MAPUTO, Moçambique
- Sua Excelência o Secretário Permanente do Ministério do Interior, Senhor Victor Canhemba;
- Querida Mama Graça Machel, Presidente da Fundação para o Desenvolvimento Comunitário e Defensora dos Direitos Humanos;
- Ilustres membros do Governo, da sociedade civil, dos parceiros e colegas das Nações Unidas;
- Caro Xavier Creach, Representante do ACNUR; e
- Minhas senhoras e meus senhores.
Boa noite a todas e a todos,
É uma honra estar aqui hoje convosco para celebrarmos juntos os 75 anos do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados dedicados à proteção, dignidade e esperança para milhões de pessoas forçadas a fugir em todo o mundo.
Antes de começar o meu discurso, gostaria de dizer que é particularmente gratificante estar aqui, dada a minha experiência e da minha família como requerentes de asilo - quando fugimos da Uganda, meu país natal, para o Quênia, durante os tempos de insegurança.
Não podemos subestimar o trauma e a ruptura que o deslocamento causa na vida das pessoas, bem como a importância da generosidade dos Estados e das comunidades acolhedoras.
Por isso, é com grande prazer que estou aqui com vocês para homenagearmos a história de deslocamento e profunda solidariedade de Moçambique.
Este País viveu a dor do exílio e a alegria do retorno.
Mais de 1,7 milhão de moçambicanos encontraram refúgio em países vizinhos e regressaram ao seu lar após o Acordo Geral de Paz.
Muitos passando por esta mesma estação, numa das maiores operações de repatriamento da história moderna.
E Moçambique continua a demonstrar generosidade, nos dias de hoje, ao acolher refugiados e requerentes de asilo que procuram segurança.
Indivíduos como nós, com sonhos, vidas, famílias, propriedades e meios de subsistência que tiveram de abandonar.
Excelências, minhas senhoras e meus senhores,
Hoje, o deslocamento interno continua a ser um dos desafios mais urgentes em Moçambique.
Mais de 330 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas desde o início do ano devido à complexa crise no Norte do País.
Eventos climáticos extremos continuam igualmente a desalojar comunidades, afetando desproporcionalmente mulheres e crianças.
Por isso, esta exposição é um lembrete poderoso.
As fotografias contam histórias de coragem e esperança - famílias a reconstruir, comunidades a acolher e de um espírito humano que se recusa a ceder.
Enquanto observamos estas imagens, vamos nos comprometer a colocar as pessoas no centro de tudo o que fazemos - sua proteção, sua dignidade e seus direitos, sem deixar ninguém para trás.
Asseguremos que aqueles que foram obrigados a fugir não sejam definidos pelas suas perdas, mas pelo seu potencial.
Gostaria de agradecer ao Governo, ao ACNUR, aos nossos parceiros e, acima de tudo, às pessoas e famílias cujas jornadas são aqui partilhadas connosco hoje. Obrigada por nos permitirem testemunhar a vossa força.
Em nome das Nações Unidas, reafirmo que continuaremos a trabalhar lado a lado com o Governo e o Povo de Moçambique, para que todos no País possam viver em paz e realizar o seu pleno potencial.
Contem com as Nações Unidas. Contem comigo.
Muito obrigada. Kanimambo!