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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão a contribuir a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 em Moçambique:
História
10 junho 2026
Levando a Saúde para Mais Perto das Comunidades
MAPUTO, Moçambique - Para Virgínia Jaime Costa Sivane, buscar atendimento médico não é tão simples quanto ir a uma clínica perto de casa. Morando sozinha e lidando com pressão alta e diabetes, caminhar longas distâncias é um desafio. O posto de saúde mais próximo fica a horas de distância e o transporte muitas vezes é inacessível.“Às vezes, não consigo chegar ao posto de saúde quando preciso”, diz Virgínia em voz baixa.Durante meses, isso significou consultas médicas perdidas, incerteza e riscos crescentes à saúde. Isso mudou com a chegada das brigadas móveis. Agora, em vez de viajar longas distâncias, o atendimento chega à sua comunidade.“Esses serviços são uma grande ajuda para nós”, Virgínia afirma. Na Província de Gaza, onde as enchentes e a distância muitas vezes limitam o acesso a serviços essenciais, as brigadas móveis estão levando atendimento médico diretamente para aqueles que mais precisam: idosos, pessoas com doenças crônicas e famílias afetadas pelos recentes impactos climáticos.A abordagem vai além de consultas básicas.“Quando chegamos a uma comunidade, primeiro apresentamos nossos serviços e orientamos as pessoas com base em suas necessidades”, explica Verônica Nhantumbo, psicóloga clínica que trabalha com as equipes móveis.Desde o tratamento de problemas físicos até o apoio psicossocial, as brigadas oferecem atendimento integrado, adaptado às necessidades em constante evolução da comunidade. Isso se tornou especialmente importante em áreas afetadas por inundações, onde o impacto vai muito além dos danos físicos.“As inundações causaram muito sofrimento”, diz Veronica. “Algumas famílias tiveram que deixar suas casas mais de uma vez e viver em condições de superlotação pode gerar tensão e ansiedade”. Tendo vivenciado inundações, Veronica entende o quanto isso afeta o bem-estar psicossocial.
“O atendimento psicológico é para todos”, acrescenta. “Mesmo aqueles que parecem bem podem precisar de apoio”.Em todo o distrito, os efeitos das recentes inundações ainda são sentidos. Muitos perderam plantações, renda e estabilidade.“As pessoas não têm condições de pagar o transporte até o hospital ou podem não ter ninguém para acompanhá-las”, explica Rosa Uamusse Cossa, agente de saúde pública que trabalha em nível distrital.“Essas brigadas móveis garantem que até os mais vulneráveis recebam atendimento”, continua Rosa. Trabalhando em estreita colaboração com líderes comunitários, as equipes também conscientizam e incentivam as pessoas a buscar atendimento médico.“Nós nos coordenamos com antecedência, para que as comunidades estejam informadas e preparadas”, explica Rosa.A resposta tem sido extremamente positiva.Membros da comunidade, incluindo idosos com mobilidade reduzida, receberam as brigadas com entusiasmo.“As pessoas se sentem amparadas”, diz Rosa. “Mesmo aqueles que perderam documentos ou registros de saúde durante as enchentes podem receber atendimento”.Para Virgínia, esse acesso fez toda a diferença. Poder consultar um profissional de saúde e receber uma receita é um passo essencial.Apesar dos desafios contínuos, desde doenças crônicas até a pobreza e os efeitos persistentes das enchentes, Virgínia permanece esperançosa.“Se esses serviços continuarem será muito bom para nossa comunidade”, comenta Virgínia.Ao fornecer serviços de saúde integrados diretamente às comunidades, as brigadas móveis na Província de Gaza não estão apenas atendendo às necessidades imediatas, mas também reformulando a maneira como o atendimento chega aos mais vulneráveis.Para pessoas como Virgínia, elas são mais do que um serviço, são serviços essenciais que levam cuidado, dignidade e esperança para mais perto de casa.Estas atividades são possíveis graças ao apoio do Fundo Humanitário de Moçambique (ESAHF), da Embaixada da Irlanda e da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD), cujas contribuições estão ajudando a promover o acesso a serviços integrados de saúde e psicossociais para as comunidades afetadas pelas inundações na província de Gaza.
“O atendimento psicológico é para todos”, acrescenta. “Mesmo aqueles que parecem bem podem precisar de apoio”.Em todo o distrito, os efeitos das recentes inundações ainda são sentidos. Muitos perderam plantações, renda e estabilidade.“As pessoas não têm condições de pagar o transporte até o hospital ou podem não ter ninguém para acompanhá-las”, explica Rosa Uamusse Cossa, agente de saúde pública que trabalha em nível distrital.“Essas brigadas móveis garantem que até os mais vulneráveis recebam atendimento”, continua Rosa. Trabalhando em estreita colaboração com líderes comunitários, as equipes também conscientizam e incentivam as pessoas a buscar atendimento médico.“Nós nos coordenamos com antecedência, para que as comunidades estejam informadas e preparadas”, explica Rosa.A resposta tem sido extremamente positiva.Membros da comunidade, incluindo idosos com mobilidade reduzida, receberam as brigadas com entusiasmo.“As pessoas se sentem amparadas”, diz Rosa. “Mesmo aqueles que perderam documentos ou registros de saúde durante as enchentes podem receber atendimento”.Para Virgínia, esse acesso fez toda a diferença. Poder consultar um profissional de saúde e receber uma receita é um passo essencial.Apesar dos desafios contínuos, desde doenças crônicas até a pobreza e os efeitos persistentes das enchentes, Virgínia permanece esperançosa.“Se esses serviços continuarem será muito bom para nossa comunidade”, comenta Virgínia.Ao fornecer serviços de saúde integrados diretamente às comunidades, as brigadas móveis na Província de Gaza não estão apenas atendendo às necessidades imediatas, mas também reformulando a maneira como o atendimento chega aos mais vulneráveis.Para pessoas como Virgínia, elas são mais do que um serviço, são serviços essenciais que levam cuidado, dignidade e esperança para mais perto de casa.Estas atividades são possíveis graças ao apoio do Fundo Humanitário de Moçambique (ESAHF), da Embaixada da Irlanda e da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD), cujas contribuições estão ajudando a promover o acesso a serviços integrados de saúde e psicossociais para as comunidades afetadas pelas inundações na província de Gaza.
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História
20 abril 2026
Moçambique avança no pagamento digital de salários
MAPUTO, Moçambique - Um novo capítulo na implementação de pagamentos digitais responsáveis de salários em Moçambique teve início em 20 de março de 2026, quando o Centro Global da OIT sobre Salários Digitais para o Trabalho Decente, o projeto MoZ Trabalha da OIT e a Vodacom M-Pesa, uma das principais operadoras de dinheiro móvel em Moçambique, reuniram 35 funcionários da M-Pesa de todo o país para um workshop de capacitação de um dia inteiro em Maputo.O evento marca o início de uma parceria mais ampla entre a OIT e a Vodacom M-Pesa, que surge num momento crucial, visto que a M-Pesa se prepara para expandir a sua oferta com o lançamento de novas soluções digitais de folha de pagamento no mercado moçambicano.Os participantes de Maputo e de cinco províncias — Cabo Delgado, Niassa, Manica, Sofala e Gaza — exploraram estratégias para expandir os pagamentos digitais de salários em diferentes regiões, setores e segmentos de negócios, identificando também as salvaguardas necessárias para garantir que os trabalhadores de baixos rendimentos sejam protegidos e possam beneficiar plenamente da transição, em particular os mais vulneráveis, como as mulheres e os trabalhadores temporários ou sazonais.O workshop reuniu conhecimentos especializados globais e experiência local. Valerie Breda, do Centro Global da OIT, e Oswell Kahonde, da Better Than Cash Alliance, apresentaram princípios globais sobre pagamentos salariais digitais responsáveis e compartilharam exemplos internacionais relevantes para o contexto moçambicano, enquanto Joana Borges e Martin Gasser, da OIT Maputo, destacaram as ligações entre os pagamentos salariais digitais e a agenda mais ampla do trabalho decente, incluindo proteção social, formalização de empresas e conformidade da cadeia de suprimentos.Joana Borges, Gestora de Projecos de Proteção Social, destacou o impacto mais amplo dos salários digitais. Para ela,"os salários digitais não são apenas uma inovação nos pagamentos; podem ser um fator crítico para o acesso ao seguro social"."Ao tornar os fluxos de rendimento mais visíveis, seguros e rastreáveis, ajudam a promover a transição para a formalidade e criam vias mais claras e fiáveis para que os trabalhadores sejam identificados, registados e ligados aos sistemas de protecção social”, afirmou Joana Borges da OIT.A dimensão da inclusão financeira foi aprofundada por Oluwatosin Onaneye, Gestor de Produto da fintech nigeriana de processamento salarial SeamlessHR, que partilhou perspetivas sobre o potencial dos pagamentos digitais de salários para expandir o acesso aos serviços financeiros.Com base na experiência da SeamlessHR em soluções de finanças integradas, as discussões analisaram como os produtos de processamento salarial e os dados podem ser aproveitados para melhorar os serviços financeiros para trabalhadores e empregadores, particularmente em áreas como adiantamentos salariais e poupança.O workshop também incorporou lições de um projeto-piloto em curso na Zambézia, onde a OIT, através do MoZ Trabalha, o M-Pesa e a Portucel, uma importante empresa portuguesa de pasta para papel que opera em Moçambique, têm vindo a apoiar a transição para pagamentos de salários via dinheiro móvel na cadeia de fornecimento florestal da Portucel. Os resultados dessa experiência ajudaram a desenhar a colaboração mais ampla que está agora a ganhar forma.“Testar salários digitais responsáveis na Zambézia com a Vodacom M-Pesa e a Portucel demonstrou o enorme potencial para melhorar as condições de trabalho dos trabalhadores ocasionais na silvicultura, ao mesmo tempo que reduz custos e tempo para o setor privado. O M-Pesa pode desempenhar um papel importante na expansão para outras empresas e setores”, afirmou Martin Gasser.Para a Vodacom M-Pesa, a parceria representa uma oportunidade estratégica. "Foi inspirador ver como soluções responsáveis de pagamentos digitais, especialmente no pagamento de salários, podem transformar a vida dos trabalhadores, fortalecer empresas e impulsionar comunidades, garantindo que cada transação seja mais segura, rápida e confiável", frisou Érica Varinde, Diretora de Serviços Corporativos da Vodam M-Pesa."Estamos comprometidos em assegurar que o M-Pesa continue a ser um catalisador de inclusão financeira, transparência e eficiência no pagamento de salários”, continuou Érica Varinde.Como parte desta colaboração reforçada, o M-Pesa acolherá, nos próximos 12 meses, uma Fellow de Finanças Sociais da OIT para apoiar o reforço de capacidades, a sensibilização e a investigação direcionada. Este trabalho ajudará a aperfeiçoar a abordagem do M-Pesa e a promover pagamentos digitais de salários responsáveis, com enfoque em práticas sensíveis ao género e na expansão a nível nacional.
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História
13 abril 2026
Jovens lideram a ação climática e a luta contra a violência baseada no gênero
MAPUTO, Moçambique - Nos distritos de Pemba e Mecúfi, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, as comunidades costeiras ainda lidam com as consequências de dois ciclones devastadores que atingiram a região nos últimos anos. Os ciclones Kenneth, em 2019, e Chido, em 2024, destruíram casas, escolas, unidades de saúde e vias de acesso, interromperam atividades económicas e comprometeram o sustento das famílias. Além disso, impuseram mais um desafio que muitos jovens enfrentam ainda hoje: o sentimento de desamparo. No final de 2025, realizou-se um Fórum em Pemba, capital de Cabo Delgado, com o objetivo de mudar as perspetivas sobre este assunto. O evento de dois dias mobilizou cerca de 80 jovens para discutir as alterações climáticas e promover a consciência social e a responsabilidade cívica. Os aspetos de género relacionados com as alterações climáticas foram uma parte importante do debate. “Aprendi que, em tempos de crise, nós, raparigas, enfrentamos riscos acrescidos de violência baseada no género e um acesso reduzido a serviços essenciais”, afirma Santa Sinésio, uma jovem activista do Conselho Provincial da Juventude. Ela conta que costumava considerar os efeitos das alterações climáticas como inevitáveis e fora do seu controlo – o Fórum ajudou-a a ver as coisas sob uma nova perspectiva:“Decidi trazer esta causa para a agenda da juventude e defender políticas que integrem a justiça climática, a igualdade de género e a saúde reprodutiva”.O Fórum foi organizado pelo Conselho Nacional da Juventude (CNJ) com o apoio da Zonta International, como parte do Programa ClimateEmpower, implementado pelo UNFPA na província de Cabo Delgado. O objectivo do programa é prevenir a violência baseada no género e outras práticas nocivas ligadas aos contextos da crise climática. Para tal, as actividades impulsionadas pela comunidade são fundamentais, como é o caso dos fóruns.“Através do envolvimento comunitário, o Programa ClimateEmpower visa promover o desenvolvimento dos jovens como potenciais inovadores, e as suas acções devem influenciar muitas outras pessoas, especialmente onde vivem, mas também noutras partes do país”, afirma Patricia Grundberg, especialista em género e direitos humanos do UNFPA.“As actividades e materiais desenvolvidos no âmbito do programa, tais como manuais sobre questões de género e clima, apoiarão o processo de construção de conhecimento e empoderamento”, acrescenta Patrícia Grundberg.Para Conde Tomás, o Fórum serviu como um apelo à acção: "Perdemos a nossa casa, a nossa escola, o nosso sentimento de segurança. Mas, no fórum, percebi que não podemos simplesmente sobreviver; temos de agir".Após ter sido forçado a deixar Mecúfi devido a um ciclone há dois anos, Tomás começou a trabalhar como embaixador da acção climática em Pemba, sensibilizando adolescentes e jovens sobre os impactos profundos das alterações climáticas. O caminho para a transformaçãoAo longo do encontro, jovens como Sinésio e Tomás partilharam as suas experiências, afirmando que querem liderar a resposta às crises que moldam o seu presente e ameaçam o seu futuro. Os participantes enfatizaram que as alterações climáticas devem ser tratadas como uma área prioritária, com políticas, recursos e programas dedicados. Salientaram que, tal como têm sido feitos esforços na literacia digital e financeira, é necessário investir na literacia climática, garantindo que os jovens e as comunidades compreendam melhor os riscos, as causas e as soluções.Destacaram também a necessidade de um maior financiamento e apoio técnico para iniciativas lideradas por jovens. Além disso, sublinharam que os impactos das alterações climáticas vão muito além das perdas materiais, tornando essencial a integração da saúde mental e do apoio psicossocial nas respostas humanitárias e de desenvolvimento. Isto ajudaria jovens como Fátima Omar, membro do Observatório das Mulheres local e uma das participantes do Fórum. “Na maioria das vezes, sinto-me triste. Não saber o que comer e viver com a incerteza do amanhã faz-me sentir impotente”, disse ela, num testemunho que reflecte uma realidade mais ampla partilhada por muitos jovens em Cabo Delgado e noutras províncias: a crise climática intensifica as vulnerabilidades existentes e limita as oportunidades.O Fórum demonstrou que os jovens estão prontos para desempenhar um papel central nos esforços para mudar este cenário.
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História
07 abril 2026
Alimentação escolar e clubes de gênero transformam a vida de meninas e meninos
TETE, Moçambique - Quando Domingas Paulino Alexandre viu a roupa interior da filha lavada e estendida ao sol, percebeu que algo tinha mudado. “Foi naquele momento que percebi que a minha filha já tinha tido a primeira menstruação”, recorda.Sem saber como abordar o tema, Domingas decidiu conversar com Dina, então com 13 anos. Foi assim que descobriu que a filha participava no clube de diálogo sobre gênero da Escola Primária de Nhapende, no distrito de Marara, província de Tete.Na escola, Dina tinha recebido um kit de higiene menstrual, com pensos reutilizáveis e roupa interior, e aprendido a cuidar do seu corpo, informação que não tinha recebido em casa. Com naturalidade, explicou à mãe como usar e lavar os pensos, sublinhando a importância de secá-los ao sol para eliminar bactérias.“Fiquei impressionada. A minha filha ensinou-me a lavar corretamente os pensos e disse que aprendeu tudo nas sessões de gênero”, conta Domingas. Aos poucos, para mãe e filha, temas como menstruação e prevenção da gravidez deixaram de ser tabu.“Antes achava que devia esconder. Na escola aprendi que posso pedir ajuda quando preciso”, diz Dina, que recebeu o seu kit de higiene menstrual no ano passado, quando frequentava a 6.ª classe. Quebrar o silêncio para proteger o futuroFalar abertamente sobre menstruação, uniões prematuros, gravidez na adolescência e divisão de tarefas domésticas continua a ser difícil em muitas comunidades moçambicanas.
Ainda assim, o diálogo é essencial num país onde quase metade das raparigas casa antes dos 18 anos e que apresenta uma das taxas mais elevadas de gravidez adolescente no mundo. A união e a gravidez precoces continuam a ser fatores determinantes para o abandono escolar, sobretudo nas zonas rurais.A história de Domingas e Dina espelha o impacto da integração de atividades sensíveis ao gênero no programa de alimentação escolar.Desde 2019, o Programa Mundial para a Alimentação (PMA), com o apoio do Governo do Canadá e liderança do Governo de Moçambique, implementa em Tete um programa de alimentação escolar com uma componente forte de igualdade de gênero.Atualmente, cerca de 58 mil estudantes, em 104 escolas de quatro distritos de Tete, recebem refeições nutritivas diárias, ao mesmo tempo que participam em espaços seguros de diálogo, promoção da saúde e empoderamento das raparigas. Embora haja uma atenção às meninas, os clubes de gênero são abertos a rapazes, incentivando a reflexão conjunta e o questionamento de normas sociais prejudiciais. Na casa de Domingas, o impacto é visível: o filho mais novo, aluno da 3.ª classe, passou a ajudar nas tarefas domésticas, mudança que a mãe atribui à aprendizagem feita na escola.“Agora os meus filhos vão à escola animados, porque sabem que vão ter um bom almoço. E o comportamento em casa mudou”, afirma Domingas.“Eu não sabia que a escola podia fazer tudo isto. O líder comunitário explicou-nos o programa de género numa reunião. Percebi que estão a preparar os nossos filhos para a vida”. Mudanças para além da sala de aula“Nos clubes de gênero, incentivo as crianças a frequentarem as aulas, ajudando a reduzir o absentismo, as uniões prematuras, a gravidez na adolescência e a violência”, explica Rosa Vilanculos, ponto focal de gênero na Escola de Nhapende e Embaixadora do Canadá por um Dia. “Vemos progressos reais”.Os resultados vão além: maior retenção escolar, crianças mais informadas e famílias mais coesas. A transformação estende-se para a comunidade.Pais e cuidadores participam cada vez mais na vida escolar, através de reuniões comunitárias onde são abordados os mesmos temas discutidos com as crianças. Esteverina Njanje, mãe e cozinheira voluntária na escola de Nhapende, confirma o impacto.“Os pais estão mais comprometidos com a educação. Muitos passaram a verificar os trabalhos de casa e a participar nas reuniões da escola”, relata Esteverina. Segundo ela, também houve mudanças dentro dos lares. “Temos uma redução da violência doméstica. Quando aprenderam que podem ser denunciados, muitos homens passam a refletir sobre o seu comportamento.” Sonhos que resistemPara algumas meninas, persistir na escola já é, por si só, um ato de coragem.Aos 13 anos, Esfiria Benigno começa os dias muito cedo. Antes das aulas, cuida da casa, liberta as galinhas, lava a loiça, limpa o quintal e trabalha na machamba. Por volta das 10h30, pega nos cadernos e percorre 3,5 quilómetros a pé até à Escola Básica de Mulatho, onde frequenta a 7.ª classe.“É difícil conciliar os trabalhos de casa com os estudos”, conta Esfiria. “Quando volto da escola, ainda há tarefas à minha espera”.Mas ao chegar à escola, Esfiria almoça e entra numa sala de aula onde seu futuro se amplia.“O meu sonho é ser professora, como a professora Leopoldina Bernardo Tomas”, diz. “Ela dá-me comida mesmo quando chego atrasada, pergunta se estou bem e, no clube de gênero, explica as mudanças do nosso corpo. Ela inspira-me”.No clube de diálogo, Esfiria encontrou respostas que nunca teve em casa.“Aprendi que não sou a única a ter o período e que menstruação não é doença. Antes faltava à escola porque não tinha pensos menstruais, minha roupa sujava e sentia vergonha”, conta. “E aprendi que se alguém tentar obrigar-me a casar cedo, posso denunciar,” acrescenta. No distrito de Changara, Odália Martinho Sairosse, de 12 anos, vive uma rotina semelhante. Aluna da 6.ª classe da Escola de Demera, começa o dia com tarefas domésticas antes de seguir para a escola.“Mesmo cansada, não falto às aulas. Temos lanche e gosto muito do que estou a aprender”, diz. “Aprendo a reconhecer sinais de violência e como denunciar”.Tal como Esfiria, Odália sonha em seguir os passos das professoras que a inspiram diariamente.Este programa integra uma iniciativa mais ampla do WFP em apoio ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, liderado pelo Ministério da Educação e Cultura. Em 2025, o programa nacional de alimentação escolar, com apoio técnico do WFP, chegou a fornecer refeições a mais de 250 mil alunos em 340 escolas em todo o país.A alimentação escolar funciona como um incentivo essencial para que famílias em contextos de insegurança alimentar mantenham as crianças na escola, contribuindo para reduzir o absentismo e o abandono escolar.Além do Canadá, governos como os da Alemanha, Finlândia, França, Noruega, Suécia, Rússia e o próprio governo de Moçambique têm apoiado a alimentação escolar através do WFP Moçambique, um investimento que promove não apenas o acesso à educação, mas também equidade, proteção e igualdade de oportunidades para raparigas e rapazes.
Ainda assim, o diálogo é essencial num país onde quase metade das raparigas casa antes dos 18 anos e que apresenta uma das taxas mais elevadas de gravidez adolescente no mundo. A união e a gravidez precoces continuam a ser fatores determinantes para o abandono escolar, sobretudo nas zonas rurais.A história de Domingas e Dina espelha o impacto da integração de atividades sensíveis ao gênero no programa de alimentação escolar.Desde 2019, o Programa Mundial para a Alimentação (PMA), com o apoio do Governo do Canadá e liderança do Governo de Moçambique, implementa em Tete um programa de alimentação escolar com uma componente forte de igualdade de gênero.Atualmente, cerca de 58 mil estudantes, em 104 escolas de quatro distritos de Tete, recebem refeições nutritivas diárias, ao mesmo tempo que participam em espaços seguros de diálogo, promoção da saúde e empoderamento das raparigas. Embora haja uma atenção às meninas, os clubes de gênero são abertos a rapazes, incentivando a reflexão conjunta e o questionamento de normas sociais prejudiciais. Na casa de Domingas, o impacto é visível: o filho mais novo, aluno da 3.ª classe, passou a ajudar nas tarefas domésticas, mudança que a mãe atribui à aprendizagem feita na escola.“Agora os meus filhos vão à escola animados, porque sabem que vão ter um bom almoço. E o comportamento em casa mudou”, afirma Domingas.“Eu não sabia que a escola podia fazer tudo isto. O líder comunitário explicou-nos o programa de género numa reunião. Percebi que estão a preparar os nossos filhos para a vida”. Mudanças para além da sala de aula“Nos clubes de gênero, incentivo as crianças a frequentarem as aulas, ajudando a reduzir o absentismo, as uniões prematuras, a gravidez na adolescência e a violência”, explica Rosa Vilanculos, ponto focal de gênero na Escola de Nhapende e Embaixadora do Canadá por um Dia. “Vemos progressos reais”.Os resultados vão além: maior retenção escolar, crianças mais informadas e famílias mais coesas. A transformação estende-se para a comunidade.Pais e cuidadores participam cada vez mais na vida escolar, através de reuniões comunitárias onde são abordados os mesmos temas discutidos com as crianças. Esteverina Njanje, mãe e cozinheira voluntária na escola de Nhapende, confirma o impacto.“Os pais estão mais comprometidos com a educação. Muitos passaram a verificar os trabalhos de casa e a participar nas reuniões da escola”, relata Esteverina. Segundo ela, também houve mudanças dentro dos lares. “Temos uma redução da violência doméstica. Quando aprenderam que podem ser denunciados, muitos homens passam a refletir sobre o seu comportamento.” Sonhos que resistemPara algumas meninas, persistir na escola já é, por si só, um ato de coragem.Aos 13 anos, Esfiria Benigno começa os dias muito cedo. Antes das aulas, cuida da casa, liberta as galinhas, lava a loiça, limpa o quintal e trabalha na machamba. Por volta das 10h30, pega nos cadernos e percorre 3,5 quilómetros a pé até à Escola Básica de Mulatho, onde frequenta a 7.ª classe.“É difícil conciliar os trabalhos de casa com os estudos”, conta Esfiria. “Quando volto da escola, ainda há tarefas à minha espera”.Mas ao chegar à escola, Esfiria almoça e entra numa sala de aula onde seu futuro se amplia.“O meu sonho é ser professora, como a professora Leopoldina Bernardo Tomas”, diz. “Ela dá-me comida mesmo quando chego atrasada, pergunta se estou bem e, no clube de gênero, explica as mudanças do nosso corpo. Ela inspira-me”.No clube de diálogo, Esfiria encontrou respostas que nunca teve em casa.“Aprendi que não sou a única a ter o período e que menstruação não é doença. Antes faltava à escola porque não tinha pensos menstruais, minha roupa sujava e sentia vergonha”, conta. “E aprendi que se alguém tentar obrigar-me a casar cedo, posso denunciar,” acrescenta. No distrito de Changara, Odália Martinho Sairosse, de 12 anos, vive uma rotina semelhante. Aluna da 6.ª classe da Escola de Demera, começa o dia com tarefas domésticas antes de seguir para a escola.“Mesmo cansada, não falto às aulas. Temos lanche e gosto muito do que estou a aprender”, diz. “Aprendo a reconhecer sinais de violência e como denunciar”.Tal como Esfiria, Odália sonha em seguir os passos das professoras que a inspiram diariamente.Este programa integra uma iniciativa mais ampla do WFP em apoio ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, liderado pelo Ministério da Educação e Cultura. Em 2025, o programa nacional de alimentação escolar, com apoio técnico do WFP, chegou a fornecer refeições a mais de 250 mil alunos em 340 escolas em todo o país.A alimentação escolar funciona como um incentivo essencial para que famílias em contextos de insegurança alimentar mantenham as crianças na escola, contribuindo para reduzir o absentismo e o abandono escolar.Além do Canadá, governos como os da Alemanha, Finlândia, França, Noruega, Suécia, Rússia e o próprio governo de Moçambique têm apoiado a alimentação escolar através do WFP Moçambique, um investimento que promove não apenas o acesso à educação, mas também equidade, proteção e igualdade de oportunidades para raparigas e rapazes.
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História
27 fevereiro 2026
Reabilitação da Escola da Manga reforça resiliência climática na Beira
BEIRA, Moçambique – O Governo de Moçambique e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) procederam à entrega oficial da Escola Secundária da Manga, totalmente reabilitada na cidade da Beira - com a presença de Sua Excelência o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo. A reabertura da escola representa um marco nos esforços de recuperação após desastres climáticos e no reforço da resiliência das infraestruturas públicas no país.“Este é um momento de significado nacional, em que reafirmamos perante todo o Moçambique que a educação continua a ser o investimento primário e mais importante de qualquer nação que decide construir o seu futuro com inteligência, coragem e visão”, destacou o Presidente Chapo durante a cerimónia. Recuperação após cheias que afetaram mais de 860 mil pessoasA cerimónia também sublinhou os esforços do Governo para restaurar infraestruturas essenciais após as inundações que atingiram o sul e o centro de Moçambique em janeiro de 2026.As chuvas intensas provocaram cheias generalizadas nas províncias de Gaza, Maputo e Sofala, afetando mais de 860.000 pessoas. Mais de 180.000 casas foram inundadas, 676 escolas sofreram danos e infraestruturas críticas — incluindo estradas, sistemas de água e serviços de saúde — foram gravemente afetadas.Após a declaração de Alerta Vermelho nacional a 16 de janeiro, o PNUD e parceiros das Nações Unidas — incluindo OCHA, UNICEF, OIM e UNFPA — apoiaram avaliações rápidas, facilitaram o acesso humanitário e prestaram assistência imediata às comunidades afetadas.“Esta crise evidencia a elevada vulnerabilidade de Moçambique a choques climáticos recorrentes e reforça a urgência de construir sistemas mais resilientes ao clima”, afirmou Edo Stork, Representante Residente do PNUD em Moçambique. Uma escola emblemática para a cidade da BeiraDurante a cerimónia, o Presidente Chapo destacou também o valor histórico e simbólico da Escola Secundária da Manga, uma das maiores instituições de ensino da cidade.“Tivemos a honra e o dever de entregar a Escola Secundária da Manga totalmente reabilitada — uma instituição emblemática para a cidade da Beira, pela sua história e pelo papel que desempenhou na formação de gerações de moçambicanos”, afirmou o Presidente de Moçambique.A escola, que irá acolher cerca de 9.000 estudantes, sofreu danos significativos durante o Ciclone Idai, que destruiu telhados, salas de aula, laboratórios e sistemas de água e saneamento.O programa de reabilitação resiliente ao clima, avaliado em 4 milhões de dólares, incluiu: reconstrução completa do telhado; reforço estrutural de paredes, pisos, portas e janelas; modernização do sistema elétrico; e melhoria das infraestruturas de água e saneamento.As obras foram realizadas em coordenação com o Gabinete de Reconstrução Pós-Ciclone (GREPOC), equipas técnicas e parceiros locais.“Hoje celebramos a vitória de um povo resiliente sobre os desafios e adversidades. Onde havia silêncio e escombros, voltam agora a ouvir-se as vozes dos estudantes”, acrescentou o Presidente Chapo. Parcerias que transformam comunidadesA reabilitação da escola foi realizada no âmbito do Mozambique Recovery Facility (MRF), mecanismo criado em 2019 após os ciclones Idai e Kenneth para apoiar a recuperação e reconstrução de infraestruturas essenciais.Com mais de US$72 milhões mobilizados junto da União Europeia, Canadá, Finlândia, Países Baixos, Índia, China, Noruega e PNUD, o MRF já beneficiou mais de 588.000 pessoas, apoiando a reconstrução de escolas, centros de saúde, mercados, edifícios públicos e habitações nas regiões mais afetadas.“Gostaríamos de expressar a nossa profunda gratidão aos parceiros de desenvolvimento aqui presentes — ao PNUD e às Nações Unidas — pelo trabalho realizado na Escola Secundária da Manga”, afirmou o Presidente Chapo.“Hoje, celebramos não apenas a reconstrução de uma escola, mas também a força das nossas parcerias e a resiliência das comunidades moçambicanas”, realçou o Chefe do PNUD. “Juntos, estamos a construir um Moçambique mais forte, mais seguro e mais resiliente ao clima”, continuou.Encerrando a cerimónia, o Presidente da República apelou às comunidades para protegerem as infraestruturas reconstruídas.“Cuidar destas escolas é cuidar do futuro das nossas crianças. Que estes espaços sejam verdadeiros santuários do conhecimento para os nossos rapazes e raparigas, que são o futuro deste país”, concluiu o Presidente de Moçambique.
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História
08 junho 2026
Salvaguardando Direitos e Restaurando a Dignidade Após as Inundações em Gaza
XAI-XAI, Moçambique - No meio de um centro de acomodação lotado instalado numa escola, a técnica de Saúde Materno-Infantil Dulia Esmeralda Manjate está numa tenda espaçosa. Ao seu redor, os serviços estão claramente definidos: cuidados pré-natais num canto, planeamento familiar noutro, consultas realizadas atrás de divisórias de lona que protegem a privacidade.A estrutura é muito diferente do espaço muito mais pequeno no qual ela trabalhava nos dias imediatamente seguintes à inundação, em dezembro, onde os serviços se sobrepunham.“Antes, usávamos uma tenda pequena para prestar muitos serviços diferentes”, explica Dulia. “Agora podemos separar os cuidados e garantir a privacidade e a confidencialidade das nossas pacientes”.A tenda é uma das quatro unidades de saúde temporárias montadas com o apoio do Fundo de Emergência do UNFPA e do Governo da Irlanda nos distritos afectados pelas inundações para ajudar a substituir infraestruturas danificadas. Das 151 unidades de saúde na província de Gaza, 99 foram afectadas pelas inundações, limitando drasticamente o acesso a cuidados vitais para mulheres e recém-nascidos. Para além da estrutura melhorada, as instalações temporárias asseguram a continuidade de serviços muito necessários, e as mulheres recebem apoio para fazer escolhas informadas sobre saúde reprodutiva durante um período de profunda incerteza.A resposta vai além de tendas e equipamentos. O UNFPA também apoiou o destacamento de enfermeiras de Saúde Materno-Infantil treinadas para prestar assistência técnica e supervisionar o trabalho nestas instalações temporárias, garantindo a continuidade de cuidados de qualidade mesmo onde os centros de saúde permanentes foram fechados ou estão inacessíveis.Para Dulia, este apoio é transformador. Com pessoal qualificado e equipamento essencial no local, a maioria dos casos pode ser gerida com segurança, enquanto partos complicados são encaminhados para hospitais distritais ou provinciais. Mulheres e Raparigas Afectadas DesproporcionalmenteNo entanto, a salvaguarda da dignidade estende-se para além da saúde física, uma vez que as mulheres deslocadas também enfrentam um risco acrescido de violência baseada no género (VBG).Noutro centro de acomodação em Gaza, Virgínia, de 23 anos, descreve uma falha na segurança que obriga as mulheres a deslocarem-se em grupos, mesmo para as necessidades mais básicas.“Tenho problemas sérios com a casa de banho”, Virgínia explica. “Se fores sozinha, há homens que ficam atrás da casa de banho das raparigas... por isso saímos em grupos”.Reconhecendo que as emergências climáticas afectam as mulheres e raparigas de forma desproporcional, o UNFPA apoiou o destacamento de equipas móveis de saúde para realizar avaliações rápidas focadas especificamente na saúde sexual e reprodutiva e na VBG.A informação ajuda a evitar interrupções nos serviços essenciais de saúde reprodutiva e a melhorar os serviços de prevenção e resposta à VBG para servir quem corre maior risco.Adicionalmente, o UNFPA e os seus parceiros estabeleceram Espaços Seguros dedicados para Mulheres e Raparigas. Estes espaços foram concebidos para proporcionar protecção física, apoio psicossocial e oportunidades de desenvolvimento de competências, ajudando em última análise as mulheres e raparigas deslocadas a recuperar a sua confiança, rotina e independência económica.“Estes espaços seguros serão locais onde as mulheres e raparigas poderão se sentir protegidas, aceder a serviços críticos e começar a reconstruir a sua confiança e meios de subsistência”, afirma Arlete Manquessa, Analista de Programa de Género e VBG, que se juntou à equipa de avaliação rápida do UNFPA e permanece no terreno na Província de Gaza.“Juntamente com as comunidades e parceiros, estamos empenhados em reforçar a protecção e o apoio à medida que a resposta evolui”.
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História
26 maio 2026
Apoiando as Comunidades na sua Reconstrução
MAPUTO, Moçambique - Durante anos, o deslocamento impediu Arubo de realizar um sonho simples: construir sua própria casa.“Eu sempre quis ter minha própria casa, mas não conseguia construir uma”, disse Arubo, que vive com uma deficiência no distrito de Macomia, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.Arubo e sua família lutaram para encontrar estabilidade ou viver com dignidade. Isso começou a mudar com o apoio do Fundo Humanitário da África Oriental e Austral (ESAHF em sua sigla inglesa) para Moçambique, gerenciado pelo OCHA.Por meio do financiamento fornecido à Associação Maadi la Upamo (AMU), uma organização não governamental (ONG) local, famílias em dois locais de deslocamento puderam melhorar as condições de abrigo e restabelecer o acesso à água potável.A AMU treinou 15 artesãos – a maioria deles deslocados internos – em técnicas de construção resilientes. Eles construíram 66 abrigos duráveis no Centro de Reassentamento de Songueia, que agora abriga 330 pessoas.“Agora, finalmente, temos nosso próprio espaço e a vida está um pouco mais confortável”, disse Arubo. Em Cabo Delgado, as organizações locais continuam a liderar o apoio às comunidades afetadas por anos de conflito e deslocamento. Mais de 500.000 pessoas estão atualmente deslocadas no norte de Moçambique, incluindo 95.000 no distrito de Macomia.O acesso à água potável também continua a ser um grande desafio em algumas partes do distrito. Com o apoio do ESAHF-Moçambique, a AMU reabilitou dois pontos de água em locais de deslocamento, restabelecendo o acesso à água potável para 1.000 pessoas. Protegendo a nutrição infantilO deslocamento e a insegurança interromperam os meios de subsistência e sobrecarregaram os serviços já limitados, aumentando os níveis de desnutrição.Com o apoio do fundo, outra ONG local, a Associação para o Desenvolvimento Sustentável de Moçambique (APDS), está a ajudar a fornecer apoio em saúde e nutrição nas aldeias de Nanjaba, Nova Vida e Licangano, no distrito de Macomia.Trabalhando em estreita colaboração com as autoridades de saúde locais, as equipas da APDS verificam regularmente as crianças para detetar sinais de desnutrição em áreas onde a insegurança alimentar permanece elevada e muitas famílias não têm condições para pagar o tratamentoA organização também ajuda os cuidadores a se conscientizarem sobre a proteção das crianças, amamentação, preparo seguro de alimentos, higiene e tratamento da água – medidas essenciais para prevenir surtos de doenças como a cólera, principalmente durante a estação chuvosa. A localização fortalece a ação humanitáriaAs organizações humanitárias locais desempenham um papel crucial à medida que as necessidades humanitárias aumentam e a escassez de financiamento força reduções na assistência.Enraizadas nas comunidades que servem, as ONGs locais ajudam a comunicar com as famílias afetadas, a gerir expectativas e a combater a desinformação. Por exemplo, lidando com afirmações falsas, como a de que as vacinas infectam crianças ou que os mosquiteiros causam doenças.“As organizações locais não são atores externos. Elas pertencem às suas comunidades e as servem”, explicou Velemu Lubisse, Gestor de Programa do OCHA para o ESAHF-Moçambique. “Elas conseguem manter a comunicação com as comunidades e sustentar a assistência, mesmo em ambientes instáveis”, continuou.Através do ESAHF-Moçambique, o financiamento humanitário é direcionado para ações humanitárias lideradas localmente sempre que possível. Ao aproximar o financiamento e a tomada de decisões dos parceiros locais, o fundo apoia organizações que compreendem o contexto, têm acesso às comunidades afetadas e conseguem responder rapidamente às necessidades em constante evolução.No entanto, desde a sua criação em 2024, o fundo apoiou apenas organizações locais em Moçambique. Apesar dos progressos, ainda existem desafios significativos, incluindo o acesso limitado à água potável, ao fornecimento de nutrição terapêutica, aos serviços de saúde materno-infantil e à infraestrutura de saneamento.Ainda assim, para famílias como a de Arubo, a ação humanitária local está ajudando a restaurar mais do que serviços – está restaurando a dignidade, a estabilidade e a esperança.
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História
22 maio 2026
Tratamento especializado para a fístula obstétrica devolve esperança e liberdade
MAPUTO, Moçambique - A fístula obstétrica, uma provação que provoca mudanças na vida, foi uma realidade enfrentada por Chaviana Mussa, residente no distrito de Monapo, província de Nampula, em Moçambique. Após passar por um parto difícil, ela foi diagnosticada e enfrentou uma longa batalha pela cura. Estima-se que 500 000 mulheres vivam com fístula obstétrica a nível global; em Moçambique, a estimativa é de 2500 novos casos todos os anos. A fístula é uma lesão devastadora do parto que muitas vezes impõe uma condição debilitante e de isolamento às mulheres. Esse foi o caso de Chaviana. Ela suportou três anos de problemas médicos que a obrigaram até mesmo a abandonar a escola.A sua situação começou a mudar quando descobriu que havia tratamento gratuito e de alta qualidade disponível perto de onde vive, dissipando o mito de que a cura estava demasiado longe ou era demasiado cara. Durante uma consulta na tentativa de aliviar a sua situação, Chaviana foi fortemente encorajada por uma enfermeira a ir ao hospital e procurar um encaminhamento para cuidados especializados. Encontrando um caminho para a curaA informação estava disponível porque a enfermeira recebeu formação no âmbito do projeto “Minha Decisão, Meu Futuro”, financiado pelo Governo da Finlândia e implementado em Nampula com o apoio do UNFPA. O programa garante a disponibilidade de cuidados médicos especializados que restauram a saúde, a dignidade e os sonhos das mulheres.Chaviana foi uma das cerca de 25 mulheres que, no ano passado, foram submetidas a uma cirurgia que mudou as suas vidas, disponibilizada no âmbito do projeto. Ela afirmou que todo o tratamento foi gratuito, salientando que as mulheres não precisam de se preocupar com dinheiro para ter acesso a esta cura.“A fístula obstétrica não é apenas um problema de saúde, é uma condição que pode isolar as mulheres e as raparigas das suas famílias, da educação e de outras oportunidades. Conhecer as sobreviventes e ouvir as suas histórias é uma forte lembrança de que todas as mulheres merecem ter acesso a cuidados de saúde materna atempados e de qualidade, bem como a tratamentos especializados, sem barreiras financeiras. Com o apoio certo, a cura, a esperança e um novo futuro são possíveis”, partilhou Nélida Rodriguez, representante do UNFPA em Moçambique. A recuperação da saúde abriu-lhe um novo futuro. Agora livre da lesão, Chaviana insiste que as mulheres devem “ganhar coragem” e acreditar que a lesão tem cura. Ela também planeia regressar à escola para concluir os seus estudos.A sua recuperação bem-sucedida é um testemunho poderoso do projeto “Minha Decisão, Meu Futuro” do UNFPA, demonstrando como uma intervenção médica oportuna, compassiva e financeiramente acessível pode curar não só corpos, mas também vidas, restaurando a esperança e as oportunidades em todo o Moçambique.Esta história reitera a importância de as mulheres grávidas terem acesso a cuidados de saúde materna atempados e de qualidade, incluindo serviços atempados e adequados para um parto seguro e sem complicações.
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História
06 maio 2026
Director-Geral da UNESCO reforça a cooperação com Moçambique através de uma visita oficial
MAPUTO, Moçambique - De 30 de abril a 2 de maio de 2026, o Director-Geral da UNESCO, Sr. Khaled El Enany, realizou sua primeira visita oficial à República de Moçambique, e a primeira de um Director-Geral da UNESCO desde 2008, reafirmando o compromisso da organização em aprofundar a cooperação com o país nas áreas de educação, cultura, ciência, comunicação e proteção do patrimônio natural. A visita sublinhou a importância estratégica de Moçambique no âmbito do envolvimento da UNESCO em África, uma das prioridades globais da Organização, e destacou o papel central das parcerias sólidas na obtenção de resultados concretos para as pessoas. Fortalecimento do diálogo político de alto nívelEm Maputo, o Director-Geral foi recebido por Sua Excelência o Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, em audiência na Presidência. O encontro proporcionou uma oportunidade para reafirmar o compromisso partilhado com o avanço do mandato da UNESCO em apoio ao desenvolvimento inclusivo e sustentável.Durante a visita, o Sr. El-Enany também se reuniu com S. Exa. a Ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Sra. Sra. Maria Manuela dos Santos Lucas, e S. Exa. a Ministra da Educação e Cultura, Sra. Samaria Tovela. As discussões centraram-se no fortalecimento da colaboração com a UNESCO, no alinhamento das prioridades nacionais com o mandato da UNESCO e na expansão da cooperação em áreas-chave como as políticas de educação, a transformação digital, a cultura e a proteção do património. Preservação do património natural e culturalUm dos pontos altos da visita foi o Parque Nacional de Maputo, o sítio do Património Mundial recentemente inscrito em Moçambique. Nesta ocasião, o Direcor-Geral apresentou formalmente ao Presidente da República o certificado de inscrição do Parque Nacional de Maputo na Lista do Património Mundial da UNESCO, marcando um marco histórico para o país. O Parque representa o segundo bem de Moçambique a ser classificado como Património Mundial e o seu primeiro sítio natural, reconhecido pela sua biodiversidade excecional e pelo valor combinado dos seus ecossistemas terrestres e marinhos. Durante sua visita, o Sr. El-Enany reuniu-se com a equipe de gestão do parque para conhecer melhor a governação e os mecanismos de financiamento, as parcerias em andamento e o envolvimento da comunidade. As conversas também proporcionaram uma oportunidade para explorar maneiras de apoiar ainda mais o local por meio do fortalecimento das sinergias com os diversos instrumentos, programas e centros relacionados da UNESCO.Destacando o papel do Patrimônio Mundial como impulsionador do turismo sustentável, dos meios de subsistência locais e da resiliência a longo prazo, o Director-Geral elogiou o compromisso de Moçambique com a salvaguarda de seu patrimônio natural para as gerações futuras, enfatizando que a proteção do Patrimônio Mundial é inseparável do desenvolvimento sustentável e do bem-estar das comunidades locais. Comissões Nacionais: parceiros essenciais para o impactoO Director-Geral também se reuniu com a Comissão Nacional de Moçambique para a UNESCO, juntamente com sua Secretária-Geral, Sra. Élia Bila, e funcionários da UNESCO. As discussões se concentraram no reforço da coordenação, na melhoria da coerência e no aprofundamento da parceria entre a UNESCO e as instituições nacionais.O intercâmbio enfatizou a importância de fortalecer o trabalho no terreno e promover abordagens intersetoriais para maximizar o impacto, aproveitando perspectivas e experiências de diversos setores e territórios. Como sublinhou o Director-Geral, as Comissões Nacionais são parceiras essenciais para o cumprimento da missão da UNESCO, particularmente em África, desempenhando um papel fundamental na tradução dos compromissos globais em ações nacionais concretas em benefício das pessoas. Um compromisso compartilhado para o futuroAo longo da visita, o Director-Geral também interagiu com o vibrante cenário cultural de Moçambique, em torno de Maputo, aprofundando seu conhecimento sobre a cultura moçambicana e trocando experiências com jovens artistas e artesãos. Essas interações ressaltaram a importância da arte e da cultura para o fortalecimento de sociedades inclusivas e a promoção do desenvolvimento sustentável.A visita do Director-Geral reforçou a longa parceria da UNESCO com Moçambique e lançou as bases para uma cooperação ainda mais sólida nos próximos anos. Ao investir em educação, cultura e juventude, a UNESCO e Moçambique continuam trabalhando juntas para alcançar resultados tangíveis para a população.
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História
02 maio 2026
Moçambique e UNESCO: 50 Anos de Parceria
MAPUTO, Moçambique - Esta semana, iniciei minha missão à África Austral em Moçambique – marcando a primeira visita de um Director-Geral da UNESCO em quase duas décadas. Essa escolha reflete não apenas a profundidade de nossa parceria, mas também uma convicção mais ampla: Moçambique concentra muitos dos desafios – e oportunidades – que definirão o futuro da África e, com ele, o nosso mundo compartilhado.Esta visita também é significativa em outro sentido. Há cinquenta anos, pouco depois de conquistar a independência, Moçambique aderiu à UNESCO. Desde então, nossa cooperação tem sido construída em torno de uma crença simples: o multilateralismo deve fazer uma diferença tangível na vida das pessoas – especialmente daquelas cujas vozes são frequentemente silenciadas.Moçambique encontra-se hoje numa encruzilhada. Continua a enfrentar desafios de segurança em algumas regiões, choques climáticos recorrentes e a necessidade de ampliar o acesso a oportunidades sociais e econômicas. Contudo, é também um país de extraordinária riqueza cultural, recursos ambientais e potencial humano. Acima de tudo, é um país jovem, moldado por uma geração pronta para reivindicar seu lugar. Para a UNESCO, os jovens são um grupo prioritário, que deve ser considerado agente de mudança e não beneficiário passivo. A paz começa muito antes da segurançaCom muita frequência, a paz é definida de forma restrita, como uma questão apenas de segurança. A segurança é importante, mas nunca é suficiente. A paz é construída a montante, por meio de uma educação inclusiva em vez de excludente, por meio de culturas que promovem o sentimento de pertencimento, por meio de informações confiáveis e por meio do conhecimento que ajuda as sociedades a se prepararem para a mudança.Em Moçambique, esses alicerces estão sendo construídos diariamente. Quase uma em cada quatro escolas agora oferece educação multilíngue, graças a esforços renovados na formação de professores. Isso é importante em um país onde aprender na língua materna muitas vezes representa a diferença entre permanecer na escola e abandoná-la. É um investimento silencioso, mas poderoso, na inclusão e na coesão social.A educação também é um campo onde as desigualdades podem ser reduzidas — ou reforçadas. A UNESCO trabalha com as autoridades nacionais para fortalecer os caminhos para as jovens mulheres, particularmente nas áreas de ciência e tecnologia. Um estudo regional da UNESCO, que inclui Moçambique e outros sete países da África Austral, está examinando a participação das mulheres em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) no ensino superior, com um objetivo claro: garantir que a inovação reflita os talentos de toda a sociedade, e não apenas de uma parte dela.Em Moçambique, esses alicerces estão sendo construídos diariamente. Quase uma em cada quatro escolas agora oferece educação multilíngue, graças a esforços renovados na formação de professores. Isso é fundamental em um país onde aprender na língua materna muitas vezes significa permanecer na escola e abandonar os estudos. É um investimento silencioso, mas poderoso, em inclusão e coesão social.A educação também é um meio pelo qual as desigualdades podem ser reduzidas — ou reforçadas. A UNESCO trabalha com as autoridades nacionais para fortalecer as oportunidades para as jovens mulheres, especialmente nas áreas de ciência e tecnologia. Um estudo regional da UNESCO, que inclui Moçambique e outros sete países da África Austral, está analisando a participação das mulheres em STEM no ensino superior, com um objetivo claro: garantir que a inovação reflita os talentos de toda a sociedade, e não apenas de uma parte dela. Uma geração jovem, conectada e criativaMoçambique tornou a transformação digital uma prioridade nacional e está agora a desenvolver a sua Estratégia Nacional de Transformação Digital. Este impulso nacional baseia-se em esforços anteriores, incluindo a iniciativa da UNESCO "Transformando a Educação em África através das TIC", da qual Moçambique participou desde a primeira fase. Através deste trabalho, os países colaboraram para introduzir ferramentas digitais nas salas de aula, reforçar a confiança dos professores e alinhar a tecnologia com os planos nacionais de educação. Hoje, o desafio é levar essa ambição mais longe: garantir que a aprendizagem digital chegue aos jovens para além das grandes cidades e amplie as oportunidades em vez de aprofundar as desigualdades.Essa mesma geração já está a impulsionar a inovação cultural. Música, design, artesanato, moda, gastronomia, cinema — muitas vezes no setor informal — são espaços onde os jovens moçambicanos, e as jovens mulheres em particular, estão a desenvolver competências, identidades e meios de subsistência. É por isso que as recentes candidaturas de Maputo e Pemba à Rede de Cidades Criativas da UNESCO para o ciclo de 2027 são tão importantes. Elas sinalizam uma disposição para conectar a cultura ao desenvolvimento urbano, aos empregos e às políticas públicas — e para dar à criatividade o lugar que ela merece na economia formal. Conhecimento para enfrentar as mudanças climáticasMoçambique também está na linha de frente das mudanças climáticas. Inundações no início deste ano afetaram centenas de milhares de pessoas em todo o país. Meus pensamentos estão com as famílias que perderam entes queridos e com todos que ainda estão reconstruindo suas vidas. Ciclones, secas e a crescente pressão ambiental estão remodelando os sistemas de saúde, as escolas, a segurança alimentar e os meios de subsistência.Para uma população jovem, esses impactos acentuam a urgência da ação. Os jovens moçambicanos são guardiões natos de um extraordinário patrimônio natural, desde a Ilha de Moçambique, Patrimônio Mundial da UNESCO, até o Parque Nacional de Maputo e a Reserva da Biosfera das Quirimbas. Sua energia, curiosidade científica e conhecimento local são indispensáveis para os esforços de conservação e adaptação.Políticas baseadas na ciência, sistemas de alerta precoce e a integração do conhecimento indígena ajudam as comunidades a antecipar riscos e fortalecer a preparação. São também uma questão de justiça, garantindo que os mais vulneráveis não sejam deixados a absorver os custos de uma crise para a qual pouco contribuíram.Em última análise, a parceria entre a UNESCO e Moçambique vai além de programas ou projetos. Trata-se de uma ambição partilhada: demonstrar que o desenvolvimento inclusivo, alicerçado no conhecimento, na cultura, na ciência e no diálogo, pode proporcionar soluções que respondam às crises atuais, ao mesmo tempo que moldam o futuro.As possibilidades de amanhã. Juntos, a UNESCO e Moçambique demonstram que a paz e o desenvolvimento sustentáveis se constroem por meio da cooperação, da criatividade e da coragem. As soluções que estão sendo concebidas aqui já são inspiradoras — e continuarão a sê-lo muito além das fronteiras de Moçambique.
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Comunicado de Imprensa
26 junho 2026
Relatório Mundial sobre Drogas do UNODC de 2026
VIENA, Áustria - Os traficantes de drogas estão explorando tecnologias e a instabilidade global para introduzir novas drogas, experimentar diferentes rotas e métodos de comércio e entrar agressivamente em novos mercados, afirmou o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em seu Relatório Mundial sobre Drogas de 2026, divulgado hoje.“Observamos um aumento sem precedentes de novos tipos de drogas no mercado e, preocupantemente, algumas são mais potentes ou perigosas do que antes”, disse Monica Juma, Diretora Executiva do UNODC. “E já estamos sofrendo o impacto: milhões de mortes prematuras e anos de vida saudável perdidos desnecessariamente; redes de tráfico de drogas que distorcem as economias; a destruição de vidas, comunidades e meios de subsistência; e o agravamento da insegurança e da violência. O imperativo de nos concentrarmos em deter os grupos do crime organizado nunca foi tão grande. Devemos intensificar os esforços de dissuasão, aumentar o compartilhamento de informações e coordenar operações conjuntas, ao mesmo tempo que investimos mais em prevenção e tratamento”.Estima-se que 331 milhões de pessoas usaram drogas em 2024, o que corresponde a 6,2% da população mundial entre 15 e 64 anos, em comparação com 5,2% em 2014. A cannabis continua sendo a droga mais consumida, com 256 milhões de usuários em 2024, seguida por opioides (63 milhões), anfetaminas (32 milhões), cocaína (25 milhões) e ecstasy (21 milhões). Os traficantes de drogas continuam inovandoOs fabricantes de drogas ilícitas continuam a inventar novas drogas sintéticas na tentativa de burlar as regulamentações e evitar a detecção, com cinco vezes mais tipos de drogas apreendidas em 2024 do que antes de 2000. O número de novas substâncias psicoativas (NSP) relatadas em circulação nos mercados de drogas, por exemplo, chegou a 755 em 2024, sendo 118 delas relatadas pela primeira vez. Um ponto de virada no mercado global de opioidesA proibição de drogas no Afeganistão em 2022 continuou a restringir severamente a produção ilícita de ópio e heroína. Embora a produção em Mianmar tenha aumentado de 420 toneladas em 2021 para mais de 1.000 em 2025, o aumento no país (juntamente com as quantidades produzidas em outros países monitorados pelo UNODC, ou seja, Laos e México) não compensa os declínios no Afeganistão, que em 2022 produziu mais de 6.000 toneladas de ópio.A crescente disponibilidade de novos opioides sintéticos, como fentanil, nitazeno e órfilo, no mercado sugere que os traficantes estão buscando alternativas à heroína. Uma mudança dos opiáceos de origem vegetal para os sintéticos pode causar uma alteração permanente no mercado global de opioides, com ramificações sobre como essas drogas são usadas e os danos associados. O mercado de metanfetamina agora é globalNovas rotas de tráfico e a expansão gradual da produção de metanfetamina criaram novos mercados para a droga, principalmente no Oriente Médio e Próximo, na África e em partes da Europa. As apreensões cresceram 12% ao ano, em média, um aumento impulsionado principalmente pelas quantidades no Leste e Sudeste Asiático. Embora Mianmar continue sendo o principal país de origem da metanfetamina, a alta demanda também atraiu fornecedores da América do Norte, África Ocidental e Austral e Sudoeste Asiático.A metanfetamina da América do Norte também está cruzando o Oceano Pacífico para países da Orla do Pacífico Ocidental, causando, nesse processo, um aumento no tráfico e no uso também nas ilhas do Pacífico. No Oriente Médio, as interrupções no mercado de "captagon" após a queda do regime de Assad na Síria e a subsequente duplicação do preço de um comprimido de captagon em alguns lugares podem causar uma mudança entre os usuários de captagon para a metanfetamina, cujo uso aumentou na região. A mudança na percepção sobre a cannabis impulsiona o crescimento do número de usuários e novos padrões de tráficoA produção, o tráfico e o uso da cannabis estão em constante evolução, provavelmente em parte devido às mudanças contínuas na percepção em relação à droga, em um período em que muitas jurisdições, principalmente na América do Norte, adotaram políticas de legalização e/ou descriminalização.O número de pessoas que usam cannabis cresceu 40% na última década, enquanto a prevalência do seu uso aumentou de 3,8% da população entre 15 e 64 anos em 2014 para 4,8% em 2024. As apreensões de cannabis também atingiram níveis historicamente altos em 2024.Historicamente, a maior parte do tráfico de cannabis ocorria dentro de regiões, principalmente porque a cannabis pode ser cultivada praticamente em qualquer lugar. No entanto, o comércio inter-regional, com o fornecimento vindo da América do Norte, está crescendo: entre 2015 e 2024, 57 países ou territórios fora da América do Norte a identificaram como região de origem para apreensões de cannabis, um aumento em relação aos apenas 11 da década anterior. O crescimento da oferta de cocaína pode em breve ultrapassar a demandaA produção de cocaína continuou a crescer em 2024, aumentando mais de quatro vezes nos últimos dez anos, para uma estimativa de mais de 4.000 toneladas (em forma pura), impulsionada principalmente pelo aumento da produtividade e da área cultivada.Grupos do crime organizado continuam a canalizar quantidades cada vez maiores de cocaína para mercados de destino estabelecidos e emergentes, em um esforço para maximizar o lucro e expandir a base de clientes além de seus maiores e mais consolidados mercados na Europa Ocidental e Central, América do Norte e Oceania.Evidências dessa expansão contínua podem ser vistas na África e na Ásia, onde, apesar das quantidades relativamente baixas de apreensões, certos países dessas regiões registraram as maiores taxas de crescimento de apreensões de cocaína em todo o mundo durante o período de 2020 a 2024. Impacto do uso de drogas na segurança públicaO uso de drogas pode estar associado a crimes patrimoniais, violência dentro de famílias e grupos sociais e vitimização de usuários de drogas. Mas esses resultados também são influenciados por fatores mais amplos, como o contexto do uso de drogas, o histórico pessoal das pessoas envolvidas, como pobreza, falta de moradia, problemas de saúde mental, e fatores contextuais na comunidade, como a possível falta de acesso a tratamento para dependência química e serviços sociais. Tais fatores também representam pontos de partida para intervenções e esforços de prevenção.
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Comunicado de Imprensa
26 junho 2026
Moçambique e parceiros sublinham a importância de uma protecção atempada para as crianças associadas a grupos armados
MAPUTO, Moçambique - A Sra. Ivete Alane, Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, discursou hoje numa comemoração do Dia da Mão Vermelha, o Dia Internacional contra a Utilização de Crianças como Soldados, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, organizada conjuntamente pelo Governo de Moçambique e pelo UNICEF. Os participantes sublinharam a importância de uma protecção atempada para as crianças associadas a forças armadas e grupos armados (CAAFAG). O evento reuniu altos representantes do Governo, das Nações Unidas e de parceiros internacionais, incluindo o Alto-Comissário do Canadá, Sr. Anderson Blanc, e o Embaixador da Noruega, Sr. Egil Thorsås, bem como outros membros do Grupo de Amigos para as Crianças e os Conflitos Armados (CAAC), a sociedade civil, líderes religiosos e comunitários, e jovens, num compromisso comum para com as crianças afectadas pelo conflito no norte do país.Entre as instituições do Governo representadas contaram-se o Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, o Ministério da Justiça, o Ministério do Interior, o Ministério da Defesa Nacional e o Ministério da Juventude e Desportos, bem como a Procuradoria-Geral da República e o Tribunal Supremo.No seu discurso, a Ministra Alane reafirmou o compromisso do Governo de proteger as crianças afectadas pelo conflito armado e de assegurar que as crianças associadas a grupos armados sejam tratadas, antes de mais, como vítimas de violações graves dos seus direitos. A comemoração contou ainda com uma intervenção, por mensagem de vídeo a partir de Nova Iorque, da Representante Especial do Secretário-Geral para as Crianças e os Conflitos Armados, Sra. Vanessa Frazier, que destacou a importância da atenção internacional à protecção das crianças em Moçambique.Moçambique tem sido identificado, no relatório anual do Secretário-Geral das Nações Unidas sobre crianças e conflitos armados, como uma situação que suscita preocupação desde 2022. A violência e o conflito no norte do país expuseram as crianças a violações graves dos seus direitos, incluindo o recrutamento e utilização por grupos armados, o rapto, a morte e mutilação, a violência sexual e os ataques a escolas e hospitais. Em 2025, as Nações Unidas verificaram 552 violações graves contra 355 crianças nas províncias de Cabo Delgado e Nampula. O conflito deslocou mais de 1,2 milhões de pessoas nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, mais de metade das quais são crianças.Progressos e parceriaMoçambique tomou medidas concretas para reforçar a protecção das crianças afectadas pelo conflito armado. Foram realizadas formações e foi prestado apoio técnico sobre a prevenção de violações graves e sobre direitos humanos às forças de defesa e segurança do país, com o apoio das Nações Unidas, da União Europeia, do Canadá, e de outros parceiros.As autoridades nacionais e os parceiros têm trabalhado para reforçar os serviços de protecção da criança em Cabo Delgado e Nampula, apoiar a recuperação e reintegração das CAAFAG e assegurar apoio holístico a todas as crianças afectadas pelo conflito armado.Durante o evento, o Canadá anunciou o seu apoio a um programa do UNICEF para a protecção e reintegração das CAAFAG em Cabo Delgado, um programa de 3,5 milhões de dólares americanos que irá decorrer até 2028, implementado em parceria com a ROSC, a FDC, a Muleide e a Humanity & Inclusion, em apoio aos sistemas e serviços do Governo.Assegurar uma protecção atempada para as criançasOs oradores destacaram que as crianças afectadas pelo conflito armado precisam, acima de tudo, de protecção atempada e de mecanismos credíveis de responsabilização que previnam violações e reforcem os seus direitos.Toda a criança separada de um grupo armado, ou que consiga escapar, deve ser reconhecida como vítima de violência e encaminhada rapidamente para as autoridades civis de protecção da criança, possibilitando o acesso imediato a cuidados, à localização da família, a saúde mental e apoio psicossocial e à educação, em prol da sua segurança e recuperação.Esta abordagem baseia-se nos compromissos assumidos por Moçambique no âmbito da Convenção sobre os Direitos da Criança e do seu Protocolo Facultativo relativo ao envolvimento de crianças em conflitos armados. As Nações Unidas e os parceiros continuam a apoiar o Governo na criação dos sistemas e procedimentos necessários, incluindo a finalização e implementação de um protocolo nacional de entrega. O protocolo vai definir as vias de reintegração, reforçar a articulação com os mecanismos de responsabilização e irá garantir, em cada caso, uma protecção atempada, coerente e centrada na criança.Ao lado do GovernoOs membros do Grupo de Trabalho sobre Crianças e Conflitos Armados, os co-presidentes do Grupo de Amigos para as Crianças e os Conflitos Armados e as Nações Unidas, incluindo o UNICEF, reafirmaram o seu compromisso em continuar a prestar apoio técnico ao Governo de Moçambique, incluindo no desenvolvimento de procedimentos operacionais padrão, mobilização de recursos, formação das autoridades competentes e fortalecimento dos sistemas nacionais de protecção da criança. Os parceiros encorajaram igualmente a adesão aos Princípios de Paris e aos Princípios de Vancouver, bem como a plena implementação da Declaração sobre Escolas Seguras.Citações"Todas as crianças têm o direito de crescer em segurança, de prosseguir os estudos e de sonhar com o futuro sem medo. A comemoração de hoje recorda-nos que proteger as crianças afectadas pelo conflito exige um compromisso sustentado de todos nós. Saudamos a cooperação contínua entre o Governo de Moçambique e as Nações Unidas e encorajamos todos os parceiros a manterem o seu apoio à protecção das crianças. Juntos, podemos contribuir para garantir que todas as crianças sejam protegidas, acompanhadas e capacitadas para se tornarem agentes de paz e concretizarem todo o seu potencial".Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária para Moçambique"Moçambique fez progressos reais na protecção das crianças afectadas pelo conflito no norte, designadamente trabalhando com as Nações Unidas para formar as suas forças armadas e para apoiar as crianças a recuperarem e a reconstruírem as suas vidas. O que importa agora é que cada criança encontrada junto de um grupo armado seja reconhecida como vítima de violência e chegue sem demora aos cuidados dos serviços civis de protecção da criança. A finalização de um protocolo nacional de entrega ajudaria a tornar essa protecção sistemática, e o UNICEF continuará a apoiar o Governo em cada etapa deste processo".Mary Louise Eagleton, Representante do UNICEF em Moçambique e co-presidente do Grupo de Trabalho sobre Crianças e Conflitos Armados"Todas as crianças têm o direito de aprender em segurança. A Noruega mantém o seu compromisso de apoiar Moçambique na agenda das crianças e dos conflitos armados, incluindo a implementação da Declaração sobre Escolas Seguras, que visa proteger as escolas de ataques e assegurar que as crianças possam prosseguir a sua educação durante o conflito. Uma implementação mais robusta será fundamental para transformar estes compromissos em protecção real para as crianças".S.Exa. Egil Thorsås, Embaixador do Reino da Noruega e co-presidente do Grupo de Amigos para as Crianças e os Conflitos Armados"Proteger as crianças em situação de conflito armado é uma prioridade para o Canadá. Os raptos e o recrutamento de crianças que persistem no norte de Moçambique sublinham a necessidade de uma acção coordenada. O Canadá, juntamente com os nossos parceiros UNICEF, Muleide, ROSC, FDC, Humanity & Inclusion e o Instituto Dallaire, está a apoiar o Governo de Moçambique nos esforços para prevenir estas violações, proteger as crianças afectadas e reforçar a responsabilização. Ao comemorarmos o Dia das Mãos Vermelhas, reafirmamos o nosso compromisso de salvaguardar o direito de todas as crianças a uma infância segura e protegida".S.Exa. Anderson Blanc, Alto-Comissário do Canadá e copresidente do Grupo de Amigos para as Crianças e os Conflitos ArmadosNotas aos editoresO comunicado de imprensa é emitido pelos co-presidentes do Grupo de Amigos para as Crianças e os Conflitos Armados em Moçambique e pelos co-presidentes do Grupo de Trabalho sobre Crianças e Conflitos Armados em Moçambique.O Grupo de Trabalho sobre Crianças e Conflitos Armados em Moçambique, co-presidido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Gabinete da Coordenadora Residente das Nações Unidas, reúne agências das Nações Unidas e a sociedade civil para monitorar e responder a violações graves, desenvolver acções de advocacia e apoiar a protecção das crianças afectadas pelo conflito armado. Entre os membros do Grupo de Trabalho contam-se: o Gabinete da Coordenadora Residente das Nações Unidas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Save the Children e a Street Child.O Grupo de Amigos para as Crianças e os Conflitos Armados em Moçambique é um agrupamento informal de missões diplomáticas, co-presidido pelo Alto-Comissariado do Canadá e pela Embaixada da Noruega, que advoga pela protecção das crianças afectadas pelo conflito armado. Entre os membros do Grupo de Amigos contam-se: a Embaixada da Noruega, o Alto-Comissariado do Canadá, a Embaixada do Brasil, a Embaixada do Egipto, a Embaixada da Suécia, a Embaixada dos Países Baixos, a Embaixada da Irlanda, o Alto-Comissariado do Quénia, a Embaixada da Finlândia e a Delegação da União Europeia.A comemoração do Dia das Mãos Vermelhas em Maputo foi organizada conjuntamente pelo Ministério do Trabalho, Género e Acção Social (MTGAS) e pelo UNICEF.O Dia das Mãos Vermelhas é o dia internacional contra a utilização de crianças como soldados, assinalado em todo o mundo a 12 de Fevereiro. A comemoração em Maputo reúne o Governo, as Nações Unidas, parceiros diplomáticos, a sociedade civil e jovens.O UNICEF e os parceiros trabalham em apoio ao Governo de Moçambique, que lidera e é o dono da resposta nacional. O papel das Nações Unidas e dos parceiros é apoiar e fortalecer os sistemas do Governo, ao lado das comunidades.
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Comunicado de Imprensa
20 junho 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Mundial do Refugiado
NOVA IORQUE, EUA - À medida que as divisões se aprofundam em todo o mundo, novos conflitos prolongados obrigam milhões de mulheres, crianças e homens a buscar segurança longe de casa.Estes tempos turbulentos devem ser um momento de renovada solidariedade e ações robustas para proteger as pessoas deslocadas por conflitos ou perseguições. Isso inclui o respeito à Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, que salvou milhões de vidas desde a sua adoção, há 75 anos, após a Segunda Guerra Mundial.No Dia Mundial do Refugiado, apelamos por um apoio mais forte a todos aqueles que são forçados a fugir, bem como aos países e comunidades que os acolhem. Respeitando o direito internacional dos refugiados. Salvaguardando o direito de buscar asilo. Criando soluções que permitam aos refugiados viver em segurança e dignidade, com oportunidades reais de autossuficiência. E redobrando os esforços pela paz.Inspiremo-nos na generosidade das comunidades nos países em desenvolvimento, que acolhem quase três quartos dos refugiados do mundo.Juntos, podemos proteger os direitos de todas as pessoas forçadas a fugir, agora e para as gerações futuras.
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Comunicado de Imprensa
18 junho 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio
NOVA IORQUE, EUA - O discurso de ódio é o primeiro passo no caminho da desumanização, um caminho que frequentemente leva à violência, conflitos e crimes atrozes. É uma ferramenta de divisão que visa grupos específicos – incluindo mulheres, migrantes, refugiados, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e muitas outras minorias – muitas vezes com o objetivo de obter ganhos políticos.Na era digital, o discurso de ódio se espalha mais rápido do que nunca, amplificado por plataformas não regulamentadas e intensificado pela inteligência artificial. Muitos algoritmos recompensam a indignação e a divisão, incentivando mentiras em busca de curtidas e promovendo a violência em busca de visualizações. O anonimato online também dificulta a responsabilização dos autores.Mas soluções práticas podem quebrar esse ciclo perigoso, desde a educação para reconhecer e rejeitar o discurso de ódio; passando pelo apoio às vítimas de abusos; até intervenções mais fortes por parte de governos e empresas de tecnologia. Os Estados têm obrigações claras, segundo o direito internacional, de combater a incitação ao ódio e de promover a inclusão, o respeito à diversidade e a solidariedade. Ao mesmo tempo, a liberdade de expressão jamais deve servir de desculpa para mensagens nocivas.A Estratégia e o Plano de Ação das Nações Unidas sobre o Discurso de Ódio apontam o caminho, enquanto os Princípios Globais para a Integridade da Informação fornecem um roteiro para um ecossistema digital mais seguro e ético.Neste quinto Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, rejeitemos o preconceito em todas as suas formas e trabalhemos juntos para construir um mundo baseado nos direitos humanos, na dignidade e no respeito.
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Comunicado de Imprensa
17 junho 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca
NOVA IORQUE, EUA - As pastagens são vastos espaços abertos encontrados em todos os climas e continentes.Elas cobrem metade da superfície terrestre, fornecendo alimentos e fibras vitais e sustentando mais de dois bilhões de pessoas. Também desempenham um papel crucial como habitats da vida selvagem e sumidouros de carbono.No entanto, até cinquenta por cento das pastagens do mundo estão degradadas ou em risco.Essas condições ameaçam o sistema alimentar global, prejudicam os meios de subsistência locais, reduzem a biodiversidade e aumentam as emissões de gases de efeito estufa.Neste Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, fazemos um apelo urgente para reconhecer e respeitar as pastagens do mundo.Isso significa investir em restauração, especialmente em segurança hídrica;Empoderar as comunidades rurais por meio de empregos sustentáveis;E forjar soluções além-fronteiras por meio da cooperação internacional.Este ano também marca o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores – uma oportunidade para apoiar os pastores e os povos indígenas cujo conhecimento tradicional pode ajudar a salvaguardar esses ecossistemas.Para proteger o nosso futuro, devemos proteger a terra.Juntos, vamos garantir que as pastagens em todo o mundo prosperem para as gerações vindouras.Obrigado.
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