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"É hora das crianças transformarem o mundo"
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05 outubro 2026
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02 outubro 2026
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão a contribuir a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 em Moçambique:
História
21 julho 2026
Para além da resposta de emergência
MAPUTO, Moçambique - Moçambique continua altamente vulnerável aos crescentes impactos dos choques relacionados com o clima. Nos últimos anos, as comunidades agrícolas em todo o país enfrentaram repetidos eventos meteorológicos extremos, incluindo ciclones como Chido e Jude, cheias generalizadas nas regiões sul e centro, e uma seca severa induzida pelo fenómeno El Niño que afectou importantes zonas de produção. Com as previsões a indicarem o potencial surgimento de um novo episódio de El Niño nas próximas campanhas, mantêm-se elevadas as preocupações quanto à probabilidade de futuras perturbações relacionadas com o clima afectarem a produção agrícola e os meios de subsistência rurais. Estes choques recorrentes continuam a comprometer os meios de subsistência, danificar os sistemas de produção agrícola e agravar a insegurança alimentar de milhões de agregados familiares rurais.Em situações de emergência humanitária, a assistência atempada é essencial para ajudar as famílias afectadas a satisfazer as necessidades imediatas e restaurar a produção agrícola. No entanto, à medida que os choques climáticos se tornam mais frequentes e intensos, cada resposta de emergência deve também contribuir para a recuperação e resiliência a longo prazo.Na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), as intervenções agrícolas de emergência são concebidas não apenas para apoiar a recuperação imediata, mas também para reforçar a capacidade das comunidades para enfrentar melhor futuros choques. Ao promover práticas agrícolas sustentáveis e inteligentes face ao clima, apoiar o acesso a insumos adaptados às condições locais e reforçar os conhecimentos técnicos dos agricultores, a FAO está a ajudar comunidades vulneráveis a recuperar enquanto constrói meios de subsistência mais resilientes. Responder às cheias enquanto se reforça a preparação para a seca através da acção antecipatóriaA FAO reconhece que uma acção atempada antes de uma crise atingir o seu pico pode reduzir significativamente o impacto dos choques climáticos nos meios de subsistência agrícolas. Através de abordagens de acção antecipatória baseadas em evidências, a FAO apoia o Governo de Moçambique no reforço dos mecanismos de preparação e resposta precoce.Utilizando dados e análises do Sistema Global de Informação e Alerta Precoce (GIEWS) da FAO, a Organização trabalha com autoridades nacionais e locais para melhorar os sistemas de alerta precoce, a planificação da preparação e as acções antecipatórias previamente acordadas. Ao agir com base em previsões credíveis, incluindo os potenciais impactos de secas induzidas pelo fenómeno El Niño, as comunidades podem adoptar medidas preventivas antes da ocorrência dos choques previstos.Em Moçambique, as acções antecipatórias da FAO incluíram a distribuição de sementes tolerantes à seca e de ciclo curto, apoio a sistemas de captação de água e irrigação de pequena escala, promoção da agricultura de conservação e de práticas de agricultura inteligente face ao clima, bem como formação sobre gestão sustentável da água, produção de composto orgânico e biopesticidas. Estas medidas ajudam os agregados familiares vulneráveis a proteger os seus activos produtivos, reduzir perdas e reforçar a resiliência antes da ocorrência de desastres. Dignidade e escolha através da assistência baseada nos mercadosQuando ocorrem desastres, o apoio agrícola rápido é fundamental para garantir que os agricultores possam aceder aos insumos a tempo da campanha agrícola. Igualmente importante é assegurar que a assistência seja prestada de forma a reforçar os sistemas locais e apoiar a autonomia e a capacidade de decisão dos agricultores.Durante a resposta à campanha agrícola 2026, a FAO apoiou agregados familiares vulneráveis nas províncias de Gaza e Sofala através de uma campanha de distribuição de e-vouchers destinada a restaurar a produção agrícola após as cheias e outros choques relacionados com o clima. A intervenção abrangeu os distritos de Chibuto, Guijá, Mabalane, Mapai e Massangena, na província de Gaza, e Buzi, Chibabava, Machanga e Nhamatanda, na província de Sofala.Foi registado um total de 17 365 agregados familiares, face a uma meta prevista de 17 118 agregados familiares. No final do processo de distribuição, 15 599 agregados familiares tinham resgatado os seus e-vouchers, representando 89,8 por cento dos agregados registados e 91,1 por cento da meta planeada. Em Gaza, 9 032 agregados familiares utilizaram os vouchers, alcançando 99,1 por cento da meta provincial. Em Sofala, 6 567 agregados familiares utilizaram os vouchers, atingindo 82,1 por cento da meta provincial.Através do sistema de e-voucher, os agricultores receberam um voucher intransmissível no valor de 3 200 meticais, validado através de um sistema de verificação biométrica. Esta abordagem permitiu aos agricultores seleccionar os insumos agrícolas mais adequados às suas necessidades de produção, ao mesmo tempo que reforçou os mercados locais. Agrodealers locais forneceram sementes certificadas, enxadas, regadores e outros materiais essenciais através de feiras locais de insumos agrícolas organizadas próximo das comunidades afectadas.Os dados da distribuição destacam igualmente o papel central das mulheres na produção agrícola e na recuperação dos agregados familiares. As mulheres representaram 11 348 dos 15 599 agregados familiares que utilizaram os vouchers, ou seja, quase 73 por cento de todos os resgates. O registo através do sistema biométrico de e-voucher reforçou a participação das mulheres ao permitir-lhes aceder à assistência de forma directa, segura e independente, aumentando o seu controlo sobre os recursos e o seu papel na tomada de decisões no agregado familiar e no âmbito do programa. Ao colocar as decisões de compra directamente nas mãos dos beneficiários, o sistema reforçou igualmente a autonomia das mulheres ao longo de todo o processo de assistência. Semear resiliência através da agricultura inteligente face ao climaPara além da assistência imediata, a FAO continua a trabalhar lado a lado com as comunidades para reforçar práticas agrícolas sustentáveis e reduzir a dependência de apoios externos recorrentes. Através de abordagens participativas de formação em grupo, bem como de actividades individuais de acompanhamento e reforço de capacidades, os agricultores testam e adoptam técnicas de agricultura inteligente face ao clima adaptadas às condições locais e aos padrões meteorológicos cada vez mais imprevisíveis.A FAO trabalha também em estreita colaboração com os Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE), reforçando as capacidades locais de extensão rural através de abordagens de Formação de Formadores que permitem aos extensionistas continuar a apoiar as comunidades para além da duração dos projectos. Paralelamente, técnicos de campo da FAO e extensionistas dos SDAE prestam formação técnica directa aos agricultores ao nível comunitário, promovendo a adopção de práticas agrícolas resilientes e sustentáveis.Estas práticas incluem métodos melhorados de plantio, rotação de culturas, conservação do solo e da água e abordagens de gestão integrada de pragas. A formação incide também na auto-suficiência a longo prazo através do desenvolvimento de competências práticas em multiplicação de sementes e armazenamento pós-colheita, ajudando os agregados familiares a preservar insumos e a preparar futuras campanhas agrícolas.As comunidades aprendem igualmente a produzir biopesticidas naturais e biol, um fertilizante líquido orgânico, utilizando materiais disponíveis localmente para melhorar a saúde do solo, reduzir os custos de produção e promover práticas agrícolas ambientalmente sustentáveis. Muitas destas abordagens baseiam-se em conhecimentos locais existentes e em boas práticas tradicionais, ao mesmo tempo que promovem o uso sustentável dos recursos disponíveis localmente. Como resultado, as comunidades conseguem continuar a aplicar e adaptar estas técnicas muito para além da duração das intervenções dos projectos. Um apelo à parceria e ao investimento sustentadoCom milhões de pessoas em Moçambique a continuarem a enfrentar insegurança alimentar aguda, o investimento sustentado em meios de subsistência agrícolas resilientes continua a ser essencial. As comunidades agrícolas moçambicanas continuam a demonstrar uma forte capacidade de recuperação e adaptação quando apoiadas com ferramentas, conhecimentos e recursos adequados.A agricultura oferece um dos maiores retornos sobre os investimentos humanitários e de resiliência: a FAO estima que cada dólar investido no apoio agrícola pode gerar até três dólares em valor alimentar local, ao mesmo tempo que ajuda os agregados familiares a proteger os seus meios de subsistência e a reduzir futuras necessidades de assistência.No entanto, apesar de até 80 por cento das pessoas em situação de insegurança alimentar aguda viverem em zonas rurais, apenas uma pequena parcela do financiamento humanitário é dirigida à produção alimentar e à recuperação agrícola. Reforçar o investimento em sistemas agroalimentares resilientes continua, por isso, a ser fundamental não apenas para a recuperação imediata, mas também para reduzir a vulnerabilidade futura aos choques relacionados com o clima.A intervenção de e-voucher de 2026 ilustra como a assistência agrícola atempada pode apoiar simultaneamente a resposta de emergência e a recuperação a longo prazo. Com base nestes esforços, a FAO, em apoio ao Governo de Moçambique, está a implementar o Plano de Recuperação das Cheias em Moçambique 2026–2031, que visa restaurar a produção agrícola, reconstruir meios de subsistência e reforçar a resiliência das comunidades afectadas pelas cheias.O plano procura mobilizar US$ 107,66 milhões para apoiar 1,8 milhões de pessoas entre 2026 e 2031 através de intervenções integradas de recuperação e reforço da resiliência. No âmbito mais amplo do Plano de Emergência e Resiliência da FAO para Moçambique, estes esforços visam expandir o apoio aos agregados familiares agrícolas vulneráveis em todo o país, ao mesmo tempo que reforçam a capacidade das comunidades para enfrentar melhor futuros choques relacionados com o clima.A concretização destes objectivos exige uma colaboração contínua entre instituições governamentais, doadores, parceiros técnicos e comunidades locais. A intervenção de e-voucher de 2026 foi implementada através dos esforços conjuntos do Governo de Moçambique e da FAO, com apoio financeiro da Áustria, Bélgica, Noruega e União Europeia.O investimento em intervenções agrícolas atempadas, de elevada qualidade e ambientalmente sustentáveis continua a ser fundamental não apenas para a recuperação imediata, mas também para reforçar a segurança alimentar, a resiliência e os meios de subsistência rurais a longo prazo em Moçambique.
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História
15 julho 2026
UNV: “Aprendi a verificar antes de partilhar”
MAPUTO, Moçambique – Para Leonor Ruazire, o voluntariado é uma oportunidade de colocar os seus conhecimentos ao serviço das comunidades e contribuir para mudanças positivas. No âmbito do Projeto Democracia e Eleições do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Moçambique, Leonor trabalha como voluntária das Nações Unidas e monitora de mídia digital, analisando conteúdos que podem afetar a confiança pública, a participação cívica e a coesão social.“Sempre gostei de servir as comunidades. No voluntariado, encontrei uma oportunidade de fazer a diferença e aplicar os meus conhecimentos para gerar mudanças positivas”, afirma Leonor. Monitorar para proteger a integridade da informaçãoLeonor monitora conteúdos nas redes sociais, com particular atenção à desinformação, discurso de ódio e outros conteúdos nocivos.Seu trabalho foi especialmente relevante durante os processos eleitorais e o continua sendo no contexto do Diálogo Nacional Inclusivo - iniciativa promovida pelo Governo de Moçambique, cujo objetivo é debater consensos sobre o sistema de governação do País.Por meio da plataforma eMonitor+, ela analisa conteúdos nas redes sociais, identifica possíveis casos de desinformação ou de discurso de ódio e apoia a elaboração de relatórios que fortalecem a transparência, a integridade da informação e a confiança pública nela.Para além de reforçar as suas competências profissionais, essa experiência mudou a forma como Leonor recebe, interpreta e partilha informação no dia a dia.“Hoje sou mais crítica em relação à informação que recebo. Aprendi a verificar os fatos antes de partilhar qualquer conteúdo. Isso impactou a minha vida, a minha família e os meus amigos. Num tempo em que informações falsas circulam rapidamente, verificar tornou-se um hábito”, comenta. Agente de mudança em qualquer lugarUm dos momentos mais marcantes da missão de Leonor aconteceu fora do escritório, durante uma viagem num transporte público.Um jovem ao seu lado se preparava para partilhar um vídeo de conteúdo político num grupo de um aplicativo de mensagens instantâneas. Leonor perguntou se ele havia confirmado a veracidade da informação e o incentivou a verificar a fonte antes de divulgar.Após buscar mais informações, o jovem percebeu que se tratava de uma notícia falsa e decidiu não a partilhar.“Foi nesse momento que percebi que o meu papel não termina no escritório. Sou uma agente de mudança em qualquer lugar, seja na comunidade, em casa ou no transporte público”, diz Leonor.Para ela, esse episódio monstrou que pequenas intervenções podem impedir a propagação de informações falsas e fortalecer comunidades mais informadas, responsáveis e resilientes. Servir e fazer a diferençaLeonor acredita que o voluntariado começa com a vontade de servir e ganha significado quando se traduz em mudanças concretas na vida das pessoas e das comunidades.“Voluntariado significa servir e fazer a diferença. Significa acreditar que pequenas acções podem transformar vidas e contribuir para um mundo melhor” - Leonor Ruazire, Voluntária das Nações Unidas.A sua experiência destaca o papel dos Voluntários da ONU na promoção da paz, da inclusão, da participação cívica e do desenvolvimento sustentável.O PNUD apoia Moçambique no fortalecimento da governação democrática, da participação cívica e de instituições inclusivas. Por meio do Projeto Democracia e Eleições, em parceria com o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), o PNUD promove iniciativas para fortalecer a integridade da informação e combater a desinformação, o discurso de ódio e outros desafios no ambiente digital.
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História
13 julho 2026
Da Evidência à Ação: Transformando a Educação Técnica e Profissional em Moçambique
MAPUTO, Moçambique - Enquanto Moçambique continua a enfrentar o desafio de criar empregos de qualidade para uma força de trabalho em rápido crescimento, uma questão crucial permanece: como podem os sistemas de ensino melhor apoiar os jovens, não só no acesso à formação, mas também na procura de emprego relevante e sustentável?Dado o potencial da Educação e Formação Técnica e Profissional (EFTP) para dotar os jovens de competências práticas e relevantes para o mercado de trabalho, que são procuradas em setores-chave do desenvolvimento, este é amplamente considerado parte da solução. No entanto, evidências recentes mostram que a transição da educação para o trabalho continua lenta, incerta e frequentemente marcada pela informalidade e pela inadequação de competências – particularmente para as mulheres jovens.Estas questões estiveram no centro de um workshop de políticas realizado em Maputo, em junho, organizado em conjunto pela UNESCO e pelo Programa Crescimento Inclusivo em Moçambique (IGM em sua sigla inglesa), com contributos da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).O workshop reuniu representantes do governo, instituições de formação, setor privado, academia, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento para mapear as principais restrições que afetam a transição da escola para o trabalho e identificar respostas políticas concretas e baseadas em evidências, com foco em quatro temas inter-relacionados: transição da educação para o emprego e sistemas de dados; alinhamento entre formação e demanda do mercado de trabalho; gênero e inclusão; e qualidade dos resultados da formação e do emprego.Com base nas discussões realizadas durante o workshop, os participantes identificaram quatro prioridades recorrentes para o fortalecimento das políticas e práticas de EFTP (Educação e Formação Técnica e Profissional). A reforma da Educação e Formação Técnica e Profissional (EFTP) exige uma abordagem governamental abrangenteA melhoria da EFTP não se resume à atualização de currículos ou à ampliação do acesso. Requer uma análise do funcionamento de todo o sistema — abrangendo instituições, sistemas de dados, mecanismos de governança e atores do mercado de trabalho — bem como uma avaliação tanto da oferta quanto da demanda.Atualmente, as responsabilidades pela EFTP estão distribuídas entre diversos ministérios e órgãos públicos, incluindo os responsáveis pela educação, trabalho, juventude, política econômica e setores produtivos-chave. A coordenação entre esses atores ainda é limitada.Os dados sobre educação e mercado de trabalho também permanecem fragmentados e subutilizados. Isso dificulta o acompanhamento do que acontece após a formação: se os graduados encontram trabalho relevante, quais habilidades os empregadores precisam e onde o sistema está apresentando deficiências. Uma maior integração entre as instituições relevantes, os sistemas de dados, os provedores de formação e os empregadores ajudaria a transformar essas informações em melhores decisões e a impulsionar a reforma da EFTP, transformando iniciativas isoladas em trajetórias coerentes.É também nesse ponto que as parcerias podem agregar valor. A colaboração entre a UNESCO, a UNIDO, a OIT e a UNU-WIDER ilustra como diferentes pontos fortes podem ser mobilizados em apoio à reforma liderada pelo governo: conectando a geração de evidências, os marcos políticos, a experiência no setor produtivo e o conhecimento do mercado de trabalho. O setor privado precisa de um papel formalCom mais de quatro em cada dez graduados em EFPT (Educação e Formação Técnica e Profissional) trabalhando fora de sua área de formação, e um terço afirmando que seu trabalho não exige as habilidades adquiridas durante a formação, um maior engajamento com o setor privado é essencial para garantir que a formação reflita a demanda real do mercado de trabalho.Ao mesmo tempo, o setor privado permanece insuficientemente engajado. O engajamento fraco e em grande parte pontual com os empregadores — particularmente as pequenas e médias empresas (PMEs) — continua a gerar desajustes de competências. Embora atores como a CTA (Confederação das Associações Econômicas de Moçamibque) e empresas individuais estejam envolvidos em algumas iniciativas, seu papel não está institucionalizado dentro do sistema de EFPT.Os participantes enfatizaram a necessidade de passar de uma colaboração pontual para um envolvimento mais estruturado, com funções claras — incluindo para a ANEP (Autoridade Nacional para a Educação Profissional) e o INEP (Instituto Nacional de Emprego) — tanto a nível nacional como subnacional. Isto inclui envolver os empregadores de forma mais sistemática na cocriação curricular, expandir as oportunidades de estágio e formação profissional e fortalecer as ligações entre as instituições de formação e os empregadores. Incentivos — como subsídios ou créditos fiscais específicos — também podem ser necessários para encorajar a participação das empresas. É necessária uma mudança de foco, passando do acesso para os resultadosApesar do progresso na expansão do acesso ao ensino técnico e profissional, as evidências mostram que muitos graduados ainda ingressam em empregos informais, instáveis ou inadequados às suas qualificações. Estes desafios são particularmente acentuados para as mulheres, que continuam a enfrentar barreiras no acesso às áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e a empregos de qualidade após a formação.Os participantes enfatizaram a necessidade de focar nos resultados em vez do acesso — como a qualidade do emprego, a adequação ao emprego e as disparidades de género. Isso exige uma coordenação mais estreita entre instituições como o Ministério da Educação e Cultura (MEC), o Ministério do Trabalho, Gênero e Ação Social (MTGAS) e o Instituto Nacional de Estatística (INE), juntamente com intervenções direcionadas para combater as desigualdades estruturais. A qualidade do emprego deve ser uma medida central de sucessoA oficina destacou as limitações de se basear exclusivamente nas taxas de emprego como medida de sucesso. Uma abordagem mais abrangente deve considerar se os empregos são formais, estáveis e alinhados com as qualificações dos graduados, bem como se apoiam o desenvolvimento de carreira a longo prazo.Para abordar essa questão, é necessário aprimorar a mensuração dos resultados de emprego — incluindo indicadores sobre adequação entre o candidato e o emprego, subemprego, satisfação do empregador e melhorias na qualidade da formação. O fortalecimento dos componentes práticos, a melhoria dos ambientes de aprendizagem e a garantia do desenvolvimento contínuo de professores e formadores são fundamentais. Vincular a qualidade da formação a um monitoramento robusto dos resultados de emprego será essencial para garantir que o ensino técnico e profissional leve a empregos significativos e sustentáveis. Das ideias à açãoAs evidências recentes sobre a transição da escola para o trabalho, combinadas com as ideias obtidas nas discussões do workshop, apontam para uma direção clara para a reforma: sistemas mais robustos, melhores dados, maior envolvimento com o setor privado e um foco constante nos resultados — particularmente na qualidade e inclusão do emprego. Traduzir essas ideias em ação exigirá colaboração contínua, investimento em dados e capacidade institucional, e um compromisso com a formulação de políticas baseadas em evidências. Trabalhando juntos, temos a oportunidade de fortalecer a Educação e Formação Técnica e Profissional (EFTP) como um motor de crescimento inclusivo — apoiando os jovens não apenas no acesso à formação, mas também na transformação de suas habilidades em empregos produtivos e dignos — incluindo o trabalho autônomo — que sustentam uma economia mais inclusiva e dinâmica.
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História
09 julho 2026
"A ONU Está Comprometida com o Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique"
MAPUTO, Moçambique - Olhar para os avanços dos últimos 25 anos e definir prioridades para construir um Moçambique mais próspero, resiliente e inclusivo nas próximas décadas. Esses foram os objetivos da Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, “Do Balanço à Ação – Rumo ao Desenvolvimento Integrado do País”, realizada ontem, 8 de julho, em Maputo.Organizado pelo Governo de Moçambique, através do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, o evento reuniu mais de 500 representantes do Governo, das Nações Unidas, do setor privado, dos parceiros de desenvolvimento, da sociedade civil, da academia e da juventude entre outros.“O desenvolvimento sustentável é uma responsabilidade coletiva e partilhada; constrói-se quando uma nação decide colocar o seu futuro acima das circunstâncias do presente”, afirmou Sua Excelência o Presidente da República, Senhor Daniel Chapo, na abertura do evento.A conferência criou um fórum plural de diálogo nacional por meio de dois amplos painéis de discussão, nos quais foi avaliado o desenvolvimento de Moçambique entre 2000 e 2025 e debatidas medidas concretas sobre como o País pode continuar a sua trajetória de desenvolvimento de forma mais inclusiva e próspera até 2050. Ao longo do dia, a resiliência e a juventude foram destacadas como alguns dos principais ativos de Moçambique, tendo sido igualmente salientada a necessidade de promover as pequenas e médias empresas para dinamizar a economia, gerar emprego e alcançar uma maior independência econômica, acelerando assim o crescimento. “O Moçambique que nos comprometemos a construir é um País onde a riqueza do subsolo se transforma em escolas, hospitais e estradas”, afirmou Sua Excelência o Ministro Salim Valá. "A ONU está comprometida com o desenvolvimento inclusivo e sustentável de Moçambique", afirmou a Dra. Catherine Sozi, Chefe da ONU Moçambique, no discurso de encerramento da conferência. “As Nações Unidas estão prontas para continuar esta caminhada ao lado do Governo e do Povo de Moçambique”.“[Temos] confiança no potencial do País, respeito pela sua liderança e otimismo quanto ao que pode ser alcançado por meio de parcerias, diálogo e compromisso partilhado”, continuou a Dra. Sozi. Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável Sem Deixar Ninguém para TrásDurante o evento, o desenvolvimento inclusivo e sustentável foi caracterizado como aquele que conecta as pessoas às oportunidades, garantindo que estas sejam acessíveis a todos, de modo a criar possibilidades duradouras de crescimento de longo prazo.“O crescimento rápido, por si só, não será suficiente; o sucesso deverá ser medido pela capacidade de esse crescimento criar empregos dignos, reduzir desigualdades, reforçar a resiliência e alargar a dignidade e as oportunidades para todos, em todas as províncias e distritos, especialmente para mulheres, jovens, pessoas com deficiência e para as comunidades mais vulneráveis”, afirmou a Dra. Catherine Sozi, Chefe da ONU em Moçambique no seu discurso de encerramento da conferência. Durante a jornada, destacou-se a importância da educação e do fortalecimento das instituições, de forma estruturada, para assegurar uma boa gestão dos recursos e uma execução eficiente das políticas públicas.Da mesma forma, foi destacada a necessidade de atrair investimento estrangeiro e estabelecer alianças estratégicas para acelerar o crescimento, sem descurar a importância de construir uma classe empresarial forte. Salientou-se também que o desenvolvimento não está relacionado apenas com a economia, mas sobretudo com as pessoas e com o impacto que gera nas suas vidas. Por isso, “é fundamental promover uma cultura de diálogo permanente e inclusivo, valorizando as mulheres como atores fundamentais para a coesão social”, afirmou a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente das Nações Unidas.“Esta oportunidade deve ser um compromisso partilhado para a transformação estrutural, a paz duradoura e a promessa de que ninguém ficará para trás”, continuou a Chefe da ONU em Moçambique. No encerramento do evento, foi assinada a Declaração de Maputo, reunindo ideias e compromissos destinados a apoiar uma agenda estratégica de transformação do País nos próximos 25 anos. A declaração pretende materializar a passagem do diálogo à ação, inspirada na visão de um Moçambique mais inclusivo, sustentável e próspero para as próximas gerações.
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História
08 julho 2026
Duas Gotas de Confiança: Comunidades e Profissionais Unidos para Proteger as Crianças da Pólio
MAPUTO, Moçambique - Entre 17 e 20 de junho, Moçambique realizou a segunda ronda da campanha de vacinação contra a poliomielite em 64 distritos de sete províncias, nomeadamente Gaza, Manica, Tete, Zambézia, Nampula, Niassa e Cabo Delgado. A campanha teve como objectivo de vacinar para imunizar mais de 6 milhões de crianças menores de cinco anos e reforçar a qualidade da vacinação após a ronda anterior, em que apenas 57,1% dos distritos atingiram os padrões de desempenho esperados.Na Província de Tete, profissionais de saúde, voluntários e líderes comunitários uniram esforços para levar a vacina a todas as crianças elegíveis, incluindo nas comunidades mais remotas disponibilizando para toda província 1.390.394 doses de vacinas.Para isso, todos os distritos da província mobilizaram cerca de 1.597 equipas fixas e equipas casa a casa, garantindo que nenhuma criança ficasse por vacinar.Argélia Cardoso Sainete, vacinadora fez parte desse esforço. Aos 36 anos, participa nas campanhas de vacinação contra a pólio desde 2024 e, nesta ronda, integrou uma equipa fixa no Centro de Saúde de Cateme, no distrito de Moatize, onde recebeu diariamente dezenas de crianças acompanhadas pelos seus cuidadores. “Como vacinadora, converso com cada mãe e cada pai para explicar que esta vacina protege as crianças contra a poliomielite e evita que cresçam com as consequências da doença", conta Argélia Sainete.Para alcançar as crianças que vivem longe das unidades sanitárias ou que ainda não tinham sido vacinadas, entraram em acção as equipas casa a casa, compostas por vacinadores, registadores, mobilizadores, coordenadores e líderes comunitários, que percorreram as comunidades até ao último dia da campanha.Foi assim que a filha de Suzene Tony, residente na comunidade de Kanhungwe, distrito de Moatize, recebeu a vacina em casa. Cenários como este repetiram-se em diferentes pontos da província, assegurando que mesmo as crianças ausentes nos primeiros dias fossem protegidas antes do encerramento da campanha. Simultaneamente, oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanharam as actividades de supervisão em diferentes distritos, verificando a conservação das vacinas, a disponibilidade de insumos, o cumprimento das normas de vacinação e a marcação dos dedos das crianças vacinadas.Este acompanhamento permitiu assegurar não apenas que mais crianças fossem alcançadas, mas também que a vacinação decorresse com qualidade e segurança.
“Esta segunda ronda permitiu reforçar os resultados alcançados anteriormente”, assegurou o Dr. Lelo Zola, Oficial Técnico da OMS e Coordenador Nacional da Iniciativa Global para a Erradicação da Poliomielite. “Estar no terreno garante que acompanhemos a campanha em tempo real para identificar desafios e apoiar as equipas para responder em tempo útil”, continuou o Dr. Lelo Zola. O trabalho conjunto das equipas fixas, equipas casa a casa e das actividades de supervisão permitiu reforçar o alcance da campanha nesta segunda ronda.Em todo o país, mais de 6.128.800 crianças foram vacinadas, superando a cobertura estimada.
Em Tete, 1.178.300 criancas constituem o grupo alvo e cada criança vacinada representa muito mais do que duas gotas administradas, representa a confiança necessária para proteger as próximas gerações e construir um Moçambique livre da poliomielite.
A campanha integra os esforços do Ministério da Saúde, com apoio técnico e logístico da Organização Mundial da Saúde e do UNICEF e financiamento de parceiros como o Governo do Reino Unido através do Foreign, Commonwealth & Development Office, do Banco de Investimento Europeu e da Fundação Gates, para reforçar a imunização e proteger todas as crianças elegíveis.
“Esta segunda ronda permitiu reforçar os resultados alcançados anteriormente”, assegurou o Dr. Lelo Zola, Oficial Técnico da OMS e Coordenador Nacional da Iniciativa Global para a Erradicação da Poliomielite. “Estar no terreno garante que acompanhemos a campanha em tempo real para identificar desafios e apoiar as equipas para responder em tempo útil”, continuou o Dr. Lelo Zola. O trabalho conjunto das equipas fixas, equipas casa a casa e das actividades de supervisão permitiu reforçar o alcance da campanha nesta segunda ronda.Em todo o país, mais de 6.128.800 crianças foram vacinadas, superando a cobertura estimada.
Em Tete, 1.178.300 criancas constituem o grupo alvo e cada criança vacinada representa muito mais do que duas gotas administradas, representa a confiança necessária para proteger as próximas gerações e construir um Moçambique livre da poliomielite.
A campanha integra os esforços do Ministério da Saúde, com apoio técnico e logístico da Organização Mundial da Saúde e do UNICEF e financiamento de parceiros como o Governo do Reino Unido através do Foreign, Commonwealth & Development Office, do Banco de Investimento Europeu e da Fundação Gates, para reforçar a imunização e proteger todas as crianças elegíveis.
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07 outubro 2026
"É hora das crianças transformarem o mundo"
MAPUTO, Moçambique - A cantora moçambicana e embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, Neyma, defendeu uma transformação profunda na forma como olhar para a infância e a juventude em tempos de crises.Em entrevista ao Podcast ONU News, de Maputo, a estrela da música mencionou os desafios do mundo atual marcado por crises climáticas e por uma rápida transformação digital. Voz e capacidade para integrar soluçõesPara a artista, as crianças não devem ser tratadas como meras espectadoras ou seres humanos incapazes, mas sim como agentes ativos, que têm voz e capacidade para integrar as soluções dos problemas globais.“Têm atingido o nosso país e a gente vê um pouco pelo mundo. Muitas vezes, olha-se para elas, simplesmente, como pessoas e crianças que não podem solucionar os seus problemas e não podem participar. Mas a intenção, na realidade, é colocá-las a participar, a terem esta voz, esta presença ativa. Só assim é que elas poderão se safar de determinadas situações. Enquanto a gente continuar a olhar para elas como meramente crianças incapazes, elas vão continuar a ser incapazes. Se a gente der um voto de confiança e ensinar que numa situação de alerta é preciso e importante, um dever, todas elas vão participar. A partir daí, a gente vai, com certeza, minimizar várias situações que as tenham colocado em risco”. Neyma foi uma voz ativa na luta contra as mudanças climáticas. Ao recordar a sua passagem pelo distrito do Búzi, após inundações históricas no centro de Moçambique, ela lembrou do impacto de encontrar uma jovem mãe, de 20 anos, com três filhos, em situação de extrema vulnerabilidade.“A casa toda alagada, sem espaço para viver, estaria a dormir. Ela infelizmente também vivia sem o seu companheiro, o pai das crianças... E eu, enquanto conversava com ela, dizia: meu Deus, aquelas crianças todas tristes, com fome e a mãe sem poder ter o que dar. Eu acho que foi das histórias mais comoventes, para além de todas as outras que tenho vivenciado claramente, por se tratar de uma jovem com um futuro promissor, ainda retardando a sua vida por conta dos filhos que ela já tinha. A situação em que ela vivia, com certeza, foi marcante para mim e coloquei-me no lugar de mãe, porque, tenho uma filha de 26 anos hoje, a Iumna. Para mim foi um choque olhar para aquilo. Coloquei-me no lugar de mãe e questionava qual era o sonho dela, o que é que ela fazia e por que ela tinha tido todos aqueles filhos tão seguidos”. Necessidade de agirEste episódio reforçou a convicção dele sobre a necessidade de agir com empatia e de construir oportunidades reais.Para a embaixadora do UNICEF, atribuir responsabilidade e confiança aos mais novos é o caminho para quebrar ciclos de pobreza e de abandono. Quando a sociedade ensina e dá espaço para a participação ativa das crianças, elas aprendem rápido e passam a proteger a si mesmas e às suas comunidades.Ao abordar o cenário atual, a cantora destacou ainda que a nova geração conta com ferramentas tecnológicas e facilidades de acesso à informação que eram inimagináveis no passado.“As crianças sobretudo, memorizam e crescem muito rápido. Hoje são quem nos ensinam a mexer na tecnologia. Quando eu tenho uma dúvida, quando eu não sei mexer, é o meu filho que chega e diz: 'mãe, mas isto é assim'. É a própria Anayah, hoje em dia de cinco ou seis aninhos, que me diz: 'mãe, isto faz-se assim'. Eu fico a olhar para ela: 'Onde é que tu aprendeste isto?'. Elas têm esta capacidade de reter a informação. Então, por que não aproveitar esta retenção, esta capacidade de retenção de informação que elas têm para fazer melhor, apoiar, sem apontar o dedo, mas aproveitar? Tirar o que de bom elas têm, porque elas as têm, até mesmo para nos ensinar”. Maior presença e vigilância dos paisApesar disso, ela alertou que a abundância de recursos exige maior presença e vigilância por parte dos pais e encarregados de educação.A artista diz que é pelo diálogo direto e transparente sobre a realidade dos factos, orientando os jovens a canalizarem a sua facilidade com a tecnologia para a construção de propósitos de vida sólidos.A própria trajetória de Neyma, que perdeu a mãe com pouco mais de um ano de idade e enfrentou obstáculos até ela se afirmasse como uma das maiores vozes do ritmo marrabenta e da cultura moçambicana, serve de testemunho para a sua mensagem. Autoconhecimento, coragem e reconhecimento Dirigindo-se de forma especial às meninas, a artista lançou um apelo ao autoconhecimento, à coragem e ao reconhecimento dos direitos e deveres deste grupo na sociedade.Reafirmando que o seu trabalho à frente do UNICEF é uma “missão de coração para que nenhuma criança enfrente as privações”, Neyma encerrou com uma mensagem de esperança.A embaixadora do UNICEF lembrou que os maiores sonhos podem começar no lugar mais simples, bastando que a juventude receba o incentivo e a oportunidade de florir.
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História
02 outubro 2026
"Ação pelo clima exige respeito aos direitos humanos"
MAPUTO, Moçambique - Considerado um dos países mais vulneráveis aos extremos climáticos do mundo, Moçambique enfrenta atualmente o alerta de secas, ciclones e inundações agravadas pelo fenómeno El Niño.Foi neste cenário de urgência que a Relatora Especial para a promoção e proteção dos direitos humanos no contexto das mudanças climáticas, Elisa Morgera, visitou o país a convite do Governo, concentrando as suas avaliações nas Províncias de Tete e Sofala. Decisões de hoje, riscos de amanhãDurante a sua passagem por Maputo, Morgera manteve encontros com autoridades governamentais de setores ligados à pauta climática e aos direitos fundamentais.Ao apresentar o seu relatório preliminar na capital moçambicana, a perita deixou um aviso claro: as decisões tomadas hoje vão determinar a gravidade dos riscos futuros. O balanço final desta missão em Moçambique será entregue oficialmente ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em junho de 2027.“Eu recomendei ao governo que toda a economia tem que apoiar a resiliência climática. Há que planejar considerando as interações entre o clima, a natureza, a água, a alimentação e a saúde, além de proteger o patrimônio cultural e natural do país e os saberes locais, porque esses são os ingredientes essenciais para a resiliência climática”. Durante a vista a relatora da ONU manteve contatos com comunidades afetadas pelas mudanças climáticas, defensores ambientais dos direitos humanos, sociedade civil, académicos, agências da ONU, o setor privado e outras partes interessadas.Dados do Banco Mundial indicam que a extração de recursos naturais, nomeadamente combustíveis fósseis e minerais, fazem parte do setor em expansão, caracterizado como importante para a estratégia de desenvolvimento económico de Moçambique. Reforma da legislaçãoMorgera alertou o perigo do uso de combustíveis fosseis, destacando a necessidade de uma reavaliação dos planos de combustíveis fosseis, particularmente quando se trata de áreas de alta biodiversidade.“É necessária uma avaliação independente dos impactos sobre os direitos humanos decorrentes das atividades de mineração de carvão ou da produção de combustíveis fósseis. Com um enfoque nos direitos à saúde, à alimentação, à água, à moradia e ao meio ambiente saudável para as comunidades a redor”.Na ocasião da apresentação do relatório preliminar, a relatora, apelou também a urgência na reforma a legislação para proteção dos direitos humanos. A meta é apoiar a trajetória do desenvolvimento de Moçambique. Ela citou como exemplo a atual revisão da lei ambiental. Cooperação internacional e resiliência“É muito importante para incluir disposições explícitas sobre os deveres das autoridades públicas de fundamentar qualquer decisão sobre a melhor ciência disponível sobre mudanças climáticas e os impactos previsíveis sobre os direitos humanos. Há que definir obrigações muito claras para as empresas privadas e multinacionais, que têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos e evitar danos previsíveis ao ambiente e ao sistema climático”. Para Elisa Morgera, a comunidade internacional tem obrigações em matéria de direitos humanos, de apoiar a resiliência de Moçambique e de se abster de quaisquer atos, omissões ou pressões que possam minar a proteção dos direitos humanos num país que é o menos responsável pelas alterações climáticas e o mais afetado por estas. Transição para uma economia sustentável“Abster-se de apoiar opções de desenvolvimento que provavelmente causam significativos danos ao ambiente e aos direitos humanos, por exemplo, megaprojetos. E, em lugar disso, priorizar o apoio ao esforço de Moçambique para realizar uma transição para uma economia sustentável, movida a energia solar, com iniciativas lideradas por comunidades e por mulheres, que melhorem todas as condições necessárias para a resiliência no contexto das mudanças climáticas”. Mais de 724 mil pessoas foram afetadas por inundações severas no país entre o final de 2025 e o início deste ano. Os dados são do Escritório da ONU para os Assuntos Humanitários, OCHA, que revela ainda que 100 mil pessoas chegaram a viver em abrigos no pico da crise.O impacto económico é estimado em US$ 486 milhões. A agricultura sofreu perdas drásticas: segundo o PMA, o Programa Mundial para a Alimentação, 312 mil hectares de cultivo foram destruídos.E o cenário climático continua em alerta. Devido ao fenómeno El Niño, os próximos meses devem trazer secas prolongadas, ciclones tropicais e novas inundações localizadas.
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História
21 setembro 2026
Do Deslocamento à Colheita: A Jornada de Ntaquiha
METUGE, Moçambique - Quando a violência chegou à aldeia de Natugo, no distrito de
Quissanga, em Cabo Delgado, Ntaquiha Camala não teve outra escolha senão deixar para
trás a vida que tinha construído durante décadas.Na altura, trabalhava como agricultor e produtor de carvão vegetal em pequena escala,
actividades que sustentavam a sua grande família. Quando a insegurança se agravou,
juntou-se a outras famílias da sua comunidade que optaram por fugir, apesar dos riscos e
da incerteza do futuro.Em Março de 2020, aos 70 anos, Ntaquiha partiu com a sua família a pé em direcção a
Metuge. A viagem durou dois dias. Foi longa, exaustiva e repleta de incertezas. Para ele, o
esforço físico foi intenso. No entanto, apesar da exaustão e da capacidade de locomoção
limitada, ele continuou a avançar.Depois de uma viagem difícil, a família chegou ao Centro de Trânsito de Manono, onde
encontrou abrigo temporário junto com outras famílias deslocadas que fugiam do conflito.Meses mais tarde, em Dezembro de 2025, Ntaquiha decidiu mudar-se com parte da sua
família para Ntocota, em busca de estabilidade e de uma oportunidade de recomeçar.
Embora fosse um local mais seguro, o deslocamento tinha prejudicado significativamente o
seu acesso à terra e aos meios de subsistência. Antes capaz de sustentar a sua família de
15 pessoas, passou a enfrentar a realidade de recursos limitados e oportunidades
reduzidas.Em Ntocota, Ntaquiha e a sua família foram muito bem recebidos pela comunidade de
acolhimento, que lhe atribuiu terras agrícolas para cultivo. Este apoio permitiu-lhe começar
a restabelecer o seu principal meio de subsistência.Actualmente, Ntaquiha volta a dedicar-se à agricultura, produzindo arroz, gergelim, milho,
mandioca e outros produtos agrícolas. As suas actividades sustentam agora tanto o
consumo familiar como a geração de rendimentos em pequena escala. Determinado a
melhorar a sua resiliência, está também a preparar mais terrenos para o cultivo de bananas,
com vista a diversificar a produção.Para além dos meios de subsistência, a coesão social tem sido fundamental para a sua
recuperação. As interações diárias e os espaços comunitários partilhados têm promovido a
coexistência pacífica entre as famílias deslocadas e as comunidades de acolhimento. A
troca de conhecimentos, particularmente na agricultura e na produção de carvão vegetal,
tornou estas relações ainda mais fortes. Ntaquiha tornou-se também um participante activo na abordagem de Planeamento Baseado
na Comunidade (CBP) da OIM, que apoia o Governo de Moçambique na aplicação de processos de desenvolvimento inclusivos e
coordenados pela comunidade.“O Planeamento Baseado na Comunidade foi importante para nos
unirmos, construirmos uma visão comum e trabalharmos em
soluções que respondam às nossas necessidades”, explica Ntaquiha.Através do processo do CBP, as comunidades identificaram e estabeleceram prioridades
relacionadas com os principais desafios.Embora muitas iniciativas ainda estejam em
andamento, já são visíveis melhorias significativas, incluindo a instalação de iluminação
pública alimentada a energia solar, a reabilitação de fontes de água e a construção de
latrinas e abrigos.Estas intervenções melhoraram o acesso aos serviços básicos,
aumentaram a segurança e melhoraram as condições de vida em geral.A natureza participativa do CBP também ajudou a criar confiança, a promover o diálogo e a
fortalecer as relações entre os membros da comunidade e os líderes locais.“Temos visto as pessoas a falarem com mais vontade, a confiarem
umas nas outras e a trabalharem juntas. Até a nossa relação com os
líderes locais melhorou”, acrescenta ele.Através do acesso à terra, do planeamento inclusivo e de abordagens participativas, as
comunidades afectadas pelo deslocamento estão a tornar-se mais resilientes e a caminhar
para uma recuperação sustentável.Mais do que uma história de resiliência, a trajectória de Ntaquiha mostra como as
abordagens orientadas pela comunidade podem restaurar a dignidade, reconstruir os meios
de subsistência e promover a coesão social, lançando as bases para soluções duradouras
em lugares afectados pelo deslocamento. Esta actividade foi possível graças ao apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Commonwealth e do Desenvolvimento (FCDO), República da Coreia, e Departamento de Estado dos Estados Unidos.
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História
04 setembro 2026
A Ciência por detrás dos Solos de Moçambique
MAPUTO, Moçambique - Todas as manhãs, às 7h30, Stília Vilanculos veste a bata, coloca as luvas, os óculos de protecção e a máscara e inicia um trabalho que poderá ajudar a moldar o futuro da agricultura em Moçambique.No laboratório de química do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), Stília e os seus colegas processam diariamente cerca de 100 amostras de solo. As análises medem propriedades físico-químicas — incluindo textura, pH, condutividade eléctrica, matéria orgânica, nutrientes e metais pesados — essenciais para compreender a fertilidade dos solos e ajudar os produtores a melhorar a produtividade.Stília entrou para o IIAM imediatamente após concluir os estudos. Começou por receber formação em química, licenciou-se posteriormente em ciências agro-pecuárias e está agora a concluir um mestrado em produção vegetal, centrado na investigação sobre a mandioca.O trabalho exige precisão, conhecimentos técnicos e o cumprimento rigoroso dos procedimentos de segurança. Os técnicos manuseiam cuidadosamente ácidos e reagentes químicos enquanto trabalham com espectrómetros de ultravioleta/visível, sistemas de destilação e outros equipamentos analíticos.A equipa do laboratório integra sete técnicos permanentes — quatro mulheres e três homens —, uma composição que reflecte a presença crescente das mulheres na ciência agrária em Moçambique. Em todo o país, cada vez mais mulheres lideram investigações, gerem explorações agrícolas, reforçam as capacidades dos laboratórios e apoiam os meios de subsistência rurais.Durante anos, contudo, o laboratório enfrentou uma limitação importante: equipamento envelhecido e poucas oportunidades de formação técnica.Segundo Stília, o programa SoilFER está a ajudar a mudar esta realidade. O SoilFER — Mapeamento dos Solos para Sistemas Agroalimentares Resilientes — é um programa mundial implementado no Gana, Guatemala, Honduras, Quénia, Moçambique, Tunísia e Zâmbia, com o apoio financeiro dos Governos dos Estados Unidos da América e do Japão. Em Moçambique, é implementado pelo Governo de Moçambique, através do IIAM, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).O SoilFER vai além da produção de mapas de solos. Ajuda os países a desenvolver inteligência dos solos — a capacidade de gerar dados fiáveis sobre os solos, interpretá-los e convertê-los em recomendações práticas e melhores decisões para produtores e decisores políticos.O programa apoia toda a cadeia, desde a recolha de amostras e a análise laboratorial até ao mapeamento, à interpretação e às recomendações ao nível da machamba. Desta forma, transforma as evidências sobre os solos em acções concretas e apoia melhores decisões sobre culturas, utilização de fertilizantes e gestão dos solos.Ao reforçar a capacidade nacional para gerar e utilizar informação sobre os solos, o SoilFER contribui para o aumento da produtividade agrícola e para sistemas agroalimentares mais resilientes, fortalecendo assim a segurança alimentar em Moçambique.Através desta iniciativa, o laboratório está a receber cerca de 100 novos equipamentos, incluindo destiladores de água, analisadores de azoto e espectrómetros, além de formação técnica abrangente e apoio adicional em recursos humanos.“Este programa está a permitir-nos crescer profissionalmente”, explica Stília. “Compreendemos melhor todo o processo, desde a recolha e análise do solo até à interpretação dos resultados”. Uma das mudanças mais significativas introduzidas pelo programa foi a aproximação entre a ciência laboratorial e o trabalho de campo. Historicamente, os técnicos de laboratório raramente participavam na recolha de amostras de solo. Através do SoilFER, estão cada vez mais envolvidos na recolha de amostras e na monitoria de campo, ajudando a ligar a análise científica à realidade dos produtores no terreno.Depois de a equipa do laboratório extrair os dados das amostras de solo, a informação é transmitida a especialistas como Janete Americano, especialista em fertilidade dos solos, que transforma a análise científica em recomendações práticas para os produtores.O seu papel demonstra como os resultados laboratoriais se convertem em orientações aplicáveis nas machambas, transformando dados sobre os solos em conhecimento útil para a tomada de decisões.Licenciada em agronomia e mestre em produção vegetal, Janete está actualmente a concluir um doutoramento em agricultura e trabalha no Departamento de Fertilidade dos Solos do IIAM desde 2013. A sua função estabelece uma ponte entre a investigação de campo e a ciência laboratorial, ajudando a interpretar os resultados das análises dos solos e a desenvolver recomendações que apoiam a produtividade e a resiliência agrícolas.O seu trabalho concentra-se cada vez mais no Centro e Norte de Moçambique, onde as alterações nos padrões de precipitação e a variabilidade meteorológica podem representar desafios significativos para os sistemas agrícolas de sequeiro.Através de levantamentos de solos, ensaios de campo e avaliações da aptidão das culturas, o SoilFER está a ajudar a gerar a informação necessária para compreender melhor estas condições de produção e apoiar decisões mais informadas sobre culturas, gestão da fertilidade dos solos e utilização de insumos agrícolas.Além do seu trabalho no IIAM e das suas actividades de consultoria, Janete é também mãe, empreendedora e produtora agrícola. Gere 13 hectares de terra na Moamba e em Boane, onde produz milho, mandioca, batata-doce e hortícolas sazonais.“Acordo entre as quatro e as cinco da manhã”, explica. “É preciso organização. É preciso compromisso”. Mulheres na liderança da transformação agrícolaO SoilFER reconhece que sistemas agroalimentares mais fortes e resilientes dependem não apenas da tecnologia e da inovação, mas também das pessoas. Ao ampliar o acesso à formação, a tecnologias modernas, a dados sobre os solos e a sistemas de informação agrícola, o programa está a reforçar a capacidade de cientistas, técnicos e produtores para tomarem decisões mais informadas perante a degradação da terra, a seca, a variabilidade meteorológica e outros desafios que afectam a produção agrícola.Stília, Janete e uma nova geração de mulheres cientistas estão a ajudar a construir as bases técnicas de sistemas agroalimentares mais produtivos e resilientes — e de uma segurança alimentar e nutricional duradoura. Os seus conhecimentos especializados, apoiados por instituições nacionais mais fortes e pelo empreendedorismo agrícola, estão a contribuir para restaurar a saúde e a fertilidade dos solos.Ao ligar a ciência, as instituições nacionais e os produtores, o SoilFER demonstra que uma melhor informação sobre os solos conduz a solos mais saudáveis, maior produtividade, uma utilização mais eficiente dos insumos e uma segurança alimentar reforçada.
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História
19 agosto 2026
Trabalhadores Humanitários em Ação: Como os Motoristas do PMA Mantiveram a Assistência em Movimento
MAPUTO, Moçambique - Quando as águas das cheias isolaram comunidades no centro e sul de Moçambique, no início deste ano, chegar às famílias que precisavam de apoio tornou-se um dos maiores desafios da resposta de emergência. Estradas ficaram submersas, vias de acesso foram interrompidas e comunidades inteiras ficaram isoladas.Para o Programa Mundial para a Alimentação em Moçambique (PMA), manter o acesso humanitário exigiu uma combinação de trabalho em equipe, coordenação e determinação. No centro desse esforço estavam os motoristas que operavam o SHERP, um veículo anfíbio para todo-o-terreno capaz de chegar a locais inacessíveis para os meios de transporte convencionais.Para Francisco Albano, motorista baseado na cidade da Beira, a dimensão da crise ficou clara desde o primeiro momento. “Vi estradas submersas, casas inundadas e famílias isoladas, sem poder sair ou receber assistência”, recorda. “Ver aquela situação despertou em mim um forte sentido de responsabilidade e uma vontade ainda maior de ajudar”. O SHERP tornou-se rapidamente um recurso essencial. Segundo Mohamed Razak, Oficial de Cadeia de Abastecimento, o veículo permitiu ao PMA e aos seus parceiros transportar alimentos e bens de assistência para zonas inacessíveis por estrada ou por via fluvial, ajudando a garantir que o apoio continuasse a chegar às comunidades afetadas apesar das cheias.Operar o veículo, no entanto, estava longe de ser simples. Muitas vezes, os motoristas tinham de atravessar zonas alagadas onde estradas e obstáculos permaneciam escondidos debaixo de água. “Nunca sabíamos se estávamos a passar por cima de um tronco submerso ou de outro obstáculo”, conta João Coca, também motorista baseado na Beira. “Era preciso manter um nível muito elevado de atenção e cautela”. O papel dos motoristas ia muito além do transporte. Como alguns dos primeiros profissionais a chegar às áreas afetadas, eles recolhiam informações críticas que ajudavam a orientar as decisões operacionais. “Eles eram os nossos olhos e ouvidos no terreno”, afirma Paulo Cuna, Gestor de Frota. “O sucesso de uma missão dependia muitas vezes da sua capacidade de avaliar as condições em tempo real e tomar as decisões operacionais certas”.Para Sergio Jafar, outro operador do SHERP e motorista baseado em Maputo, este trabalho reflete os valores humanitários que orientam a missão do PMA.“A minha motivação vem do desejo de ajudar famílias que precisam,” diz. “Sinto-me emocionado e cheio de energia ao saber que as comunidades reconhecem o trabalho do PMA e que faço parte dele”. A resposta exigiu uma coordenação estreita entre as equipas de logística, programas e emergência, que trabalharam sob condições em constante mudança.“As operações com o SHERP foram fundamentais para o sucesso da resposta”, afirma Tiago Coucelo, Coordenador da Resposta de Emergência. “Sem esta capacidade especializada, muitas famílias teriam enfrentado atrasos significativos no acesso à assistência vital”.Neste Dia Mundial Humanitário, as Nações Unidas prestam homenagem a estes motoristas que trabalham nos bastidores para tornar possível a ação humanitária. A sua competência, compromisso e coragem ajudaram a garantir que a assistência chegasse a quem mais precisava. Porque, quando as estradas desapareceram, eles encontraram uma forma de avançar.
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Comunicado de Imprensa
05 outubro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Mundial do Habitat
NOVA IORQUE, EUA - A habitação adequada é a base da dignidade, da segurança e da oportunidade.No entanto, mais de 3 bilhões de pessoas são privadas desse direito humano universal. Mais de 1 bilhão vivem em assentamentos informais e favelas, e muitas outras enfrentam a situação de rua ou foram deslocadas por conflitos, desastres e mudanças climáticas.Investir em habitação adequada e transformar assentamentos informais reduz a pobreza, combate a desigualdade, fortalece a resiliência climática e promove sociedades pacíficas e inclusivas.Isso exige uma ação coordenada em todos os níveis, com governos nacionais e locais formulando políticas ousadas, estabelecendo parcerias e fundamentando decisões em dados sólidos. A arquitetura financeira internacional também precisa ser reformada para mobilizar o financiamento adequado, previsível e acessível de que os países em desenvolvimento necessitam para investir em habitação em larga escala.Neste Dia Mundial do Habitat, tratemos a habitação como um bem público e construamos um mundo onde todos tenham um lugar para chamar de lar.
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Comunicado de Imprensa
02 outubro 2026
"Moçambique precisa de uma visão de direitos humanos integrada para a resiliência climática e para a cooperação internacional para evitar a dependência dos combustíveis fósseis’’, afirma especialista das Nações Unidas
MAPUTO, Moçambique - Moçambique encontra-se num momento crítico para garantir a resiliência climática de toda a sua população; os Estados com elevadas emissões, os doadores, os países de origem dos investidores estrangeiros e as instituições financeiras internacionais devem abster-se de aprofundar a dependência do país dos combustíveis fósseis, afirmou hoje uma especialista da Nações Unidas.No final de uma visita oficial a Moçambique, Elisa Morgera, Relatora Especial sobre Direitos Humanos e Mudanças Climáticas, identificou grandes oportunidades e riscos para a protecção dos direitos humanos, especificamente no contexto do Super-El-Niño de 2026 e do excedente de emissões, e no nexus entre o direito ao desenvolvimento e o direito a um ambiente saudável em Moçambique.Morgera afirmou que os dados científicos mais recentes indicam que o aumento da temperatura global deverá ultrapassar os 1,5°C, com interacções cada vez mais crescentes e incertas entre riscos ambientais, sociais e económicos e impactos amplificados que afectarão de forma desproporcional os Países Menos Desenvolvidos e as populações mais desfavorecidas.Estabelecer um novo rumo para uma economia baseada nos direitos humanos e determinada de forma endógena pode garantir que a rica biodiversidade e os recursos naturais de Moçambique sejam reconhecidos como pré-requisitos essenciais para a sua resiliência climática. As iniciativas de desenvolvimento devem estar claramente alinhadas para proporcionar a melhor protecção possível à sua população, incluindo os mais vulneráveis, ao mesmo tempo que se alcançam múltiplos objectivos de políticas públicas em matéria de pobreza económica e energética, segurança hídrica e alimentar, educação, saúde e inovação verdadeiramente verde.Morgera afirmou ainda que a comunidade internacional, e em particular os Estados com elevadas emissões, devem respeitar as obrigações internacionais em matéria de direitos humanos e clima, de acordo com as suas respectivas responsabilidades e capacidades: os doadores, os credores da dívida internacional e os países de origem das empresas multinacionais, bem como as instituições financeiras internacionais. Devem abster-se, particularmente, de quaisquer projectos que aprofundem a dependência dos combustíveis fósseis em Moçambique e, em vez disso, apoiar o país para que dê um salto qualitativo rumo a uma economia sustentável alimentada a energia solar”, através de uma abordagem baseada nos direitos humanos.“Preocupa-me que, ao enfrentar as implicações da actual armadilha da dívida, da dependência humanitária e de um modelo económico baseado em megaprojectos prejudiciais, Moçambique corra o risco de ficar preso aos combustíveis fósseis e à indústria petroquímica, enquanto os países com elevadas emissões estão a transitar internamente para economias baseadas em energias renováveis, com benefícios económicos e de segurança nacional”, disse a Relatora Especial.Ela observou que o dilema de Moçambique era agravado pelo fracasso dos Estados com elevadas emissões em chegar a um acordo internacional sobre medidas eficazes e equitativas para abordar a mitigação nos sistemas energéticos e alimentares, bem como as perdas e danos. O dilema era ainda mais agravado pelo cumprimento limitado, por parte dos Estados desenvolvidos, das suas obrigações internacionais em matéria de financiamento climático, conforme esclarecido pelo Tribunal Internacional de Justiça.“Moçambique enfrenta uma oportunidade histórica”, acrescentou a especialista. O país tem o imperativo dos direitos humanos de desenvolver uma visão clara e integrada para uma economia baseada nos direitos humanos, capaz de apoiar o acesso à energia, sistemas alimentares saudáveis e resilientes e as melhores condições de resiliência climática para todos.Morgera afirmou em sua declaração que, identificou lições aprendidas, boas práticas e experiências que servem de alerta e que devem orientar Moçambique na transição para uma adaptação holística e baseada nos direitos humanos, que valorize o conhecimento local e as soluções lideradas a nível local, bem como no fortalecimento do quadro jurídico para garantir a responsabilidade das empresas no respeito pelos direitos humanos, incluindo a prevenção e a compensação por danos ambientais e aos direitos humanos em todos os sectores.[Fim]
*Publicado orignalmente aqui.
Elisa Morgera, Relatora Especial para a promoção e proteção dos direitos humanos no contexto das mudanças climáticas.Os Relatores Especiais, os Peritos Independentes e os Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Em conjunto, estes especialistas são designados por "Procedimentos Especiais do Conselho dos Direitos Humanos". Os peritos dos Procedimentos Especiais trabalham a título voluntário; não são funcionários da ONU e não recebem qualquer remuneração pelo seu trabalho. Embora o Escritório dos Direitos Humanos da ONU atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os peritos exercem as suas funções a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são da exclusiva responsabilidade do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.As observações e recomendações específicas por país formuladas pelos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os Procedimentos Especiais, os órgãos dos tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser consultadas no Índice Universal dos Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/Para questões e pedidos da imprensa, contacte:Frédérique Bourque (frederique.bourque@un.org).Para questões da imprensa relacionadas com outros peritos independentes da ONU, contacte: Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org).
*Publicado orignalmente aqui.
Elisa Morgera, Relatora Especial para a promoção e proteção dos direitos humanos no contexto das mudanças climáticas.Os Relatores Especiais, os Peritos Independentes e os Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Em conjunto, estes especialistas são designados por "Procedimentos Especiais do Conselho dos Direitos Humanos". Os peritos dos Procedimentos Especiais trabalham a título voluntário; não são funcionários da ONU e não recebem qualquer remuneração pelo seu trabalho. Embora o Escritório dos Direitos Humanos da ONU atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os peritos exercem as suas funções a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são da exclusiva responsabilidade do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.As observações e recomendações específicas por país formuladas pelos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os Procedimentos Especiais, os órgãos dos tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser consultadas no Índice Universal dos Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/Para questões e pedidos da imprensa, contacte:Frédérique Bourque (frederique.bourque@un.org).Para questões da imprensa relacionadas com outros peritos independentes da ONU, contacte: Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org).
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Comunicado de Imprensa
02 outubro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional da Não Violência
NOVA IORQUE, EUA - Neste Dia Internacional da Não Violência, prestamos homenagem à vida e ao legado extraordinários de Mahatma Gandhi.Ao longo de sua vida, Gandhi deu um exemplo inspirador de como promover mudanças profundas e duradouras mantendo-se firme aos princípios da paz.Ele demonstrou que a melhor maneira de combater a injustiça não é reproduzir a crueldade e a violência da discriminação e da opressão sistêmicas, mas sim utilizar as ferramentas do diálogo e da não violência para construir pontes de compreensão, promover a dignidade e gerar mudanças duradouras.Neste momento de crescente divisão, tensão e conflito, as lições de Gandhi ressoam com urgência renovada.As pessoas estão sofrendo. A pobreza e a desigualdade estão criando um abismo entre aqueles que têm e aqueles que não têm. E os próprios fundamentos da paz e do desenvolvimento — a Carta da ONU, os direitos humanos, o direito internacional, bem como a diplomacia e o diálogo — estão sendo ignorados e desrespeitados com impunidade.Nestes tempos de grande tensão, busquemos a coragem, a empatia, a dignidade e a humanidade compartilhada que Gandhi exemplificou ao longo de sua vida.Trabalhemos para superar divisões por meio de diálogo genuíno e diplomacia, acabar com o sofrimento e construir um mundo pacífico através da não violência.
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Comunicado de Imprensa
01 outubro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional das Pessoas Idosas
NOVA IORQUE, EUA - A humanidade está vivendo mais do que nunca. Estima-se que, até 2050, o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentará de 1,2 bilhão para 2,1 bilhões – o que representa 20% da população mundial.Essa é uma das grandes conquistas do nosso tempo, um sinal de melhoria na saúde e de proteções sociais mais robustas em muitas partes do mundo. Isso também gera riscos e oportunidades, transformando economias e sociedades.Por isso, o tema do Dia Internacional das Pessoas Idosas deste ano é "A Era da Longevidade: Repensando Sistemas para Vidas Mais Longas". É um apelo urgente para atender às necessidades de um mundo em processo de envelhecimento.Para muitas pessoas, envelhecer significa enfrentar a insegurança e o risco de serem deixadas para trás. Significa também deparar-se com a discriminação, que compromete direitos e o bem-estar. No entanto, políticas adequadas – desde emprego e previdência até habitação, assistência à saúde e aprendizagem ao longo da vida – podem ajudar as pessoas a continuarem participando de forma significativa, independentemente da idade.As pessoas idosas são líderes e cuidadoras, desempenhando um papel vital nas famílias, nas comunidades e nas economias. Neste Dia Internacional das Pessoas Idosas, vamos nos comprometer com a solidariedade intergeracional. Juntos, podemos elaborar políticas que garantam que vidas mais longas sejam também vidas boas – vividas com autonomia, segurança e dignidade.
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Comunicado de Imprensa
01 outubro 2026
Convite à Imprensa
MAPUTO, Moçambique - O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) tem a honra de convidar o vosso distinto Órgão de Comunicação, para proceder com cobertura do evento, com os detalhes abaixo. O acesso é estritamente limitado a jornalistas.
Assunto: Conferência de imprensa da Relatora Especial para a Promoção e Proteção dos Direitos Humanos no Contexto das Mudanças Climáticas, Sra. Elisa Morgera, apresentará as suas conclusões preliminares e recomendações após visita oficial a Moçambique.Local: Instalações do ACNUDH, na Avenida Kim Il Sung, n.º 974, em Maputo.Data: 2 de outubro de 2026Hora: 13h00Resumo: A Relatora Especial para a Promoção e Proteção dos Direitos Humanos no Contexto das Mudanças Climáticas, Sra. Elisa Morgera, realiza uma visita oficial a Moçambique de 21 de setembro a 2 de outubro. A visita teve como objetivo recolher informações em primeira mão sobre os impactos das mudanças climáticas nos direitos humanos e sobre até que ponto os direitos humanos estão a moldar as respostas climáticas existentes e planeadas.
Os Relatores Especiais, os Peritos Independentes e os Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Em conjunto, estes especialistas são designados por "Procedimentos Especiais do Conselho dos Direitos Humanos". Os peritos dos Procedimentos Especiais trabalham a título voluntário; não são funcionários da ONU e não recebem qualquer remuneração pelo seu trabalho. Embora o Escritório dos Direitos Humanos da ONU atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os peritos exercem as suas funções a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são da exclusiva responsabilidade do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.As observações e recomendações específicas por país formuladas pelos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os Procedimentos Especiais, os órgãos dos tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser consultadas no Índice Universal dos Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/Para questões e pedidos da imprensa, contacte:Frédérique Bourque (frederique.bourque@un.org).Para questões da imprensa relacionadas com outros peritos independentes da ONU, contacte: Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org).
Assunto: Conferência de imprensa da Relatora Especial para a Promoção e Proteção dos Direitos Humanos no Contexto das Mudanças Climáticas, Sra. Elisa Morgera, apresentará as suas conclusões preliminares e recomendações após visita oficial a Moçambique.Local: Instalações do ACNUDH, na Avenida Kim Il Sung, n.º 974, em Maputo.Data: 2 de outubro de 2026Hora: 13h00Resumo: A Relatora Especial para a Promoção e Proteção dos Direitos Humanos no Contexto das Mudanças Climáticas, Sra. Elisa Morgera, realiza uma visita oficial a Moçambique de 21 de setembro a 2 de outubro. A visita teve como objetivo recolher informações em primeira mão sobre os impactos das mudanças climáticas nos direitos humanos e sobre até que ponto os direitos humanos estão a moldar as respostas climáticas existentes e planeadas.
Os Relatores Especiais, os Peritos Independentes e os Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Em conjunto, estes especialistas são designados por "Procedimentos Especiais do Conselho dos Direitos Humanos". Os peritos dos Procedimentos Especiais trabalham a título voluntário; não são funcionários da ONU e não recebem qualquer remuneração pelo seu trabalho. Embora o Escritório dos Direitos Humanos da ONU atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os peritos exercem as suas funções a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são da exclusiva responsabilidade do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.As observações e recomendações específicas por país formuladas pelos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os Procedimentos Especiais, os órgãos dos tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser consultadas no Índice Universal dos Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/Para questões e pedidos da imprensa, contacte:Frédérique Bourque (frederique.bourque@un.org).Para questões da imprensa relacionadas com outros peritos independentes da ONU, contacte: Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org).
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