisso partilhado com dignidade e proteçãoCada formação realizada, cada conversa iniciada e cada mecanismo de proteção reforçado contribuem para algo maior: a construção de sistemas mais seguros, onde as pessoas que procuram apoio encontram respeito, dignidade e proteção.Este esforço coletivo demonstra o que é possível alcançar quando instituições trabalham juntas — entre setores, províncias e mandatos — com um objetivo comum.Porque quando estamos unidos na prevenção e na resposta à exploração e ao abuso sexual, honramos a promessa que fazemos às pessoas que servimos.Uma promessa simples, mas essencial: garantir que a nossa presença proteja, empodere e respeite.
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História
08 março 2026
Dia Internacional da Mulher: Oito Ações para um Mundo Mais Igualitário
NOVA IORQUE, EUA - No decurso de quase uma década como Secretário-Geral das Nações Unidas vi o nosso mundo ser repetidamente posto à prova - por choques climáticos, agravamento da pobreza, conflitos violentos e redução do espaço cívico.No entanto, também testemunhei o surgimento de muitas soluções, todas elas com um denominador comum: as mulheres.Nesta ocasião em que o mundo assinala o Dia Internacional da Mulher, é tempo de reconhecer que a desigualdade de género é o maior desafio de direitos humanos que enfrentamos e que a promoção da igualdade constitui um dos motores mais fortes do desenvolvimento sustentável e da paz.Para enfrentar esse desafio, e com base na minha própria experiência e inspirando-me no trabalho do sistema das Nações Unidas e de movimentos da sociedade civil em todo o mundo, proponho oito áreas de ação destinadas a promover os direitos das mulheres e a alcançar resultados concretos. 1. Corrigir os Desequilíbrios de Poder. A igualdade de género é uma questão de poder, mas as instituições dominadas por homens continuam a moldar o nosso mundo. Uma maré crescente de autoritarismo está a aprofundar estas desigualdades, revertendo conquistas arduamente alcançadas – de práticas laborais justas a direitos reprodutivos – e enraizando preconceitos raciais e de género que limitam a vida das mulheres. A igualdade de género eleva as sociedades. Quando o poder é partilhado, a liberdade expande-se. 2. Fazer da Paridade uma Prioridade.As mulheres estão extremamente sub-representadas em governos e administrações empresariais em todo o mundo. Na ONU, decidimos fazer da paridade uma prioridade, começando pela liderança de topo. Alargámos a procura de candidatas qualificadas – sem baixar padrões de exigência. A ONU saiu fortalecida, com uma melhor cultura de trabalho e um processo de tomada de decisões mais inclusivo. A lição é clara: quando as instituições optam pela igualdade, os resultados aparecem. 3. Apostar no Investimento Mais Rentável.O investimento nas mulheres gera retornos extraordinários. Cada dólar investido na educação de meninas, resulta num retorno três vezes superior. No âmbito da saúde materna e do planeamento familiar, a rentabilidade ascende a oito vezes o investimento. As políticas de apoio às famílias – como cuidados infantis e apoio a idosos – fortalecem as comunidades e estimulam o crescimento. Em conjunto, todos estes esforços estão na base da redução das desigualdades de género – e encerram o potencial de aumentar o rendimento nacional em cerca de 20%. 4. Assegurar um lugar à mesa de negociações de Paz.Os acordos de paz são mais duradouros quando as mulheres participam na sua negociação e aplicação. No entanto, em demasiados conflitos – incluindo Gaza, Ucrânia e Sudão – as mulheres têm sido praticamente afastadas, apesar de suportarem o maior fardo da guerra. Num tempo de crescente instabilidade, a inclusão não é uma mera exigência simbólica – mas a melhor via para estabilizar um mundo fraturado. 5. Acabar com a Discriminação Legal.À escala global, as mulheres detêm apenas 64% dos direitos legais usufruídos pelos homens. Em demasiados lugares, não podem deter propriedade, trabalhar livremente ou pedir o divórcio. Mesmo em muitos países onde vigoram algumas garantias jurídicas, enfrentam barreiras acrescidas no acesso à justiça. Todos os países devem assumir o compromisso de eliminar leis discriminatórias e garantir que os direitos são efetivamente aplicados na prática. 6. Tolerância Zero para com a Violência de Género - e Zero Desculpas.A violência contra as mulheres é uma emergência global, enraizada na desigualdade e sustentada pelo silêncio. Todas as mulheres e meninas têm o direito de viver sem medo. Contudo, a violência baseada no género – incluindo exploração e abuso sexual – continua a ser uma realidade que viola a confiança e o respeito pela humanidade. Devemos enfrentá-la em todo o lado: com tolerância zero, total responsabilização dos perpetradores e apoio inabalável às sobreviventes. 7. Eliminar distorções no setor tecnológico.Dado que as mulheres representam apenas um quarto do total dos profissionais no setor tecnológico, o preconceito está cada vez mais integrado nos sistemas que moldam o nosso quotidiano. Entretanto, a misoginia online dispara. As empresas tecnológicas e os governos devem agir em conjunto para criar espaços digitais seguros e inclusivos e o mundo deve redobrar esforços para remover as barreiras que impedem às meninas o acesso à ciência e à tecnologia. 8. Integrar a perspetiva de Género na Ação Climática.As alterações climáticas são “sexistas”. Quando geram crises alimentares, verifica-se que, muitas vezes, as mulheres são as últimas a ter acesso a alimentos; quando geram situações de emergência verifica-se que as mulheres enfrentam maior perigo. Acresce que que as meninas deparam-se com uma maior probabilidade de casamento infantil quando os meios de subsistência colapsam. Mas as mulheres também lideram soluções climáticas – promovendo legislação verde, impulsionando movimentos globais e liderando mudanças no terreno. Um planeta habitável exige políticas climáticas sensíveis ao género: igual acesso a empregos verdes, melhor proteção em situações de emergência e participação plena na tomada de decisões ambientais.Por todo o mundo, vi que estas oito áreas de ação funcionam na prática – em zonas de guerra e em contextos de reconstrução, em parlamentos e em salas de aula, em organizações e em comunidades. Se os líderes levarem a sério a igualdade de género e se comprometerem com estas ações agora, mudaremos o mundo – para as mulheres e meninas e para todos nós.
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História
05 março 2026
Moçambique fará recenseamento digital da população pela primeira vez em 2027
NOVA IORQUE, EUA - O Instituto Nacional de Estatística de Moçambique, INE, deverá realizar, pela primeira vez, o recenseamento digital da população como medida para simplificar e modernizar a atualização cadastral.A revelação foi feita à ONU News, em Nova Iorque, pela presidente do órgão, Mónica Magaua, em paralelo à 57ª sessão da Comissão Estatística. O grupo composto por 34 Estados-membros é eleito pelo Conselho Econômico e Social. Ferramentas avançadasEm resposta a uma questão sobre o uso de ferramentas avançadas de inteligência artificial para examinar informação e desenvolver soluções mais personalizadas, a representante disse que a meta está na mira de entidades econômicas e regionais. Moçambique é membro da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral, Sadc, e da União Africana que têm buscado promover a integração econômica e a cooperação entre nações integrantes.“Para o ano, por exemplo, nós vamos conduzir o Quinto Recenseamento Geral da População e Habitação. E, pela primeira vez, vai ser um recenseamento totalmente digital. Antes era em papel, agora vai ser totalmente digital. Portanto, é uma forma também de nos compararmos aos outros países. E, aliás, também é requisito, a nível da SADC, e da União Africana, que os países conduzam censos digitais. Então, estamos a tentar não ficar para trás, porque senão também não seremos comparáveis. E há várias vantagens”.Monica Magaua disse que com o novo modelo, os dados a serem recolhidos poderão estar disponíveis a um quarto do tempo em relação ao período atual de cadastramento. Diferenças nas zonas rurais “O censo digital, por exemplo, traz os resultados mais rápido. Antes, levava dois anos para se ter os resultados. Agora, há de ser possível, é isso que a gente espera, que até seis meses já se tenha resultados. Então, essas evoluções fazem com que nós também cresçamos. Agora, há desafio, porque estamos a falar de um censo digital num país que não é totalmente digital. Nós temos ainda aquelas diferenças de zonas rurais, áreas em que a internet não chega. Então, isso tudo está acautelado. Esperemos que, na medida do possível, a gente consiga fazer um censo digital bom e melhor que os tradicionais”. A mudança importante no sistema de recenseamento acontecerá dez anos depois do Quarto Recenseamento Geral da População e Habitação realizado em 2017.Magaua reafirmou a relevância da presença moçambicana em fóruns internacionais que validam os novos instrumentos e que tratam das diretrizes de produção estatística internacional permitindo uma comparabilidade entre vários contextos.Na reunião que acontece até esta sexta-feira, tem havido conversas sobre estatísticas mais apuradas com parceiros lusófonos como Brasil, Cabo Verde e Portugal.
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História
02 março 2026
Uma Nova Geração de Mulheres Agricultoras em Manica
CHIMOIO, Moçambique - Quando os primeiros raios de sol alcançam o campo de Mavita, Juliet Queneti Mirais já está trabalhando.Ela caminha entre fileiras de mudas jovens, levantando delicadamente uma treliça aqui, ajustando a terra ali. Ao seu redor, o viveiro está repleto de possibilidades – limão, manga, lichia, mamão e espécies nativas crescendo em alinhamento cuidadoso.Para Juliet, a agricultura não é novidade. Ela nasceu nesse meio. Mas o que a agricultura significa hoje é diferente do que significava há dez anos."Antes, trabalhávamos duro", diz ela. "Mas nem sempre entendíamos por que a produção falhava".Juliet é mãe de cinco filhos e uma respeitada facilitadora de Escolas de Campo para Agricultores (ECA) em sua comunidade. Desde 2016, ela participa de atividades apoiadas pela FAO. Hoje, ela lidera um grupo de 21 membros – 17 dos quais mulheres – no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Agrícola (PRODAI). O programa é implementado pelo Governo de Moçambique e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com o apoio do Governo da Itália, por meio da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS).Juntos, eles estão redefinindo o que a agricultura pode representar em sua comunidade. No passado, a produção dependia quase que exclusivamente da chuva e de variedades tradicionais de sementes. Os campos eram plantados da mesma forma que sempre foram. Quando as colheitas eram ruins, as famílias absorviam o prejuízo."Às vezes colhíamos pouco e não sabíamos como melhorar", lembra Juliet.Por meio do PRODAI, o grupo recebeu treinamento técnico, acesso a sementes certificadas e outros insumos agrícolas por meio de vouchers eletrônicos, além de apoio para construir um viveiro estruturado de 35 por 24 metros.Desde sua criação, o viveiro produziu mais de 37.000 mudas destinadas ao estabelecimento de sistemas agroflorestais nos campos vizinhos, integrando árvores frutíferas com culturas básicas.O viveiro está localizado próximo a um rio e conta com um sistema de irrigação movido a energia solar, garantindo o acesso à água durante todo o ano. Onde antes a agricultura parava com as chuvas, agora ela continua com planejamento e controle.Juliet demonstra conhecimento sobre técnicas de preparo do substrato, tratamento de sementes, semeadura e até enxertia. Ela coordena os dias de trabalho coletivo e garante a aplicação consistente das práticas.A transformação não é visível apenas nas mudas que crescem no viveiro. Ela também se reflete na confiança das mulheres que as manejam. Em Mavita, as mulheres sempre trabalharam a terra. O que mudou foi o acesso delas a treinamentos e insumos agrícolas de qualidade, fortalecendo suas habilidades e capacidade de tomada de decisão.Por meio da abordagem participativa de extensão rural da PRODAI, as mulheres não são apenas beneficiárias, mas também líderes. Elas coordenam os calendários de cultivo, organizam a produção e decidem coletivamente como reinvestir a renda, reforçando seu papel no desenvolvimento agrícola local.À medida que os pomares amadurecem e a produção hortícola se expande, o grupo estima que a receita anual poderá atingir o equivalente a US$12.000. A renda é compartilhada de acordo com a participação e reinvestida na produção.Para Juliet, o impacto é tanto econômico quanto pessoal."Com mais conhecimento, cometemos menos erros", afirma. "Podemos planejar nosso futuro, o futuro de nossos filhos".A melhoria da renda contribui diretamente para as mensalidades escolares, alimentação familiar e despesas médicas. Mas, talvez ainda mais importante, muda a percepção: a agricultura se torna uma oportunidade de negócio, não apenas um meio de sobrevivência.A província de Manica enfrenta uma crescente variabilidade climática. Chuvas irregulares, períodos de seca e flutuações de mercado desafiam os pequenos agricultores a cada estação.Os sistemas agroflorestais do PRODAI promovem a restauração da terra, enquanto as famílias diversificam suas fontes de renda. Como a iniciativa está ligada a um projeto de mercado de carbono, sua participação contribui para a mitigação das mudanças climáticas por meio do aumento da compensação de carbono.A integração de árvores perenes com culturas anuais garante que, enquanto as colheitas sazonais produzem alimentos frescos, gerando renda imediata, a produção de frutas proporcionará estabilidade a longo prazo.Essa mudança da adaptação de curto prazo para o planejamento de longo prazo está no cerne da transformação do sistema agroalimentar.O filho mais velho de Juliet já é adulto. O mais novo tem dez anos. Quando ela fala deles, sua voz se suaviza."Quero que eles vejam que a agricultura tem valor", diz ela. Como destaca o Ano Internacional das Mulheres Agricultoras de 2026 em todo o mundo, as mulheres são fundamentais para a segurança alimentar, as economias rurais e a resiliência climática. No entanto, elas continuam a enfrentar restrições estruturais.Em Mavita, a mudança está a ganhar força, liderada por mulheres que estão a fortalecer os seus conhecimentos e competências técnicas, a organizar-se coletivamente e a moldar o futuro da agricultura na sua comunidade.Juliet não está apenas a cultivar sementes. Ela está a cultivar oportunidades.E a sua história é apenas a primeira.
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Comunicado de Imprensa
25 março 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos
NOVA IORQUE, EUA - Hoje prestamos homenagem às vítimas de um crime absolutamente estarrecedor:Milhões de pessoas arrancadas às suas famílias e comunidades em África.Traficadas através do Atlântico.E, caso sobrevivessem à travessia, escravizadas nas Américas.Milhões de pessoas mais nasceram já na escravatura, brutalmente exploradas pelo seu trabalho e privadas da sua humanidade básica.Honramos a sua resiliência silenciosa e os seus corajosos atos de resistência.Esta ordem global prevaleceu durante mais de 400 anos e continua a assombrar o nosso mundo ainda hoje.Nos sistemas e nas instituições moldados e enriquecidos pela escravatura como propriedade.Nas desigualdades sociais e económicas enraizadas em injustiças passadas.E nos preconceitos que permeiam a nossa cultura e têm impacto sobre todas as pessoas.Neste Dia Internacional Em Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Escravos, somos chamados a enfrentar estes legados.Rejeitando as falsas narrativas da diferença racial e da terrível mentira da supremacia branca.Desmantelando o racismo online, nos média, nas escolas, no trabalho, na política e dentro de nós próprios.E trabalhando pela verdade, pela justiça e pela reparação.Acolho com satisfação os primeiros passos dados por alguns governos para enfrentar as consequências da escravatura.Mas são necessárias ações muito mais arrojadas por parte de muitos mais Estados‑membros.Incluindo compromissos para respeitar a soberania dos países africanos sobre os seus próprios recursos.E medidas para garantir a sua participação e influência em igualdade de condições na arquitetura financeira mundial e no Conselho de Segurança das Nações Unidas.Juntos, vamos comprometermo-nos com um mundo onde todas as pessoas possam viver e prosperar com dignidade.
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Comunicado de Imprensa
25 março 2026
Convite à Imprensa
MAPUTO, Moçambique - As Nações Unidas, em colaboração com o Governo do Japão, convidam cordialmente os membros da imprensa a comparecerem ao anúncio oficial, no dia 31 de março, do compromisso do Governo do Japão de financiar US$1,42 milhão para apoiar Moçambique no seu caminho para o desenvolvimento sustentável e fortalecer a resposta humanitária em curso. Sob a liderança do Governo de Moçambique e com a coordenação de instituições nacionais importantes, o apoio do Japão será implementado por meio de quatro entidades da ONU, nomeadamente a OIM, ONU Mulheres, UNOPS e UNFPA.O Governo do Japão é um parceiro de longa data das Nações Unidas e das organizações internacionais em Moçambique e mantém o seu compromisso de apoiar as prioridades humanitárias e de desenvolvimento do País. O Japão sempre estará ao lado do Governo de Moçambique e das Nações Unidas. Detalhes do EventoLocal: Residência Oficial do Embaixador do Japão em MoçambiqueEndereço: Avenida Julius Nyerere, Nº 2682, Cidade de Maputo.Data: 31 de março de 2026Horário: 13h30 Principais OradoresNome do Representante do Governo de Moçambique (a ser confirmado)S.Exa. Keiji Hamada, Embaixador do Japão em MoçambiqueDra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente da ONU e Coordenadora Humanitária para MoçambiqueSra. Maria Fernandes Teixeira, Chefe de Escritório do UNRCO Dra. Laura Tomm-Bonde, Chefe de Missão da OIMSra. Sofia Goinhas, Representante Residente do UNOPSSra. Molline Marume, Representante Interina da ONU MulheresSr. Walter Mendonça Filho, Representante Adjunto do UNFPA Destaques incluemDiscursos de representantes do Governo de Moçambique, do Governo do Japão e das Nações UnidasApresentações destacando os projetos apoiados e seu impacto esperadoOportunidades para fotos e entrevistas Nota aos EditoresFinanciamento para a OIMA OIM é a agência da ONU para as migrações, que trabalha para salvar vidas, proteger pessoas em movimento e impulsionar soluções para o deslocamento. Em Moçambique, a OIM opera em todas as províncias, apoiando populações deslocadas por meio de saúde, proteção, consolidação da paz, gestão de fronteiras, pesquisa e resposta a emergências. Com financiamento do Governo do Japão, a OIM apoiará aproximadamente 12.000 pessoas afetadas por crises diretamente e 30.000 indiretamente por meio de intervenções nos setores de água, saneamento e higiene (WASH em sua sigla inglesa) e saúde em áreas da Província de Nampula afetadas por ciclones e deslocamentos. A OIM também fortalecerá a preparação e a resposta à cólera e à varíola por meio do treinamento de profissionais de saúde, agentes comunitários de saúde e equipes de resposta rápida; da implantação de equipes móveis de saúde para vigilância de doenças ao longo de corredores de alta mobilidade; e do reforço da prevenção e do controle de infecções. O projeto apoiará pelo menos dois centros de tratamento de cólera, auxiliará campanhas de vacinação oral contra a cólera, fortalecerá a vigilância e a capacidade de preparação em cinco unidades de saúde e alcançará cerca de 8.000 pessoas por meio de atividades de conscientização sobre saúde e higiene, em estreita coordenação com as autoridades de saúde provinciais e distritais, para reduzir a transmissão e melhorar a detecção precoce. Por meio de uma abordagem conjunta das áreas de Água, Saneamento e Higiene (WASH) e Saúde, que combina a reabilitação da infraestrutura de água e saneamento com o fortalecimento do sistema de saúde, pessoas serão protegidas e capacitadas para viver com dignidade, promovendo assim maior estabilidade comunitária e resiliência social. Financiamento para o UNFPAO UNFPA é a agência das Nações Unidas para a saúde sexual e reprodutiva, comprometida em construir um mundo onde toda gravidez seja desejada, todo parto seja seguro e o potencial de cada jovem seja realizado. Em Moçambique, o UNFPA oferece intervenções que salvam vidas em regiões afetadas por conflitos, com foco na saúde materna, no atendimento clínico de vítimas de estupro e no apoio psicossocial. Com o apoio do Governo do Japão, o UNFPA atende mais de 33.000 pessoas vulneráveis no norte de Moçambique com serviços integrados e essenciais para a saúde sexual e reprodutiva (SSR) e violência baseada no gênero (VBG). Essa população, nos distritos de Chiúre, Montepuez e Mueda, inclui mulheres e raparigas em idade reprodutiva (14.000), adolescentes (3.500), gestantes (1.653) e recém-nascidos (11.003), sobreviventes de violência sexual (2.205) e pessoas com deficiência (1.500). Esses grupos representam populações particularmente vulneráveis, cujas necessidades específicas de saúde e proteção são desproporcionalmente ameaçadas pelas rupturas sistêmicas frequentemente vivenciadas durante crises e deslocamentos. O UNFPA fortalecerá a capacidade do sistema de saúde local e das estruturas comunitárias para garantir a continuidade dos serviços integrados de saúde sexual e reprodutiva e de combate à violência baseada no gênero. Como parte de sua resposta humanitária, o projeto se concentra na saúde, proteção e dignidade de mulheres, raparigas e jovens vulneráveis, incluindo pessoas com deficiência, por meio da implementação de espaços seguros e do envio de 144 brigadas móveis de saúde para áreas de difícil acesso. Financiamento para o UNOPSO UNOPS está apoiando o Governo de Moçambique no fortalecimento dos serviços de saúde de emergência em Cabo Delgado, no âmbito do Projeto de Recuperação da Crise do Norte de Moçambique (NCRP em sua sigla inglesa). Em um contexto de deslocamento contínuo, os serviços de saúde foram gravemente prejudicados, limitando a capacidade de encaminhamento de emergência para pessoas deslocadas internamente, retornados e comunidades acolhedoras. Com financiamento do Governo do Japão, o UNOPS adquirirá e entregará ambulâncias aos serviços de saúde dos distritos de Balama, Meluco e Pemba. Isso fortalecerá os sistemas de encaminhamento de pacientes, garantirá o transporte de emergência em tempo hábil e melhorará o acesso a cuidados que salvam vidas. Espera-se que a intervenção beneficie 573.730 pessoas nos três distritos, incluindo 274.886 mulheres (51,1%) e 262.844 homens (48,9%), contribuindo para a redução de mortes evitáveis e para um sistema de saúde pública mais resiliente no norte de Moçambique. Financiamento para a ONU MulheresA ONU Mulheres é a entidade das Nações Unidas dedicada à igualdade de género e ao empoderamento das mulheres. Em Moçambique, trabalha com o Governo, a sociedade civil e parceiros do setor privado para promover o empoderamento econômico das mulheres, acabar com a violência contra mulheres e raparigas e fortalecer a participação das mulheres na governação, na construção da paz e na ação humanitária. O Governo do Japão é um parceiro estratégico da ONU Mulheres, apoiando iniciativas que promovem a igualdade de gênero e a segurança humana, particularmente em contextos afetados por crises, desde 2016. Com financiamento do Governo do Japão, a ONU Mulheres apoiará mulheres e raparigas afetadas por crises nas Províncias de Cabo Delgado e Nampula, onde as mulheres e as raparigas representam 52% das pessoas que necessitam de assistência humanitária e até 80% das populações deslocadas. A ONU Mulheres fornecerá apoio de emergência para os meios de subsistência, incluindo insumos produtivos e formação profissional, juntamente com itens essenciais para restaurar a dignidade e reduzir os riscos de proteção. O programa também fortalecerá as organizações locais de mulheres e apoiará a participação e a liderança feminina nos esforços de resposta e recuperação no âmbito comunitário. O programa alcançará diretamente 2.800 mulheres e raparigas e indiretamente 16.000 pessoas, permitindo que mulheres e raparigas reconstruam os seus meios de subsistência, reduzam suas vulnerabilidades e contribuam para uma recuperação mais resiliente e inclusiva no norte de Moçambique.
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Comunicado de Imprensa
23 março 2026
Niassa fortalece o planeamento territorial para promover desenvolvimento integrado
LICHINGA, Moçambique - Num contexto marcado por uma rápida transformação territorial, crescimento populacional e necessidade de uma melhor articulação entre investimentos e serviços, a Província do Niassa reforça o seu compromisso com um planeamento territorial mais estruturado e eficaz, através do lançamento do processo técnico para a elaboração da Estratégia de Desenvolvimento Espacial (SDF), um instrumento central para orientar o desenvolvimento da província de forma integrada, equilibrada e baseada em evidências.A iniciativa enquadra-se no projecto “Promoção da resiliência socioeconómica e da coesão social na Província do Niassa através de uma abordagem integrada de desenvolvimento e consolidação da paz”, implementado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), e financiado pelo Governo da Suécia.Neste contexto, decorre de 23 a 25 de Março de 2026, na cidade de Lichinga, um seminário técnico que reúne representantes de instituições governamentais a nível provincial, distrital e municipal, bem como parceiros das Nações Unidas, academia, sociedade civil e sector privado, com o objectivo de alinhar abordagens metodológicas, clarificar papéis institucionais e estabelecer as bases operacionais para o desenvolvimento da estratégia.O processo baseia-se na aplicação da metodologia da Matriz de Funções (MdF), uma ferramenta analítica desenvolvida pelo ONU-Habitat que permite compreender a organização funcional do território, identificar lacunas na provisão de serviços e apoiar a priorização de investimentos estratégicos.Esta abordagem dá continuidade a análises territoriais anteriormente realizadas na região Norte de Moçambique, aprofundando a compreensão das dinâmicas territoriais específicas da Província do Niassa e permitindo uma análise mais detalhada e orientada às actuais necessidades de desenvolvimento.Ao longo do seminário, estão a ser estabelecidos os principais elementos técnicos e institucionais que irão sustentar este processo, incluindo a adaptação da ferramenta ao contexto local, a definição das funções-chave a serem analisadas e a organização das equipas responsáveis pela recolha, validação e análise de dados a nível provincial.Este exercício integra uma Análise Funcional Espacial mais ampla, que permitirá construir uma visão estruturada do território, identificar áreas prioritárias de intervenção e orientar decisões de investimento público e privado, contribuindo para um desenvolvimento mais inclusivo, resiliente e sustentável.A Directora do Gabinete da Governadora da Província do Niassa, Selestina Teófilo, destacou que “A Província do Niassa enfrenta limitações na cobertura de serviços básicos, desafios de conectividade territorial, bem como pressões sociais e vulnerabilidades que afectam directamente o desenvolvimento das comunidades. A aplicação da Matriz de Funções permitirá identificar essas lacunas de forma estruturada e orientar melhor o planeamento e os investimentos no território".O seminário, com a duração de três dias, inclui sessões práticas de recolha de dados, utilização de ferramentas digitais e definição de mecanismos de coordenação entre os diferentes níveis de governação, marcando o arranque do processo técnico da Estratégia de Desenvolvimento Espacial do Niassa.Através deste processo, o Governo de Moçambique, com o apoio do ONU-Habitat e parceiros, reafirma o seu compromisso com abordagens inovadoras de planeamento territorial, capazes de responder às dinâmicas actuais e potenciar as oportunidades de desenvolvimento na Província do Niassa.
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Comunicado de Imprensa
23 março 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Mundial da Meteorologia de 2026
NOVA IORQUE, EUA - Neste Dia Mundial da Meteorologia, lembramos que a previsão salva vidas.O caos climático está reescrevendo as regras do tempo, com calor recorde, secas mais longas, aumento do nível do mar e desastres cada vez mais frequentes e extremos. A ciência precisa e confiável é nossa primeira linha de defesa.A Organização Meteorológica Mundial e os serviços meteorológicos nacionais ajudam a nos manter seguros, tecendo uma rede global de dados, da terra, do mar, do ar e do espaço – transformando medições em previsões e previsões em avisos prévios. No entanto, o sistema global de observação está sobrecarregado, com lacunas críticas, especialmente nos países menos desenvolvidos e nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento.O tema deste ano, "Observando Hoje, Protegendo o Amanhã", é um chamado à ação. Governos, bancos de desenvolvimento e o setor privado devem ampliar o apoio à nossa infraestrutura global de observação, desde estações de superfície até satélites, e garantir que os dados sejam compartilhados de forma aberta e equitativa. E devemos acelerar os Avisos Prévios para Todos, para que, até 2027, todas as pessoas estejam protegidas por alertas que salvam vidas. Investir em observação traz inúmeros benefícios – fortalecendo a paz, a segurança, a resiliência e o desenvolvimento sustentável.Observando hoje, podemos proteger o amanhã – para as pessoas, para o planeta, para a prosperidade e para as gerações futuras.
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Comunicado de Imprensa
23 março 2026
UNOPS e Município da Matola assinam Memorando de Entendimento para reforçar o desenvolvimento urbano
MAPUTO, Moçambique - O Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS) e o Conselho Municipal da Cidade da Matola assinaram um Memorando de Entendimento para reforçar a cooperação em apoio ao desenvolvimento urbano sustentável. O acordo estabelece um quadro de colaboração em áreas-chave como infraestruturas, assistência técnica, capacitação, apoio à aquisição e gestão de projetos, com o objetivo de fortalecer a capacidade de implementação e responder aos desafios urbanos. O Governo de Moçambique, através do Conselho Municipal da Matola, em parceria com a UNOPS, formalizou hoje a assinatura do Memorando de Entendimento, marcando um passo importante para o reforço da colaboração ao nível municipal. A cerimónia contou com a presença do Presidente do Conselho Municipal da Matola, Sua Excelência Dr. Júlio José Parruque, do Diretor Regional da UNOPS, Sr. Sanjay Mathur, e da Diretora Nacional da UNOPS em Moçambique, Sra. Sofia Goinhas. Esta parceria reflete um compromisso conjunto de melhorar a prestação de serviços, reforçar infraestruturas resilientes e apoiar as prioridades de desenvolvimento local, particularmente no contexto da rápida urbanização e dos desafios relacionados com as alterações climáticas. O Memorando de Entendimento estabelece um quadro para o desenvolvimento de iniciativas conjuntas, através de acordos de projeto específicos, contribuindo para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O Diretor Regional do UNOPS, Sanjay Mathur, afirmou: “Este acordo reflete o nosso compromisso conjunto em reforçar a colaboração e gerar resultados concretos para as comunidades. Ao trabalharmos de forma próxima ao nível municipal, podemos apoiar infraestruturas resilientes, melhorar a prestação de serviços e responder aos principais desafios urbanos". Sobre a UNOPSA missão da UNOPS é ajudar as pessoas a construir melhores condições de vida e os países a alcançar a paz e o desenvolvimento sustentável. Apoiamos as Nações Unidas, governos e outros parceiros na gestão de projectos e na entrega de infraestruturas e aquisições sustentáveis de forma eficiente. Saiba mais em www.unops.org e siga o UNOPS no Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn, YouTube e WhatsApp.
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