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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão a contribuir a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 em Moçambique:
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22 janeiro 2026
Moçambique, ONU e Parceiros Intensificam Esforços para Salvar Vidas
MAPUTO, Moçambique - Mais de 600 mil pessoas já foram afetadas pelas cheias severas no sul e centro de Moçambique e 120 mortes registradas, após semanas de chuvas intensas. As províncias de Gaza, Maputo e Sofala estão entre as mais atingidas, com casas, unidades de saúde e infraestruturas gravemente danificadas.Quase 5.000 km de estradas foram afetados em nove províncias, incluindo a principal via que liga Maputo ao resto do país, hoje inacessível. Cadeias de abastecimento estão interrompidas e mais de 27 mil cabeças de gado foram perdidas.O Governo de Moçambique lidera a resposta, com apoio das Nações Unidas e parceiros humanitários. Estão em curso operações de busca e salvamento, evacuações preventivas e avaliações de danos. Atualmente, mais de 50 mil pessoas deslocadas encontram-se acolhidas em 50 centros temporários em todo o país.As Nações Unidas estão a reforçar assistência vital — abrigo, água potável, saneamento, cuidados de saúde, nutrição para bebés e mães, vacinação e apoio em dinheiro — garantindo dignidade, proteção e segurança às famílias afetadas.“Neste momento, a prioridade absoluta é salvar vidas — garantindo alimentação, água limpa, abrigo seguro, cuidados de saúde, nutrição para bebés e mães, e apoio em dinheiro para proteger a dignidade e a segurança”, afirmou a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente da ONU e Coordenadora Humanitária para Moçambique. “Ao mesmo tempo, precisamos ajudar as comunidades a reconstruir e reduzir riscos futuros. Este é um momento que exige renovada solidariedade global”, continuou. Em apoio à liderança do Governo, o sistema das Nações Unidas está plenamente mobilizado em Gaza e noutras províncias afetadas para responder à emergência das cheias:A FAO está a priorizar o apoio à restauração rápida da produção alimentar — destacando equipas de emergência, apoiando agricultores com sementes de ciclo curto, proteção pecuária e reabilitação das pescas, ajudando a evitar a perda da janela crítica de plantio.O IFAD está a ativar o seu mecanismo de Resposta Rápida a Emergências e Desastres (RRED) nos projetos PRODER e PROCAVA, permitindo prestar apoio rápido e direcionado às comunidades afetadas pelas cheias.A OIM continua a apoiar com o acompanhamento essencial do deslocamento populacional e a reforçar as medidas de proteção e PSEA.A UNESCO está a investir no reforço das capacidades de alerta precoce e resposta multirriscos, com intervenções que reforçam as avaliações de risco climático, o planeamento adaptativo e a governação inclusiva do risco de desastres, etc.O UN-Habitat está a apoiar a coordenação do setor de abrigo em Gaza e a avançar com avaliações críticas dos assentamentos, infraestruturas públicas e serviços básicos, fornecendo igualmente orientação técnica para uma reconstrução resiliente e reforço das capacidades locais.O UNICEF intensificou o apoio em água e saneamento, saúde, nutrição, educação, proteção infantil e proteção social, destacando liderança de clusters e capacidade logística para Gaza, e respondendo em várias províncias com fornecimento de serviços e bens vitais.A OMS e a ONUSIDA estão apostos para apoiar a continuidade do acesso aos serviços de saúde, e do tratamento para as pessoas que vivem com VIH.Olhando para a frente, o PNUD está preparado para apoiar a avaliação de danos em habitações e edifícios, e coordenar um Análise de danos pós-desastre, com o Governo e parceiros.Por meio das 25 entidades da ONU trabalhando no país, e juntamente com os nossos parceiros regionais, já mobilizamos uma equipa humanitária multissectorial que está a apoiar o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE) móvel na Província de Gaza.Adicionalmente, uma equipa do Sistema de Avaliação e Coordenação de Desastres das Nações Unidas, composta por especialistas com habilidades em coordenação, gestão de informações, avaliação, emergências ambientais, administração e finanças, foi mobilizada e chegará ao País o mais rápido possível.Moçambique enfrenta crises sobrepostas - cheias, deslocamento forçado, doenças e pressão económica - que afetam repetidamente as mesmas comunidades.A solidariedade internacional é urgente e essencial.
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História
21 janeiro 2026
Um Futuro Mais Seguro para as Mães em Dondo
MAPUTO, Moçambique - Durante anos, a segurança foi um luxo com que as mães na Província de Sofala não podiam contar. Complicações durante o parto causavam pânico, e a distância criava perigo; quando a ajuda chegava, muitas vezes já era tarde demais. Em Dondo, ambulâncias frequentemente saíam à noite transportando mulheres em risco de vida — algumas nunca regressavam.Essa realidade começou a mudar em 2024 com a inauguração de um novo bloco de partos no Centro de Saúde Distrital de Dondo, estabelecido com o apoio da Agência Coreana de Cooperação Internacional (KOICA) através do projecto "Melhorar a Saúde Reprodutiva, Materna e Adolescente" (IRMAH). Pela primeira vez, cuidados obstétricos de emergência passaram a estar disponíveis localmente, 24 horas por dia. Todos os dias, o bloco ganha vida com uma coordenação silenciosa: enfermeiras preparam instrumentos, parteiras revisam casos e a equipa de anestesia verifica os equipamentos. Formada no âmbito do projecto IRMAH, a equipa multidisciplinar fortaleceu as suas competências por meio de formação conjunta e simulações de emergência, construindo um sistema preparado para agir rapidamente quando cada minuto conta.Para Rosa Saquina, Enfermeira Sénior de Saúde Materna no Centro de Saúde Distrital de Dondo, o bloco de partos marcou uma viragem para a saúde materna. “Antes, muitas mães não sobreviviam. Agora, podemos resolver complicações mesmo aqui”, disse. Rosa recordou quando a maioria das emergências exigia encaminhamento para o Hospital Central da Beira.“Este bloco de partos foi um ganho real para nós. Reduzimos muitas transferências. Antes, quando uma mãe tinha complicações, tínhamos de chamar uma ambulância e enviá-la para muito longe. Perdemos várias mães no caminho”, afirmou Rosa.As mudanças sentiram-se no dia-a-dia. Com infraestrutura, equipamentos e pessoal treinado, partos difíceis que antes representavam alto risco passaram a ser geridos localmente. “É gratificante lidar com um parto complicado e resolvê-lo aqui,” acrescentou Rosa. “Ver uma mãe segurar o seu bebé em segurança faz toda a diferença”.O projecto também investiu fortemente na capacidade dos profissionais de saúde. Desde 2024, o bloco foi apoiado por uma equipa treinada e dedicada, incluindo Beth Xavier, Técnica de Anestesiologia, cujo papel é crucial para procedimentos cirúrgicos seguros. “Preparo as mães, tranquilizo-as e certifico-me de que tudo está pronto”, explicou. Antes de administrar anestesia, Beth fala com cada mulher, explica o procedimento e acalma os seus receios. Verifica os equipamentos, prepara os medicamentos e garante que o bloco está pronto para emergências — práticas que se tornaram padrão com o apoio do projecto.Para além da prestação imediata de serviços, o investimento moldou o futuro da força de trabalho na saúde. Para Orpa Feliz, estagiária de medicina no Centro de Saúde de Dondo, o bloco representa oportunidade e inspiração.“Ver este novo bloco deu-me esperança”, disse. “Sonhava em ser cirurgiã, e agora sei que posso treinar e praticar aqui” - afirmou a Técnica de Anestesiologia, Beth Xavier.A mudança se estendeu muito além de um centro de saúde. O bloco de partos integra uma parceria mais ampla entre a KOICA e o UNFPA para fortalecer os serviços de saúde sexual, reprodutiva, materna, neonatal e do adolescente na Província de Sofala, incluindo os distritos de Beira, Dondo, Búzi e Nhamatanda.Por meio do projecto IRMAH, foram alcançados 26 estabelecimentos de saúde, 14 escolas secundárias e 80 comunidades, melhorando o acesso a cuidados para mais de 321.000 adolescentes e mais de 305.000 mulheres entre 15 e 49 anos, incluindo 61.000 grávidas nos quatro distritos alvo.Desde a inauguração do bloco, mais de 320 mulheres grávidas receberam cuidados cirúrgicos essenciais, principalmente cesarianas, salvando vidas de mães e recém-nascidos.Alinhado com o Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável em Moçambique, o projecto apoiou os esforços nacionais para expandir o acesso equitativo a serviços de saúde essenciais, reforçar a igualdade de género e proteger os direitos e o bem-estar de mulheres e meninas. Os investimentos em infraestrutura, equipamentos modernos de maternidade e cirurgia, formação de profissionais de saúde, serviços de planeamento familiar e prevenção da violência baseada no género contribuíram para reduzir a mortalidade materna e neonatal e restaurar a confiança no sistema de saúde.Quando o projecto terminou no ano passado, o seu impacto já era evidente. Os atrasos nas referências se reduziram, a capacidade local de gerir emergências aumentou e a confiança no sistema de saúde cresceu.Com o apoio da KOICA e a parceria do UNFPA com as autoridades de saúde nacionais e provinciais, o bloco de partos em Dondo continua a ser uma contribuição duradoura para uma maternidade mais segura em Sofala.O UNFPA trabalha de perto com o Governo de Moçambique, particularmente o Ministério da Saúde e a Direcção Provincial de Saúde em Sofala, e estabeleceu parcerias com Médicos com África CUAMM e com o Consorzio Associazioni con il Mozambico para garantir a sustentabilidade.Em Dondo, o bloco de partos é mais do que uma sala. É o resultado de uma parceria que salvou vidas, fortaleceu sistemas e garante que mais mulheres sobrevivam ao parto com dignidade.Com cada parto seguro, Dondo e os distritos vizinhos aproximam-se de um futuro em que nenhuma mulher teme dar à luz simplesmente por causa do lugar onde vive.
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03 dezembro 2025
Quebrando Barreiras: Saúde e Proteção para Pessoas com Deficiência
MAPUTO, Moçambique - O acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva (SSR) e violência baseada no género (VBG) é um direito humano fundamental, mas em Moçambique, as pessoas com deficiência enfrentam desafios significativos e complexos relacionados com esse acesso. Estas barreiras são multifacetadas, variando desde a inacessibilidade física até preconceitos sociais profundamente enraizados. O problema: uma teia de obstáculosO acesso limitado aos serviços deve-se a várias barreiras críticas:Distância física e transporte: Longas distâncias até clínicas e centros de serviços, juntamente com uma grave falta de transporte acessível e económico;Má qualidade e acessibilidade dos serviços: muitas instalações existentes são fisicamente inacessíveis (sem rampas, corrimãos ou dispositivos auxiliares). Além disso, há falta de pessoal que saiba usar linguagem gestual ou fornecer materiais em braille ou linguagem de fácil leitura; eDiscriminação e falta de conhecimento: os prestadores de serviços muitas vezes não têm consciência dos desafios associados às deficiências e nutrem atitudes e crenças discriminatórias, o que prejudica gravemente a qualidade dos cuidados. A intersecção da vulnerabilidade: mulheres e raparigas com deficiênciaMulheres e raparigas com deficiência enfrentam desafios únicos devido à intersecção entre o seu género e a sua deficiência. Isso muitas vezes significa que lhes é negado o direito de tomar decisões sobre a sua própria saúde sexual e reprodutiva.Esta maior vulnerabilidade resulta em riscos mais elevados de:Violência sexual e baseada no género;Gravidezes indesejadas;Abortos inseguros; eInfecções sexualmente transmissíveis.O isolamento social e familiar aumenta ainda mais o risco. Muitas vezes, essas pessoas ficam escondidas em casa e não têm apoio da comunidade. Embora a subnotificação de violência de género seja comum em Moçambique, as barreiras à mobilidade, comunicação e o isolamento severo agravam a situação das pessoas com deficiência, que também podem sentir vergonha ou culpa, especialmente quando o agressor é um membro da família ou cuidador. A solução: ferramentas inclusivas e procedimentos padronizadosPara resolver esta lacuna crítica e tornar os serviços mais inclusivos, o UNFPA estabeleceu uma parceria com a organização da sociedade civil AIFO – Associazione Italiana Amici di Raoul Follereau, em 2024. Esta colaboração teve como objetivo equipar os prestadores de serviços com conhecimentos e ferramentas práticas e detalhadas. O Que Foi Desenvolvido?O projeto resultou de um rigoroso processo de consulta com pessoas com deficiência, cuidadores, prestadores de serviços e setores governamentais. Os principais recursos incluem:Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) e Manual Operacional: orientações detalhadas e práticas para todas as fases da prestação de serviços — desde o atendimento e tratamento até o encaminhamento e acompanhamento.Álbum Seriado: uma ferramenta vital para comunicação alternativa e aumentativa. Este álbum facilita a interação entre prestadores e pessoas com dificuldades de comunicação, incluindo pessoas surdas, com deficiências auditivas ou intelectuais, ou indivíduos que temporariamente apresentam dificuldade para falar (por exemplo, devido a trauma). Fase Piloto e Próximos PassosApós aprovação do governo, os POPs foram testados durante quatro meses em três províncias — Maputo (sul), Manica (centro) e Cabo Delgado (norte) — tanto em unidades de saúde como em centros de atendimento único para vítimas de violência baseado no género. Principais atividades durante o projeto-piloto:Os prestadores de serviços receberam formação intensiva sobre a utilização dos POPs, do Manual e do Álbum Seriado.Representantes de Organizações de Pessoas com Deficiência (OPDs) foram contratados para criar ativamente procura pelos serviços e monitorizar o progresso da implementação.É evidente nesta fase que o impacto é positivo e significativo, com benefícios diretos para a qualidade de vida da população e para o fortalecimento de um sistema mais justo e inclusivo. Com este programa, a qualidade da prestação de serviços melhorou, conquistando a confiança da população — especialmente das pessoas com deficiência — que agora tem muito mais facilidade para acessar os serviços devido à remoção das barreiras.Como explicou Eunice Lacastre, psicóloga clínica do Centro de Cuidados Integrados de Chimoio, “as principais conquistas que observámos com a implementação deste projeto incluem a capacidade dos profissionais de desenvolver uma abordagem inclusiva, aprendendo a lidar com cada tipo de deficiência, e a implementação de materiais de comunicação inclusivos". "Antes do início do projeto, não recebíamos pessoas com deficiência nos nossos serviços porque elas tinham medo de vir devido às barreiras existentes. Agora, temos visto um aumento na procura por serviços por parte de pessoas com deficiência", afirmou a psicóloga Eunice. Financiamento e apoioEsta iniciativa crucial resulta de programas conjuntos da ONU em Moçambique, com apoio financeiro do Fundo Global para a Deficiência (GDF)*. O desenvolvimento do Álbum Seriado, que mudou vidas, foi apoiado pelo Programa Global da UNFPA-UNICEF para Acabar com o Casamento Infantil (GPECM).*O programa GDF Parceria para a Realização dos Direitos das Pessoas com Deficiência em Moçambique, implementado conjuntamente pela UNICEF, UNFPA e OHCHR, financiou a fase de desenvolvimento dos POPs e do Manual Operacional, enquanto o programa regional GDF Cuidados Não Remunerados, Deficiência e Abordagem Transformadora de Género, implementado conjuntamente em Moçambique pelo PNUD, UNFPA e ONU Mulheres, financiou a fase piloto.
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30 novembro 2025
Caminhos para Resistir à Seca em Moçambique
MAPUTO, Moçambique - Alguns desastres chegam de repente - ciclones, cheias e terremotos mudam vidas em minutos. Mas a seca é um tipo diferente de crise: lenta e persistente. Para quem é afetado, cada dia traz novos desafios, enquanto os meios de subsistência, a saúde e a esperança se desgastam, deixando as famílias com poucas opções para reagir.“Nas duas últimas safras, não consegui colher nada”, compartilha Leria Maria, agricultora de 36 anos de Chemba, Província de Sofala, centro de Moçambique.Para Serenia Sezi, mãe de 10 filhos em Caia, a luta foi igualmente dura. “Durante a seca, ficamos sem nada. Comíamos o que conseguíamos encontrar”.Belinha Celestino, mãe de 39 anos de Caia, presenciou de perto o impacto do El Niño em sua comunidade. “No auge da seca, vi crianças desmaiarem de fome na escola dos meus filhos, estavam fracas”, relembra.“Alguns pais não tiveram escolha a não ser tirar os filhos da escola para ajudar a buscar comida no mato ou trabalhar para em troca de algum dinheiro ou comida”, continua Belinha.Essas mulheres vivem em comunidades rurais remotas, longe de serviços essenciais. A dura realidade da seca foi sentida em seus corpos e lares. Muitas vezes, a única forma de fazer a farinha de milho durar era deixar de comer para que as crianças pudessem se alimentar.“Sacrifiquei minhas refeições por muitos dias para que meus filhos tivessem pelo menos uma tigela de papa de milho por dia”, conta Serenia. O último fenômeno El Niño foi um dos mais intensos já registrados, devastando o centro e o sul de Moçambique.A seca nas Províncias de Tete, Manica, Sofala, Inhambane e Gaza afetou 1,8 milhão de pessoas que já viviam em situação de insegurança alimentar. As lavouras foram destruídas, os preços dos alimentos dispararam e a escassez regional de milho elevou os custos de importação.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
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História
22 agosto 2025
“Erradicar a exploração e o abuso sexuais é um imperativo moral”
MAPUTO, Moçambique - O Senhor Christian Saunders, Subsecretário-Geral e Coordenador Especial para o Aprimoramento da Resposta das Nações Unidas à Exploração e ao Abuso Sexuais, concluiu hoje uma visita oficial a Moçambique, realizada entre 17 e 22 de agosto.A missão reforçou o compromisso conjunto do Governo de Moçambique e das Nações Unidas na proteção da dignidade, dos direitos humanos e da segurança de todas as pessoas, em particular das mais vulneráveis. “Estou aqui para ouvir as comunidades, para compreender os desafios e para garantir que a ONU continua a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para prevenir e responder a qualquer forma de exploração e abuso sexuais”, afirmou o Subsecretário-Geral.Durante os seis dias de visita, o Senhor Saunders se reuniu com autoridades nacionais, representantes da sociedade civil, parceiros de cooperação, bem como com entidades humanitárias e de desenvolvimento das Nações Unidas. Em Maputo e em Cabo Delgado, manteve encontros com pessoas afetadas por conflito e eventos climáticos extremos. “As vozes das vítimas e sobreviventes devem estar no centro da nossa ação coletiva. Elas não podem ser esquecidas nem silenciadas”, sublinhou Christian Saunders. A visita destacou os esforços em curso para reforçar mecanismos de prevenção, de denúncia e de prestação de contas em Moçambique. Para a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente da ONU e Coordenadora Humanitária para Moçambique, a missão foi uma oportunidade de continuar o "engajamento com o governo, com as comunidades, com mulheres e homens, com pessoas com deficiência, com crianças, com jovens e idosos, para reforçar e passar a mensagem de que não há lugar para a exploração e abuso sexuais". "Há uma compreensão das pessoas de que não podemos fazer mal, uma compreensão de que o governo deve assumir a liderança, uma compreensão de que a legislação não deve apenas ser forte, mas também implementada, e que realmente não há espaço para exploração e abuso sexuais em nenhuma comunidade, nem aqui em Moçambique, nem em nenhum lugar do mundo" - afirmou a Dra. Sozi, Chefe da ONU em Moçambique. Entre as áreas priorizadas durante a missão estiveram o fortalecimento de canais seguros e confidenciais para denúncias, a formação de profissionais que atuam em contextos de emergência e o apoio às instituições nacionais na implementação de políticas de tolerância zero contra a exploração e o abuso sexuais. “O Governo e as Nações Unidas em Moçambique já deram passos importantes, mas precisamos garantir que as medidas de prevenção e resposta são consistentes, eficazes e sustentáveis”, afirmou o Subsecretário-Geral da ONU sobre os progressos alcançados até ao momento no país.Desde 2017, Cabo Delgado tem vivido uma complexa crise causada por conflito e eventos climáticos extremos que já deslocou mais de um milhão de pessoas. A proteção das comunidades e a garantia de respostas humanitárias seguras continuam a ser prioridades centrais do trabalho da ONU. “Erradicar a exploração e o abuso sexuais não é apenas uma obrigação institucional, é um imperativo moral. Todos temos a responsabilidade de proteger os mais vulneráveis”, concluiu o Senhor Saunders.
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13 fevereiro 2026
ESPECIAL: De zonas de guerra ao espaço sideral, o rádio continua essencial
MAPUTO, Moçambique - Mesmo com o mundo imerso em telas cada vez mais brilhantes e fluxos digitais intermináveis, as ondas de rádio continuam presentes, moldando de forma silenciosa, mas poderosa, a maneira como a humanidade se conecta. Elas viajam além dos limites da visão, às vezes avançando junto com as fronteiras tecnológicas de ponta e, outras vezes, permanecendo sozinhas como um recurso vital nos locais onde outras formas de tecnologia falham. Fonte sólida de informaçãoTodos os anos, o dia 13 de fevereiro marca o Dia Mundial do Rádio, uma celebração que coincide com o momento em que a Rádio das Nações Unidas ganhou vida, há 80 anos. As equipes da ONU News reuniram histórias de todos os cantos do mundo que revelam uma verdade simples: em locais arrasados por conflitos, catástrofes ou profundas divisões digitais, o rádio continua sendo uma fonte sólida de informação.Este papel duradouro está profundamente enraizado na própria história das Nações Unidas. Há oito décadas, quando o mundo emergia da devastação da Segunda Guerra Mundial, a Rádio ONU começou suas operações em estúdios modestos na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Da Rádio ONU à ONU NewsA audiência podia ouvir boletins de notícias e programas especiais em cinco línguas, além de escutar sessões completas do Conselho de Segurança e outros órgãos importantes. Ao longo de décadas, vozes icónicas como Edward R. Murrow, Marlon Brando, Audrey Hepburn e Frank Sinatra ajudaram a narrar reportagens globais. Os ouvintes também acompanhavam na Rádio ONU discursos históricos de líderes como John F. Kennedy, Mikhail Gorbachev, Nelson Mandela, Fidel Castro e o Papa João Paulo II.Esse legado evoluiu para o que é hoje a ONU News, uma plataforma multimédia que publica em 10 línguas e serve audiências em mais de 170 países. A plataforma traz notícias de última hora, entrevistas, coberturas ao vivo e reportagens aprofundadas sobre os desafios mais urgentes do mundo e a busca de soluções.Apesar das transformações geradas pelas novas tecnologias, o princípio central da ONU News permanece o mesmo: fornecer informação confiável às pessoas que mais precisam. Reconstruindo a radiodifusão em GazaEm nenhum lugar esta missão é mais urgente do que em zonas de conflito. Na Faixa de Gaza, antes de 7 de outubro de 2023, um total de 23 estações de rádio operavam no território. Após a guerra desencadeada pelos ataques do Hamas a Israel, todas as estações foram destruídas.No entanto, Rami Al-Sharafi, diretor da Zaman FM, trabalha com determinação para reconstruir as transmissões em meio aos escombros do seu estúdio. Em declarações à ONU News Árabe, ele foi direto: "A Zaman FM retomou as transmissões e somos atualmente a única estação de rádio a transmitir frequências FM de dentro da Faixa de Gaza após esta destruição maciça".Ele afirmou que a necessidade por notícias é profunda, particularmente num momento em que Gaza enfrenta a propagação de doenças, o colapso das estruturas educativas e a interrupção dos serviços públicos. Uma ferramenta crucial para a manutenção da pazEm outras zonas de conflito, o rádio serve como uma presença estabilizadora. Na República Democrática do Congo, RD Congo, a Rádio Okapi tornou-se uma voz confiável desde a sua criação em 2002, como parte da Missão de Paz da ONU, Monusco.Transmitindo em francês e em quatro línguas nacionais, a estação oferece informações credíveis em regiões do país afetadas pela violência e pelo deslocamento, de acordo com depoimentos reunidos pela ONU News Francês.Em Bukavu, no leste do congolês, um ouvinte disse que a Rádio Okapi "desempenha um papel fundamental na promoção da paz ao transmitir informações confiáveis e imparciais", notando que "quando as pessoas querem ter a certeza de que uma informação é verdadeira, recorrem frequentemente à Radio Okapi". Para muitas comunidades, a estação é também um canal vital para a participação cívica e a responsabilização. Ela "garante que as vítimas da guerra possam expressar o seu sofrimento para que este chegue às autoridades", afirmou outro residente de Bukavu. Informação que salva vidasA influência da rádio vai além da informação, combatendo ativamente o discurso de ódio e reforçando a coesão social. Em Lubumbashi, um ouvinte declarou que a Rádio Okapi contribui para "interromper ou reduzir mensagens que incitam ao ódio".Para refugiados como Bahati Yohane, que vive com a família no campo de Kyangwali, no Uganda, a Okapi foi literalmente a salvação durante a escalada de violência na RD Congo. Em entrevista à ONU News Kiswahili ele afirmou: "Para ser sincero, se não houvesse rádio para nos informar sobre a situação de segurança, não estaríamos vivos neste mundo hoje".Na República Centro-Africana, este veículo quebra o isolamento em áreas remotas e inseguras. A missão da ONU no país, Minusca, apoia tanto a sua própria estação, a Guira FM, como emissores locais. Em uma campanha recente, a Minusca distribuiu mais de 500 aparelhos de rádio para a população local, melhorando o fluxo de informação nas comunidades e ajudando a interromper rumores que podem perturbar viagens, comércio e as relações entre vizinhos.Estes esforços reativam uma tradição que começou há décadas, quand a ONU News Kiswahili estabeleceu uma parceria com a Rádio Tanzânia, agora Tanzania Broadcasting Corporation. O objetivo era transmitir o programa semanal “Mwangaza wa Umoja wa Mataifa”, que foi ao ar durante u período de 10 aonos desde 1970.A ex-editora chefe, Edda Sanga, recorda que “o programa ajudou a construir esperança e aspirações para muitas pessoas”, oferecendo histórias de progresso e soluções práticas. Segundo ela, o programa era “ansiosamente aguardado” por ouvintes que procuravam atualizações sobre paz, direitos humanos, questões ambientais e conflitos que eclodiam em países vizinhos.A Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, também é uma parceira fundamental de estações de rádio em contextos instáveis. No Afeganistão, por exemplo, a agência apoia 10 estações que transmitem orientações sobre serviços básicos, chegando a 20 milhões de ouvintes. Cerca de 40% são mulheres e meninas. Radioamadores como heróis nacionaisFora das zonas de conflito, a força silenciosa do rádio torna-se ainda mais clara durante emergências climáticas. Quando tempestades ou inundações derrubam linhas telefónicas e a conexão com a internet, os sinais de rádio permanecem frequentemente como o último elo estável com o mundo exterior. No México, os operadores amadores de rádio foram reconhecidos como heróis nacionais após o terremoto que abalou o país 1985, quando os sistemas de comunicação tradicionais falharam totalmente. Hoje, a Federação Mexicana de Radioamadores coordena a Rede Nacional de Emergência, devido à sua capacidade de transmitir informações vitais durante furacões, inundações e terremotos. Durante o Furacão Otis em 2023, os operadores improvisaram rapidamente sistemas de comunicação sob condições extremas. Como o presidente da Federação, Jesús Miguel Sarmiento Montesinos, disse à ONU News Espanhol, “Eles transformaram fios de cobre em antenas, usaram os seus equipamentos e baterias, e imediatamente começaram a transmitir, relatando a situação nas áreas afetadas, a extensão das inundações e se as áreas estavam acessíveis ou inacessíveis”. Uma plataforma inclusivaO rádio também serve como uma força poderosa para a acessibilidade e inclusão. Na Índia, a Radio Udaan foi lançada em 2014 como a primeira estação online do país operada inteiramente por apresentadores e funcionários com deficiência visual. Hoje, chega a 125 mil ouvintes em 120 países, abordando direitos das pessoas com deficiência, educação, tecnologia e inclusão social, e desafiando estereótipos através de desfiles de moda, competições de canto, encontros, caça de talentos e outros programas impulsionados pela comunidade.A ONU News Hindi falou com o fundador, Danish Mahajan, que explicou que a sua experiência pessoal como pessoa com deficiência visual ajuda a moldar uma programação adaptada às necessidades do público. Ele destacou a importância do conteúdo da ONU News, observando: “Sempre que há um programa, discussão ou comemoração especial da ONU relacionada com a deficiência, os temas, diálogos e conversas inspiradoras produzidas pelas Nações Unidas beneficiam enormemente a comunidade”. Mahajan também vê novas oportunidades através da inteligência artificial, IA descrevendo-a como uma “tecnologia transformadora” capaz de expandir a acessibilidade através de ferramentas como óculos inteligentes que ajudam indivíduos com deficiência visual a compreender o mundo ao redor. Empatia que os algoritmos não conseguem replicarA inteligência artificial também está transformando o panorama global do áudio. Na China, estas mudanças estão acontecendo numa velocidade notável, com a audiência de podcasts excedendo os 150 milhões e com previsão de crescer ainda mais. A ONU News Chinês ouviu do professor Sun Shaojing, da Universidade Fudan, que o conteúdo de áudio está ficando profundamente enraizado na vida quotidiana da China, presente em veículos elétricos que circulam por cidades lotadas e em dispositivos inteligentes que acompanham momentos de solidão. Ele ressaltou que apresentadores de notícias gerados por IA e vozes sintéticas estão se tornando cada vez mais comuns, oferecendo precisão, eficiência e um alcance multilíngue numa escala outrora inimaginável. No entanto, dentro desta precisão tecnológica, o professor Sun identifica um paradoxo: as próprias imperfeições da fala humana – as pausas, hesitações e texturas emocionais – são o que dá alma à voz.“Ao reportar sobre cenas de desastres, indivíduos afetados, o seu sofrimento e as suas necessidades, a IA perderia muitas das dimensões emocionais e empáticas que requerem compaixão e ligação humana. Não alcançaria a mesma profundidade de impacto emocional ou ressonância”, afirmou ele. Aumenta a procura por comunicações de rádio no espaço sideralMesmo para além da Terra, o rádio continua tendo um papel chave. Desde o momento em que o primeiro satélite rompeu a atmosfera em 1957, as ondas de rádio se firmaram como a ponte invisível por trás das comunicações espaciais, monitoramento da Terra e sistemas de localização e navegação.À medida que a exploração espacial acelera, estas frequências tornam-se ainda mais críticas. O chefe de Serviços Espaciais da União Internacional de Telecomunicações, UIT, Alexandre Vallet, disse à ONU News Português que satélites equipados com sensores altamente sensíveis dependem de frequências protegidas da UIT para rastrear com precisão os impactos acelerados das alterações climáticas. Ele explicou que os planos cada vez mais ambiciosos de exploração da Lua, anunciados pelas principais potências espaciais, incluindo propostas dos Estados Unidos e da China de construir bases permanentes, deverão impulsionar um aumento acentuado nas necessidades de radiocomunicação. Ele alertou que este aumento poderá ameaçar a Zona Protegida da Lua, uma área resguardada por um tratado da UIT da década de 1970 e que não sofre nenhuma interferência de rádio ou satélite. Desse modo, a área preserva um silêncio considerado essencial para estudar a origem do universo.“Para a próxima conferência sobre os regulamentos de rádio, no final de 2027, discutiremos o estabelecimento, pela primeira vez, de um quadro regulamentar para a gestão do espectro de rádio da Lua. Isto incluirá encontrar um bom equilíbrio entre a necessidade de ligações de comunicação e a necessidade de proteger o espectro para fins científicos”, afirmou o especialista.A rápida transformação da economia espacial deve aprofundar ainda mais a dependência da humanidade das ondas de rádio. Vallet afirmou que indústrias emergentes como turismo espacial, manufatura orbital, mineração de asteroides e Data Centers de IA fora da Terra dependerão de canais de comunicação estáveis, baseados em sinal de rádio. Um sinal que perduraAtravés de zonas de conflito, resposta a desastres, esforços de acessibilidade, inovação digital e até nos confins do espaço, o rádio continua a demonstrar a sua força silenciosa, mas notável. Em um mundo sobrecarregado por imagens e novas tecnologias, estas ondas invisíveis perduram como um lembrete de que as formas mais simples de comunicação detêm frequentemente a maior capacidade de informar, proteger e unir.
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História
12 fevereiro 2026
Reconstruindo Vidas em Mocímboa da Praia
MAPUTO, Moçambique - Na costa norte de Moçambique, aninhada na Província de Cabo Delgado, encontra-se a resiliente cidade de Mocímboa da Praia, um lugar em reconstrução e revitalização.Após anos de conflito que intensificaram-se em 2017, esta cidade costeira está agora a restaurar as vidas e os meios de subsistência dos seus habitantes. Outrora o coração da economia local, a pesca começa agora a prosperar novamente, oferecendo esperança às famílias que regressaram a casa depois de quatro anos de deslocamento.Entre os que regressaram está Andi Ibrahim, um pescador de 30 anos que vive com os pais e quatro irmãos.Quando o conflito eclodiu na sua cidade natal, Mocímboa da Praia, Andi e a sua família foram obrigados a fugir. Caminharam quilómetros, até encontrarem transporte que os levou a Muidumbe, uma aldeia a 130 quilómetros de casa.“Mesmo em Muidumbe, eu pescava para sustentar a mim e à minha família”, recorda Andi.Agora, Andi está de volta a Mocímboa da Praia, fazendo o que sabe fazer de melhor: pescar. Mas, no início, enfrentou desafios. Vender peixe diretamente na praia não lhe rendia muito dinheiro.“Eu não ganhava mais dinheiro vendendo diretamente na praia”, diz Andi.Isso mudou quando Andi recebeu um refrigerador portátil como parte do apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM), financiado pelo Governo do Japão e em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e a Peace Winds Japan.Através do projeto, a OIM apoiou 133 pessoas com kits iniciais, que incluíam congeladores, balanças e refrigeradores portáteis.Andi agora leva sua pesca para o mercado, onde pode vendê-la por um preço melhor.“Antes eu pescava em um balde de plástico e vendia diretamente na praia, o que não era lucrativo”, conta Andi. “Com a caixa térmica, consigo transportar o peixe e vendê-lo fresco no mercado. Agora ganho até 1.500 meticais (25 dólares americanos) por semana, o que me sustenta e à minha família”, conta Andi, explicando o seu dia a dia. A OIM também construiu um novo mercado de peixe em Mocímboa da Praia, com previsão de conclusão em 2025, equipado com instalações de armazenamento refrigerado movidas a energia solar, permitindo que jovens pescadores como Andi armazenem seus produtos com segurança e os vendam em melhores condições.Para muitos que voltam aos seus lugares de origem, o setor pesqueiro tornou-se a base da sobrevivência e da resiliência.Desde o início do conflito, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas do norte de Moçambique. Mas, com o retorno da paz, mais de 500 mil pessoas voltaram, cada uma em busca de uma forma de reconstruir suas vidas.“O projeto de Resiliência Comunitária e Consolidação da Paz (CRP) não só apoia esses jovens a restabelecerem seus meios de subsistência, como também é fundamental para a construção de uma paz duradoura”, afirma Alexandra Ferro, Gerente de Projetos do programa CRP da OIM.“Quando as pessoas têm ferramentas e oportunidades para reconstruir suas vidas, elas se tornam menos vulneráveis e menos propensas a serem atraídas para a violência”, continuou Alexandra Ferro. Além do apoio direto aos pescadores, o projeto também capacita autoridades portuárias, ajudando a agilizar o comércio, melhorar a comunicação com as comunidades pesqueiras locais e garantir segurança e transparência.Esses esforços coordenados servem a outro propósito em uma região onde jovens desempregados correm o risco de serem recrutados por grupos armados não estatais; proporcionar trabalho digno e estabilidade é uma proteção poderosa.Para Andi, a pesca é mais do que apenas um meio de subsistência. É uma forma de reconstruir suas vidas e conduzir sua família e comunidade rumo a um futuro melhor.
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História
05 fevereiro 2026
Moçambique é pioneiro global na retoma da vacinação contra a cólera após reforço
MAPUTO, Moçambique - A vacinação preventiva global contra a cólera retomou após o fornecimento internacional de vacinas ter alcançado um nível suficiente para permitir o reinício das campanhas. É a primeira vez em mais de três anos que o processo é realizado.O anúncio foi feito esta quarta-feira pela Aliança Global para Vacinas, Gavi, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e pela Organização Mundial da Saúde, OMS. Contextos desafiantes para a retomaMoçambique torna-se o primeiro país a retomar a vacinação, após a suspensão das ações em 2022. Na época, a alta global dos casos de cólera levou a uma procura sem precedentes e à escassez de vacinas orais contra a doença.Em território moçambicano, a campanha retoma em contexto desafiante, marcado por um surto ativo de cólera e pelas consequências das cheias recentes que afetaram mais de 700 mil pessoas e deslocaram milhares. As inundações danificaram sistemas de saúde e de abastecimento de água, aumentando o risco de doenças transmitidas pela água.O diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, a falta de vacinas obrigou uma resposta reativa, centrada no controlo dos surtos, em vez da prevenção. Ele afirmou que a agência está agora em “posição mais forte para quebrar esse ciclo”. Distribuição de 20 milhões de dosesA primeira alocação de 20 milhões de doses de imunizantes contra a cólera está a ser utilizada para as campanhas preventivas. Deste total, 3,6 milhões de doses foram entregues em Moçambique, enquanto as restantes devem seguir para a República Democrática do Congo e para o Bangladesh.A produção anual global de vacinas contra a cólera duplicou, passando de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões em 2025. As vacinas são financiadas pela Aliança Gavi e distribuídas pelo Unicef.Os países beneficiários foram selecionados com base em critérios definidos pela Força-Tarefa Global para o Controle da Cólera por forma a garantir uma distribuição equitativa e transparente.Para a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, o aumento do fornecimento de vacinas permite a prevenção de emergências em grande escala. Transmissão continua em altaA cólera é transmitida através da água ou alimentos contaminados, causando diarreia grave e desidratação, podendo ser fatal se não for tratada rapidamente.Em 2024, mais de 600 mil casos e cerca de 6,7 mil mortes foram notificados à OMS em 33 países, embora estes números sejam subestimados, uma vez que as infeções continuam subnotificadas.Desde 2021, os casos globais têm aumentado a cada ano. No entanto, foi registrada uma ligeira redução em 2025, mas as mortes continuam a disparar.A agência reforça que a vacinação é apenas uma das ferramentas de resposta, que inclui também investimentos de longo prazo em água, saneamento e higiene, vigilância, tratamento rápido e envolvimento comunitário.
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História
26 janeiro 2026
Cheias em Moçambique: ONU reforça resposta humanitária com chegada de suprimentos
MAPUTO, Moçambique - Moçambique enfrenta uma emergência humanitária em rápida escalada após chuvas excecionalmente intensas registadas entre dezembro de 2025 e meados de janeiro de 2026. As cheias que atingem sobretudo o sul e o centro do país já afetaram cerca de 650 mil pessoas, provocando a destruição de casas, escolas, unidades de saúde e infraestruturas essenciais, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).No âmbito do reforço da resposta humanitária, 88 toneladas métricas de suprimentos essenciais chegaram a Maputo nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, a bordo de um avião cargueiro Boeing 747 Jumbo Jet.A carga foi financiada pela União Europeia, através da Direção-Geral da Proteção Civil e das Operações de Ajuda Humanitária (ECHO), e será distribuída pelo UNICEF, em coordenação com o Governo de Moçambique e parceiros.A carga humanitária, avaliada em cerca de US$ 552 mil, inclui materiais críticos nas áreas de saúde, água, saneamento e higiene, nutrição, educação e proteção da criança, além de tendas de alto desempenho que permitirão a instalação de espaços amigos da criança, clínicas de saúde temporárias e outros serviços essenciais nas zonas mais afetadas. Solidariedade internacional em açãoPara assinalar oficialmente a chegada dos suprimentos, realizou-se um evento na tarde de hoje, no Terminal de Carga do Aeroporto Internacional de Maputo, reunindo representantes do Governo, da União Europeia, do Sistema das Nações Unidas e parceiros humanitários.Participaram do evento Sua Excelência a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas; o Embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore; a Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária para Moçambique, Dra. Catherine Sozi,; a Representante do UNICEF em Moçambique, Mary Louise Eagleton; e a Presidente do INGD, Luísa Meque.“O impacto das cheias em Moçambique tem sido vasto e profundamente sentido em todo o país. O Governo apelou à solidariedade da comunidade internacional e tem recebido um apoio importante de parceiros como a União Europeia e o UNICEF”, afirmou a Ministra Maria Manuela dos Santos Lucas. “Estamos impressionados com a rapidez da resposta, mas as necessidades continuam a ser enormes”, continuou a Ministra Maria Manuela.O Embaixador da União Europeia destacou que a ponte aérea humanitária reflete o compromisso europeu com Moçambique. “Esta operação traduz a solidariedade europeia em ação concreta, assegurando que a ajuda chegue rapidamente às famílias e comunidades que mais precisam, com o apoio do UNICEF”, afirmou o Embaixador Antonino Maggiore. Pessoas no centro da respostaFalando aos jornalistas, a Dra. Catherine Sozi sublinhou o impacto humano da crise. “Por detrás destes números estão pessoas reais, com necessidades urgentes de proteção, dignidade e esperança. Entre as mais afetadas estão mulheres e crianças, muitas das quais viram as suas casas destruídas, as suas escolas interrompidas e enfrentam riscos acrescidos à saúde e ao bem-estar”, afirmou.Segundo a Coordenadora Humanitária, os suprimentos serão distribuídos prioritariamente a 99 centros de acolhimento, que atualmente acolhem cerca de 100 mil pessoas, sobretudo nas Províncias de Maputo e Gaza. “A chegada destes suprimentos representa muito mais do que uma entrega logística. É um símbolo concreto da solidariedade da comunidade internacional com o povo de Moçambique. Num momento de crise, esta solidariedade é essencial - e hoje ela está visível”, acrescentou a Dra. Catherine Sozi.Sozi reconheceu ainda que, apesar de crucial, esta assistência é apenas parte de um esforço mais amplo liderado pelo Governo e pelas próprias comunidades. “Sabemos que ainda há muito trabalho pela frente. Mas reiteramos ao povo de Moçambique: vocês não estão sozinhos”. Impacto crescente e necessidades urgentesDe acordo com dados atualizados do INGD, as cheias já afetaram mais de 600.000 pessoas. Foram registadas mais de 150 mil casas inundadas, das quais 767 totalmente destruídas, além de quase 230 unidades sanitárias e mais de 360 escolas danificadas ou destruídas. Desde o início da época chuvosa, em outubro de 2025, mais de 130 pessoas perderam suas vidas.“As chuvas intensas estão a exercer uma pressão enorme sobre comunidades, serviços públicos e infraestruturas essenciais”, alertou Luísa Meque, Presidente do INGD. “O Governo mobilizou todos os seus mecanismos de resposta e continua a trabalhar de forma coordenada com parceiros nacionais e internacionais. Este é um momento que exige o envolvimento de todos”, frisou a Presidente Luísa Meque.A Representante do UNICEF, Mary Louise Eagleton, reforçou que as crianças estão entre as mais afetadas pela crise. “Este primeiro voo humanitário internacional representa um passo importante para fazer chegar, com urgência, suprimentos vitais às crianças e famílias nas províncias mais atingidas”. “Nos próximos dias, a nossa prioridade é garantir que estes materiais cheguem rapidamente a quem mais precisa e continuar a mobilizar apoio adicional”, continuou. Compromisso contínuoAs Nações Unidas, por meio do UNICEF e de todo o Sistema da ONU em Moçambique, continuarão a trabalhar lado a lado com o Governo e parceiros humanitários para reforçar a resposta às cheias, proteger as populações mais vulneráveis e garantir que nenhuma criança seja deixada para trás.
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História
30 outubro 2025
Hackathon: Jovens Combatem o Tráfico Humano Usando Tecnologia
MAPUTO, Moçambique – Trinta jovens programadores, de seis universidades diferentes de Moçambique – alguns já com experiência em hackathons, outros a participar pela primeira vez – ligaram os seus computadores prontos para enfrentar um dos crimes organizados mais complexos: o tráfico de pessoas.“Com as vossas linhas de código, podeis criar soluções com impacto na vida de milhares de moçambicanos”, afirmou o professor José Nhavoto, da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), na abertura do primeiro hackathon contra o tráfico humano em Moçambique.A iniciativa foi organizada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em parceria com a UEM, a Knowledge Foundation e a Procuradoria-Geral da República de Moçambique durante os dias 29 e 30 de outubro em Maputo.Antes de iniciarem a competição de 48 horas de programação, os 30 participantes passaram cinco dias num bootcamp intensivo centrado no tráfico de pessoas. A formação incidiu não só sobre o tráfico de pessoas, mas também sobre outras competências-chave de aprendizagem, como a aplicação de tecnologia no combate a este crime, o design thinking e a inovação Entre os formadores estiveram representantes da Procuradoria-Geral da República, professores da UEM, especialistas do UNODC, peritos Knowledge Foundation e membros da equipa “Lovelace”, vencedora do hackathon global co-organizado pelo UNODC em 2024 (Coding4Integrity).“Os participantes fizeram muitas perguntas pertinentes: ‘quais mecanismos existem nas fronteiras para detectar casos de tráfico? Como as investigações funcionam na prática? Como elas podem ser aprimoradas? Como funciona a cooperação com outros países?’”, recordou a Sra. Inilsa Esteves, Magistrada do Ministério Público e formadora do bootcamp. “Foi ótimo trabalhar com um público tão jovem e curioso”, afirmou a Magistrada Inilsa Esteves.Para muitos, o bootcamp marcou uma mudança de perspectiva. “Este bootcamp teve um impacto enorme em mim, tanto pessoal como profissional”, disse Dalton Chivambo, estudante de Engenharia Informática.“Antes do bootcamp, tinha apenas uma ideia vaga do que era o tráfico de pessoas; agora percebo a gravidade e a complexidade deste fenômeno. Esta formação me motivou a aprender mais e a contribuir para iniciativas como esta”, comentou Dalton.Já para Clementina Elihud, o que mais lhe inspirou foi a oportunidade de interagir com os formadores do hackathon. “Profissionalmente, os formadores inspiraram-me, sobretudo a Amanda e a Kea – mulheres na tecnologia que nos mostram o que podemos atingir enquanto mulheres neste setor”. 48 horas para fazer a diferençaOs participantes puderam escolher entre dois desafios: o recrutamento de vítimas em plataformas digitais ou a reintegração social das vítimas após o seu resgate.Enquanto todas as outras equipas optaram pelo primeiro desafio, a equipa Libertech, composta por Domingos Alfredo, Esperança Munlela e Isa Neide Sitoe, escolheu o segundo desafio.“No início do bootcamp, queríamos nos focar na prevenção”, contou Domingos. “Mas depois percebemos que também precisamos de pensar no que acontece depois do tráfico. Em Moçambique, este tema quase não é falado”.Assim nasceu a WIRA, uma plataforma de formação, cujo nome na língua local emakhuwa significa “reerguer, revitalizar, reedificar”. “A WIRA devolve às vítimas o que o tráfico lhes roubou: a capacidade de escolher o seu próprio futuro”, explica Esperança, um dos membros da equipa. Reconhecendo os desafios de conectividade do país, a Libertech integrou também tecnologia USSD e SMS no desenvolvimento da plataforma, a fim de torná-la acessível até para utilizadores de telemóveis sem acesso à internet.“Candidatamo-nos ao hackathon para aprendermos, para nos divertirmos e pela experiência”, explica Esperança.A experiência se transformou em vitória. A equipa Libertech conquistou o primeiro lugar do hackathon, recebendo computadores portáteis e uma oportunidade de colaboração com a rede internacional de programadores da Knowledge Foundation. Além da Libertech, várias equipas criaram soluções criativas e acessíveis, adaptadas à realidade moçambicana – desde chatbots e sistemas USSD até ferramentas de verificação de ofertas de emprego e canais anónimos de denúncia.Outras soluções apostaram em sistemas de análise de dados, visando apoiar autoridades na detecção de padrões e riscos. Parceiros no combate ao tráfico de pessoasO painel do júri das oito soluções apresentadas reuniu representantes do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, da Procuradoria-Geral da República, da BCX, uma empresa de tecnologia de informação focada na transformação digital, e da WansaTi Lab, a Associação Moçambicana de Mulheres na Tecnologia.“Em apenas 48 horas, fizeram um trabalho notável”, disse Aristides Parruque, da BCX. “Muitos profissionais desta área teriam dificuldade em entregar produtos com esta qualidade em tão pouco tempo”.Ângela Massango, Magistrada do Ministério Público e Coordenadora do Grupo de Referência para a Proteção da Criança, Combate ao Tráfico e Migração Ilegal da Cidade de Maputo, sublinhou que, caso fossem adotadas, as soluções apresentadas poderiam fortalecer de forma significativa o trabalho do Ministério Público no combate ao tráfico de pessoas na Cidade de Maputo. Mais do que uma competição“Foi o meu primeiro hackathon; e aprendi imenso, não só sobre tecnologia, mas sobre o tráfico de pessoas” contou Miro Lino, um dos participantes. “O que eu achava que sabia sobre este tópico era completamente diferente da realidade. Até aprendi a integrar aplicações, e em apenas 48 horas”, continuou.“Adoro programar, e fazê-lo por uma causa como combater o tráfico de pessoas foi realmente especial”, disse Isaltina Pepete, uma outra participante. Para Daya Hayakawa, Coordenadora do UNODC para o Tráfico de Pessoas e Tráfico de Migrantes na África Austral, “colaborar com mentes brilhantes para encontrar soluções reais, trazendo a juventude para o centro do nosso trabalho é o que torna o trabalho das Nações Unidas no terreno tão inspirador”.“Ouvir as dúvidas e reflexões destes estudantes, tão diferentes das que encontro no meu dia a dia, ensinou-me tanto quanto espero ter-lhes ensinado”, acrescentou Daya Hayakawa.Para Moçambique, fica a promessa: uma geração de jovens programadores pronta a desenvolver soluções que protegem comunidades do tráfico de pessoas, uma linha de código de cada vez.O UNODC agradece ao Reino da Noruega e ao Governo de Moçambique pelo seu apoio no âmbito desta iniciativa.
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Comunicado de Imprensa
10 fevereiro 2026
Declaração atribuída ao Porta-voz do Secretário-Geral sobre Moçambique
NOVA IORQUE, EUA - O Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou hoje que uma grande tempestade deverá passar ao largo da costa na sexta-feira, mas ainda assim afetará as comunidades. Ontem, o Governo ativou os preparativos para as possíveis inundações que podem ser causadas pelo Ciclone Gezani. Isso inclui o planejamento de evacuações e o pré-posicionamento de suprimentos essenciais.Antes do ciclone, o Fundo Central de Resposta a Emergências liberou US$ 4,5 milhões para financiar agências da ONU no auxílio a mais de 300.000 pessoas no sul de Moçambique.OCHA observa que isso ocorre enquanto o país continua se recuperando das recentes inundações que afetaram grande parte do centro e sul de Moçambique. Até o momento, 140.000 pessoas, o que representa quase um quarto de todas as mais afetadas pelas inundações, receberam algum tipo de assistência humanitária.
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Comunicado de Imprensa
30 janeiro 2026
O PMA Intensifica a Assistência Alimentar enquanto Cheias Históricas em Moçambique Deixam Famílias Isoladas
MAPUTO, Moçambique - O Programa Mundial para a Alimentação (PMA) das Nações Unidas está a intensificar esforços para fornecer assistência alimentar vital a 450 mil pessoas afectadas pelas piores cheias do país em décadas, apenas meses depois de os moçambicanos se terem recuperado da pior seca dos últimos tempos. A agência necessita urgentemente de US$32 milhões para os próximos três meses para fornecer apoio alimentar e nutricional essencial às famílias abaladas pelas cheias.Cheias graves no centro e sul de Moçambique afectaram quase 700 mil pessoas, forçando mais de 100 mil a recorrer a centros de acomodação temporários, alagando áreas agrícolas e separando centenas de milhares de famílias de alimentos e serviços essenciais. Cerca de 1.500 quilómetros de estradas estão agora intransitáveis, interrompendo rotas de abastecimento fundamentais e isolando grupos vulneráveis.O PMA está a usar veículos anfíbios especializados, barcos, camiões, aeronaves de asa fixa e helicópteros para chegar às comunidades afectadas com assistência alimentar e nutricional.“Temos as equipas, a logística e a competência para intensificar rapidamente a assistência alimentar e nutricional às famílias afectadas pelas cheias em Moçambique”, disse Claire Conan, Directora Nacional e Representante do PMA em Moçambique. “No entanto, a falta de financiamento está a restringir a nossa capacidade de apoiar o número crescente de pessoas que precisam apoio”.As necessidades humanitárias em Moçambique estão a disparar. As cheias massivas duplicaram agora o número de pessoas afectadas pela crise que o PMA apoia em todo o país, mas com os mesmos recursos.“Estas cheias são tanto uma emergência como uma ameaça à segurança alimentar a longo prazo,” disse Conan. “Grandes áreas de terras agrícolas foram submersas, o que irá afectar as colheitas vindouras e provavelmente levará à escassez de alimentos e ao aumento dos preços. Instamos à comunidade internacional a apoiar tanto a resposta imediata como as iniciativas de segurança alimentar a longo prazo no país”.
Enquanto as cheias inundaram as regiões sul e centro do país, nove anos de conflito com grupos insurgentes armados no norte deslocaram centenas de milhares de pessoas. O PMA fornece actualmente assistência alimentar crítica a 425 mil das pessoas mais vulneráveis afectadas pelo conflito no norte do país.A falta de financiamento já obrigou o PMA a reduzir o número de moçambicanos que apoia no norte em 60% em comparação com 2024. Sem financiamento imediato, será implementada uma redução adicional de 40% em Março, e espera-se uma paralisação completa da assistência em maio. Nota para editoresO Programa Mundial para a Alimentação (PMA) das Nações Unidas é a maior organização humanitária do mundo, salvando vidas em emergências e usando a assistência alimentar para construir um caminho para a paz, estabilidade e prosperidade para as pessoas que se recuperam de conflitos, desastres e do impacto das mudanças climáticas.
Enquanto as cheias inundaram as regiões sul e centro do país, nove anos de conflito com grupos insurgentes armados no norte deslocaram centenas de milhares de pessoas. O PMA fornece actualmente assistência alimentar crítica a 425 mil das pessoas mais vulneráveis afectadas pelo conflito no norte do país.A falta de financiamento já obrigou o PMA a reduzir o número de moçambicanos que apoia no norte em 60% em comparação com 2024. Sem financiamento imediato, será implementada uma redução adicional de 40% em Março, e espera-se uma paralisação completa da assistência em maio. Nota para editoresO Programa Mundial para a Alimentação (PMA) das Nações Unidas é a maior organização humanitária do mundo, salvando vidas em emergências e usando a assistência alimentar para construir um caminho para a paz, estabilidade e prosperidade para as pessoas que se recuperam de conflitos, desastres e do impacto das mudanças climáticas.
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Comunicado de Imprensa
30 janeiro 2026
Declaração atribuída ao Porta-Voz Adjunto do Secretário-Geral sobre Moçambique
NOVA IORQUE, EUA - A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) observou hoje que os impactos climáticos recorrentes estão novamente causando deslocamentos em massa em Moçambique. Segundo o ACNUR, as últimas inundações deslocaram cerca de 392.000 pessoas, aumentando a pressão sobre um país que já enfrenta conflitos no norte, que deslocaram mais de 300.000 pessoas somente no último trimestre de 2025.O ACNUR informou que cerca de 100.000 pessoas estão abrigadas em aproximadamente 100 centros de acolhimento temporário, incluindo escolas e prédios públicos. A superlotação nesses centros é grave, aumentando os riscos à segurança.Em parceria com outras agências, a Agência da ONU para Refugiados está apoiando o governo no fornecimento de assistência essencial, principalmente na província de Gaza. Equipes móveis de proteção estão identificando e abordando os riscos mais críticos entre as pessoas mais vulneráveis.
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Comunicado de Imprensa
26 janeiro 2026
UNICEF e União Europeia reforçam resposta às cheias com chegada de avião humanitário a Moçambique
MAPUTO, Moçambique - O UNICEF Moçambique assinalou a chegada, nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, 26 de Janeiro, de 88 toneladas métricas de suprimentos humanitários essenciais, preenchendo um avião cargueiro Boeing 747 Jumbo Jet, financiados pela União Europeia, através da Direcção-Geral da Protecção Civil e das Operações de Ajuda Humanitária (ECHO), para apoiar a resposta às cheias em curso no país.A carga, com um valor aproximado de 552 mil dólares americanos, inclui materiais críticos nas áreas de saúde, água, saneamento e higiene, nutrição, educação e protecção da criança, bem como tendas de alto desempenho que serão utilizadas para instalar espaços amigos da criança, clínicas de saúde temporárias e outros serviços essenciais nas zonas mais afectadas pelas cheias.Para assinalar oficialmente a chegada destes suprimentos, realizou-se hoje, às 14h00, um evento na Terminal de Carga do Aeroporto Internacional de Maputo, onde os materiais estão a ser preparados para distribuição urgente às zonas mais afectadas. O evento contou com a presença da Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, do Embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, da Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária para Moçambique, Dra. Catherine Sozi, da Representante do UNICEF em Moçambique, Mary Louise Eagleton, e da Presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), Luísa Meque.Moçambique enfrenta actualmente uma emergência de cheias em rápida escalada após chuvas excecionalmente intensas registadas entre Dezembro de 2025 e meados de Janeiro de 2026. Segundo o Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), cerca de 650 mil pessoas foram afectadas em todo o país.As equipes do UNICEF estão no terreno, a trabalhar em estreita coordenação com o Governo de Moçambique, o INGD, o Sistema das Nações Unidas e parceiros, para avaliar necessidades, apoiar comunidades afectadas e distribuir suprimentos críticos. A chegada destes suprimentos reforça de forma significativa a resposta humanitária já em curso.“O impacto das cheias em Moçambique tem sido vasto e profundamente sentido em todo o país. O Governo de Moçambique apelou à solidariedade da comunidade internacional e tem recebido um apoio importante de parceiros como a União Europeia e o UNICEF, bem como da SADC e de países vizinhos. Estamos impressionados com a rapidez da resposta. No entanto, as necessidades continuam a ser enormes e é urgente reforçar o apoio internacional”, disse Maria Manuela dos Santos Lucas, Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.“A União Europeia está solidária com o povo de Moçambique. Estamos a trabalhar de mãos dadas com os Estados-Membros para que possamos prestar assistência num momento de maior necessidade. Esta ponte aérea humanitária traduz a solidariedade europeia em acção, assegurando, com o apoio do UNICEF, que ajuda essencial chegue às famílias e comunidades que dela necessitam”, afirmou Antonino Maggiore, Embaixador da União Europeia em Moçambique.“Gostaria de expressar o nosso profundo agradecimento à União Europeia e aos seus Estados-Membros, bem como a todos os países que contribuíram, que se comprometeram a contribuir e que continuarão a caminhar ao lado do povo moçambicano”, disse a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária para Moçambique. “Esta é a essência da solidariedade global e é isso que as Nações Unidas fazem: dar voz às necessidades de milhares de pessoas afectadas por crises que são também um reflexo dos desafios globais do nosso planeta. Ao mesmo tempo, sabemos que ainda há muito trabalho pela frente.”“As chuvas intensas que provocaram inundações estão a ter um impacto extremamente grave em Moçambique, afectando cerca de 650 mil pessoas em todo o país. Muitas famílias perderam as suas casas, com milhares de habitações e dezenas de escolas danificadas ou destruídas. Estamos a assistir a uma pressão enorme sobre as comunidades, os serviços públicos e as infraestruturas essenciais”, afirmou Luísa Meque, Presidente do INGD.“Perante esta situação, o Governo de Moçambique mobilizou todos os seus mecanismos de resposta e está a trabalhar de forma coordenada com parceiros nacionais e internacionais. Este é um momento que exige o envolvimento de todos: Governo, parceiros humanitários, sector privado e comunidades, para garantir uma resposta rápida, eficaz e centrada na protecção das pessoas mais vulneráveis,” disse a Presidente do INGD.“As cheias em curso estão a ter um impacto crítico sobre centenas de milhares de crianças e suas famílias em Moçambique,” afirmou Mary Louise Eagleton, Representante do UNICEF em Moçambique, durante o evento. “Este primeiro voo humanitário internacional, financiado pela União Europeia através do ECHO, representa um passo importante para fazer chegar, com urgência, suprimentos vitais às comunidades nas províncias mais afectadas.“Nos próximos dias, a nossa prioridade é garantir que estes materiais cheguem rapidamente às crianças que deles mais necessitam e continuar a mobilizar apoio adicional, em estreita colaboração com o ECHO e outros parceiros.”O UNICEF continuará a trabalhar lado a lado com o Governo de Moçambique e parceiros para garantir que as crianças afectadas pelas cheias sejam protegidas, apoiadas e não esquecidas.
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Comunicado de Imprensa
24 janeiro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional da Educação
NOVA IORQUE, EUA - A educação é um direito humano e um trampolim para mais oportunidades, dignidade e paz.No entanto, em todo o mundo, 272 milhões de crianças e jovens não têm acesso à educação devido à pobreza, discriminação, conflitos, deslocamentos e desastres.Neste Dia Internacional da Educação, apelo a todos os governos, parceiros e doadores para que priorizem a educação em suas políticas, orçamentos e esforços de recuperação. Devemos eliminar as lacunas persistentes de financiamento, acesso e qualidade que impedem os jovens de alcançar o futuro que desejam e merecem.Como o tema deste ano nos lembra, precisamos, em particular, ouvir as vozes dos próprios jovens e atender aos seus apelos por professores qualificados, formação em competências relevantes para um mundo em transformação e acesso equitativo à tecnologia.Juntos, vamos construir sistemas educacionais inclusivos, resilientes e inovadores para todas as pessoas.
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