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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão a contribuir a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 em Moçambique:
Comunicado de Imprensa
10 abril 2023
Na Beira: PNUD Anuncia a Reabilitação e o Apetrechamento da Escola Secundária da Manga
MAPUTO, Moçambique - O Representante Residente Interino do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Sr. Antonio Molpeceres, anunciou, esta Segunda-feira, 10 de Abril, a reabilitação e o apetrechamento da Escola Secundária da Manga, num valor ainda por avançar, no âmbito do programa Mecanismo de Recuperação (MRF, em Inglês).
O acto surge na sequência de um pedido conjunto formulado por Sua Excelência Lourenço Ferreira Bulha, Governador da Província de Sofala, e a Direcção Provincial de Educação de Sofala, para a reabilitação daquela infra-estrutura escolar severamente afectada pela passagem do ciclone Idai na cidade da Beira, a 14 de Março de 2019.
Falando a jornalistas numa conferência de imprensa organizada esta Segunda-feira, na Escola Secundária da Manga, o Representante Residente Interino do PNUD explicou que com a passagem do ciclone Idai “diversas escolas e salas de aula foram reduzidas a escombros, expondo os alunos a intempéries e a más condições de aprendizagem, o que elevou a necessidade urgente de investimentos renovados e intensificados na resiliência climática na província de Sofala – guiado pelo princípio de “Não Deixar Ninguém para Trás”.
“Como podemos testemunhar hoje de manhã, a Escola Secundária da Manga não é uma excepção”, notou o Sr. Antonio Molpeceres, avançando que “o ciclone Idai impediu que aproximadamente 9 mil estudantes desta escola pudessem continuar a beneficiar de uma educação de qualidade, ficando expostos a chuvas, ao frio e outros perigos”.
“Neste contexto, em resposta a um pedido formulado por Sua Excelência o Sr. Governador da Província de Sofala, é com grande honra que anuncio que o PNUD, no âmbito do programa Mecanismo de Recuperação, compromete-se a reabilitar a Escola Secundária de Manga”, disse visivelmente alegre, agradecendo o apoio dos doadores do programa. “Não alcançaríamos resultados positivos sem o apoio da União Europeia e dos governos do Canadá, da Holanda, da Noruega, da Finlândia, da Índia e da China”.
No seu discurso de abertura, o Governador da Província de Sofala, Sua Excelência Lourenço Ferreira Bulha, começou por explicar que o processo de mobilização de recursos para a reabilitação da escola iniciou há cinco meses. “Hoje viemos a Escola Secundária da manga para trazer esta boa notícia que o Sr. Representante do PNUD anunciou. Manifestamos o nosso profundo agradecimento, Sr. Representante do PNUD, pelo anúncio pois esta reabilitação é necessária”, disse o Governador da Província de Sofala.
Logo que soubermos do início do concurso [para a selecção do empreiteiro] iremos fazer a redistribuição dos alunos em várias escolas para não os prejudicar, pois estes não deverão perder o ano [em consequência da reabilitação]”, explicou o dirigente, afirmando que o seu Governo continuará a trabalhar para que as escolas da província de Sofala “ofereceram melhores condições de ensino e aprendizagem”. “Gostaríamos de agradecer ao PNUD por ter feito diligências a nível mundial para que houvesse financiamento para custear esta reabilitação”, concluiu.
Com esta acção, pretende-se melhorar a qualidade da educação na escola, proporcionando melhores instalações de aprendizagem e modernizando as infra-estruturas existentes. O processo de reabilitação envolverá uma melhoria global da infra-estrutura da escola, incluindo salas de aula, biblioteca, escritórios administrativos e outras instalações.
Nota para os Editores
O Mecanismo de Recuperação (MRF, em Inglês) trabalha nas províncias de Sofala e Cabo Delgado para recuperar e construir a resiliência das áreas rurais e periurbanas mais afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth. O programa do PNUD está consolidado em três pilares, nomeadamente, (i) meios de vida e empoderamento económico da mulher, (ii) habitação resiliente e infra-estrutura comunitária e 0 (iii) fortalecimento institucional do Gabinete de Reconstrução (GREPOC). Até ao momento, em Sofala, o MRF alcançou 172,675 famílias mais vulneráveis, que agora têm acesso a 6 novos mercados, 8 novas escolas, 6 escolas reabilitadas, 3 centros de saúde reabilitados, 2 escritórios administrativos reabilitados, uma biblioteca reabilitada e 624 novas casas construídas. Estas acções contam com recursos financiados pela União Europeia, Canadá, China, Finlândia, Holanda, India, Noruega e fundos próprios do PNUD.
Sobre o PNUD
O PNUD trabalha em 170 países e territórios para erradicar a pobreza e reduzir a desigualdade. Ajudamos os países a desenvolver políticas, habilidades de liderança, habilidades de parceria, capacidades institucionais e a construir resiliência para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. O nosso trabalho está concentrado em três áreas de foco; desenvolvimento sustentável, governação democrática e a construção da paz e resiliência climática e a desastres.
Missão e visão
O mandato do PNUD é acabar com a pobreza, construir uma governação democrática, estado de direito e instituições inclusivas. Defendemos a mudança e conectamos os países ao conhecimento, experiência e recursos para ajudar as pessoas a construir uma vida melhor.
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História
21 janeiro 2026
Um Futuro Mais Seguro para as Mães em Dondo
MAPUTO, Moçambique - Durante anos, a segurança foi um luxo com que as mães na Província de Sofala não podiam contar. Complicações durante o parto causavam pânico, e a distância criava perigo; quando a ajuda chegava, muitas vezes já era tarde demais. Em Dondo, ambulâncias frequentemente saíam à noite transportando mulheres em risco de vida — algumas nunca regressavam.Essa realidade começou a mudar em 2024 com a inauguração de um novo bloco de partos no Centro de Saúde Distrital de Dondo, estabelecido com o apoio da Agência Coreana de Cooperação Internacional (KOICA) através do projecto "Melhorar a Saúde Reprodutiva, Materna e Adolescente" (IRMAH). Pela primeira vez, cuidados obstétricos de emergência passaram a estar disponíveis localmente, 24 horas por dia. Todos os dias, o bloco ganha vida com uma coordenação silenciosa: enfermeiras preparam instrumentos, parteiras revisam casos e a equipa de anestesia verifica os equipamentos. Formada no âmbito do projecto IRMAH, a equipa multidisciplinar fortaleceu as suas competências por meio de formação conjunta e simulações de emergência, construindo um sistema preparado para agir rapidamente quando cada minuto conta.Para Rosa Saquina, Enfermeira Sénior de Saúde Materna no Centro de Saúde Distrital de Dondo, o bloco de partos marcou uma viragem para a saúde materna. “Antes, muitas mães não sobreviviam. Agora, podemos resolver complicações mesmo aqui”, disse. Rosa recordou quando a maioria das emergências exigia encaminhamento para o Hospital Central da Beira.“Este bloco de partos foi um ganho real para nós. Reduzimos muitas transferências. Antes, quando uma mãe tinha complicações, tínhamos de chamar uma ambulância e enviá-la para muito longe. Perdemos várias mães no caminho”, afirmou Rosa.As mudanças sentiram-se no dia-a-dia. Com infraestrutura, equipamentos e pessoal treinado, partos difíceis que antes representavam alto risco passaram a ser geridos localmente. “É gratificante lidar com um parto complicado e resolvê-lo aqui,” acrescentou Rosa. “Ver uma mãe segurar o seu bebé em segurança faz toda a diferença”.O projecto também investiu fortemente na capacidade dos profissionais de saúde. Desde 2024, o bloco foi apoiado por uma equipa treinada e dedicada, incluindo Beth Xavier, Técnica de Anestesiologia, cujo papel é crucial para procedimentos cirúrgicos seguros. “Preparo as mães, tranquilizo-as e certifico-me de que tudo está pronto”, explicou. Antes de administrar anestesia, Beth fala com cada mulher, explica o procedimento e acalma os seus receios. Verifica os equipamentos, prepara os medicamentos e garante que o bloco está pronto para emergências — práticas que se tornaram padrão com o apoio do projecto.Para além da prestação imediata de serviços, o investimento moldou o futuro da força de trabalho na saúde. Para Orpa Feliz, estagiária de medicina no Centro de Saúde de Dondo, o bloco representa oportunidade e inspiração.“Ver este novo bloco deu-me esperança”, disse. “Sonhava em ser cirurgiã, e agora sei que posso treinar e praticar aqui” - afirmou a Técnica de Anestesiologia, Beth Xavier.A mudança se estendeu muito além de um centro de saúde. O bloco de partos integra uma parceria mais ampla entre a KOICA e o UNFPA para fortalecer os serviços de saúde sexual, reprodutiva, materna, neonatal e do adolescente na Província de Sofala, incluindo os distritos de Beira, Dondo, Búzi e Nhamatanda.Por meio do projecto IRMAH, foram alcançados 26 estabelecimentos de saúde, 14 escolas secundárias e 80 comunidades, melhorando o acesso a cuidados para mais de 321.000 adolescentes e mais de 305.000 mulheres entre 15 e 49 anos, incluindo 61.000 grávidas nos quatro distritos alvo.Desde a inauguração do bloco, mais de 320 mulheres grávidas receberam cuidados cirúrgicos essenciais, principalmente cesarianas, salvando vidas de mães e recém-nascidos.Alinhado com o Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável em Moçambique, o projecto apoiou os esforços nacionais para expandir o acesso equitativo a serviços de saúde essenciais, reforçar a igualdade de género e proteger os direitos e o bem-estar de mulheres e meninas. Os investimentos em infraestrutura, equipamentos modernos de maternidade e cirurgia, formação de profissionais de saúde, serviços de planeamento familiar e prevenção da violência baseada no género contribuíram para reduzir a mortalidade materna e neonatal e restaurar a confiança no sistema de saúde.Quando o projecto terminou no ano passado, o seu impacto já era evidente. Os atrasos nas referências se reduziram, a capacidade local de gerir emergências aumentou e a confiança no sistema de saúde cresceu.Com o apoio da KOICA e a parceria do UNFPA com as autoridades de saúde nacionais e provinciais, o bloco de partos em Dondo continua a ser uma contribuição duradoura para uma maternidade mais segura em Sofala.O UNFPA trabalha de perto com o Governo de Moçambique, particularmente o Ministério da Saúde e a Direcção Provincial de Saúde em Sofala, e estabeleceu parcerias com Médicos com África CUAMM e com o Consorzio Associazioni con il Mozambico para garantir a sustentabilidade.Em Dondo, o bloco de partos é mais do que uma sala. É o resultado de uma parceria que salvou vidas, fortaleceu sistemas e garante que mais mulheres sobrevivam ao parto com dignidade.Com cada parto seguro, Dondo e os distritos vizinhos aproximam-se de um futuro em que nenhuma mulher teme dar à luz simplesmente por causa do lugar onde vive.
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História
03 dezembro 2025
Quebrando Barreiras: Saúde e Proteção para Pessoas com Deficiência
MAPUTO, Moçambique - O acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva (SSR) e violência baseada no género (VBG) é um direito humano fundamental, mas em Moçambique, as pessoas com deficiência enfrentam desafios significativos e complexos relacionados com esse acesso. Estas barreiras são multifacetadas, variando desde a inacessibilidade física até preconceitos sociais profundamente enraizados. O problema: uma teia de obstáculosO acesso limitado aos serviços deve-se a várias barreiras críticas:Distância física e transporte: Longas distâncias até clínicas e centros de serviços, juntamente com uma grave falta de transporte acessível e económico;Má qualidade e acessibilidade dos serviços: muitas instalações existentes são fisicamente inacessíveis (sem rampas, corrimãos ou dispositivos auxiliares). Além disso, há falta de pessoal que saiba usar linguagem gestual ou fornecer materiais em braille ou linguagem de fácil leitura; eDiscriminação e falta de conhecimento: os prestadores de serviços muitas vezes não têm consciência dos desafios associados às deficiências e nutrem atitudes e crenças discriminatórias, o que prejudica gravemente a qualidade dos cuidados. A intersecção da vulnerabilidade: mulheres e raparigas com deficiênciaMulheres e raparigas com deficiência enfrentam desafios únicos devido à intersecção entre o seu género e a sua deficiência. Isso muitas vezes significa que lhes é negado o direito de tomar decisões sobre a sua própria saúde sexual e reprodutiva.Esta maior vulnerabilidade resulta em riscos mais elevados de:Violência sexual e baseada no género;Gravidezes indesejadas;Abortos inseguros; eInfecções sexualmente transmissíveis.O isolamento social e familiar aumenta ainda mais o risco. Muitas vezes, essas pessoas ficam escondidas em casa e não têm apoio da comunidade. Embora a subnotificação de violência de género seja comum em Moçambique, as barreiras à mobilidade, comunicação e o isolamento severo agravam a situação das pessoas com deficiência, que também podem sentir vergonha ou culpa, especialmente quando o agressor é um membro da família ou cuidador. A solução: ferramentas inclusivas e procedimentos padronizadosPara resolver esta lacuna crítica e tornar os serviços mais inclusivos, o UNFPA estabeleceu uma parceria com a organização da sociedade civil AIFO – Associazione Italiana Amici di Raoul Follereau, em 2024. Esta colaboração teve como objetivo equipar os prestadores de serviços com conhecimentos e ferramentas práticas e detalhadas. O Que Foi Desenvolvido?O projeto resultou de um rigoroso processo de consulta com pessoas com deficiência, cuidadores, prestadores de serviços e setores governamentais. Os principais recursos incluem:Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) e Manual Operacional: orientações detalhadas e práticas para todas as fases da prestação de serviços — desde o atendimento e tratamento até o encaminhamento e acompanhamento.Álbum Seriado: uma ferramenta vital para comunicação alternativa e aumentativa. Este álbum facilita a interação entre prestadores e pessoas com dificuldades de comunicação, incluindo pessoas surdas, com deficiências auditivas ou intelectuais, ou indivíduos que temporariamente apresentam dificuldade para falar (por exemplo, devido a trauma). Fase Piloto e Próximos PassosApós aprovação do governo, os POPs foram testados durante quatro meses em três províncias — Maputo (sul), Manica (centro) e Cabo Delgado (norte) — tanto em unidades de saúde como em centros de atendimento único para vítimas de violência baseado no género. Principais atividades durante o projeto-piloto:Os prestadores de serviços receberam formação intensiva sobre a utilização dos POPs, do Manual e do Álbum Seriado.Representantes de Organizações de Pessoas com Deficiência (OPDs) foram contratados para criar ativamente procura pelos serviços e monitorizar o progresso da implementação.É evidente nesta fase que o impacto é positivo e significativo, com benefícios diretos para a qualidade de vida da população e para o fortalecimento de um sistema mais justo e inclusivo. Com este programa, a qualidade da prestação de serviços melhorou, conquistando a confiança da população — especialmente das pessoas com deficiência — que agora tem muito mais facilidade para acessar os serviços devido à remoção das barreiras.Como explicou Eunice Lacastre, psicóloga clínica do Centro de Cuidados Integrados de Chimoio, “as principais conquistas que observámos com a implementação deste projeto incluem a capacidade dos profissionais de desenvolver uma abordagem inclusiva, aprendendo a lidar com cada tipo de deficiência, e a implementação de materiais de comunicação inclusivos". "Antes do início do projeto, não recebíamos pessoas com deficiência nos nossos serviços porque elas tinham medo de vir devido às barreiras existentes. Agora, temos visto um aumento na procura por serviços por parte de pessoas com deficiência", afirmou a psicóloga Eunice. Financiamento e apoioEsta iniciativa crucial resulta de programas conjuntos da ONU em Moçambique, com apoio financeiro do Fundo Global para a Deficiência (GDF)*. O desenvolvimento do Álbum Seriado, que mudou vidas, foi apoiado pelo Programa Global da UNFPA-UNICEF para Acabar com o Casamento Infantil (GPECM).*O programa GDF Parceria para a Realização dos Direitos das Pessoas com Deficiência em Moçambique, implementado conjuntamente pela UNICEF, UNFPA e OHCHR, financiou a fase de desenvolvimento dos POPs e do Manual Operacional, enquanto o programa regional GDF Cuidados Não Remunerados, Deficiência e Abordagem Transformadora de Género, implementado conjuntamente em Moçambique pelo PNUD, UNFPA e ONU Mulheres, financiou a fase piloto.
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História
30 novembro 2025
Caminhos para Resistir à Seca em Moçambique
MAPUTO, Moçambique - Alguns desastres chegam de repente - ciclones, cheias e terremotos mudam vidas em minutos. Mas a seca é um tipo diferente de crise: lenta e persistente. Para quem é afetado, cada dia traz novos desafios, enquanto os meios de subsistência, a saúde e a esperança se desgastam, deixando as famílias com poucas opções para reagir.“Nas duas últimas safras, não consegui colher nada”, compartilha Leria Maria, agricultora de 36 anos de Chemba, Província de Sofala, centro de Moçambique.Para Serenia Sezi, mãe de 10 filhos em Caia, a luta foi igualmente dura. “Durante a seca, ficamos sem nada. Comíamos o que conseguíamos encontrar”.Belinha Celestino, mãe de 39 anos de Caia, presenciou de perto o impacto do El Niño em sua comunidade. “No auge da seca, vi crianças desmaiarem de fome na escola dos meus filhos, estavam fracas”, relembra.“Alguns pais não tiveram escolha a não ser tirar os filhos da escola para ajudar a buscar comida no mato ou trabalhar para em troca de algum dinheiro ou comida”, continua Belinha.Essas mulheres vivem em comunidades rurais remotas, longe de serviços essenciais. A dura realidade da seca foi sentida em seus corpos e lares. Muitas vezes, a única forma de fazer a farinha de milho durar era deixar de comer para que as crianças pudessem se alimentar.“Sacrifiquei minhas refeições por muitos dias para que meus filhos tivessem pelo menos uma tigela de papa de milho por dia”, conta Serenia. O último fenômeno El Niño foi um dos mais intensos já registrados, devastando o centro e o sul de Moçambique.A seca nas Províncias de Tete, Manica, Sofala, Inhambane e Gaza afetou 1,8 milhão de pessoas que já viviam em situação de insegurança alimentar. As lavouras foram destruídas, os preços dos alimentos dispararam e a escassez regional de milho elevou os custos de importação.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
Em 2025, o País passou a enfrentar também os efeitos da La Niña, dificultando ainda mais o plantio e a recuperação das comunidades.“A seca teve um impacto severo na saúde da comunidade. As internações hospitalares triplicaram durante a crise. Antes, tínhamos 15 pacientes internados com desnutrição; esse número subiu para uma média de 45 no pico da seca”, explica o Dr. Justino Americo Antonio, Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia.“Casos ambulatoriais e mortes relacionadas à desnutrição também aumentaram. O sistema de saúde do distrito não tinha capacidade de atender a todos”, continua o Dr. Justino.Mas para Serenia, Leria, Belinha e tantas outras, a esperança voltou quando a assistência alimentar de emergência do Programa Mundial para a Alimentação (PMA/WFP) começou no final de 2024 em apoio à resposta de emergência do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), do Governo de Moçambique.“A vida só mudou quando essa comida começou a chegar. Pudemos respirar aliviados, alimentar nossos filhos e eu mesma pude comer o suficiente”, lembra Serenia.Durante seis meses, sua família recebeu uma cesta básica, e seus filhos agora estão mais saudáveis e de volta à escola. Famílias como a dela também participam de aulas de nutrição e culinária. “Aprendi a combinar alimentos como abóbora e folhas de moringa para tornar a papa do meu bebê mais nutritiva. Agora entendo os benefícios que cada ingrediente traz para o corpo. Sou grata pelo projeto. Aprendemos novas receitas para as crianças, como combinar os alimentos e o papel que cada um desempenha no organismo”, diz Serenia.Graças a doadores como a Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil (ECHO) da União Europeia, e os governos de Áustria, Canadá, França, Alemanha, Suécia e EUA, o PMA pode entregar um pacote combinado de assistência alimentar a mais de 250 mil pessoas, apoio nutricional a 106 mil pessoas e lanche escolar a 8.800 estudantes nas comunidades mais afetadas pela seca no centro e sul de Moçambique.“Secas são crises lentas e devastadoras. Seus impactos perduram por muito tempo”, afirma Maurício Burtet, Diretor Nacional Adjunto do PMA em Moçambique.“Por isso, com o apoio dos doadores, o PMA busca sempre uma abordagem integrada: rápida no auge da crise, por meio da assistência alimentar de emergência, e consistente para garantir que as comunidades tenham conhecimento e meios para a sua recuperação”, diz Maurício Burtet. Essa resposta combinada fez diferença rapidamente.“A fome foi reduzida logo com a assistência alimentar. As intervenções nutricionais trouxeram mudanças positivas. As internações e mortes por desnutrição diminuíram”, afirma o Dr. Justino.“Nossas comunidades estão aprendendo boas práticas alimentares e preparando refeições mais saudáveis com produtos locais. O número de pacientes hospitalizados caiu para uma média de cinco agora”, continua o Diretor do Serviço Distrital de Saúde de Caia. Da emergência à resiliênciaA assistência alimentar de emergência foi um salva-vidas para as famílias nos meses mais difíceis da seca até meados deste ano, ajudando-as a sobreviver ao auge da crise. Com a estabilização das condições, o PMA e seus parceiros continuaram apoiando as comunidades com intervenções integradas, incluindo serviços de nutrição e programas de alimentação escolar até o final de 2025.Com os piores impactos da seca superados, Moçambique entrou em uma fase de recuperação e transição.As intervenções nutricionais alcançam comunidades afetadas por meio de unidades móveis de saúde que chegam às áreas mais remotas onde não existem clínicas e hospitais, educação nutricional, aulas de culinária e tratamento para crianças menores de cinco anos, gestantes e mulheres que amamentam com desnutrição moderada. O programa de alimentação escolar de emergência do PMA apoia crianças em escolas primárias com cestas básicas para levar para casa onde as escolas não têm estrutura para cozinhar ou refeições quentes durante 12 meses nas áreas mais atingidas pela seca.“Vejo que as comunidades estão mais informadas e suas dietas melhoraram”, observa o Dr. Justino.“Sou muito grata pela comida que recebemos; as aulas de nutrição me dão esperança e meus filhos vão à escola animados”, diz Belinha.“Aprendemos a cozinhar com os alimentos que conseguimos cultivar aqui. Sinto que minha família está mais preparada e nossa saúde melhorou”.Serenia partilha desse sentimento: “Minha família está mais forte. Meus filhos quase não adoecem mais, eu fico em paz. Tenho vontade de continuar a aprender novas receitas e a cuidar melhor deles”.Além do alívio imediato e da recuperação, o PMA trabalha com o Governo de Moçambique para construir sistemas alimentares inteligentes, promover a agricultura sustentável e fortalecer a preparação e resiliência das comunidades vulneráveis à seca, aos ciclones e às cheias.
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História
12 fevereiro 2026
Reconstruindo Vidas em Mocímboa da Praia
MAPUTO, Moçambique - Na costa norte de Moçambique, aninhada na Província de Cabo Delgado, encontra-se a resiliente cidade de Mocímboa da Praia, um lugar em reconstrução e revitalização.Após anos de conflito que intensificaram-se em 2017, esta cidade costeira está agora a restaurar as vidas e os meios de subsistência dos seus habitantes. Outrora o coração da economia local, a pesca começa agora a prosperar novamente, oferecendo esperança às famílias que regressaram a casa depois de quatro anos de deslocamento.Entre os que regressaram está Andi Ibrahim, um pescador de 30 anos que vive com os pais e quatro irmãos.Quando o conflito eclodiu na sua cidade natal, Mocímboa da Praia, Andi e a sua família foram obrigados a fugir. Caminharam quilómetros, até encontrarem transporte que os levou a Muidumbe, uma aldeia a 130 quilómetros de casa.“Mesmo em Muidumbe, eu pescava para sustentar a mim e à minha família”, recorda Andi.Agora, Andi está de volta a Mocímboa da Praia, fazendo o que sabe fazer de melhor: pescar. Mas, no início, enfrentou desafios. Vender peixe diretamente na praia não lhe rendia muito dinheiro.“Eu não ganhava mais dinheiro vendendo diretamente na praia”, diz Andi.Isso mudou quando Andi recebeu um refrigerador portátil como parte do apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM), financiado pelo Governo do Japão e em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e a Peace Winds Japan.Através do projeto, a OIM apoiou 133 pessoas com kits iniciais, que incluíam congeladores, balanças e refrigeradores portáteis.Andi agora leva sua pesca para o mercado, onde pode vendê-la por um preço melhor.“Antes eu pescava em um balde de plástico e vendia diretamente na praia, o que não era lucrativo”, conta Andi. “Com a caixa térmica, consigo transportar o peixe e vendê-lo fresco no mercado. Agora ganho até 1.500 meticais (25 dólares americanos) por semana, o que me sustenta e à minha família”, conta Andi, explicando o seu dia a dia. A OIM também construiu um novo mercado de peixe em Mocímboa da Praia, com previsão de conclusão em 2025, equipado com instalações de armazenamento refrigerado movidas a energia solar, permitindo que jovens pescadores como Andi armazenem seus produtos com segurança e os vendam em melhores condições.Para muitos que voltam aos seus lugares de origem, o setor pesqueiro tornou-se a base da sobrevivência e da resiliência.Desde o início do conflito, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas do norte de Moçambique. Mas, com o retorno da paz, mais de 500 mil pessoas voltaram, cada uma em busca de uma forma de reconstruir suas vidas.“O projeto de Resiliência Comunitária e Consolidação da Paz (CRP) não só apoia esses jovens a restabelecerem seus meios de subsistência, como também é fundamental para a construção de uma paz duradoura”, afirma Alexandra Ferro, Gerente de Projetos do programa CRP da OIM.“Quando as pessoas têm ferramentas e oportunidades para reconstruir suas vidas, elas se tornam menos vulneráveis e menos propensas a serem atraídas para a violência”, continuou Alexandra Ferro. Além do apoio direto aos pescadores, o projeto também capacita autoridades portuárias, ajudando a agilizar o comércio, melhorar a comunicação com as comunidades pesqueiras locais e garantir segurança e transparência.Esses esforços coordenados servem a outro propósito em uma região onde jovens desempregados correm o risco de serem recrutados por grupos armados não estatais; proporcionar trabalho digno e estabilidade é uma proteção poderosa.Para Andi, a pesca é mais do que apenas um meio de subsistência. É uma forma de reconstruir suas vidas e conduzir sua família e comunidade rumo a um futuro melhor.
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História
07 abril 2026
Alimentação escolar e clubes de gênero transformam a vida de meninas e meninos
TETE, Moçambique - Quando Domingas Paulino Alexandre viu a roupa interior da filha lavada e estendida ao sol, percebeu que algo tinha mudado. “Foi naquele momento que percebi que a minha filha já tinha tido a primeira menstruação”, recorda.Sem saber como abordar o tema, Domingas decidiu conversar com Dina, então com 13 anos. Foi assim que descobriu que a filha participava no clube de diálogo sobre gênero da Escola Primária de Nhapende, no distrito de Marara, província de Tete.Na escola, Dina tinha recebido um kit de higiene menstrual, com pensos reutilizáveis e roupa interior, e aprendido a cuidar do seu corpo, informação que não tinha recebido em casa. Com naturalidade, explicou à mãe como usar e lavar os pensos, sublinhando a importância de secá-los ao sol para eliminar bactérias.“Fiquei impressionada. A minha filha ensinou-me a lavar corretamente os pensos e disse que aprendeu tudo nas sessões de gênero”, conta Domingas. Aos poucos, para mãe e filha, temas como menstruação e prevenção da gravidez deixaram de ser tabu.“Antes achava que devia esconder. Na escola aprendi que posso pedir ajuda quando preciso”, diz Dina, que recebeu o seu kit de higiene menstrual no ano passado, quando frequentava a 6.ª classe. Quebrar o silêncio para proteger o futuroFalar abertamente sobre menstruação, uniões prematuros, gravidez na adolescência e divisão de tarefas domésticas continua a ser difícil em muitas comunidades moçambicanas.
Ainda assim, o diálogo é essencial num país onde quase metade das raparigas casa antes dos 18 anos e que apresenta uma das taxas mais elevadas de gravidez adolescente no mundo. A união e a gravidez precoces continuam a ser fatores determinantes para o abandono escolar, sobretudo nas zonas rurais.A história de Domingas e Dina espelha o impacto da integração de atividades sensíveis ao gênero no programa de alimentação escolar.Desde 2019, o Programa Mundial para a Alimentação (PMA), com o apoio do Governo do Canadá e liderança do Governo de Moçambique, implementa em Tete um programa de alimentação escolar com uma componente forte de igualdade de gênero.Atualmente, cerca de 58 mil estudantes, em 104 escolas de quatro distritos de Tete, recebem refeições nutritivas diárias, ao mesmo tempo que participam em espaços seguros de diálogo, promoção da saúde e empoderamento das raparigas. Embora haja uma atenção às meninas, os clubes de gênero são abertos a rapazes, incentivando a reflexão conjunta e o questionamento de normas sociais prejudiciais. Na casa de Domingas, o impacto é visível: o filho mais novo, aluno da 3.ª classe, passou a ajudar nas tarefas domésticas, mudança que a mãe atribui à aprendizagem feita na escola.“Agora os meus filhos vão à escola animados, porque sabem que vão ter um bom almoço. E o comportamento em casa mudou”, afirma Domingas.“Eu não sabia que a escola podia fazer tudo isto. O líder comunitário explicou-nos o programa de género numa reunião. Percebi que estão a preparar os nossos filhos para a vida”. Mudanças para além da sala de aula“Nos clubes de gênero, incentivo as crianças a frequentarem as aulas, ajudando a reduzir o absentismo, as uniões prematuras, a gravidez na adolescência e a violência”, explica Rosa Vilanculos, ponto focal de gênero na Escola de Nhapende e Embaixadora do Canadá por um Dia. “Vemos progressos reais”.Os resultados vão além: maior retenção escolar, crianças mais informadas e famílias mais coesas. A transformação estende-se para a comunidade.Pais e cuidadores participam cada vez mais na vida escolar, através de reuniões comunitárias onde são abordados os mesmos temas discutidos com as crianças. Esteverina Njanje, mãe e cozinheira voluntária na escola de Nhapende, confirma o impacto.“Os pais estão mais comprometidos com a educação. Muitos passaram a verificar os trabalhos de casa e a participar nas reuniões da escola”, relata Esteverina. Segundo ela, também houve mudanças dentro dos lares. “Temos uma redução da violência doméstica. Quando aprenderam que podem ser denunciados, muitos homens passam a refletir sobre o seu comportamento.” Sonhos que resistemPara algumas meninas, persistir na escola já é, por si só, um ato de coragem.Aos 13 anos, Esfiria Benigno começa os dias muito cedo. Antes das aulas, cuida da casa, liberta as galinhas, lava a loiça, limpa o quintal e trabalha na machamba. Por volta das 10h30, pega nos cadernos e percorre 3,5 quilómetros a pé até à Escola Básica de Mulatho, onde frequenta a 7.ª classe.“É difícil conciliar os trabalhos de casa com os estudos”, conta Esfiria. “Quando volto da escola, ainda há tarefas à minha espera”.Mas ao chegar à escola, Esfiria almoça e entra numa sala de aula onde seu futuro se amplia.“O meu sonho é ser professora, como a professora Leopoldina Bernardo Tomas”, diz. “Ela dá-me comida mesmo quando chego atrasada, pergunta se estou bem e, no clube de gênero, explica as mudanças do nosso corpo. Ela inspira-me”.No clube de diálogo, Esfiria encontrou respostas que nunca teve em casa.“Aprendi que não sou a única a ter o período e que menstruação não é doença. Antes faltava à escola porque não tinha pensos menstruais, minha roupa sujava e sentia vergonha”, conta. “E aprendi que se alguém tentar obrigar-me a casar cedo, posso denunciar,” acrescenta. No distrito de Changara, Odália Martinho Sairosse, de 12 anos, vive uma rotina semelhante. Aluna da 6.ª classe da Escola de Demera, começa o dia com tarefas domésticas antes de seguir para a escola.“Mesmo cansada, não falto às aulas. Temos lanche e gosto muito do que estou a aprender”, diz. “Aprendo a reconhecer sinais de violência e como denunciar”.Tal como Esfiria, Odália sonha em seguir os passos das professoras que a inspiram diariamente.Este programa integra uma iniciativa mais ampla do WFP em apoio ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, liderado pelo Ministério da Educação e Cultura. Em 2025, o programa nacional de alimentação escolar, com apoio técnico do WFP, chegou a fornecer refeições a mais de 250 mil alunos em 340 escolas em todo o país.A alimentação escolar funciona como um incentivo essencial para que famílias em contextos de insegurança alimentar mantenham as crianças na escola, contribuindo para reduzir o absentismo e o abandono escolar.Além do Canadá, governos como os da Alemanha, Finlândia, França, Noruega, Suécia, Rússia e o próprio governo de Moçambique têm apoiado a alimentação escolar através do WFP Moçambique, um investimento que promove não apenas o acesso à educação, mas também equidade, proteção e igualdade de oportunidades para raparigas e rapazes.
Ainda assim, o diálogo é essencial num país onde quase metade das raparigas casa antes dos 18 anos e que apresenta uma das taxas mais elevadas de gravidez adolescente no mundo. A união e a gravidez precoces continuam a ser fatores determinantes para o abandono escolar, sobretudo nas zonas rurais.A história de Domingas e Dina espelha o impacto da integração de atividades sensíveis ao gênero no programa de alimentação escolar.Desde 2019, o Programa Mundial para a Alimentação (PMA), com o apoio do Governo do Canadá e liderança do Governo de Moçambique, implementa em Tete um programa de alimentação escolar com uma componente forte de igualdade de gênero.Atualmente, cerca de 58 mil estudantes, em 104 escolas de quatro distritos de Tete, recebem refeições nutritivas diárias, ao mesmo tempo que participam em espaços seguros de diálogo, promoção da saúde e empoderamento das raparigas. Embora haja uma atenção às meninas, os clubes de gênero são abertos a rapazes, incentivando a reflexão conjunta e o questionamento de normas sociais prejudiciais. Na casa de Domingas, o impacto é visível: o filho mais novo, aluno da 3.ª classe, passou a ajudar nas tarefas domésticas, mudança que a mãe atribui à aprendizagem feita na escola.“Agora os meus filhos vão à escola animados, porque sabem que vão ter um bom almoço. E o comportamento em casa mudou”, afirma Domingas.“Eu não sabia que a escola podia fazer tudo isto. O líder comunitário explicou-nos o programa de género numa reunião. Percebi que estão a preparar os nossos filhos para a vida”. Mudanças para além da sala de aula“Nos clubes de gênero, incentivo as crianças a frequentarem as aulas, ajudando a reduzir o absentismo, as uniões prematuras, a gravidez na adolescência e a violência”, explica Rosa Vilanculos, ponto focal de gênero na Escola de Nhapende e Embaixadora do Canadá por um Dia. “Vemos progressos reais”.Os resultados vão além: maior retenção escolar, crianças mais informadas e famílias mais coesas. A transformação estende-se para a comunidade.Pais e cuidadores participam cada vez mais na vida escolar, através de reuniões comunitárias onde são abordados os mesmos temas discutidos com as crianças. Esteverina Njanje, mãe e cozinheira voluntária na escola de Nhapende, confirma o impacto.“Os pais estão mais comprometidos com a educação. Muitos passaram a verificar os trabalhos de casa e a participar nas reuniões da escola”, relata Esteverina. Segundo ela, também houve mudanças dentro dos lares. “Temos uma redução da violência doméstica. Quando aprenderam que podem ser denunciados, muitos homens passam a refletir sobre o seu comportamento.” Sonhos que resistemPara algumas meninas, persistir na escola já é, por si só, um ato de coragem.Aos 13 anos, Esfiria Benigno começa os dias muito cedo. Antes das aulas, cuida da casa, liberta as galinhas, lava a loiça, limpa o quintal e trabalha na machamba. Por volta das 10h30, pega nos cadernos e percorre 3,5 quilómetros a pé até à Escola Básica de Mulatho, onde frequenta a 7.ª classe.“É difícil conciliar os trabalhos de casa com os estudos”, conta Esfiria. “Quando volto da escola, ainda há tarefas à minha espera”.Mas ao chegar à escola, Esfiria almoça e entra numa sala de aula onde seu futuro se amplia.“O meu sonho é ser professora, como a professora Leopoldina Bernardo Tomas”, diz. “Ela dá-me comida mesmo quando chego atrasada, pergunta se estou bem e, no clube de gênero, explica as mudanças do nosso corpo. Ela inspira-me”.No clube de diálogo, Esfiria encontrou respostas que nunca teve em casa.“Aprendi que não sou a única a ter o período e que menstruação não é doença. Antes faltava à escola porque não tinha pensos menstruais, minha roupa sujava e sentia vergonha”, conta. “E aprendi que se alguém tentar obrigar-me a casar cedo, posso denunciar,” acrescenta. No distrito de Changara, Odália Martinho Sairosse, de 12 anos, vive uma rotina semelhante. Aluna da 6.ª classe da Escola de Demera, começa o dia com tarefas domésticas antes de seguir para a escola.“Mesmo cansada, não falto às aulas. Temos lanche e gosto muito do que estou a aprender”, diz. “Aprendo a reconhecer sinais de violência e como denunciar”.Tal como Esfiria, Odália sonha em seguir os passos das professoras que a inspiram diariamente.Este programa integra uma iniciativa mais ampla do WFP em apoio ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, liderado pelo Ministério da Educação e Cultura. Em 2025, o programa nacional de alimentação escolar, com apoio técnico do WFP, chegou a fornecer refeições a mais de 250 mil alunos em 340 escolas em todo o país.A alimentação escolar funciona como um incentivo essencial para que famílias em contextos de insegurança alimentar mantenham as crianças na escola, contribuindo para reduzir o absentismo e o abandono escolar.Além do Canadá, governos como os da Alemanha, Finlândia, França, Noruega, Suécia, Rússia e o próprio governo de Moçambique têm apoiado a alimentação escolar através do WFP Moçambique, um investimento que promove não apenas o acesso à educação, mas também equidade, proteção e igualdade de oportunidades para raparigas e rapazes.
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História
31 março 2026
Os combustíveis fósseis estão causando uma crise de custo; a energia limpa é a solução"
BONN, Alemanha - Como chefe da ONU para as Mudanças Climáticas, estou acostumado a defender a energia limpa. Hoje, a mais recente crise energética dos combustíveis fósseis está fazendo esse trabalho por mim, inclusive em Moçambique.A guerra no Oriente Médio expôs uma verdade brutal: a dependência de combustíveis fósseis destrói a soberania e a segurança dos países, colocando os preços dos alimentos, os orçamentos familiares, os resultados financeiros das empresas e economias inteiras à mercê de choques geopolíticos. Em um mundo de política onde "a força faz o direito", que se torna mais volátil a cada mês, os custos da subserviência aos combustíveis fósseis estão saindo do controle.O conflito mais recente desencadeou o que a Agência Internacional de Energia chamou de "a maior ameaça à segurança energética global da história", restringindo o fornecimento de petróleo e gás e fazendo os preços dispararem. A inflação inevitavelmente se segue, com contas mais altas para famílias e empresas de todos os portes.Os impactos estão reverberando pelo mundo. O PMA projeta um aumento de 21% no número de pessoas em situação de insegurança alimentar na África Ocidental e Central e de 17% na África Oriental e Austral. Prevê-se um aumento de 24% na Ásia, 16% na América Latina e no Caribe e 14% no Oriente Médio e Norte da África.O Programa Mundial para a Alimentação prevê que a guerra poderá levar a fome global a níveis recordes este ano.Inacreditavelmente, porém, alguns argumentam que a resposta correta à crise atual é desacelerar a transição para energias renováveis e, em vez disso, intensificar a luta contra a causa da crise – os combustíveis fósseis. Isso desafia a lógica econômica e o bom senso básico. Com a geopolítica em desordem, o caos nos preços da energia continuará acontecendo. A dependência contínua de combustíveis fósseis deixaria os países oscilando eternamente de crise em crise.Isso também significaria que nosso planeta continuaria aquecendo, intensificando desastres climáticos como mega tempestades, secas, incêndios e inundações. Esses eventos já estão arruinando milhões de vidas e devastando todas as economias, inclusive na Nigéria, onde enchentes repentinas mataram mais de 200 pessoas e desalojaram mais de 1.500 em maio. Em Moçambique, ciclones tropicais inundaram milhares de hectares de terras agrícolas e afetaram mais de um milhão de pessoas.Se as temperaturas continuarem a subir sem controlo, esta situação só irá piorar. E, no entanto, a causa – os combustíveis fósseis – continua a receber biliões de dólares em subsídios a nível global.A boa notícia é que existe uma solução clara tanto para a crise climática quanto para a crise do custo dos combustíveis fósseis: acelerar a transição para sistemas de energia limpa – onde as energias renováveis fornecem a energia, apoiadas por redes e armazenamento modernos, e tecnologias limpas, como veículos elétricos, substituem as alternativas poluentes.A luz solar e o vento não dependem de estreitos e vulneráveis canais de navegação. Energia limpa, como a solar e a eólica, permite que as nações recuperem o controle de suas economias e segurança, protegendo seus países da turbulência global, ao mesmo tempo que criam empregos, reduzem a poluição, melhoram a saúde, aumentam a estabilidade e reduzem os custos. A energia renovável é a mais barata que existe. Na China, os veículos elétricos devem evitar mais de US$ 28 bilhões por ano em custos de importação de petróleo. Ou outro exemplo regional de benefícios.Muitos países já estão aproveitando esses benefícios e se protegendo de desastres climáticos. Mas outros precisam de apoio. Mais de US$ 2 trilhões foram investidos em energia limpa no ano passado – o dobro do que em combustíveis fósseis – mas muito pouco foi para as economias em desenvolvimento vulneráveis que mais precisam.Isso precisa mudar urgentemente. Os países mais ricos – e as instituições financeiras internacionais que controlam – têm todos os incentivos para garantir que o financiamento acessível chegue aos países em desenvolvimento para ações climáticas. Porque uma mudança verdadeiramente global beneficia a todos nós.Em nossa economia global interconectada, os desastres climáticos que afetam as cadeias de suprimentos são um dos principais fatores de inflação para todos os países. Mas, por meio da cooperação climática internacional, os países estão criando uma alternativa à política de força que domina as relações internacionais.Na ONU Mudanças Climáticas, apoiamos essa cooperação. Nossas conferências anuais, conhecidas como COPs, impulsionaram grandes avanços – reduzindo aproximadamente pela metade o aumento projetado da temperatura global, transformando os mercados globais de energia e apoiando a construção de resiliência. Mas precisamos ir muito mais rápido e garantir uma transição justa, inclusive para as economias e comunidades que historicamente dependeram de combustíveis fósseis.Quanto mais rápido os países agirem, maiores serão os ganhos, e o clima não pode esperar. Portanto, estamos cada vez mais focados em transformar os compromissos climáticos em resultados concretos que beneficiem bilhões de pessoas.No ano passado, na COP30 no Brasil, US$ 1 trilhão foi destinado a redes e armazenamento de energia, para investir em sistemas de energia modernos e limpos. A COP31 deste ano, na Turquia, impulsionará ainda mais o progresso em todos os setores e regiões.A turbulência atual ressalta a urgência desse trabalho. A cooperação climática é a solução para o caos deste momento. Energia limpa e resiliência climática são essenciais, não apesar da instabilidade global, mas por causa dela.
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História
26 março 2026
Mais que um Centro de Saúde: Atendimento Seguro e Digno para Mulheres e Crianças Internamente Deslocadas
PEMBA, Moçambique - No bairro de Mahate, em rápido crescimento, localizado nos arredores de Pemba, o acesso aos cuidados de saúde tornou-se mais urgente e mais complexo. Os anos de conflito no Norte de Moçambique forçaram o deslocamento de mais de um milhão de pessoas na sua maioria mulheres e crianças, o que exerceu uma pressão sem precedentes sobre os serviços urbanos, que já eram limitados. Para muitas mulheres deslocadas internamente, o acesso aos cuidados de saúde não se resume apenas à disponibilidade, mas também à segurança, à privacidade e à dignidade. No Centro de Saúde de Mahate, nem sempre foi assim. Até recentemente, serviços essenciais, incluindo consultas para crianças em situação de risco, planeamento familiar e rastreio do cancro do colo do útero, eram frequentemente prestados em espaços partilhados ou tendas temporárias. A falta de privacidade criava barreiras para as mulheres que procuravam cuidados, especialmente no que diz respeito a necessidades de saúde sensíveis.Para Zuhra Ali, de 25 anos, que fugiu de Muidumbe com os seus quatro filhos depois da sua casa ter sido incendiada durante o conflito, estas barreiras eram profundamente pessoais."Quando vim ao centro de saúde, tudo se passava no mesmo local, por vezes numa tenda. Toda a gente podia nos ver”, Zuhra se recorda. A viver com VIH desde 2017, Zuhra saía frequentemente das consultas com perguntas por responder.“Tinha muitas dúvidas, mas não perguntava. Tinha medo que as pessoas falassem de mim”, comentou Zuhra.A sua experiência reflete a de muitas mulheres em Mahate, onde instalações superlotadas e infraestruturas limitadas reduziram tanto a qualidade dos cuidados como a disposição das mulheres em procurá-los.
Desenvolvendo soluções com as mulheres no centroEm 2022, a iniciativa "Integração sustentável e sensível às questões de género das pessoas deslocadas internamente em Pemba através da implementação de soluções urbanas duráveis" foi lançado pelo ONU-Habitat, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações e financiado pelo Governo do Canadá. Através da abordagem "Cidade Dela", as mulheres e as raparigas de Mahate participaram ativamente na identificação dos desafios que enfrentam no seu dia-a-dia. Uma questão destacou-se claramente: a falta de serviços de saúde seguros e confidenciais. As suas contribuições serviram de base directa para a construção de uma unidade pediátrica sensível ao género no Centro de Saúde de Mahate. A nova infraestrutura inclui salas de consulta dedicadas e áreas de espera melhoradas, concebidas para garantir privacidade, dignidade e um melhor fluxo de atendimento para mães e crianças. Do Acesso à Autonomia: O que mudouHoje, o impacto é visível não só nas infraestruturas, mas também na forma como as mulheres vivem a prestação de cuidados. “Agora, quando venho aqui com os meus filhos, sinto-me tranquila”, diz Zuhra. “Posso falar livremente”.As melhorias contribuíram para serviços de saúde mais seguros e confidenciais, especialmente para as mulheres que necessitam de cuidados sensíveis, tendo também aumentado a utilização dos serviços, uma vez que as mulheres se sentem mais confortáveis em recorrer a apoio.Em simultâneo, a qualidade dos cuidados melhorou graças a uma melhor organização do espaço e do fluxo de pacientes, reforçando a confiança entre pacientes e profissionais de saúde e permitindo uma comunicação mais aberta e significativa. Os profissionais de saúde confirmam a mudança. "Antes, os serviços estavam todos no mesmo espaço. Não havia privacidade e as crianças eram atendidas em tendas", explica o director do Centro de Saúde. "Hoje, as mães sentem-se à vontade para falar e a qualidade dos cuidados melhorou significativamente", continuou o director.O centro de saúde atende agora, em média, 30 crianças por dia, o que reflete tanto o aumento da procura como o reforço da sua capacidade.Em toda a região de Mahate, mais de 10.000 pessoas, tanto das comunidades deslocadas como das comunidades de acolhimento, beneficiaram da melhoria das infraestruturas e dos serviços. Além dos serviços: restaurar a dignidade e construir um futuroPara Zuhra, a transformação vai além da melhoria das instalações. O medo que antes a impedia de falar abertamente sobre a sua saúde começou a desaparecer. Em seu lugar, surge um sentimento de confiança. “Já não sinto esse medo. Consigo falar”, afirma Zuhra. A sua experiência está também a moldar as suas aspirações. "Gostaria de me tornar conselheira para ajudar outras mulheres e mães que ainda têm medo."Esta transição do silêncio para a voz destaca uma mudança mais profunda: quando as mulheres têm acesso a serviços de forma segura e com dignidade, ficam mais aptas a tomar decisões sobre a sua saúde e a apoiar outras pessoas nas suas comunidades. Um passo em direcção aos direitos, à justiça e à acçãoUma vez que o Mês da Mulher de 2026 apela aos “Direitos, Justiça e Acção para Todas as Mulheres e Raparigas”, Mahate oferece um exemplo claro de como isto se pode traduzir na prática. Centrando as vozes das mulheres no planeamento urbano e na prestação de serviços, esta iniciativa contribui para a eliminação de barreiras, o reforço dos sistemas e a promoção de um acesso mais equitativo aos cuidados de saúde. O Centro de Saúde Mahate já não é apenas um local de tratamento. Para mulheres como Zuhra, é um local onde a dignidade é restaurada, as vozes são ouvidas e novas possibilidades surgem.
Desenvolvendo soluções com as mulheres no centroEm 2022, a iniciativa "Integração sustentável e sensível às questões de género das pessoas deslocadas internamente em Pemba através da implementação de soluções urbanas duráveis" foi lançado pelo ONU-Habitat, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações e financiado pelo Governo do Canadá. Através da abordagem "Cidade Dela", as mulheres e as raparigas de Mahate participaram ativamente na identificação dos desafios que enfrentam no seu dia-a-dia. Uma questão destacou-se claramente: a falta de serviços de saúde seguros e confidenciais. As suas contribuições serviram de base directa para a construção de uma unidade pediátrica sensível ao género no Centro de Saúde de Mahate. A nova infraestrutura inclui salas de consulta dedicadas e áreas de espera melhoradas, concebidas para garantir privacidade, dignidade e um melhor fluxo de atendimento para mães e crianças. Do Acesso à Autonomia: O que mudouHoje, o impacto é visível não só nas infraestruturas, mas também na forma como as mulheres vivem a prestação de cuidados. “Agora, quando venho aqui com os meus filhos, sinto-me tranquila”, diz Zuhra. “Posso falar livremente”.As melhorias contribuíram para serviços de saúde mais seguros e confidenciais, especialmente para as mulheres que necessitam de cuidados sensíveis, tendo também aumentado a utilização dos serviços, uma vez que as mulheres se sentem mais confortáveis em recorrer a apoio.Em simultâneo, a qualidade dos cuidados melhorou graças a uma melhor organização do espaço e do fluxo de pacientes, reforçando a confiança entre pacientes e profissionais de saúde e permitindo uma comunicação mais aberta e significativa. Os profissionais de saúde confirmam a mudança. "Antes, os serviços estavam todos no mesmo espaço. Não havia privacidade e as crianças eram atendidas em tendas", explica o director do Centro de Saúde. "Hoje, as mães sentem-se à vontade para falar e a qualidade dos cuidados melhorou significativamente", continuou o director.O centro de saúde atende agora, em média, 30 crianças por dia, o que reflete tanto o aumento da procura como o reforço da sua capacidade.Em toda a região de Mahate, mais de 10.000 pessoas, tanto das comunidades deslocadas como das comunidades de acolhimento, beneficiaram da melhoria das infraestruturas e dos serviços. Além dos serviços: restaurar a dignidade e construir um futuroPara Zuhra, a transformação vai além da melhoria das instalações. O medo que antes a impedia de falar abertamente sobre a sua saúde começou a desaparecer. Em seu lugar, surge um sentimento de confiança. “Já não sinto esse medo. Consigo falar”, afirma Zuhra. A sua experiência está também a moldar as suas aspirações. "Gostaria de me tornar conselheira para ajudar outras mulheres e mães que ainda têm medo."Esta transição do silêncio para a voz destaca uma mudança mais profunda: quando as mulheres têm acesso a serviços de forma segura e com dignidade, ficam mais aptas a tomar decisões sobre a sua saúde e a apoiar outras pessoas nas suas comunidades. Um passo em direcção aos direitos, à justiça e à acçãoUma vez que o Mês da Mulher de 2026 apela aos “Direitos, Justiça e Acção para Todas as Mulheres e Raparigas”, Mahate oferece um exemplo claro de como isto se pode traduzir na prática. Centrando as vozes das mulheres no planeamento urbano e na prestação de serviços, esta iniciativa contribui para a eliminação de barreiras, o reforço dos sistemas e a promoção de um acesso mais equitativo aos cuidados de saúde. O Centro de Saúde Mahate já não é apenas um local de tratamento. Para mulheres como Zuhra, é um local onde a dignidade é restaurada, as vozes são ouvidas e novas possibilidades surgem.
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História
11 março 2026
Moçambique propõe rede global de justiça social para fim da violência contra mulher
NOVA IORQUE, EUA - Para acabar com a violência de gênero é preciso eliminar a pobreza feminina. Essa é a mensagem que Moçambique quer marcar na 70ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, que acontece na sede da ONU, em Nova Iorque, até 19 de março.Em entrevista para a ONU News, a ministra do Trabalho, Gênero e Ação Social de Moçambique, Ivete Alane, revelou que o país está propondo a criação de uma articulação internacional para proteger as mulheres com abordagens que passam pelo empoderamento econômico. Relação entre pobreza e violência de gênero“Assumimos dois compromissos, que é a zero violência e a eliminação da pobreza feminina. E nós viemos para esta sessão da CSW com um evento paralelo com a intenção de criarmos uma rede global de justiça social para o fim da violência baseada no gênero e a eliminação da pobreza feminina, a pobreza da mulher. E foi um evento bastante importante que nós realizamos à margem da CSW, em que tivemos diversos países que partilham dos mesmos objetivos e opiniões que nós temos, que assumem que existe uma ligação intrínseca, difícil de separar, entre a pobreza e a violência baseada no gênero”.A ministra disse que o evento paralelo também serviu para colher experiências de outros países e definir novas parcerias para avançar em ações de igualdade de gênero. Expansão do atendimento às vítimasA nível nacional, ela destacou o lançamento recente do programa “Empodera”, que é focado na prevenção da violência baseada no gênero por meio de estratégias de sensibilização e reforço da rede de cuidados para sobreviventes. “Vai ser um programa que prevê a expansão dos centros de atendimento integrados. Portanto, são centros que atendem vítimas da violência, onde as vítimas encontram no mesmo local todos os serviços que elas precisam para poderem ser devidamente atendidas sem ter que passar por várias portas de entrada, temos uma única porta de entrada. Aí a vítima evita passar por uma questão de revitimização. Não tem que contar a história várias vezes sobre o que aconteceu”.Ivete Alane explicou que, nesses centros, as vítimas que forem vítimas atendidas poderão ter acesso a pacotes de empoderamento econômico da mulher. Influenciadores digitais apoiam combate ao feminicídioA ministra destacou a importância do envolvimento de diversos setores da sociedade no combate à violência de gênero, inclusive celebridades e influenciadores das redes sociais.“Nós estamos agora a iniciar uma campanha de combate ao feminicídio, que é uma das formas mais agressivas da violência baseada no gênero. E estamos a envolver os influenciadores, estamos neste momento a produzir um vídeo, spots de divulgação, uma campanha, e ainda ontem recebi com muita satisfação um vídeo produzido pela sociedade civil, porque a sociedade civil também são parceiros importantes, complementam a ação do governo. E a sociedade civil fez um vídeo muito recente com vários influenciadores em que eles falam da importância do combate à violência baseada no gênero, em que eles assumem o papel, e eles como homens devem sensibilizar outros homens”.Ela ressaltou a importância de criar peças de comunicação que abordem o papel do homem na mobilização pelos direitos das mulheres. “Estamos agora também a desenvolver e a desenhar a estratégia do engajamento masculino. Portanto, estamos a trabalhar com influenciadores masculinos, pois sentimos que é preciso trazer o homem para o barco. A mulher não pode ser a única que deve lutar ou promover a igualdade de gênero e combater a violência baseada no género. Se nos referimos à violência baseada no gênero, nós estamos a falar de duas pessoas: homem e mulher. Então precisamos de ter o homem. Precisamos de engajar o homem nesta luta”. Uma luta de toda a sociedadeA representante moçambicana também mencionou o papel da primeira-dama do país, Gueta Chapo, que foi convidada para ser patrona da iniciativa “Empodera”.O objetivo é fazer com que a mensagem chegue para diversas comunidades sobre a importância de prevenir a violência baseada no gênero, a exemplo de uma intervenção feita no lançamento do Mês da Mulher, na província de Cabo Delgado.A ministra relatou que Gueta Chapo conseguiu transmitir para as comunidades mensagens sobre a necessidade de deixar as meninas estudarem e de pôr fim às agressões praticadas por homens. A ministra enfatizou que os influenciadores, os membros do governo e todos os estratos da sociedade moçambicana devem reforçar a luta por igualdade e justiça para a população feminina.
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História
08 março 2026
Dia Internacional da Mulher: Oito Ações para um Mundo Mais Igualitário
NOVA IORQUE, EUA - No decurso de quase uma década como Secretário-Geral das Nações Unidas vi o nosso mundo ser repetidamente posto à prova - por choques climáticos, agravamento da pobreza, conflitos violentos e redução do espaço cívico.No entanto, também testemunhei o surgimento de muitas soluções, todas elas com um denominador comum: as mulheres.Nesta ocasião em que o mundo assinala o Dia Internacional da Mulher, é tempo de reconhecer que a desigualdade de género é o maior desafio de direitos humanos que enfrentamos e que a promoção da igualdade constitui um dos motores mais fortes do desenvolvimento sustentável e da paz.Para enfrentar esse desafio, e com base na minha própria experiência e inspirando-me no trabalho do sistema das Nações Unidas e de movimentos da sociedade civil em todo o mundo, proponho oito áreas de ação destinadas a promover os direitos das mulheres e a alcançar resultados concretos. 1. Corrigir os Desequilíbrios de Poder. A igualdade de género é uma questão de poder, mas as instituições dominadas por homens continuam a moldar o nosso mundo. Uma maré crescente de autoritarismo está a aprofundar estas desigualdades, revertendo conquistas arduamente alcançadas – de práticas laborais justas a direitos reprodutivos – e enraizando preconceitos raciais e de género que limitam a vida das mulheres. A igualdade de género eleva as sociedades. Quando o poder é partilhado, a liberdade expande-se. 2. Fazer da Paridade uma Prioridade.As mulheres estão extremamente sub-representadas em governos e administrações empresariais em todo o mundo. Na ONU, decidimos fazer da paridade uma prioridade, começando pela liderança de topo. Alargámos a procura de candidatas qualificadas – sem baixar padrões de exigência. A ONU saiu fortalecida, com uma melhor cultura de trabalho e um processo de tomada de decisões mais inclusivo. A lição é clara: quando as instituições optam pela igualdade, os resultados aparecem. 3. Apostar no Investimento Mais Rentável.O investimento nas mulheres gera retornos extraordinários. Cada dólar investido na educação de meninas, resulta num retorno três vezes superior. No âmbito da saúde materna e do planeamento familiar, a rentabilidade ascende a oito vezes o investimento. As políticas de apoio às famílias – como cuidados infantis e apoio a idosos – fortalecem as comunidades e estimulam o crescimento. Em conjunto, todos estes esforços estão na base da redução das desigualdades de género – e encerram o potencial de aumentar o rendimento nacional em cerca de 20%. 4. Assegurar um lugar à mesa de negociações de Paz.Os acordos de paz são mais duradouros quando as mulheres participam na sua negociação e aplicação. No entanto, em demasiados conflitos – incluindo Gaza, Ucrânia e Sudão – as mulheres têm sido praticamente afastadas, apesar de suportarem o maior fardo da guerra. Num tempo de crescente instabilidade, a inclusão não é uma mera exigência simbólica – mas a melhor via para estabilizar um mundo fraturado. 5. Acabar com a Discriminação Legal.À escala global, as mulheres detêm apenas 64% dos direitos legais usufruídos pelos homens. Em demasiados lugares, não podem deter propriedade, trabalhar livremente ou pedir o divórcio. Mesmo em muitos países onde vigoram algumas garantias jurídicas, enfrentam barreiras acrescidas no acesso à justiça. Todos os países devem assumir o compromisso de eliminar leis discriminatórias e garantir que os direitos são efetivamente aplicados na prática. 6. Tolerância Zero para com a Violência de Género - e Zero Desculpas.A violência contra as mulheres é uma emergência global, enraizada na desigualdade e sustentada pelo silêncio. Todas as mulheres e meninas têm o direito de viver sem medo. Contudo, a violência baseada no género – incluindo exploração e abuso sexual – continua a ser uma realidade que viola a confiança e o respeito pela humanidade. Devemos enfrentá-la em todo o lado: com tolerância zero, total responsabilização dos perpetradores e apoio inabalável às sobreviventes. 7. Eliminar distorções no setor tecnológico.Dado que as mulheres representam apenas um quarto do total dos profissionais no setor tecnológico, o preconceito está cada vez mais integrado nos sistemas que moldam o nosso quotidiano. Entretanto, a misoginia online dispara. As empresas tecnológicas e os governos devem agir em conjunto para criar espaços digitais seguros e inclusivos e o mundo deve redobrar esforços para remover as barreiras que impedem às meninas o acesso à ciência e à tecnologia. 8. Integrar a perspetiva de Género na Ação Climática.As alterações climáticas são “sexistas”. Quando geram crises alimentares, verifica-se que, muitas vezes, as mulheres são as últimas a ter acesso a alimentos; quando geram situações de emergência verifica-se que as mulheres enfrentam maior perigo. Acresce que que as meninas deparam-se com uma maior probabilidade de casamento infantil quando os meios de subsistência colapsam. Mas as mulheres também lideram soluções climáticas – promovendo legislação verde, impulsionando movimentos globais e liderando mudanças no terreno. Um planeta habitável exige políticas climáticas sensíveis ao género: igual acesso a empregos verdes, melhor proteção em situações de emergência e participação plena na tomada de decisões ambientais.Por todo o mundo, vi que estas oito áreas de ação funcionam na prática – em zonas de guerra e em contextos de reconstrução, em parlamentos e em salas de aula, em organizações e em comunidades. Se os líderes levarem a sério a igualdade de género e se comprometerem com estas ações agora, mudaremos o mundo – para as mulheres e meninas e para todos nós.
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07 abril 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional de Reflexão o Genocídio de 1994 contra os tutsis em Ruanda
NOVA IORQUE, EUA - Há trinta e dois anos, Ruanda viveu um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade.Em apenas 100 dias, mais de um milhão de pessoas foram assassinadas – principalmente tutsis, mas também hútus e outros que se opuseram ao genocídio. Famílias inteiras foram brutalmente dizimadas.No Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsi no Ruanda, lamentamos as vítimas e honramos a dignidade que lhes foi roubada.Prestamos homenagem aos sobreviventes, cuja resiliência demonstra a força do espírito humano. E recordamos, com humildade e vergonha, a falha da comunidade internacional em acatar os alertas e tomar medidas imediatas para salvar vidas.Não basta lembrar os mortos. Devemos aprender com os erros do passado e proteger os vivos – rejeitando o ódio, a retórica inflamatória e a incitação à violência; investindo no tecido social para fortalecer a resiliência das comunidades; e fortalecendo as instituições que ajudam a prevenir atrocidades em massa.Apelo a todos os países para que se tornem partes da Convenção sobre o Genocídio sem demora – e para que a implementem integralmente.As Nações Unidas estão ao lado do povo do Ruanda. E estamos ao lado de todos aqueles, em todos os lugares, que se recusam a entregar o nosso futuro ao medo, à divisão ou ao silêncio.Que este dia reafirme nosso compromisso de lembrar, ouvir e agir. Com a história como nosso guia e a prevenção do genocídio como nosso objetivo.
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04 abril 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional de Conscientização sobre Minas e Assistência à Ação contra Minas
NOVA IORQUE, EUA - Minas terrestres, resquícios explosivos de guerra e dispositivos explosivos improvisados causam um impacto devastador sobre civis, especialmente crianças. À medida que os conflitos se multiplicam e os gastos militares disparam, esses perigos se intensificam.Essas armas não desaparecem quando os combates terminam. Elas permanecem em campos na Colômbia, Etiópia, Líbano e Mianmar; em meio aos escombros em Gaza; e em comunidades por toda a Síria. Elas matam milhares de pessoas todos os anos e ferem muitas outras – frequentemente muito tempo depois do fim do conflito.A ação contra minas desempenha um papel crucial em locais onde a paz é frágil, a resposta humanitária é urgente e o desenvolvimento é precário. Ela permite que a ONU e seus parceiros trabalhem com maior segurança e possibilita que as comunidades devastadas se recuperem e se reconstruam.Neste Dia Internacional de Conscientização sobre Minas e Assistência à Ação contra Minas, apelo a todos os Estados-Membros para que adiram e cumpram os instrumentos relevantes – incluindo a Convenção sobre a Proibição de Minas Antipessoal – e exorto aqueles que se retiraram a retornarem. A falha em preservar esses instrumentos vitais apenas enfraquecerá a proteção dos civis e aumentará o número de 100 milhões de vidas inocentes já em perigo.O tema deste ano – “Invista na paz, invista na ação contra minas” – destaca a necessidade de acelerar a remoção de minas, aprimorar a educação sobre os riscos, expandir a assistência às vítimas, reduzir os estoques de armas e defender um mundo livre de minas.Precisamos erradicar a ameaça representada por essas armas – para que todas as pessoas, em todos os lugares, possam viver em segurança e com esperança.
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31 março 2026
Assembleia Geral da ONU adota resolução histórica para fortalecer o trabalho do sistema das Nações Unidas
NOVA IORQUE, EUA - A Assembleia Geral das Nações Unidas adotou hoje uma resolução histórica para fortalecer a forma como os mandatos das organizações da ONU são criados, implementados e revistos, marcando um importante marco na Iniciativa ONU80.O Secretário-Geral António Guterres saudou a adoção, descrevendo-a como uma “resolução histórica” e “um passo importante” que estabelece um alicerce fundamental para um sistema das Nações Unidas do século XXI mais eficaz, mais responsável e melhor equipado para alcançar resultados num mundo em constante mudança.“A resolução adotada hoje reflete uma compreensão partilhada de todo o ciclo de vida do mandato – e um compromisso partilhado de reforçar cada uma das suas etapas”, afirmou o Secretário-Geral aos Estados-Membros. “A resolução de hoje ajuda a traduzir a ambição da Iniciativa ONU80 em ações concretas e práticas”.Uma abordagem mais robusta para o ciclo de vida dos mandatos. Os mandatos – decisões adotadas pelos Estados-Membros que orientam o trabalho das Nações Unidas – são essenciais para a capacidade da Organização de promover a paz e a segurança, o desenvolvimento, os direitos humanos e a assistência humanitária.A resolução fortalece todo o ciclo de vida dos mandatos, introduzindo medidas para:Fortalecer a criação de mandatos, trazendo maior disciplina, coerência e transparência, e incentivando mandatos mais claros, concisos e focados, apoiados por melhores informações para a tomada de decisões desde o início;Fortalecer a implementação, com relatórios mais orientados ao usuário e baseados em dados, melhor coordenação e uso mais eficaz dos recursos;Fortalecer a revisão e a responsabilização, inclusive por meio de uma cultura de melhoria contínua fundamentada em evidências, responsabilização e resultados. Liderança dos Estados-Membros, com o apoio do SecretariadoA resolução baseia-se no trabalho do Grupo de Trabalho Ad Hoc Informal da Assembleia Geral sobre a Revisão da Implementação de Mandatos, copresidido pelo Embaixador Brian Wallace, da Jamaica, e pela Embaixadora Carolyn Schwalger, da Nova Zelândia.O Grupo de Trabalho foi estabelecido pela Assembleia Geral em setembro de 2025 para analisar as propostas contidas no relatório do Secretário-Geral sobre a Revisão da Implementação de Mandatos, desenvolvido no âmbito da Linha de Trabalho 2 da Iniciativa UN80. O relatório examinou como os mandatos são criados, implementados e revisados, e ofereceu propostas concretas para fortalecer cada função. Linha de Trabalho 2 da Iniciativa UN80. O relatório examinou como os mandatos da ONU são criados, implementados e revisados, e ofereceu propostas concretas para fortalecer cada função.A resolução decide implementar a Revisão da Implementação de Mandatos por meio de um Grupo de Trabalho Ad Hoc formal, aberto a todos os Estados-Membros e observadores. As tarefas incluem, por exemplo, o desenvolvimento de melhores modelos práticos, cláusulas de revisão mais robustas e uma revisão mais aprofundada dos mandatos existentes.Ao reafirmar o processo liderado pelos Estados-Membros, o Secretário-Geral delineou como o Secretariado da ONU apoiará o Grupo de Trabalho, inclusive por meio de:Um ponto de contato único para as delegações sobre questões e processos relacionados a mandatos;Informações aprimoradas sobre o custo de atividades comumente abrangidas por mandatos e indicações antecipadas das implicações financeiras de novos mandatos;Reforçou a coordenação das responsabilidades de implementação entre as entidades do Secretariado e o sistema das Nações Unidas em geral; eReforçou as abordagens baseadas em resultados, a elaboração de relatórios mais personalizados e fáceis de usar e o desenvolvimento contínuo do Registo de Fontes do Mandato da ONU e de outras ferramentas digitais de transparência. Da adoção à implementaçãoo classificar a resolução como “um passo importante” – mas “apenas o começo” – o Secretário-Geral afirmou que o sistema das Nações Unidas funcionará como uma única Organização coerente, guiada pelo Grupo de Trabalho, para aprimorar a forma como os mandatos são apoiados e implementados.A Iniciativa ONU80, lançada pelo Secretário-Geral em março de 2025 e acolhida pela Assembleia Geral na resolução 79/318, é um esforço sistêmico para reformular o funcionamento do sistema das Nações Unidas – para que cada mandato, dólar e decisão gere um impacto maior para as pessoas e o planeta.
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31 março 2026
Japão renova apoio à resposta humanitária e à recuperação a longo prazo de Moçambique
MAPUTO, Moçambique - O Governo do Japão anunciou a renovação do financiamento de US$1,42 milhão para fortalecer a resposta humanitária e apoiar os esforços de Moçambique rumo ao desenvolvimento sustentável. A contribuição reforçará a assistência vital para as pessoas mais necessitadas, entre elas mulheres e crianças, em áreas afetadas pela crise no norte de Moçambique, durante os próximos 12 meses, e será canalizada por meio de quatro entidades das Nações Unidas, sob a liderança do Governo de Moçambique e em coordenação com as contrapartes nacionais.O anúncio foi feito numa cerimónia oficial em Maputo, que contou com a presença de representantes do Governo de Moçambique, incluindo a Presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), Sra. Luísa Meque; S. Exa. o Embaixador do Japão em Moçambique, Sr. Keiji Hamada; a Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária para Moçambique, Dra. Catherine Sozi; e representantes da Organização Internacional para as Migrações (OIM), do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres).Discursando na cerimônia, o Embaixador Hamada reafirmou o compromisso do Japão em apoiar as comunidades moçambicanas afetadas pela crise. “O Japão sente-se honrado em continuar apoiando o povo de Moçambique”, disse ele.“Esta contribuição reflecte o nosso compromisso com uma assistência prática e centrada nas pessoas, e com o trabalho conjunto com parceiros para promover a estabilidade e a resiliência nas comunidades afectadas por conflitos; ela também responde aos múltiplos desafios enfrentados no norte de Moçambique, incluindo as províncias de Cabo Delgado e Nampula, bem como ao crescente impacto de choques climáticos extremos, como ciclones", continuou o Embaixador japonês."O Japão continuará ao lado do povo de Moçambique na resposta a estes desafios e na construção de comunidades resilientes e inclusivas”, concluiu o diplomata.“Estes projetos que estamos lançando hoje são uma clara demonstração de solidariedade do Governo do Japão e contribuirão significativamente para atender às necessidades imediatas e urgentes das populações afetadas”, afirmou a Sra. Luísa Meque, Presidente do INGD.A parceria contínua do Japão com o Governo de Moçambique e as Nações Unidas reflete o seu compromisso de longa data com ações humanitárias e iniciativas de desenvolvimento inclusivas e centradas nas pessoas. O novo financiamento contribuirá para os esforços que abordam necessidades urgentes, promovendo a resiliência e lançando as bases para a recuperação nas comunidades afetadas pela violência e pelo deslocamento no norte de Moçambique.“Esta contribuição do Governo do Japão chega num momento particularmente crítico para Moçambique, onde as comunidades enfrentam crises sucessivas — desde a crise na Região Norte até aos choques climáticos cada vez mais frequentes”, afirmou a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária.“Mais do que responder às necessidades imediatas, esta parceria entre Moçambique, o Japão e as Nações Unidas nos permite investir em soluções duradouras que fortaleçam a resiliência, a coesão social e as oportunidades para uma recuperação inclusiva; as Nações Unidas mantêm o seu compromisso de trabalhar em conjunto com o Governo de Moçambique e parceiros como o Japão para garantir que ninguém seja deixado para trás”, concluiu a Dra. Sozi.O apoio centrar-se-á nas áreas de água, saneamento e higiene (WASH em sua sigla inglesa), saúde, direitos das mulheres e igualdade de gênero. Também reforçará iniciativas de recuperação e coesão social, em colaboração com as autoridades locais e as comunidades afetadas.O Governo do Japão é um parceiro de longa data das Nações Unidas em Moçambique e mantém o seu compromisso de apoiar as prioridades humanitárias e de desenvolvimento do País. O Japão sempre estará ao lado do Governo de Moçambique e das Nações Unidas. Nota aos EditoresFinanciamento para a OIMA OIM é a agência da ONU para as migrações, que trabalha para salvar vidas, proteger pessoas em movimento e impulsionar soluções para o deslocamento. Em Moçambique, a OIM opera em todas as províncias, apoiando populações deslocadas por meio de saúde, proteção, consolidação da paz, gestão de fronteiras, pesquisa e resposta a emergências. Com financiamento do Governo do Japão, a OIM apoiará aproximadamente 12.000 pessoas afetadas por crises diretamente e 30.000 indiretamente por meio de intervenções nos setores de água, saneamento e higiene (WASH em sua sigla inglesa) e saúde em áreas da Província de Nampula afetadas por ciclones e deslocamentos. A OIM também fortalecerá a preparação e a resposta à cólera e à varíola por meio do treinamento de profissionais de saúde, agentes comunitários de saúde e equipes de resposta rápida; da implantação de equipes móveis de saúde para vigilância de doenças ao longo de corredores de alta mobilidade; e do reforço da prevenção e do controle de infecções. O projeto apoiará pelo menos dois centros de tratamento de cólera, auxiliará campanhas de vacinação oral contra a cólera, fortalecerá a vigilância e a capacidade de preparação em cinco unidades de saúde e alcançará cerca de 8.000 pessoas por meio de atividades de conscientização sobre saúde e higiene, em estreita coordenação com as autoridades de saúde provinciais e distritais, para reduzir a transmissão e melhorar a detecção precoce. Por meio de uma abordagem conjunta das áreas de Água, Saneamento e Higiene (WASH) e Saúde, que combina a reabilitação da infraestrutura de água e saneamento com o fortalecimento do sistema de saúde, pessoas serão protegidas e capacitadas para viver com dignidade, promovendo assim maior estabilidade comunitária e resiliência social.Financiamento para o UNFPAO UNFPA é a agência das Nações Unidas para a saúde sexual e reprodutiva, comprometida em construir um mundo onde toda gravidez seja desejada, todo parto seja seguro e o potencial de cada jovem seja realizado. Em Moçambique, o UNFPA oferece intervenções que salvam vidas em regiões afetadas por conflitos, com foco na saúde materna, no atendimento clínico de vítimas de estupro e no apoio psicossocial. Com o apoio do Governo do Japão, o UNFPA atende mais de 33.000 pessoas vulneráveis no norte de Moçambique com serviços integrados e essenciais para a saúde sexual e reprodutiva (SSR) e violência baseada no gênero (VBG). Essa população, nos distritos de Chiúre, Montepuez e Mueda, inclui mulheres e raparigas em idade reprodutiva (14.000), adolescentes (3.500), gestantes (1.653) e recém-nascidos (11.003), sobreviventes de violência sexual (2.205) e pessoas com deficiência (1.500). Esses grupos representam populações particularmente vulneráveis, cujas necessidades específicas de saúde e proteção são desproporcionalmente ameaçadas pelas rupturas sistêmicas frequentemente vivenciadas durante crises e deslocamentos. O UNFPA fortalecerá a capacidade do sistema de saúde local e das estruturas comunitárias para garantir a continuidade dos serviços integrados de saúde sexual e reprodutiva e de combate à violência baseada no gênero. Como parte de sua resposta humanitária, o projeto se concentra na saúde, proteção e dignidade de mulheres, raparigas e jovens vulneráveis, incluindo pessoas com deficiência, por meio da implementação de espaços seguros e do envio de 144 brigadas móveis de saúde para áreas de difícil acesso.Financiamento para o UNOPSO UNOPS está apoiando o Governo de Moçambique no fortalecimento dos serviços de saúde de emergência em Cabo Delgado, no âmbito do Projeto de Recuperação da Crise do Norte de Moçambique (NCRP em sua sigla inglesa). Em um contexto de deslocamento contínuo, os serviços de saúde foram gravemente prejudicados, limitando a capacidade de encaminhamento de emergência para pessoas deslocadas internamente, retornados e comunidades acolhedoras. Com financiamento do Governo do Japão, o UNOPS adquirirá e entregará ambulâncias aos serviços de saúde dos distritos de Balama, Meluco e Pemba. Isso fortalecerá os sistemas de encaminhamento de pacientes, garantirá o transporte de emergência em tempo hábil e melhorará o acesso a cuidados que salvam vidas. Espera-se que a intervenção beneficie 573.730 pessoas nos três distritos, incluindo 274.886 mulheres (51,1%) e 262.844 homens (48,9%), contribuindo para a redução de mortes evitáveis e para um sistema de saúde pública mais resiliente no norte de Moçambique.Financiamento para a ONU MulheresA ONU Mulheres é a entidade das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero e ao empoderamento das mulheres. Em Moçambique, trabalha com o Governo, a sociedade civil e parceiros do setor privado para promover o empoderamento econômico das mulheres, acabar com a violência contra mulheres e raparigas e fortalecer a participação das mulheres na governação, na construção da paz e na ação humanitária. O Governo do Japão é um parceiro estratégico da ONU Mulheres, apoiando iniciativas que promovem a igualdade de gênero e a segurança humana, particularmente em contextos afetados por crises, desde 2016. Com financiamento do Governo do Japão, a ONU Mulheres apoiará mulheres e raparigas afetadas por crises nas Províncias de Cabo Delgado e Nampula, onde as mulheres e as raparigas representam 52% das pessoas que necessitam de assistência humanitária e até 80% das populações deslocadas. A ONU Mulheres fornecerá apoio de emergência para os meios de subsistência, incluindo insumos produtivos e formação profissional, juntamente com itens essenciais para restaurar a dignidade e reduzir os riscos de proteção. O programa também fortalecerá as organizações locais de mulheres e apoiará a participação e a liderança feminina nos esforços de resposta e recuperação no âmbito comunitário. O programa alcançará diretamente 2.800 mulheres e raparigas e indiretamente 16.000 pessoas, permitindo que mulheres e raparigas reconstruam seus meios de subsistência, reduzam suas vulnerabilidades e contribuam para uma recuperação mais resiliente e inclusiva no norte de Moçambique.
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Comunicado de Imprensa
25 março 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos
NOVA IORQUE, EUA - Hoje prestamos homenagem às vítimas de um crime absolutamente estarrecedor:Milhões de pessoas arrancadas às suas famílias e comunidades em África.Traficadas através do Atlântico.E, caso sobrevivessem à travessia, escravizadas nas Américas.Milhões de pessoas mais nasceram já na escravatura, brutalmente exploradas pelo seu trabalho e privadas da sua humanidade básica.Honramos a sua resiliência silenciosa e os seus corajosos atos de resistência.Esta ordem global prevaleceu durante mais de 400 anos e continua a assombrar o nosso mundo ainda hoje.Nos sistemas e nas instituições moldados e enriquecidos pela escravatura como propriedade.Nas desigualdades sociais e económicas enraizadas em injustiças passadas.E nos preconceitos que permeiam a nossa cultura e têm impacto sobre todas as pessoas.Neste Dia Internacional Em Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Escravos, somos chamados a enfrentar estes legados.Rejeitando as falsas narrativas da diferença racial e da terrível mentira da supremacia branca.Desmantelando o racismo online, nos média, nas escolas, no trabalho, na política e dentro de nós próprios.E trabalhando pela verdade, pela justiça e pela reparação.Acolho com satisfação os primeiros passos dados por alguns governos para enfrentar as consequências da escravatura.Mas são necessárias ações muito mais arrojadas por parte de muitos mais Estados‑membros.Incluindo compromissos para respeitar a soberania dos países africanos sobre os seus próprios recursos.E medidas para garantir a sua participação e influência em igualdade de condições na arquitetura financeira mundial e no Conselho de Segurança das Nações Unidas.Juntos, vamos comprometermo-nos com um mundo onde todas as pessoas possam viver e prosperar com dignidade.
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