Mais Recentes
Comunicado de Imprensa
25 maio 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia da África
Saiba mais
Discurso
20 maio 2026
Discurso da Coordenadora Residente das Nações Unidas na Abertura da Mesa Redonda sobre o Plano de Ação Nacional sobre Mulheres, Paz e Segurança
Saiba mais
Comunicado de Imprensa
17 maio 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia de 2026
Saiba mais
Mais Recentes
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão a contribuir a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 em Moçambique:
Comunicado de Imprensa
10 abril 2023
Na Beira: PNUD Anuncia a Reabilitação e o Apetrechamento da Escola Secundária da Manga
MAPUTO, Moçambique - O Representante Residente Interino do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Sr. Antonio Molpeceres, anunciou, esta Segunda-feira, 10 de Abril, a reabilitação e o apetrechamento da Escola Secundária da Manga, num valor ainda por avançar, no âmbito do programa Mecanismo de Recuperação (MRF, em Inglês).
O acto surge na sequência de um pedido conjunto formulado por Sua Excelência Lourenço Ferreira Bulha, Governador da Província de Sofala, e a Direcção Provincial de Educação de Sofala, para a reabilitação daquela infra-estrutura escolar severamente afectada pela passagem do ciclone Idai na cidade da Beira, a 14 de Março de 2019.
Falando a jornalistas numa conferência de imprensa organizada esta Segunda-feira, na Escola Secundária da Manga, o Representante Residente Interino do PNUD explicou que com a passagem do ciclone Idai “diversas escolas e salas de aula foram reduzidas a escombros, expondo os alunos a intempéries e a más condições de aprendizagem, o que elevou a necessidade urgente de investimentos renovados e intensificados na resiliência climática na província de Sofala – guiado pelo princípio de “Não Deixar Ninguém para Trás”.
“Como podemos testemunhar hoje de manhã, a Escola Secundária da Manga não é uma excepção”, notou o Sr. Antonio Molpeceres, avançando que “o ciclone Idai impediu que aproximadamente 9 mil estudantes desta escola pudessem continuar a beneficiar de uma educação de qualidade, ficando expostos a chuvas, ao frio e outros perigos”.
“Neste contexto, em resposta a um pedido formulado por Sua Excelência o Sr. Governador da Província de Sofala, é com grande honra que anuncio que o PNUD, no âmbito do programa Mecanismo de Recuperação, compromete-se a reabilitar a Escola Secundária de Manga”, disse visivelmente alegre, agradecendo o apoio dos doadores do programa. “Não alcançaríamos resultados positivos sem o apoio da União Europeia e dos governos do Canadá, da Holanda, da Noruega, da Finlândia, da Índia e da China”.
No seu discurso de abertura, o Governador da Província de Sofala, Sua Excelência Lourenço Ferreira Bulha, começou por explicar que o processo de mobilização de recursos para a reabilitação da escola iniciou há cinco meses. “Hoje viemos a Escola Secundária da manga para trazer esta boa notícia que o Sr. Representante do PNUD anunciou. Manifestamos o nosso profundo agradecimento, Sr. Representante do PNUD, pelo anúncio pois esta reabilitação é necessária”, disse o Governador da Província de Sofala.
Logo que soubermos do início do concurso [para a selecção do empreiteiro] iremos fazer a redistribuição dos alunos em várias escolas para não os prejudicar, pois estes não deverão perder o ano [em consequência da reabilitação]”, explicou o dirigente, afirmando que o seu Governo continuará a trabalhar para que as escolas da província de Sofala “ofereceram melhores condições de ensino e aprendizagem”. “Gostaríamos de agradecer ao PNUD por ter feito diligências a nível mundial para que houvesse financiamento para custear esta reabilitação”, concluiu.
Com esta acção, pretende-se melhorar a qualidade da educação na escola, proporcionando melhores instalações de aprendizagem e modernizando as infra-estruturas existentes. O processo de reabilitação envolverá uma melhoria global da infra-estrutura da escola, incluindo salas de aula, biblioteca, escritórios administrativos e outras instalações.
Nota para os Editores
O Mecanismo de Recuperação (MRF, em Inglês) trabalha nas províncias de Sofala e Cabo Delgado para recuperar e construir a resiliência das áreas rurais e periurbanas mais afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth. O programa do PNUD está consolidado em três pilares, nomeadamente, (i) meios de vida e empoderamento económico da mulher, (ii) habitação resiliente e infra-estrutura comunitária e 0 (iii) fortalecimento institucional do Gabinete de Reconstrução (GREPOC). Até ao momento, em Sofala, o MRF alcançou 172,675 famílias mais vulneráveis, que agora têm acesso a 6 novos mercados, 8 novas escolas, 6 escolas reabilitadas, 3 centros de saúde reabilitados, 2 escritórios administrativos reabilitados, uma biblioteca reabilitada e 624 novas casas construídas. Estas acções contam com recursos financiados pela União Europeia, Canadá, China, Finlândia, Holanda, India, Noruega e fundos próprios do PNUD.
Sobre o PNUD
O PNUD trabalha em 170 países e territórios para erradicar a pobreza e reduzir a desigualdade. Ajudamos os países a desenvolver políticas, habilidades de liderança, habilidades de parceria, capacidades institucionais e a construir resiliência para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. O nosso trabalho está concentrado em três áreas de foco; desenvolvimento sustentável, governação democrática e a construção da paz e resiliência climática e a desastres.
Missão e visão
O mandato do PNUD é acabar com a pobreza, construir uma governação democrática, estado de direito e instituições inclusivas. Defendemos a mudança e conectamos os países ao conhecimento, experiência e recursos para ajudar as pessoas a construir uma vida melhor.
1de5
História
21 janeiro 2026
Um Futuro Mais Seguro para as Mães em Dondo
MAPUTO, Moçambique - Durante anos, a segurança foi um luxo com que as mães na Província de Sofala não podiam contar. Complicações durante o parto causavam pânico, e a distância criava perigo; quando a ajuda chegava, muitas vezes já era tarde demais. Em Dondo, ambulâncias frequentemente saíam à noite transportando mulheres em risco de vida — algumas nunca regressavam.Essa realidade começou a mudar em 2024 com a inauguração de um novo bloco de partos no Centro de Saúde Distrital de Dondo, estabelecido com o apoio da Agência Coreana de Cooperação Internacional (KOICA) através do projecto "Melhorar a Saúde Reprodutiva, Materna e Adolescente" (IRMAH). Pela primeira vez, cuidados obstétricos de emergência passaram a estar disponíveis localmente, 24 horas por dia. Todos os dias, o bloco ganha vida com uma coordenação silenciosa: enfermeiras preparam instrumentos, parteiras revisam casos e a equipa de anestesia verifica os equipamentos. Formada no âmbito do projecto IRMAH, a equipa multidisciplinar fortaleceu as suas competências por meio de formação conjunta e simulações de emergência, construindo um sistema preparado para agir rapidamente quando cada minuto conta.Para Rosa Saquina, Enfermeira Sénior de Saúde Materna no Centro de Saúde Distrital de Dondo, o bloco de partos marcou uma viragem para a saúde materna. “Antes, muitas mães não sobreviviam. Agora, podemos resolver complicações mesmo aqui”, disse. Rosa recordou quando a maioria das emergências exigia encaminhamento para o Hospital Central da Beira.“Este bloco de partos foi um ganho real para nós. Reduzimos muitas transferências. Antes, quando uma mãe tinha complicações, tínhamos de chamar uma ambulância e enviá-la para muito longe. Perdemos várias mães no caminho”, afirmou Rosa.As mudanças sentiram-se no dia-a-dia. Com infraestrutura, equipamentos e pessoal treinado, partos difíceis que antes representavam alto risco passaram a ser geridos localmente. “É gratificante lidar com um parto complicado e resolvê-lo aqui,” acrescentou Rosa. “Ver uma mãe segurar o seu bebé em segurança faz toda a diferença”.O projecto também investiu fortemente na capacidade dos profissionais de saúde. Desde 2024, o bloco foi apoiado por uma equipa treinada e dedicada, incluindo Beth Xavier, Técnica de Anestesiologia, cujo papel é crucial para procedimentos cirúrgicos seguros. “Preparo as mães, tranquilizo-as e certifico-me de que tudo está pronto”, explicou. Antes de administrar anestesia, Beth fala com cada mulher, explica o procedimento e acalma os seus receios. Verifica os equipamentos, prepara os medicamentos e garante que o bloco está pronto para emergências — práticas que se tornaram padrão com o apoio do projecto.Para além da prestação imediata de serviços, o investimento moldou o futuro da força de trabalho na saúde. Para Orpa Feliz, estagiária de medicina no Centro de Saúde de Dondo, o bloco representa oportunidade e inspiração.“Ver este novo bloco deu-me esperança”, disse. “Sonhava em ser cirurgiã, e agora sei que posso treinar e praticar aqui” - afirmou a Técnica de Anestesiologia, Beth Xavier.A mudança se estendeu muito além de um centro de saúde. O bloco de partos integra uma parceria mais ampla entre a KOICA e o UNFPA para fortalecer os serviços de saúde sexual, reprodutiva, materna, neonatal e do adolescente na Província de Sofala, incluindo os distritos de Beira, Dondo, Búzi e Nhamatanda.Por meio do projecto IRMAH, foram alcançados 26 estabelecimentos de saúde, 14 escolas secundárias e 80 comunidades, melhorando o acesso a cuidados para mais de 321.000 adolescentes e mais de 305.000 mulheres entre 15 e 49 anos, incluindo 61.000 grávidas nos quatro distritos alvo.Desde a inauguração do bloco, mais de 320 mulheres grávidas receberam cuidados cirúrgicos essenciais, principalmente cesarianas, salvando vidas de mães e recém-nascidos.Alinhado com o Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável em Moçambique, o projecto apoiou os esforços nacionais para expandir o acesso equitativo a serviços de saúde essenciais, reforçar a igualdade de género e proteger os direitos e o bem-estar de mulheres e meninas. Os investimentos em infraestrutura, equipamentos modernos de maternidade e cirurgia, formação de profissionais de saúde, serviços de planeamento familiar e prevenção da violência baseada no género contribuíram para reduzir a mortalidade materna e neonatal e restaurar a confiança no sistema de saúde.Quando o projecto terminou no ano passado, o seu impacto já era evidente. Os atrasos nas referências se reduziram, a capacidade local de gerir emergências aumentou e a confiança no sistema de saúde cresceu.Com o apoio da KOICA e a parceria do UNFPA com as autoridades de saúde nacionais e provinciais, o bloco de partos em Dondo continua a ser uma contribuição duradoura para uma maternidade mais segura em Sofala.O UNFPA trabalha de perto com o Governo de Moçambique, particularmente o Ministério da Saúde e a Direcção Provincial de Saúde em Sofala, e estabeleceu parcerias com Médicos com África CUAMM e com o Consorzio Associazioni con il Mozambico para garantir a sustentabilidade.Em Dondo, o bloco de partos é mais do que uma sala. É o resultado de uma parceria que salvou vidas, fortaleceu sistemas e garante que mais mulheres sobrevivam ao parto com dignidade.Com cada parto seguro, Dondo e os distritos vizinhos aproximam-se de um futuro em que nenhuma mulher teme dar à luz simplesmente por causa do lugar onde vive.
1de5
História
03 dezembro 2025
Quebrando Barreiras: Saúde e Proteção para Pessoas com Deficiência
MAPUTO, Moçambique - O acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva (SSR) e violência baseada no género (VBG) é um direito humano fundamental, mas em Moçambique, as pessoas com deficiência enfrentam desafios significativos e complexos relacionados com esse acesso. Estas barreiras são multifacetadas, variando desde a inacessibilidade física até preconceitos sociais profundamente enraizados. O problema: uma teia de obstáculosO acesso limitado aos serviços deve-se a várias barreiras críticas:Distância física e transporte: Longas distâncias até clínicas e centros de serviços, juntamente com uma grave falta de transporte acessível e económico;Má qualidade e acessibilidade dos serviços: muitas instalações existentes são fisicamente inacessíveis (sem rampas, corrimãos ou dispositivos auxiliares). Além disso, há falta de pessoal que saiba usar linguagem gestual ou fornecer materiais em braille ou linguagem de fácil leitura; eDiscriminação e falta de conhecimento: os prestadores de serviços muitas vezes não têm consciência dos desafios associados às deficiências e nutrem atitudes e crenças discriminatórias, o que prejudica gravemente a qualidade dos cuidados. A intersecção da vulnerabilidade: mulheres e raparigas com deficiênciaMulheres e raparigas com deficiência enfrentam desafios únicos devido à intersecção entre o seu género e a sua deficiência. Isso muitas vezes significa que lhes é negado o direito de tomar decisões sobre a sua própria saúde sexual e reprodutiva.Esta maior vulnerabilidade resulta em riscos mais elevados de:Violência sexual e baseada no género;Gravidezes indesejadas;Abortos inseguros; eInfecções sexualmente transmissíveis.O isolamento social e familiar aumenta ainda mais o risco. Muitas vezes, essas pessoas ficam escondidas em casa e não têm apoio da comunidade. Embora a subnotificação de violência de género seja comum em Moçambique, as barreiras à mobilidade, comunicação e o isolamento severo agravam a situação das pessoas com deficiência, que também podem sentir vergonha ou culpa, especialmente quando o agressor é um membro da família ou cuidador. A solução: ferramentas inclusivas e procedimentos padronizadosPara resolver esta lacuna crítica e tornar os serviços mais inclusivos, o UNFPA estabeleceu uma parceria com a organização da sociedade civil AIFO – Associazione Italiana Amici di Raoul Follereau, em 2024. Esta colaboração teve como objetivo equipar os prestadores de serviços com conhecimentos e ferramentas práticas e detalhadas. O Que Foi Desenvolvido?O projeto resultou de um rigoroso processo de consulta com pessoas com deficiência, cuidadores, prestadores de serviços e setores governamentais. Os principais recursos incluem:Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) e Manual Operacional: orientações detalhadas e práticas para todas as fases da prestação de serviços — desde o atendimento e tratamento até o encaminhamento e acompanhamento.Álbum Seriado: uma ferramenta vital para comunicação alternativa e aumentativa. Este álbum facilita a interação entre prestadores e pessoas com dificuldades de comunicação, incluindo pessoas surdas, com deficiências auditivas ou intelectuais, ou indivíduos que temporariamente apresentam dificuldade para falar (por exemplo, devido a trauma). Fase Piloto e Próximos PassosApós aprovação do governo, os POPs foram testados durante quatro meses em três províncias — Maputo (sul), Manica (centro) e Cabo Delgado (norte) — tanto em unidades de saúde como em centros de atendimento único para vítimas de violência baseado no género. Principais atividades durante o projeto-piloto:Os prestadores de serviços receberam formação intensiva sobre a utilização dos POPs, do Manual e do Álbum Seriado.Representantes de Organizações de Pessoas com Deficiência (OPDs) foram contratados para criar ativamente procura pelos serviços e monitorizar o progresso da implementação.É evidente nesta fase que o impacto é positivo e significativo, com benefícios diretos para a qualidade de vida da população e para o fortalecimento de um sistema mais justo e inclusivo. Com este programa, a qualidade da prestação de serviços melhorou, conquistando a confiança da população — especialmente das pessoas com deficiência — que agora tem muito mais facilidade para acessar os serviços devido à remoção das barreiras.Como explicou Eunice Lacastre, psicóloga clínica do Centro de Cuidados Integrados de Chimoio, “as principais conquistas que observámos com a implementação deste projeto incluem a capacidade dos profissionais de desenvolver uma abordagem inclusiva, aprendendo a lidar com cada tipo de deficiência, e a implementação de materiais de comunicação inclusivos". "Antes do início do projeto, não recebíamos pessoas com deficiência nos nossos serviços porque elas tinham medo de vir devido às barreiras existentes. Agora, temos visto um aumento na procura por serviços por parte de pessoas com deficiência", afirmou a psicóloga Eunice. Financiamento e apoioEsta iniciativa crucial resulta de programas conjuntos da ONU em Moçambique, com apoio financeiro do Fundo Global para a Deficiência (GDF)*. O desenvolvimento do Álbum Seriado, que mudou vidas, foi apoiado pelo Programa Global da UNFPA-UNICEF para Acabar com o Casamento Infantil (GPECM).*O programa GDF Parceria para a Realização dos Direitos das Pessoas com Deficiência em Moçambique, implementado conjuntamente pela UNICEF, UNFPA e OHCHR, financiou a fase de desenvolvimento dos POPs e do Manual Operacional, enquanto o programa regional GDF Cuidados Não Remunerados, Deficiência e Abordagem Transformadora de Género, implementado conjuntamente em Moçambique pelo PNUD, UNFPA e ONU Mulheres, financiou a fase piloto.
1de5
História
30 novembro 2025
Caminhos para Resistir à Seca em Moçambique
MAPUTO, Moçambique - Alguns desastres chegam de repente - ciclones, cheias e terremotos mudam vidas em minutos. Mas a seca é um tipo diferente de crise: lenta e persistente. Para quem é afetado, cada dia traz novos desafios, enquanto os meios de subsistência, a saúde e a esperança se desgastam, deixando as famílias com poucas opções para reagir.“Nas duas últimas safras, não consegui colher nada”, compartilha Leria Maria, agricultora de 36 anos de Chemba, Província de Sofala, centro de Moçambique.Para Serenia Sezi, mãe de 10 filhos em Caia, a luta foi igualmente dura. “Durante a seca, ficamos sem nada. Comíamos o que conseguíamos encontrar”.Belinha Celestino, mãe de 39 anos de Caia, presenciou de perto o impacto do El Niño em sua comunidade. “No auge da seca, vi crianças desmaiarem de fome na escola dos meus filhos, estavam fracas”, relembra.“Alguns pais não tiveram escolha a não ser tirar os filhos da escola para ajudar a buscar comida no mato ou trabalhar para em troca de algum dinheiro ou comida”, continua Belinha.Essas mulheres vivem em comunidades rurais remotas, longe de serviços essenciais. A dura realidade da seca foi sentida em seus corpos e lares. Muitas vezes, a única forma de fazer a farinha de milho durar era deixar de comer para que as crianças pudessem se alimentar.“Sacrifiquei minhas refeições por muitos dias para que meus filhos tivessem pelo menos uma tigela de papa de milho por dia”, conta Serenia. O último fenômeno El Niño foi um dos mais intensos já registrados, devastando o centro e o sul de Moçambique.A seca nas Províncias de Tete, Manica, Sofala, Inhambane e Gaza afetou 1,8 milhão de pessoas que já viviam em situação de insegurança alimentar. As lavouras foram destruídas, os preços dos alimentos dispararam e a escassez regional de milho elevou os custos de importação.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
1de5
História
12 fevereiro 2026
Reconstruindo Vidas em Mocímboa da Praia
MAPUTO, Moçambique - Na costa norte de Moçambique, aninhada na Província de Cabo Delgado, encontra-se a resiliente cidade de Mocímboa da Praia, um lugar em reconstrução e revitalização.Após anos de conflito que intensificaram-se em 2017, esta cidade costeira está agora a restaurar as vidas e os meios de subsistência dos seus habitantes. Outrora o coração da economia local, a pesca começa agora a prosperar novamente, oferecendo esperança às famílias que regressaram a casa depois de quatro anos de deslocamento.Entre os que regressaram está Andi Ibrahim, um pescador de 30 anos que vive com os pais e quatro irmãos.Quando o conflito eclodiu na sua cidade natal, Mocímboa da Praia, Andi e a sua família foram obrigados a fugir. Caminharam quilómetros, até encontrarem transporte que os levou a Muidumbe, uma aldeia a 130 quilómetros de casa.“Mesmo em Muidumbe, eu pescava para sustentar a mim e à minha família”, recorda Andi.Agora, Andi está de volta a Mocímboa da Praia, fazendo o que sabe fazer de melhor: pescar. Mas, no início, enfrentou desafios. Vender peixe diretamente na praia não lhe rendia muito dinheiro.“Eu não ganhava mais dinheiro vendendo diretamente na praia”, diz Andi.Isso mudou quando Andi recebeu um refrigerador portátil como parte do apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM), financiado pelo Governo do Japão e em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e a Peace Winds Japan.Através do projeto, a OIM apoiou 133 pessoas com kits iniciais, que incluíam congeladores, balanças e refrigeradores portáteis.Andi agora leva sua pesca para o mercado, onde pode vendê-la por um preço melhor.“Antes eu pescava em um balde de plástico e vendia diretamente na praia, o que não era lucrativo”, conta Andi. “Com a caixa térmica, consigo transportar o peixe e vendê-lo fresco no mercado. Agora ganho até 1.500 meticais (25 dólares americanos) por semana, o que me sustenta e à minha família”, conta Andi, explicando o seu dia a dia. A OIM também construiu um novo mercado de peixe em Mocímboa da Praia, com previsão de conclusão em 2025, equipado com instalações de armazenamento refrigerado movidas a energia solar, permitindo que jovens pescadores como Andi armazenem seus produtos com segurança e os vendam em melhores condições.Para muitos que voltam aos seus lugares de origem, o setor pesqueiro tornou-se a base da sobrevivência e da resiliência.Desde o início do conflito, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas do norte de Moçambique. Mas, com o retorno da paz, mais de 500 mil pessoas voltaram, cada uma em busca de uma forma de reconstruir suas vidas.“O projeto de Resiliência Comunitária e Consolidação da Paz (CRP) não só apoia esses jovens a restabelecerem seus meios de subsistência, como também é fundamental para a construção de uma paz duradoura”, afirma Alexandra Ferro, Gerente de Projetos do programa CRP da OIM.“Quando as pessoas têm ferramentas e oportunidades para reconstruir suas vidas, elas se tornam menos vulneráveis e menos propensas a serem atraídas para a violência”, continuou Alexandra Ferro. Além do apoio direto aos pescadores, o projeto também capacita autoridades portuárias, ajudando a agilizar o comércio, melhorar a comunicação com as comunidades pesqueiras locais e garantir segurança e transparência.Esses esforços coordenados servem a outro propósito em uma região onde jovens desempregados correm o risco de serem recrutados por grupos armados não estatais; proporcionar trabalho digno e estabilidade é uma proteção poderosa.Para Andi, a pesca é mais do que apenas um meio de subsistência. É uma forma de reconstruir suas vidas e conduzir sua família e comunidade rumo a um futuro melhor.
1de5
História
07 abril 2026
Alimentação escolar e clubes de gênero transformam a vida de meninas e meninos
TETE, Moçambique - Quando Domingas Paulino Alexandre viu a roupa interior da filha lavada e estendida ao sol, percebeu que algo tinha mudado. “Foi naquele momento que percebi que a minha filha já tinha tido a primeira menstruação”, recorda.Sem saber como abordar o tema, Domingas decidiu conversar com Dina, então com 13 anos. Foi assim que descobriu que a filha participava no clube de diálogo sobre gênero da Escola Primária de Nhapende, no distrito de Marara, província de Tete.Na escola, Dina tinha recebido um kit de higiene menstrual, com pensos reutilizáveis e roupa interior, e aprendido a cuidar do seu corpo, informação que não tinha recebido em casa. Com naturalidade, explicou à mãe como usar e lavar os pensos, sublinhando a importância de secá-los ao sol para eliminar bactérias.“Fiquei impressionada. A minha filha ensinou-me a lavar corretamente os pensos e disse que aprendeu tudo nas sessões de gênero”, conta Domingas. Aos poucos, para mãe e filha, temas como menstruação e prevenção da gravidez deixaram de ser tabu.“Antes achava que devia esconder. Na escola aprendi que posso pedir ajuda quando preciso”, diz Dina, que recebeu o seu kit de higiene menstrual no ano passado, quando frequentava a 6.ª classe. Quebrar o silêncio para proteger o futuroFalar abertamente sobre menstruação, uniões prematuros, gravidez na adolescência e divisão de tarefas domésticas continua a ser difícil em muitas comunidades moçambicanas.
Ainda assim, o diálogo é essencial num país onde quase metade das raparigas casa antes dos 18 anos e que apresenta uma das taxas mais elevadas de gravidez adolescente no mundo. A união e a gravidez precoces continuam a ser fatores determinantes para o abandono escolar, sobretudo nas zonas rurais.A história de Domingas e Dina espelha o impacto da integração de atividades sensíveis ao gênero no programa de alimentação escolar.Desde 2019, o Programa Mundial para a Alimentação (PMA), com o apoio do Governo do Canadá e liderança do Governo de Moçambique, implementa em Tete um programa de alimentação escolar com uma componente forte de igualdade de gênero.Atualmente, cerca de 58 mil estudantes, em 104 escolas de quatro distritos de Tete, recebem refeições nutritivas diárias, ao mesmo tempo que participam em espaços seguros de diálogo, promoção da saúde e empoderamento das raparigas. Embora haja uma atenção às meninas, os clubes de gênero são abertos a rapazes, incentivando a reflexão conjunta e o questionamento de normas sociais prejudiciais. Na casa de Domingas, o impacto é visível: o filho mais novo, aluno da 3.ª classe, passou a ajudar nas tarefas domésticas, mudança que a mãe atribui à aprendizagem feita na escola.“Agora os meus filhos vão à escola animados, porque sabem que vão ter um bom almoço. E o comportamento em casa mudou”, afirma Domingas.“Eu não sabia que a escola podia fazer tudo isto. O líder comunitário explicou-nos o programa de género numa reunião. Percebi que estão a preparar os nossos filhos para a vida”. Mudanças para além da sala de aula“Nos clubes de gênero, incentivo as crianças a frequentarem as aulas, ajudando a reduzir o absentismo, as uniões prematuras, a gravidez na adolescência e a violência”, explica Rosa Vilanculos, ponto focal de gênero na Escola de Nhapende e Embaixadora do Canadá por um Dia. “Vemos progressos reais”.Os resultados vão além: maior retenção escolar, crianças mais informadas e famílias mais coesas. A transformação estende-se para a comunidade.Pais e cuidadores participam cada vez mais na vida escolar, através de reuniões comunitárias onde são abordados os mesmos temas discutidos com as crianças. Esteverina Njanje, mãe e cozinheira voluntária na escola de Nhapende, confirma o impacto.“Os pais estão mais comprometidos com a educação. Muitos passaram a verificar os trabalhos de casa e a participar nas reuniões da escola”, relata Esteverina. Segundo ela, também houve mudanças dentro dos lares. “Temos uma redução da violência doméstica. Quando aprenderam que podem ser denunciados, muitos homens passam a refletir sobre o seu comportamento.” Sonhos que resistemPara algumas meninas, persistir na escola já é, por si só, um ato de coragem.Aos 13 anos, Esfiria Benigno começa os dias muito cedo. Antes das aulas, cuida da casa, liberta as galinhas, lava a loiça, limpa o quintal e trabalha na machamba. Por volta das 10h30, pega nos cadernos e percorre 3,5 quilómetros a pé até à Escola Básica de Mulatho, onde frequenta a 7.ª classe.“É difícil conciliar os trabalhos de casa com os estudos”, conta Esfiria. “Quando volto da escola, ainda há tarefas à minha espera”.Mas ao chegar à escola, Esfiria almoça e entra numa sala de aula onde seu futuro se amplia.“O meu sonho é ser professora, como a professora Leopoldina Bernardo Tomas”, diz. “Ela dá-me comida mesmo quando chego atrasada, pergunta se estou bem e, no clube de gênero, explica as mudanças do nosso corpo. Ela inspira-me”.No clube de diálogo, Esfiria encontrou respostas que nunca teve em casa.“Aprendi que não sou a única a ter o período e que menstruação não é doença. Antes faltava à escola porque não tinha pensos menstruais, minha roupa sujava e sentia vergonha”, conta. “E aprendi que se alguém tentar obrigar-me a casar cedo, posso denunciar,” acrescenta. No distrito de Changara, Odália Martinho Sairosse, de 12 anos, vive uma rotina semelhante. Aluna da 6.ª classe da Escola de Demera, começa o dia com tarefas domésticas antes de seguir para a escola.“Mesmo cansada, não falto às aulas. Temos lanche e gosto muito do que estou a aprender”, diz. “Aprendo a reconhecer sinais de violência e como denunciar”.Tal como Esfiria, Odália sonha em seguir os passos das professoras que a inspiram diariamente.Este programa integra uma iniciativa mais ampla do WFP em apoio ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, liderado pelo Ministério da Educação e Cultura. Em 2025, o programa nacional de alimentação escolar, com apoio técnico do WFP, chegou a fornecer refeições a mais de 250 mil alunos em 340 escolas em todo o país.A alimentação escolar funciona como um incentivo essencial para que famílias em contextos de insegurança alimentar mantenham as crianças na escola, contribuindo para reduzir o absentismo e o abandono escolar.Além do Canadá, governos como os da Alemanha, Finlândia, França, Noruega, Suécia, Rússia e o próprio governo de Moçambique têm apoiado a alimentação escolar através do WFP Moçambique, um investimento que promove não apenas o acesso à educação, mas também equidade, proteção e igualdade de oportunidades para raparigas e rapazes.
Ainda assim, o diálogo é essencial num país onde quase metade das raparigas casa antes dos 18 anos e que apresenta uma das taxas mais elevadas de gravidez adolescente no mundo. A união e a gravidez precoces continuam a ser fatores determinantes para o abandono escolar, sobretudo nas zonas rurais.A história de Domingas e Dina espelha o impacto da integração de atividades sensíveis ao gênero no programa de alimentação escolar.Desde 2019, o Programa Mundial para a Alimentação (PMA), com o apoio do Governo do Canadá e liderança do Governo de Moçambique, implementa em Tete um programa de alimentação escolar com uma componente forte de igualdade de gênero.Atualmente, cerca de 58 mil estudantes, em 104 escolas de quatro distritos de Tete, recebem refeições nutritivas diárias, ao mesmo tempo que participam em espaços seguros de diálogo, promoção da saúde e empoderamento das raparigas. Embora haja uma atenção às meninas, os clubes de gênero são abertos a rapazes, incentivando a reflexão conjunta e o questionamento de normas sociais prejudiciais. Na casa de Domingas, o impacto é visível: o filho mais novo, aluno da 3.ª classe, passou a ajudar nas tarefas domésticas, mudança que a mãe atribui à aprendizagem feita na escola.“Agora os meus filhos vão à escola animados, porque sabem que vão ter um bom almoço. E o comportamento em casa mudou”, afirma Domingas.“Eu não sabia que a escola podia fazer tudo isto. O líder comunitário explicou-nos o programa de género numa reunião. Percebi que estão a preparar os nossos filhos para a vida”. Mudanças para além da sala de aula“Nos clubes de gênero, incentivo as crianças a frequentarem as aulas, ajudando a reduzir o absentismo, as uniões prematuras, a gravidez na adolescência e a violência”, explica Rosa Vilanculos, ponto focal de gênero na Escola de Nhapende e Embaixadora do Canadá por um Dia. “Vemos progressos reais”.Os resultados vão além: maior retenção escolar, crianças mais informadas e famílias mais coesas. A transformação estende-se para a comunidade.Pais e cuidadores participam cada vez mais na vida escolar, através de reuniões comunitárias onde são abordados os mesmos temas discutidos com as crianças. Esteverina Njanje, mãe e cozinheira voluntária na escola de Nhapende, confirma o impacto.“Os pais estão mais comprometidos com a educação. Muitos passaram a verificar os trabalhos de casa e a participar nas reuniões da escola”, relata Esteverina. Segundo ela, também houve mudanças dentro dos lares. “Temos uma redução da violência doméstica. Quando aprenderam que podem ser denunciados, muitos homens passam a refletir sobre o seu comportamento.” Sonhos que resistemPara algumas meninas, persistir na escola já é, por si só, um ato de coragem.Aos 13 anos, Esfiria Benigno começa os dias muito cedo. Antes das aulas, cuida da casa, liberta as galinhas, lava a loiça, limpa o quintal e trabalha na machamba. Por volta das 10h30, pega nos cadernos e percorre 3,5 quilómetros a pé até à Escola Básica de Mulatho, onde frequenta a 7.ª classe.“É difícil conciliar os trabalhos de casa com os estudos”, conta Esfiria. “Quando volto da escola, ainda há tarefas à minha espera”.Mas ao chegar à escola, Esfiria almoça e entra numa sala de aula onde seu futuro se amplia.“O meu sonho é ser professora, como a professora Leopoldina Bernardo Tomas”, diz. “Ela dá-me comida mesmo quando chego atrasada, pergunta se estou bem e, no clube de gênero, explica as mudanças do nosso corpo. Ela inspira-me”.No clube de diálogo, Esfiria encontrou respostas que nunca teve em casa.“Aprendi que não sou a única a ter o período e que menstruação não é doença. Antes faltava à escola porque não tinha pensos menstruais, minha roupa sujava e sentia vergonha”, conta. “E aprendi que se alguém tentar obrigar-me a casar cedo, posso denunciar,” acrescenta. No distrito de Changara, Odália Martinho Sairosse, de 12 anos, vive uma rotina semelhante. Aluna da 6.ª classe da Escola de Demera, começa o dia com tarefas domésticas antes de seguir para a escola.“Mesmo cansada, não falto às aulas. Temos lanche e gosto muito do que estou a aprender”, diz. “Aprendo a reconhecer sinais de violência e como denunciar”.Tal como Esfiria, Odália sonha em seguir os passos das professoras que a inspiram diariamente.Este programa integra uma iniciativa mais ampla do WFP em apoio ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, liderado pelo Ministério da Educação e Cultura. Em 2025, o programa nacional de alimentação escolar, com apoio técnico do WFP, chegou a fornecer refeições a mais de 250 mil alunos em 340 escolas em todo o país.A alimentação escolar funciona como um incentivo essencial para que famílias em contextos de insegurança alimentar mantenham as crianças na escola, contribuindo para reduzir o absentismo e o abandono escolar.Além do Canadá, governos como os da Alemanha, Finlândia, França, Noruega, Suécia, Rússia e o próprio governo de Moçambique têm apoiado a alimentação escolar através do WFP Moçambique, um investimento que promove não apenas o acesso à educação, mas também equidade, proteção e igualdade de oportunidades para raparigas e rapazes.
1de5
História
31 março 2026
Os combustíveis fósseis estão causando uma crise de custo; a energia limpa é a solução"
BONN, Alemanha - Como chefe da ONU para as Mudanças Climáticas, estou acostumado a defender a energia limpa. Hoje, a mais recente crise energética dos combustíveis fósseis está fazendo esse trabalho por mim, inclusive em Moçambique.A guerra no Oriente Médio expôs uma verdade brutal: a dependência de combustíveis fósseis destrói a soberania e a segurança dos países, colocando os preços dos alimentos, os orçamentos familiares, os resultados financeiros das empresas e economias inteiras à mercê de choques geopolíticos. Em um mundo de política onde "a força faz o direito", que se torna mais volátil a cada mês, os custos da subserviência aos combustíveis fósseis estão saindo do controle.O conflito mais recente desencadeou o que a Agência Internacional de Energia chamou de "a maior ameaça à segurança energética global da história", restringindo o fornecimento de petróleo e gás e fazendo os preços dispararem. A inflação inevitavelmente se segue, com contas mais altas para famílias e empresas de todos os portes.Os impactos estão reverberando pelo mundo. O PMA projeta um aumento de 21% no número de pessoas em situação de insegurança alimentar na África Ocidental e Central e de 17% na África Oriental e Austral. Prevê-se um aumento de 24% na Ásia, 16% na América Latina e no Caribe e 14% no Oriente Médio e Norte da África.O Programa Mundial para a Alimentação prevê que a guerra poderá levar a fome global a níveis recordes este ano.Inacreditavelmente, porém, alguns argumentam que a resposta correta à crise atual é desacelerar a transição para energias renováveis e, em vez disso, intensificar a luta contra a causa da crise – os combustíveis fósseis. Isso desafia a lógica econômica e o bom senso básico. Com a geopolítica em desordem, o caos nos preços da energia continuará acontecendo. A dependência contínua de combustíveis fósseis deixaria os países oscilando eternamente de crise em crise.Isso também significaria que nosso planeta continuaria aquecendo, intensificando desastres climáticos como mega tempestades, secas, incêndios e inundações. Esses eventos já estão arruinando milhões de vidas e devastando todas as economias, inclusive na Nigéria, onde enchentes repentinas mataram mais de 200 pessoas e desalojaram mais de 1.500 em maio. Em Moçambique, ciclones tropicais inundaram milhares de hectares de terras agrícolas e afetaram mais de um milhão de pessoas.Se as temperaturas continuarem a subir sem controlo, esta situação só irá piorar. E, no entanto, a causa – os combustíveis fósseis – continua a receber biliões de dólares em subsídios a nível global.A boa notícia é que existe uma solução clara tanto para a crise climática quanto para a crise do custo dos combustíveis fósseis: acelerar a transição para sistemas de energia limpa – onde as energias renováveis fornecem a energia, apoiadas por redes e armazenamento modernos, e tecnologias limpas, como veículos elétricos, substituem as alternativas poluentes.A luz solar e o vento não dependem de estreitos e vulneráveis canais de navegação. Energia limpa, como a solar e a eólica, permite que as nações recuperem o controle de suas economias e segurança, protegendo seus países da turbulência global, ao mesmo tempo que criam empregos, reduzem a poluição, melhoram a saúde, aumentam a estabilidade e reduzem os custos. A energia renovável é a mais barata que existe. Na China, os veículos elétricos devem evitar mais de US$ 28 bilhões por ano em custos de importação de petróleo. Ou outro exemplo regional de benefícios.Muitos países já estão aproveitando esses benefícios e se protegendo de desastres climáticos. Mas outros precisam de apoio. Mais de US$ 2 trilhões foram investidos em energia limpa no ano passado – o dobro do que em combustíveis fósseis – mas muito pouco foi para as economias em desenvolvimento vulneráveis que mais precisam.Isso precisa mudar urgentemente. Os países mais ricos – e as instituições financeiras internacionais que controlam – têm todos os incentivos para garantir que o financiamento acessível chegue aos países em desenvolvimento para ações climáticas. Porque uma mudança verdadeiramente global beneficia a todos nós.Em nossa economia global interconectada, os desastres climáticos que afetam as cadeias de suprimentos são um dos principais fatores de inflação para todos os países. Mas, por meio da cooperação climática internacional, os países estão criando uma alternativa à política de força que domina as relações internacionais.Na ONU Mudanças Climáticas, apoiamos essa cooperação. Nossas conferências anuais, conhecidas como COPs, impulsionaram grandes avanços – reduzindo aproximadamente pela metade o aumento projetado da temperatura global, transformando os mercados globais de energia e apoiando a construção de resiliência. Mas precisamos ir muito mais rápido e garantir uma transição justa, inclusive para as economias e comunidades que historicamente dependeram de combustíveis fósseis.Quanto mais rápido os países agirem, maiores serão os ganhos, e o clima não pode esperar. Portanto, estamos cada vez mais focados em transformar os compromissos climáticos em resultados concretos que beneficiem bilhões de pessoas.No ano passado, na COP30 no Brasil, US$ 1 trilhão foi destinado a redes e armazenamento de energia, para investir em sistemas de energia modernos e limpos. A COP31 deste ano, na Turquia, impulsionará ainda mais o progresso em todos os setores e regiões.A turbulência atual ressalta a urgência desse trabalho. A cooperação climática é a solução para o caos deste momento. Energia limpa e resiliência climática são essenciais, não apesar da instabilidade global, mas por causa dela.
1de5
História
26 março 2026
Mais que um Centro de Saúde: Atendimento Seguro e Digno para Mulheres e Crianças Internamente Deslocadas
PEMBA, Moçambique - No bairro de Mahate, em rápido crescimento, localizado nos arredores de Pemba, o acesso aos cuidados de saúde tornou-se mais urgente e mais complexo. Os anos de conflito no Norte de Moçambique forçaram o deslocamento de mais de um milhão de pessoas na sua maioria mulheres e crianças, o que exerceu uma pressão sem precedentes sobre os serviços urbanos, que já eram limitados. Para muitas mulheres deslocadas internamente, o acesso aos cuidados de saúde não se resume apenas à disponibilidade, mas também à segurança, à privacidade e à dignidade. No Centro de Saúde de Mahate, nem sempre foi assim. Até recentemente, serviços essenciais, incluindo consultas para crianças em situação de risco, planeamento familiar e rastreio do cancro do colo do útero, eram frequentemente prestados em espaços partilhados ou tendas temporárias. A falta de privacidade criava barreiras para as mulheres que procuravam cuidados, especialmente no que diz respeito a necessidades de saúde sensíveis.Para Zuhra Ali, de 25 anos, que fugiu de Muidumbe com os seus quatro filhos depois da sua casa ter sido incendiada durante o conflito, estas barreiras eram profundamente pessoais."Quando vim ao centro de saúde, tudo se passava no mesmo local, por vezes numa tenda. Toda a gente podia nos ver”, Zuhra se recorda. A viver com VIH desde 2017, Zuhra saía frequentemente das consultas com perguntas por responder.“Tinha muitas dúvidas, mas não perguntava. Tinha medo que as pessoas falassem de mim”, comentou Zuhra.A sua experiência reflete a de muitas mulheres em Mahate, onde instalações superlotadas e infraestruturas limitadas reduziram tanto a qualidade dos cuidados como a disposição das mulheres em procurá-los.
Desenvolvendo soluções com as mulheres no centroEm 2022, a iniciativa "Integração sustentável e sensível às questões de género das pessoas deslocadas internamente em Pemba através da implementação de soluções urbanas duráveis" foi lançado pelo ONU-Habitat, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações e financiado pelo Governo do Canadá. Através da abordagem "Cidade Dela", as mulheres e as raparigas de Mahate participaram ativamente na identificação dos desafios que enfrentam no seu dia-a-dia. Uma questão destacou-se claramente: a falta de serviços de saúde seguros e confidenciais. As suas contribuições serviram de base directa para a construção de uma unidade pediátrica sensível ao género no Centro de Saúde de Mahate. A nova infraestrutura inclui salas de consulta dedicadas e áreas de espera melhoradas, concebidas para garantir privacidade, dignidade e um melhor fluxo de atendimento para mães e crianças. Do Acesso à Autonomia: O que mudouHoje, o impacto é visível não só nas infraestruturas, mas também na forma como as mulheres vivem a prestação de cuidados. “Agora, quando venho aqui com os meus filhos, sinto-me tranquila”, diz Zuhra. “Posso falar livremente”.As melhorias contribuíram para serviços de saúde mais seguros e confidenciais, especialmente para as mulheres que necessitam de cuidados sensíveis, tendo também aumentado a utilização dos serviços, uma vez que as mulheres se sentem mais confortáveis em recorrer a apoio.Em simultâneo, a qualidade dos cuidados melhorou graças a uma melhor organização do espaço e do fluxo de pacientes, reforçando a confiança entre pacientes e profissionais de saúde e permitindo uma comunicação mais aberta e significativa. Os profissionais de saúde confirmam a mudança. "Antes, os serviços estavam todos no mesmo espaço. Não havia privacidade e as crianças eram atendidas em tendas", explica o director do Centro de Saúde. "Hoje, as mães sentem-se à vontade para falar e a qualidade dos cuidados melhorou significativamente", continuou o director.O centro de saúde atende agora, em média, 30 crianças por dia, o que reflete tanto o aumento da procura como o reforço da sua capacidade.Em toda a região de Mahate, mais de 10.000 pessoas, tanto das comunidades deslocadas como das comunidades de acolhimento, beneficiaram da melhoria das infraestruturas e dos serviços. Além dos serviços: restaurar a dignidade e construir um futuroPara Zuhra, a transformação vai além da melhoria das instalações. O medo que antes a impedia de falar abertamente sobre a sua saúde começou a desaparecer. Em seu lugar, surge um sentimento de confiança. “Já não sinto esse medo. Consigo falar”, afirma Zuhra. A sua experiência está também a moldar as suas aspirações. "Gostaria de me tornar conselheira para ajudar outras mulheres e mães que ainda têm medo."Esta transição do silêncio para a voz destaca uma mudança mais profunda: quando as mulheres têm acesso a serviços de forma segura e com dignidade, ficam mais aptas a tomar decisões sobre a sua saúde e a apoiar outras pessoas nas suas comunidades. Um passo em direcção aos direitos, à justiça e à acçãoUma vez que o Mês da Mulher de 2026 apela aos “Direitos, Justiça e Acção para Todas as Mulheres e Raparigas”, Mahate oferece um exemplo claro de como isto se pode traduzir na prática. Centrando as vozes das mulheres no planeamento urbano e na prestação de serviços, esta iniciativa contribui para a eliminação de barreiras, o reforço dos sistemas e a promoção de um acesso mais equitativo aos cuidados de saúde. O Centro de Saúde Mahate já não é apenas um local de tratamento. Para mulheres como Zuhra, é um local onde a dignidade é restaurada, as vozes são ouvidas e novas possibilidades surgem.
Desenvolvendo soluções com as mulheres no centroEm 2022, a iniciativa "Integração sustentável e sensível às questões de género das pessoas deslocadas internamente em Pemba através da implementação de soluções urbanas duráveis" foi lançado pelo ONU-Habitat, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações e financiado pelo Governo do Canadá. Através da abordagem "Cidade Dela", as mulheres e as raparigas de Mahate participaram ativamente na identificação dos desafios que enfrentam no seu dia-a-dia. Uma questão destacou-se claramente: a falta de serviços de saúde seguros e confidenciais. As suas contribuições serviram de base directa para a construção de uma unidade pediátrica sensível ao género no Centro de Saúde de Mahate. A nova infraestrutura inclui salas de consulta dedicadas e áreas de espera melhoradas, concebidas para garantir privacidade, dignidade e um melhor fluxo de atendimento para mães e crianças. Do Acesso à Autonomia: O que mudouHoje, o impacto é visível não só nas infraestruturas, mas também na forma como as mulheres vivem a prestação de cuidados. “Agora, quando venho aqui com os meus filhos, sinto-me tranquila”, diz Zuhra. “Posso falar livremente”.As melhorias contribuíram para serviços de saúde mais seguros e confidenciais, especialmente para as mulheres que necessitam de cuidados sensíveis, tendo também aumentado a utilização dos serviços, uma vez que as mulheres se sentem mais confortáveis em recorrer a apoio.Em simultâneo, a qualidade dos cuidados melhorou graças a uma melhor organização do espaço e do fluxo de pacientes, reforçando a confiança entre pacientes e profissionais de saúde e permitindo uma comunicação mais aberta e significativa. Os profissionais de saúde confirmam a mudança. "Antes, os serviços estavam todos no mesmo espaço. Não havia privacidade e as crianças eram atendidas em tendas", explica o director do Centro de Saúde. "Hoje, as mães sentem-se à vontade para falar e a qualidade dos cuidados melhorou significativamente", continuou o director.O centro de saúde atende agora, em média, 30 crianças por dia, o que reflete tanto o aumento da procura como o reforço da sua capacidade.Em toda a região de Mahate, mais de 10.000 pessoas, tanto das comunidades deslocadas como das comunidades de acolhimento, beneficiaram da melhoria das infraestruturas e dos serviços. Além dos serviços: restaurar a dignidade e construir um futuroPara Zuhra, a transformação vai além da melhoria das instalações. O medo que antes a impedia de falar abertamente sobre a sua saúde começou a desaparecer. Em seu lugar, surge um sentimento de confiança. “Já não sinto esse medo. Consigo falar”, afirma Zuhra. A sua experiência está também a moldar as suas aspirações. "Gostaria de me tornar conselheira para ajudar outras mulheres e mães que ainda têm medo."Esta transição do silêncio para a voz destaca uma mudança mais profunda: quando as mulheres têm acesso a serviços de forma segura e com dignidade, ficam mais aptas a tomar decisões sobre a sua saúde e a apoiar outras pessoas nas suas comunidades. Um passo em direcção aos direitos, à justiça e à acçãoUma vez que o Mês da Mulher de 2026 apela aos “Direitos, Justiça e Acção para Todas as Mulheres e Raparigas”, Mahate oferece um exemplo claro de como isto se pode traduzir na prática. Centrando as vozes das mulheres no planeamento urbano e na prestação de serviços, esta iniciativa contribui para a eliminação de barreiras, o reforço dos sistemas e a promoção de um acesso mais equitativo aos cuidados de saúde. O Centro de Saúde Mahate já não é apenas um local de tratamento. Para mulheres como Zuhra, é um local onde a dignidade é restaurada, as vozes são ouvidas e novas possibilidades surgem.
1de5
História
11 março 2026
Moçambique propõe rede global de justiça social para fim da violência contra mulher
NOVA IORQUE, EUA - Para acabar com a violência de gênero é preciso eliminar a pobreza feminina. Essa é a mensagem que Moçambique quer marcar na 70ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, que acontece na sede da ONU, em Nova Iorque, até 19 de março.Em entrevista para a ONU News, a ministra do Trabalho, Gênero e Ação Social de Moçambique, Ivete Alane, revelou que o país está propondo a criação de uma articulação internacional para proteger as mulheres com abordagens que passam pelo empoderamento econômico. Relação entre pobreza e violência de gênero“Assumimos dois compromissos, que é a zero violência e a eliminação da pobreza feminina. E nós viemos para esta sessão da CSW com um evento paralelo com a intenção de criarmos uma rede global de justiça social para o fim da violência baseada no gênero e a eliminação da pobreza feminina, a pobreza da mulher. E foi um evento bastante importante que nós realizamos à margem da CSW, em que tivemos diversos países que partilham dos mesmos objetivos e opiniões que nós temos, que assumem que existe uma ligação intrínseca, difícil de separar, entre a pobreza e a violência baseada no gênero”.A ministra disse que o evento paralelo também serviu para colher experiências de outros países e definir novas parcerias para avançar em ações de igualdade de gênero. Expansão do atendimento às vítimasA nível nacional, ela destacou o lançamento recente do programa “Empodera”, que é focado na prevenção da violência baseada no gênero por meio de estratégias de sensibilização e reforço da rede de cuidados para sobreviventes. “Vai ser um programa que prevê a expansão dos centros de atendimento integrados. Portanto, são centros que atendem vítimas da violência, onde as vítimas encontram no mesmo local todos os serviços que elas precisam para poderem ser devidamente atendidas sem ter que passar por várias portas de entrada, temos uma única porta de entrada. Aí a vítima evita passar por uma questão de revitimização. Não tem que contar a história várias vezes sobre o que aconteceu”.Ivete Alane explicou que, nesses centros, as vítimas que forem vítimas atendidas poderão ter acesso a pacotes de empoderamento econômico da mulher. Influenciadores digitais apoiam combate ao feminicídioA ministra destacou a importância do envolvimento de diversos setores da sociedade no combate à violência de gênero, inclusive celebridades e influenciadores das redes sociais.“Nós estamos agora a iniciar uma campanha de combate ao feminicídio, que é uma das formas mais agressivas da violência baseada no gênero. E estamos a envolver os influenciadores, estamos neste momento a produzir um vídeo, spots de divulgação, uma campanha, e ainda ontem recebi com muita satisfação um vídeo produzido pela sociedade civil, porque a sociedade civil também são parceiros importantes, complementam a ação do governo. E a sociedade civil fez um vídeo muito recente com vários influenciadores em que eles falam da importância do combate à violência baseada no gênero, em que eles assumem o papel, e eles como homens devem sensibilizar outros homens”.Ela ressaltou a importância de criar peças de comunicação que abordem o papel do homem na mobilização pelos direitos das mulheres. “Estamos agora também a desenvolver e a desenhar a estratégia do engajamento masculino. Portanto, estamos a trabalhar com influenciadores masculinos, pois sentimos que é preciso trazer o homem para o barco. A mulher não pode ser a única que deve lutar ou promover a igualdade de gênero e combater a violência baseada no género. Se nos referimos à violência baseada no gênero, nós estamos a falar de duas pessoas: homem e mulher. Então precisamos de ter o homem. Precisamos de engajar o homem nesta luta”. Uma luta de toda a sociedadeA representante moçambicana também mencionou o papel da primeira-dama do país, Gueta Chapo, que foi convidada para ser patrona da iniciativa “Empodera”.O objetivo é fazer com que a mensagem chegue para diversas comunidades sobre a importância de prevenir a violência baseada no gênero, a exemplo de uma intervenção feita no lançamento do Mês da Mulher, na província de Cabo Delgado.A ministra relatou que Gueta Chapo conseguiu transmitir para as comunidades mensagens sobre a necessidade de deixar as meninas estudarem e de pôr fim às agressões praticadas por homens. A ministra enfatizou que os influenciadores, os membros do governo e todos os estratos da sociedade moçambicana devem reforçar a luta por igualdade e justiça para a população feminina.
1de5
História
08 março 2026
Dia Internacional da Mulher: Oito Ações para um Mundo Mais Igualitário
NOVA IORQUE, EUA - No decurso de quase uma década como Secretário-Geral das Nações Unidas vi o nosso mundo ser repetidamente posto à prova - por choques climáticos, agravamento da pobreza, conflitos violentos e redução do espaço cívico.No entanto, também testemunhei o surgimento de muitas soluções, todas elas com um denominador comum: as mulheres.Nesta ocasião em que o mundo assinala o Dia Internacional da Mulher, é tempo de reconhecer que a desigualdade de género é o maior desafio de direitos humanos que enfrentamos e que a promoção da igualdade constitui um dos motores mais fortes do desenvolvimento sustentável e da paz.Para enfrentar esse desafio, e com base na minha própria experiência e inspirando-me no trabalho do sistema das Nações Unidas e de movimentos da sociedade civil em todo o mundo, proponho oito áreas de ação destinadas a promover os direitos das mulheres e a alcançar resultados concretos. 1. Corrigir os Desequilíbrios de Poder. A igualdade de género é uma questão de poder, mas as instituições dominadas por homens continuam a moldar o nosso mundo. Uma maré crescente de autoritarismo está a aprofundar estas desigualdades, revertendo conquistas arduamente alcançadas – de práticas laborais justas a direitos reprodutivos – e enraizando preconceitos raciais e de género que limitam a vida das mulheres. A igualdade de género eleva as sociedades. Quando o poder é partilhado, a liberdade expande-se. 2. Fazer da Paridade uma Prioridade.As mulheres estão extremamente sub-representadas em governos e administrações empresariais em todo o mundo. Na ONU, decidimos fazer da paridade uma prioridade, começando pela liderança de topo. Alargámos a procura de candidatas qualificadas – sem baixar padrões de exigência. A ONU saiu fortalecida, com uma melhor cultura de trabalho e um processo de tomada de decisões mais inclusivo. A lição é clara: quando as instituições optam pela igualdade, os resultados aparecem. 3. Apostar no Investimento Mais Rentável.O investimento nas mulheres gera retornos extraordinários. Cada dólar investido na educação de meninas, resulta num retorno três vezes superior. No âmbito da saúde materna e do planeamento familiar, a rentabilidade ascende a oito vezes o investimento. As políticas de apoio às famílias – como cuidados infantis e apoio a idosos – fortalecem as comunidades e estimulam o crescimento. Em conjunto, todos estes esforços estão na base da redução das desigualdades de género – e encerram o potencial de aumentar o rendimento nacional em cerca de 20%. 4. Assegurar um lugar à mesa de negociações de Paz.Os acordos de paz são mais duradouros quando as mulheres participam na sua negociação e aplicação. No entanto, em demasiados conflitos – incluindo Gaza, Ucrânia e Sudão – as mulheres têm sido praticamente afastadas, apesar de suportarem o maior fardo da guerra. Num tempo de crescente instabilidade, a inclusão não é uma mera exigência simbólica – mas a melhor via para estabilizar um mundo fraturado. 5. Acabar com a Discriminação Legal.À escala global, as mulheres detêm apenas 64% dos direitos legais usufruídos pelos homens. Em demasiados lugares, não podem deter propriedade, trabalhar livremente ou pedir o divórcio. Mesmo em muitos países onde vigoram algumas garantias jurídicas, enfrentam barreiras acrescidas no acesso à justiça. Todos os países devem assumir o compromisso de eliminar leis discriminatórias e garantir que os direitos são efetivamente aplicados na prática. 6. Tolerância Zero para com a Violência de Género - e Zero Desculpas.A violência contra as mulheres é uma emergência global, enraizada na desigualdade e sustentada pelo silêncio. Todas as mulheres e meninas têm o direito de viver sem medo. Contudo, a violência baseada no género – incluindo exploração e abuso sexual – continua a ser uma realidade que viola a confiança e o respeito pela humanidade. Devemos enfrentá-la em todo o lado: com tolerância zero, total responsabilização dos perpetradores e apoio inabalável às sobreviventes. 7. Eliminar distorções no setor tecnológico.Dado que as mulheres representam apenas um quarto do total dos profissionais no setor tecnológico, o preconceito está cada vez mais integrado nos sistemas que moldam o nosso quotidiano. Entretanto, a misoginia online dispara. As empresas tecnológicas e os governos devem agir em conjunto para criar espaços digitais seguros e inclusivos e o mundo deve redobrar esforços para remover as barreiras que impedem às meninas o acesso à ciência e à tecnologia. 8. Integrar a perspetiva de Género na Ação Climática.As alterações climáticas são “sexistas”. Quando geram crises alimentares, verifica-se que, muitas vezes, as mulheres são as últimas a ter acesso a alimentos; quando geram situações de emergência verifica-se que as mulheres enfrentam maior perigo. Acresce que que as meninas deparam-se com uma maior probabilidade de casamento infantil quando os meios de subsistência colapsam. Mas as mulheres também lideram soluções climáticas – promovendo legislação verde, impulsionando movimentos globais e liderando mudanças no terreno. Um planeta habitável exige políticas climáticas sensíveis ao género: igual acesso a empregos verdes, melhor proteção em situações de emergência e participação plena na tomada de decisões ambientais.Por todo o mundo, vi que estas oito áreas de ação funcionam na prática – em zonas de guerra e em contextos de reconstrução, em parlamentos e em salas de aula, em organizações e em comunidades. Se os líderes levarem a sério a igualdade de género e se comprometerem com estas ações agora, mudaremos o mundo – para as mulheres e meninas e para todos nós.
1de5
Comunicado de Imprensa
25 maio 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia da África
NOVA IORQUE, EUA - No Dia da África, celebramos as abundantes forças, a resiliência, o potencial e a crescente influência do continente no cenário mundial.Por gerações, os povos da África enfrentaram e superaram as consequências destrutivas da escravidão e do colonialismo, forjando união e propósito em meio à adversidade.Hoje, essa determinação compartilhada impulsiona objetivos comuns: desbloquear a promessa do livre comércio continental e da energia renovável, fomentar a inovação, estimular o desenvolvimento sustentável e lançar as bases para uma paz, estabilidade e prosperidade duradouras.O tema deste ano centra-se em outra prioridade compartilhada: água e saneamento.Esses serviços são a base da saúde pública, da dignidade humana e das oportunidades econômicas. No entanto, milhões de pessoas em todo o continente — particularmente mulheres e jovens — ainda não têm acesso a esses serviços essenciais devido ao investimento limitado, à infraestrutura precária ou inexistente e aos impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas.Construir e manter sistemas de água e saneamento seguros, resilientes e acessíveis exige uma mobilização mais robusta de recursos internos e investimentos contínuos na governança do setor.Isso também exige muito mais solidariedade global para ajudar os países africanos a acessar fundos e mecanismos de alívio da dívida e a aproveitar as parcerias público-privadas.E exige investimentos maciços na eletrificação da África e na transição para energias renováveis – para fornecer água potável e saneamento básicos, reduzir a exposição da África à frequente volatilidade do fornecimento global de petróleo e ajudar a romper com a dependência mundial dos combustíveis fósseis.Hoje e todos os dias, as Nações Unidas se orgulham de trabalhar com os países africanos para construir o futuro pacífico, próspero e sustentável que todos os africanos – e o nosso mundo – merecem.
1de5
Comunicado de Imprensa
17 maio 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia de 2026
NOVA IORQUE, EUA - No Dia Internacional contra a Homofobia, a Bifobia e a Transfobia, afirmamos uma verdade simples: ser quem somos nunca deveria ser crime.Nas últimas décadas, registaram-se avanços significativos na igualdade de direitos das pessoas LGBTQI+.No entanto, em todo o mundo, assistimos a tentativas concertadas de reverter esses direitos, através da restrição das liberdades de expressão e de reunião pacífica, do incitamento ao ódio, de ataques a defensores dos direitos humanos e da redução do financiamento destinado a serviços básicos. O número de países que criminalizam relações consentidas entre pessoas do mesmo sexo aumentou, pela primeira vez, em vários anos.Quando os direitos são atacados, as pessoas LGBTQI+ estão frequentemente entre as primeiras a ser afetadas: tornam-se bodes expiatórios e ficam expostas a maiores riscos para a sua segurança, saúde e bem-estar.O tema deste ano, “No Coração da Democracia”, é um poderoso recordatório de que todas e cada uma das pessoas devem poder viver sem medo e participar em pé de igualdade na sociedade.As Nações Unidas orgulham-se de estar ao lado de todos os membros da família humana, sem discriminação de qualquer tipo. Unamos esforços para promover a segurança, a dignidade e a igualdade de todas e cada uma das pessoas.
1de5
Comunicado de Imprensa
05 maio 2026
30 anos de alimentos terapêuticos que salvam vidas de crianças, mas milhões ainda precisam deles
MAPUTO, Moçambique - Nos últimos trinta anos, a distribuição de pacotes de pasta de amendoim fortificada tem-se destacado como uma estratégia eficaz no combate à desnutrição crónica, uma das principais causas de mortalidade entre crianças menores de cinco anos. Actualmente, mais de 12 milhões de crianças em todo o mundo são afectadas pela desnutrição. Diante do aumento dos conflitos, das mudanças climáticas e de desafios económicos, destaca-se a necessidade de garantir um fornecimento contínuo de Alimentos Terapêuticos Prontos para Uso (ATPU).Desenvolvidos pela primeira vez em 1996, os ATPU transformaram o tratamento da desnutrição grave, permitindo que crianças sem complicações médicas fossem tratadas em casa, reduzindo a dependência da hospitalização, os custos para as famílias e diminuindo o risco de infecções secundárias. Hoje, os ATPU – como parte de uma abordagem comunitária para tratar a desnutrição em crianças – transformaram a forma como os cuidados e tratamentos que salvam vidas são prestados. Contribuiu para níveis historicamente baixos de mortes infantis evitáveis em todo o mundo. Embora o marco de 30 anos assinale um grande progresso na saúde pública, é também um apelo à acção: toda a gama de tratamentos nutricionais, incluindo o leite terapêutico, deve ser ampliada para que possa resistir a choques de abastecimento, reduzir custos e ajudar a garantir que todas as crianças que precisam tenham acesso ininterrupto a alimentos terapêuticos. MoçambiqueMoçambique enfrenta uma crise nutricional de grande magnitude, com uma das taxas mais altas de desnutrição na África Subsaariana. A desnutrição aguda continua crítica, com 4% das crianças afectadas, incluindo casos graves, que representam risco imediato de mortalidade. Estima-se que cerca de 100,000 crianças menores de cinco anos vão necessitar de tratamento para a desnutrição aguda grave em 2026. Os cortes de financiamento na ajuda ao desenvolvimento têm impactado directamente a capacidade do UNICEF providenciar os suplementos, medicamentos e meios logísticos para o aprovisionamento dos serviços essenciais de nutrição e saúde para os mais afectados. Moçambique é um dos 22 países prioritários para obter ATPU e actualmente regista um défice de 18% dos recursos financeiros necessários para atender toda a demanda prevista. A pressão sobre estes serviços tende a aumentar nos períodos de escassez alimentar e após choques como ciclones, cheias, secas e surtos de doenças que reduzem o acesso a alimentos e a serviços essenciais. Reduzir o défice de financiamento para ATPU, reforçar o tratamento e os cuidados de saúde primários torna-se imprescindível para evitar mortes evitáveis e proteger os ganhos alcançados ao longo destas três décadas. É fundamental sublinhar que, embora o acesso ao ATPU seja crucial para o tratamento eficaz da desnutrição aguda grave, o nosso principal objectivo continua sendo a prevenção da desnutrição infantil. Investir em estratégias de prevenção, como a promoção de práticas alimentares adequadas e o reforço dos sistemas de saúde comunitários, é essencial para evitar que as crianças desenvolvam desnutrição. No entanto, quando a prevenção não é suficiente e as crianças apresentam sinais de desnutrição, o ATPU revela-se uma solução comprovada e eficaz, permitindo uma recuperação rápida e segura, especialmente em contextos com acesso limitado a serviços hospitalares.Factos importantes que marcam os 30 anos dos Alimentos Terapêuticos Prontos para Uso: As crianças com desnutrição grave são demasiado magras para a sua altura, o seu sistema imunitário enfraquece a tal ponto que doenças infantis comuns podem tornar-se fatais, e o risco de morte aumenta 12 vezes em comparação com crianças bem nutridas.Actualmente, no mundo, 42,8 milhões de crianças são afectadas pela desnutrição, das quais 12,2 milhões sofrem de desnutrição aguda grave, a forma mais letal. O UNICEF é o maior adquirente mundial de ATPU. Entre 2003 e 2025, o UNICEF adquiriu e distribuiu um total de 8,7 mil milhões de saquetas a nível mundial, contribuindo para a recuperação de milhões de crianças.Em 2023, o UNICEF distribuiu quase 1,1 mil milhões de saquetas de ATPU em resposta à crise nutricional global na sequência da pandemia de COVID-19 – o que constitui um volume anual recorde. Em 2025, o UNICEF examinou 255 milhões de crianças em todo o mundo para detectar a desnutrição e tratou mais de 9 milhões de crianças afectadas.Feito de amendoim, leite em pó desnatado, óleo, açúcar e vitaminas e minerais essenciais, este alimento terapêutico é administrado a crianças com idades entre os 6 e os 59 meses com desnutrição grave. O ATPU apresenta-se sob a forma de uma pasta espessa de amendoim à base de óleo por uma razão: não contém água, o que significa que as bactérias não têm onde se desenvolver. Esta formulação ajuda a manter o alimento terapêutico seguro em qualquer ambiente, incluindo condições húmidas, e não requer refrigeração. Tem um prazo de validade de 24 meses. Uma saqueta de 92 g de ATPU fornece 500 calorias, ajudando as crianças gravemente desnutridas a ganhar peso e a reforçar a imunidade durante o tratamento. Uma caixa de ATPU, contendo 150 saquetas, é suficiente para tratar uma criança durante 6 a 8 semanas, até à recuperação, a par de cuidados médicos de acompanhamento e aconselhamento. Os ATPU são altamente eficazes, com uma taxa de recuperação de quase 90% para quem sofre de desnutrição aguda grave.Actualmente, os ATPU continuam a ser o único tratamento ambulatório recomendado pela OMS para a desnutrição infantil.O ATPU é um exemplo de colaboração público-privada bem-sucedida. O UNICEF adquire ATPU junto de 21 fornecedores a nível global, 18 dos quais se encontram em, ou perto de, países com elevados níveis de desnutrição infantil. A produção local, com capacidade para abastecer outros países, é essencial para uma resposta rápida a crises de desnutrição, especialmente face a perturbações na cadeia de abastecimento global. Nota para os editores Conteúdo Multimédia aqui. Leia Declaração Conjunta 2007 pela OMS, PMA, SCN e UNICEF - Community-Based Management of Severe Acute Malnutrition. Leia a Estratégia de Nutrição do UNICEF UNICEF Nutrition Strategy 2020–2030: Nutrition, for Every Child.
1de5
Comunicado de Imprensa
05 maio 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Mundial da Língua Portuguesa
NOVA IORQUE, EUA - No Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebramos uma língua que percorreu o mundo e criou raízes em muitas sociedades.De Lisboa a Maputo, de São Paulo a Díli, o português é constantemente renovado por 265 milhões de falantes e tornou-se um espaço de pertença que nenhuma fronteira pode conter. Como afirmou Corsino Fortes, escritor e poeta cabo-verdiano, a língua é a pátria que carregamos dentro de nós. Esta pluralidade é a sua maior força.Em tempos de fragmentação, uma língua falada em quatro continentes constitui, por si só, um exercício de entendimento.Nas Nações Unidas, sabemos que o multilinguismo é essencial para a compreensão mútua e para um multilateralismo eficaz. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que celebra este ano o seu 30º aniversário, reflete esse espírito de diálogo e de cooperação e as Nações Unidas valorizam profundamente o seu contributo.Neste dia, saúdo os falantes de português em todo o mundo. Que a língua portuguesa continue a enriquecer a nossa humanidade comum e a contribuir para a construção de um mundo mais justo, pacífico e unido.
1de5
Comunicado de Imprensa
04 maio 2026
Declaração da Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária para Moçambique
MAPUTO, Moçambique - Desde o início deste ano, as Nações Unidas (ONU) liberaram quase US$ 98 milhões em financiamento emergencial para apoiar pessoas em Moçambique afetadas por conflitos e desastres relacionados ao clima.Moçambique enfrenta múltiplos desafios interligados. No norte do país, a violência contínua continua a deslocar famílias e a interromper meios de subsistência. Ao mesmo tempo, fortes inundações e ciclones nas províncias centrais e do sul destruíram casas, contaminaram fontes de água e danificaram serviços essenciais.A verba inclui US$ 83,3 milhões do Fundo Humanitário para a África Oriental e Austral (ESAHF) e US$ 14,5 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas (CERF), ambos geridos pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).Este financiamento ajudará a atender às necessidades urgentes das comunidades, incluindo alimentos para famílias que perderam suas plantações e renda, água potável para comunidades onde as fontes de água foram inundadas ou contaminadas e assistência médica para pessoas isoladas de serviços básicos. Também apoiará aqueles que perderam suas casas com abrigo emergencial e assistência essencial. A proteção continuará sendo um foco central, especialmente para mulheres e crianças e pessoas em risco de violência.Nas províncias de Cabo Delgado e Nampula, a assistência terá como alvo os distritos afetados pelo conflito de Macomia, Mueda, Nangade, Quissanga, bem como Erati e Memba. No centro e sul de Moçambique, o apoio concentrar-se-á nas áreas afetadas por cheias na província de Gaza (Chókwè, Guijá, Massingir e Chibuto), na província de Sofala (Buzi) e na província de Maputo (Manhiça e Magude), onde as comunidades ainda se recuperam de desastres recentes.Num momento de significativa pressão económica, este financiamento é crucial para salvar vidas, reduzir o sofrimento, restabelecer o acesso à água potável e ao saneamento, prevenir surtos de doenças e garantir que as famílias possam satisfazer as suas necessidades básicas.Este financiamento contribuirá para o Plano de Resposta e Necessidades Humanitárias de 2026, que requer 534 milhões de dólares para alcançar 1,7 milhões de pessoas com assistência humanitária em todo o país. Em nome da comunidade humanitária em Moçambique, expresso os meus sinceros agradecimentos a todos os doadores – incluindo a Estónia, a Irlanda, a Noruega, o Reino Unido e os Estados Unidos da América – pelo seu apoio à ESAHF, bem como a outros importantes doadores do CERF, incluindo os Países Baixos, o Reino Unido, a Noruega e a Dinamarca, o que permite uma resposta rápida aos mais necessitados.
1de5
Recursos Mais Recentes
1 / 11
Recursos
05 junho 2025
1 / 11