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Comunicado de Imprensa
26 agosto 2026
Comunidades de Cabo Delgado Validam Planos de Acção Espacial
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Discurso
26 agosto 2026
Discurso da Coordenadora Residente da ONU durante o Fórum Nacional sobre Habitação, Terra e Segurança de Posse e Soluções Duráveis para o Deslocamento Interno
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Discurso
25 agosto 2026
Discurso da Coordenadora Residente da ONU durante a Cerimônia de Abertura da Acção Nacional das Mulheres para o Diálogo pela Paz
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão a contribuir a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 em Moçambique:
História
21 julho 2026
Para além da resposta de emergência
MAPUTO, Moçambique - Moçambique continua altamente vulnerável aos crescentes impactos dos choques relacionados com o clima. Nos últimos anos, as comunidades agrícolas em todo o país enfrentaram repetidos eventos meteorológicos extremos, incluindo ciclones como Chido e Jude, cheias generalizadas nas regiões sul e centro, e uma seca severa induzida pelo fenómeno El Niño que afectou importantes zonas de produção. Com as previsões a indicarem o potencial surgimento de um novo episódio de El Niño nas próximas campanhas, mantêm-se elevadas as preocupações quanto à probabilidade de futuras perturbações relacionadas com o clima afectarem a produção agrícola e os meios de subsistência rurais. Estes choques recorrentes continuam a comprometer os meios de subsistência, danificar os sistemas de produção agrícola e agravar a insegurança alimentar de milhões de agregados familiares rurais.Em situações de emergência humanitária, a assistência atempada é essencial para ajudar as famílias afectadas a satisfazer as necessidades imediatas e restaurar a produção agrícola. No entanto, à medida que os choques climáticos se tornam mais frequentes e intensos, cada resposta de emergência deve também contribuir para a recuperação e resiliência a longo prazo.Na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), as intervenções agrícolas de emergência são concebidas não apenas para apoiar a recuperação imediata, mas também para reforçar a capacidade das comunidades para enfrentar melhor futuros choques. Ao promover práticas agrícolas sustentáveis e inteligentes face ao clima, apoiar o acesso a insumos adaptados às condições locais e reforçar os conhecimentos técnicos dos agricultores, a FAO está a ajudar comunidades vulneráveis a recuperar enquanto constrói meios de subsistência mais resilientes. Responder às cheias enquanto se reforça a preparação para a seca através da acção antecipatóriaA FAO reconhece que uma acção atempada antes de uma crise atingir o seu pico pode reduzir significativamente o impacto dos choques climáticos nos meios de subsistência agrícolas. Através de abordagens de acção antecipatória baseadas em evidências, a FAO apoia o Governo de Moçambique no reforço dos mecanismos de preparação e resposta precoce.Utilizando dados e análises do Sistema Global de Informação e Alerta Precoce (GIEWS) da FAO, a Organização trabalha com autoridades nacionais e locais para melhorar os sistemas de alerta precoce, a planificação da preparação e as acções antecipatórias previamente acordadas. Ao agir com base em previsões credíveis, incluindo os potenciais impactos de secas induzidas pelo fenómeno El Niño, as comunidades podem adoptar medidas preventivas antes da ocorrência dos choques previstos.Em Moçambique, as acções antecipatórias da FAO incluíram a distribuição de sementes tolerantes à seca e de ciclo curto, apoio a sistemas de captação de água e irrigação de pequena escala, promoção da agricultura de conservação e de práticas de agricultura inteligente face ao clima, bem como formação sobre gestão sustentável da água, produção de composto orgânico e biopesticidas. Estas medidas ajudam os agregados familiares vulneráveis a proteger os seus activos produtivos, reduzir perdas e reforçar a resiliência antes da ocorrência de desastres. Dignidade e escolha através da assistência baseada nos mercadosQuando ocorrem desastres, o apoio agrícola rápido é fundamental para garantir que os agricultores possam aceder aos insumos a tempo da campanha agrícola. Igualmente importante é assegurar que a assistência seja prestada de forma a reforçar os sistemas locais e apoiar a autonomia e a capacidade de decisão dos agricultores.Durante a resposta à campanha agrícola 2026, a FAO apoiou agregados familiares vulneráveis nas províncias de Gaza e Sofala através de uma campanha de distribuição de e-vouchers destinada a restaurar a produção agrícola após as cheias e outros choques relacionados com o clima. A intervenção abrangeu os distritos de Chibuto, Guijá, Mabalane, Mapai e Massangena, na província de Gaza, e Buzi, Chibabava, Machanga e Nhamatanda, na província de Sofala.Foi registado um total de 17 365 agregados familiares, face a uma meta prevista de 17 118 agregados familiares. No final do processo de distribuição, 15 599 agregados familiares tinham resgatado os seus e-vouchers, representando 89,8 por cento dos agregados registados e 91,1 por cento da meta planeada. Em Gaza, 9 032 agregados familiares utilizaram os vouchers, alcançando 99,1 por cento da meta provincial. Em Sofala, 6 567 agregados familiares utilizaram os vouchers, atingindo 82,1 por cento da meta provincial.Através do sistema de e-voucher, os agricultores receberam um voucher intransmissível no valor de 3 200 meticais, validado através de um sistema de verificação biométrica. Esta abordagem permitiu aos agricultores seleccionar os insumos agrícolas mais adequados às suas necessidades de produção, ao mesmo tempo que reforçou os mercados locais. Agrodealers locais forneceram sementes certificadas, enxadas, regadores e outros materiais essenciais através de feiras locais de insumos agrícolas organizadas próximo das comunidades afectadas.Os dados da distribuição destacam igualmente o papel central das mulheres na produção agrícola e na recuperação dos agregados familiares. As mulheres representaram 11 348 dos 15 599 agregados familiares que utilizaram os vouchers, ou seja, quase 73 por cento de todos os resgates. O registo através do sistema biométrico de e-voucher reforçou a participação das mulheres ao permitir-lhes aceder à assistência de forma directa, segura e independente, aumentando o seu controlo sobre os recursos e o seu papel na tomada de decisões no agregado familiar e no âmbito do programa. Ao colocar as decisões de compra directamente nas mãos dos beneficiários, o sistema reforçou igualmente a autonomia das mulheres ao longo de todo o processo de assistência. Semear resiliência através da agricultura inteligente face ao climaPara além da assistência imediata, a FAO continua a trabalhar lado a lado com as comunidades para reforçar práticas agrícolas sustentáveis e reduzir a dependência de apoios externos recorrentes. Através de abordagens participativas de formação em grupo, bem como de actividades individuais de acompanhamento e reforço de capacidades, os agricultores testam e adoptam técnicas de agricultura inteligente face ao clima adaptadas às condições locais e aos padrões meteorológicos cada vez mais imprevisíveis.A FAO trabalha também em estreita colaboração com os Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE), reforçando as capacidades locais de extensão rural através de abordagens de Formação de Formadores que permitem aos extensionistas continuar a apoiar as comunidades para além da duração dos projectos. Paralelamente, técnicos de campo da FAO e extensionistas dos SDAE prestam formação técnica directa aos agricultores ao nível comunitário, promovendo a adopção de práticas agrícolas resilientes e sustentáveis.Estas práticas incluem métodos melhorados de plantio, rotação de culturas, conservação do solo e da água e abordagens de gestão integrada de pragas. A formação incide também na auto-suficiência a longo prazo através do desenvolvimento de competências práticas em multiplicação de sementes e armazenamento pós-colheita, ajudando os agregados familiares a preservar insumos e a preparar futuras campanhas agrícolas.As comunidades aprendem igualmente a produzir biopesticidas naturais e biol, um fertilizante líquido orgânico, utilizando materiais disponíveis localmente para melhorar a saúde do solo, reduzir os custos de produção e promover práticas agrícolas ambientalmente sustentáveis. Muitas destas abordagens baseiam-se em conhecimentos locais existentes e em boas práticas tradicionais, ao mesmo tempo que promovem o uso sustentável dos recursos disponíveis localmente. Como resultado, as comunidades conseguem continuar a aplicar e adaptar estas técnicas muito para além da duração das intervenções dos projectos. Um apelo à parceria e ao investimento sustentadoCom milhões de pessoas em Moçambique a continuarem a enfrentar insegurança alimentar aguda, o investimento sustentado em meios de subsistência agrícolas resilientes continua a ser essencial. As comunidades agrícolas moçambicanas continuam a demonstrar uma forte capacidade de recuperação e adaptação quando apoiadas com ferramentas, conhecimentos e recursos adequados.A agricultura oferece um dos maiores retornos sobre os investimentos humanitários e de resiliência: a FAO estima que cada dólar investido no apoio agrícola pode gerar até três dólares em valor alimentar local, ao mesmo tempo que ajuda os agregados familiares a proteger os seus meios de subsistência e a reduzir futuras necessidades de assistência.No entanto, apesar de até 80 por cento das pessoas em situação de insegurança alimentar aguda viverem em zonas rurais, apenas uma pequena parcela do financiamento humanitário é dirigida à produção alimentar e à recuperação agrícola. Reforçar o investimento em sistemas agroalimentares resilientes continua, por isso, a ser fundamental não apenas para a recuperação imediata, mas também para reduzir a vulnerabilidade futura aos choques relacionados com o clima.A intervenção de e-voucher de 2026 ilustra como a assistência agrícola atempada pode apoiar simultaneamente a resposta de emergência e a recuperação a longo prazo. Com base nestes esforços, a FAO, em apoio ao Governo de Moçambique, está a implementar o Plano de Recuperação das Cheias em Moçambique 2026–2031, que visa restaurar a produção agrícola, reconstruir meios de subsistência e reforçar a resiliência das comunidades afectadas pelas cheias.O plano procura mobilizar US$ 107,66 milhões para apoiar 1,8 milhões de pessoas entre 2026 e 2031 através de intervenções integradas de recuperação e reforço da resiliência. No âmbito mais amplo do Plano de Emergência e Resiliência da FAO para Moçambique, estes esforços visam expandir o apoio aos agregados familiares agrícolas vulneráveis em todo o país, ao mesmo tempo que reforçam a capacidade das comunidades para enfrentar melhor futuros choques relacionados com o clima.A concretização destes objectivos exige uma colaboração contínua entre instituições governamentais, doadores, parceiros técnicos e comunidades locais. A intervenção de e-voucher de 2026 foi implementada através dos esforços conjuntos do Governo de Moçambique e da FAO, com apoio financeiro da Áustria, Bélgica, Noruega e União Europeia.O investimento em intervenções agrícolas atempadas, de elevada qualidade e ambientalmente sustentáveis continua a ser fundamental não apenas para a recuperação imediata, mas também para reforçar a segurança alimentar, a resiliência e os meios de subsistência rurais a longo prazo em Moçambique.
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História
15 julho 2026
UNV: “Aprendi a verificar antes de partilhar”
MAPUTO, Moçambique – Para Leonor Ruazire, o voluntariado é uma oportunidade de colocar os seus conhecimentos ao serviço das comunidades e contribuir para mudanças positivas. No âmbito do Projeto Democracia e Eleições do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Moçambique, Leonor trabalha como voluntária das Nações Unidas e monitora de mídia digital, analisando conteúdos que podem afetar a confiança pública, a participação cívica e a coesão social.“Sempre gostei de servir as comunidades. No voluntariado, encontrei uma oportunidade de fazer a diferença e aplicar os meus conhecimentos para gerar mudanças positivas”, afirma Leonor. Monitorar para proteger a integridade da informaçãoLeonor monitora conteúdos nas redes sociais, com particular atenção à desinformação, discurso de ódio e outros conteúdos nocivos.Seu trabalho foi especialmente relevante durante os processos eleitorais e o continua sendo no contexto do Diálogo Nacional Inclusivo - iniciativa promovida pelo Governo de Moçambique, cujo objetivo é debater consensos sobre o sistema de governação do País.Por meio da plataforma eMonitor+, ela analisa conteúdos nas redes sociais, identifica possíveis casos de desinformação ou de discurso de ódio e apoia a elaboração de relatórios que fortalecem a transparência, a integridade da informação e a confiança pública nela.Para além de reforçar as suas competências profissionais, essa experiência mudou a forma como Leonor recebe, interpreta e partilha informação no dia a dia.“Hoje sou mais crítica em relação à informação que recebo. Aprendi a verificar os fatos antes de partilhar qualquer conteúdo. Isso impactou a minha vida, a minha família e os meus amigos. Num tempo em que informações falsas circulam rapidamente, verificar tornou-se um hábito”, comenta. Agente de mudança em qualquer lugarUm dos momentos mais marcantes da missão de Leonor aconteceu fora do escritório, durante uma viagem num transporte público.Um jovem ao seu lado se preparava para partilhar um vídeo de conteúdo político num grupo de um aplicativo de mensagens instantâneas. Leonor perguntou se ele havia confirmado a veracidade da informação e o incentivou a verificar a fonte antes de divulgar.Após buscar mais informações, o jovem percebeu que se tratava de uma notícia falsa e decidiu não a partilhar.“Foi nesse momento que percebi que o meu papel não termina no escritório. Sou uma agente de mudança em qualquer lugar, seja na comunidade, em casa ou no transporte público”, diz Leonor.Para ela, esse episódio monstrou que pequenas intervenções podem impedir a propagação de informações falsas e fortalecer comunidades mais informadas, responsáveis e resilientes. Servir e fazer a diferençaLeonor acredita que o voluntariado começa com a vontade de servir e ganha significado quando se traduz em mudanças concretas na vida das pessoas e das comunidades.“Voluntariado significa servir e fazer a diferença. Significa acreditar que pequenas acções podem transformar vidas e contribuir para um mundo melhor” - Leonor Ruazire, Voluntária das Nações Unidas.A sua experiência destaca o papel dos Voluntários da ONU na promoção da paz, da inclusão, da participação cívica e do desenvolvimento sustentável.O PNUD apoia Moçambique no fortalecimento da governação democrática, da participação cívica e de instituições inclusivas. Por meio do Projeto Democracia e Eleições, em parceria com o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), o PNUD promove iniciativas para fortalecer a integridade da informação e combater a desinformação, o discurso de ódio e outros desafios no ambiente digital.
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História
13 julho 2026
Da Evidência à Ação: Transformando a Educação Técnica e Profissional em Moçambique
MAPUTO, Moçambique - Enquanto Moçambique continua a enfrentar o desafio de criar empregos de qualidade para uma força de trabalho em rápido crescimento, uma questão crucial permanece: como podem os sistemas de ensino melhor apoiar os jovens, não só no acesso à formação, mas também na procura de emprego relevante e sustentável?Dado o potencial da Educação e Formação Técnica e Profissional (EFTP) para dotar os jovens de competências práticas e relevantes para o mercado de trabalho, que são procuradas em setores-chave do desenvolvimento, este é amplamente considerado parte da solução. No entanto, evidências recentes mostram que a transição da educação para o trabalho continua lenta, incerta e frequentemente marcada pela informalidade e pela inadequação de competências – particularmente para as mulheres jovens.Estas questões estiveram no centro de um workshop de políticas realizado em Maputo, em junho, organizado em conjunto pela UNESCO e pelo Programa Crescimento Inclusivo em Moçambique (IGM em sua sigla inglesa), com contributos da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).O workshop reuniu representantes do governo, instituições de formação, setor privado, academia, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento para mapear as principais restrições que afetam a transição da escola para o trabalho e identificar respostas políticas concretas e baseadas em evidências, com foco em quatro temas inter-relacionados: transição da educação para o emprego e sistemas de dados; alinhamento entre formação e demanda do mercado de trabalho; gênero e inclusão; e qualidade dos resultados da formação e do emprego.Com base nas discussões realizadas durante o workshop, os participantes identificaram quatro prioridades recorrentes para o fortalecimento das políticas e práticas de EFTP (Educação e Formação Técnica e Profissional). A reforma da Educação e Formação Técnica e Profissional (EFTP) exige uma abordagem governamental abrangenteA melhoria da EFTP não se resume à atualização de currículos ou à ampliação do acesso. Requer uma análise do funcionamento de todo o sistema — abrangendo instituições, sistemas de dados, mecanismos de governança e atores do mercado de trabalho — bem como uma avaliação tanto da oferta quanto da demanda.Atualmente, as responsabilidades pela EFTP estão distribuídas entre diversos ministérios e órgãos públicos, incluindo os responsáveis pela educação, trabalho, juventude, política econômica e setores produtivos-chave. A coordenação entre esses atores ainda é limitada.Os dados sobre educação e mercado de trabalho também permanecem fragmentados e subutilizados. Isso dificulta o acompanhamento do que acontece após a formação: se os graduados encontram trabalho relevante, quais habilidades os empregadores precisam e onde o sistema está apresentando deficiências. Uma maior integração entre as instituições relevantes, os sistemas de dados, os provedores de formação e os empregadores ajudaria a transformar essas informações em melhores decisões e a impulsionar a reforma da EFTP, transformando iniciativas isoladas em trajetórias coerentes.É também nesse ponto que as parcerias podem agregar valor. A colaboração entre a UNESCO, a UNIDO, a OIT e a UNU-WIDER ilustra como diferentes pontos fortes podem ser mobilizados em apoio à reforma liderada pelo governo: conectando a geração de evidências, os marcos políticos, a experiência no setor produtivo e o conhecimento do mercado de trabalho. O setor privado precisa de um papel formalCom mais de quatro em cada dez graduados em EFPT (Educação e Formação Técnica e Profissional) trabalhando fora de sua área de formação, e um terço afirmando que seu trabalho não exige as habilidades adquiridas durante a formação, um maior engajamento com o setor privado é essencial para garantir que a formação reflita a demanda real do mercado de trabalho.Ao mesmo tempo, o setor privado permanece insuficientemente engajado. O engajamento fraco e em grande parte pontual com os empregadores — particularmente as pequenas e médias empresas (PMEs) — continua a gerar desajustes de competências. Embora atores como a CTA (Confederação das Associações Econômicas de Moçamibque) e empresas individuais estejam envolvidos em algumas iniciativas, seu papel não está institucionalizado dentro do sistema de EFPT.Os participantes enfatizaram a necessidade de passar de uma colaboração pontual para um envolvimento mais estruturado, com funções claras — incluindo para a ANEP (Autoridade Nacional para a Educação Profissional) e o INEP (Instituto Nacional de Emprego) — tanto a nível nacional como subnacional. Isto inclui envolver os empregadores de forma mais sistemática na cocriação curricular, expandir as oportunidades de estágio e formação profissional e fortalecer as ligações entre as instituições de formação e os empregadores. Incentivos — como subsídios ou créditos fiscais específicos — também podem ser necessários para encorajar a participação das empresas. É necessária uma mudança de foco, passando do acesso para os resultadosApesar do progresso na expansão do acesso ao ensino técnico e profissional, as evidências mostram que muitos graduados ainda ingressam em empregos informais, instáveis ou inadequados às suas qualificações. Estes desafios são particularmente acentuados para as mulheres, que continuam a enfrentar barreiras no acesso às áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e a empregos de qualidade após a formação.Os participantes enfatizaram a necessidade de focar nos resultados em vez do acesso — como a qualidade do emprego, a adequação ao emprego e as disparidades de género. Isso exige uma coordenação mais estreita entre instituições como o Ministério da Educação e Cultura (MEC), o Ministério do Trabalho, Gênero e Ação Social (MTGAS) e o Instituto Nacional de Estatística (INE), juntamente com intervenções direcionadas para combater as desigualdades estruturais. A qualidade do emprego deve ser uma medida central de sucessoA oficina destacou as limitações de se basear exclusivamente nas taxas de emprego como medida de sucesso. Uma abordagem mais abrangente deve considerar se os empregos são formais, estáveis e alinhados com as qualificações dos graduados, bem como se apoiam o desenvolvimento de carreira a longo prazo.Para abordar essa questão, é necessário aprimorar a mensuração dos resultados de emprego — incluindo indicadores sobre adequação entre o candidato e o emprego, subemprego, satisfação do empregador e melhorias na qualidade da formação. O fortalecimento dos componentes práticos, a melhoria dos ambientes de aprendizagem e a garantia do desenvolvimento contínuo de professores e formadores são fundamentais. Vincular a qualidade da formação a um monitoramento robusto dos resultados de emprego será essencial para garantir que o ensino técnico e profissional leve a empregos significativos e sustentáveis. Das ideias à açãoAs evidências recentes sobre a transição da escola para o trabalho, combinadas com as ideias obtidas nas discussões do workshop, apontam para uma direção clara para a reforma: sistemas mais robustos, melhores dados, maior envolvimento com o setor privado e um foco constante nos resultados — particularmente na qualidade e inclusão do emprego. Traduzir essas ideias em ação exigirá colaboração contínua, investimento em dados e capacidade institucional, e um compromisso com a formulação de políticas baseadas em evidências. Trabalhando juntos, temos a oportunidade de fortalecer a Educação e Formação Técnica e Profissional (EFTP) como um motor de crescimento inclusivo — apoiando os jovens não apenas no acesso à formação, mas também na transformação de suas habilidades em empregos produtivos e dignos — incluindo o trabalho autônomo — que sustentam uma economia mais inclusiva e dinâmica.
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História
09 julho 2026
"A ONU Está Comprometida com o Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique"
MAPUTO, Moçambique - Olhar para os avanços dos últimos 25 anos e definir prioridades para construir um Moçambique mais próspero, resiliente e inclusivo nas próximas décadas. Esses foram os objetivos da Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, “Do Balanço à Ação – Rumo ao Desenvolvimento Integrado do País”, realizada ontem, 8 de julho, em Maputo.Organizado pelo Governo de Moçambique, através do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, o evento reuniu mais de 500 representantes do Governo, das Nações Unidas, do setor privado, dos parceiros de desenvolvimento, da sociedade civil, da academia e da juventude entre outros.“O desenvolvimento sustentável é uma responsabilidade coletiva e partilhada; constrói-se quando uma nação decide colocar o seu futuro acima das circunstâncias do presente”, afirmou Sua Excelência o Presidente da República, Senhor Daniel Chapo, na abertura do evento.A conferência criou um fórum plural de diálogo nacional por meio de dois amplos painéis de discussão, nos quais foi avaliado o desenvolvimento de Moçambique entre 2000 e 2025 e debatidas medidas concretas sobre como o País pode continuar a sua trajetória de desenvolvimento de forma mais inclusiva e próspera até 2050. Ao longo do dia, a resiliência e a juventude foram destacadas como alguns dos principais ativos de Moçambique, tendo sido igualmente salientada a necessidade de promover as pequenas e médias empresas para dinamizar a economia, gerar emprego e alcançar uma maior independência econômica, acelerando assim o crescimento. “O Moçambique que nos comprometemos a construir é um País onde a riqueza do subsolo se transforma em escolas, hospitais e estradas”, afirmou Sua Excelência o Ministro Salim Valá. "A ONU está comprometida com o desenvolvimento inclusivo e sustentável de Moçambique", afirmou a Dra. Catherine Sozi, Chefe da ONU Moçambique, no discurso de encerramento da conferência. “As Nações Unidas estão prontas para continuar esta caminhada ao lado do Governo e do Povo de Moçambique”.“[Temos] confiança no potencial do País, respeito pela sua liderança e otimismo quanto ao que pode ser alcançado por meio de parcerias, diálogo e compromisso partilhado”, continuou a Dra. Sozi. Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável Sem Deixar Ninguém para TrásDurante o evento, o desenvolvimento inclusivo e sustentável foi caracterizado como aquele que conecta as pessoas às oportunidades, garantindo que estas sejam acessíveis a todos, de modo a criar possibilidades duradouras de crescimento de longo prazo.“O crescimento rápido, por si só, não será suficiente; o sucesso deverá ser medido pela capacidade de esse crescimento criar empregos dignos, reduzir desigualdades, reforçar a resiliência e alargar a dignidade e as oportunidades para todos, em todas as províncias e distritos, especialmente para mulheres, jovens, pessoas com deficiência e para as comunidades mais vulneráveis”, afirmou a Dra. Catherine Sozi, Chefe da ONU em Moçambique no seu discurso de encerramento da conferência. Durante a jornada, destacou-se a importância da educação e do fortalecimento das instituições, de forma estruturada, para assegurar uma boa gestão dos recursos e uma execução eficiente das políticas públicas.Da mesma forma, foi destacada a necessidade de atrair investimento estrangeiro e estabelecer alianças estratégicas para acelerar o crescimento, sem descurar a importância de construir uma classe empresarial forte. Salientou-se também que o desenvolvimento não está relacionado apenas com a economia, mas sobretudo com as pessoas e com o impacto que gera nas suas vidas. Por isso, “é fundamental promover uma cultura de diálogo permanente e inclusivo, valorizando as mulheres como atores fundamentais para a coesão social”, afirmou a Dra. Catherine Sozi, Coordenadora Residente das Nações Unidas.“Esta oportunidade deve ser um compromisso partilhado para a transformação estrutural, a paz duradoura e a promessa de que ninguém ficará para trás”, continuou a Chefe da ONU em Moçambique. No encerramento do evento, foi assinada a Declaração de Maputo, reunindo ideias e compromissos destinados a apoiar uma agenda estratégica de transformação do País nos próximos 25 anos. A declaração pretende materializar a passagem do diálogo à ação, inspirada na visão de um Moçambique mais inclusivo, sustentável e próspero para as próximas gerações.
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História
08 julho 2026
Duas Gotas de Confiança: Comunidades e Profissionais Unidos para Proteger as Crianças da Pólio
MAPUTO, Moçambique - Entre 17 e 20 de junho, Moçambique realizou a segunda ronda da campanha de vacinação contra a poliomielite em 64 distritos de sete províncias, nomeadamente Gaza, Manica, Tete, Zambézia, Nampula, Niassa e Cabo Delgado. A campanha teve como objectivo de vacinar para imunizar mais de 6 milhões de crianças menores de cinco anos e reforçar a qualidade da vacinação após a ronda anterior, em que apenas 57,1% dos distritos atingiram os padrões de desempenho esperados.Na Província de Tete, profissionais de saúde, voluntários e líderes comunitários uniram esforços para levar a vacina a todas as crianças elegíveis, incluindo nas comunidades mais remotas disponibilizando para toda província 1.390.394 doses de vacinas.Para isso, todos os distritos da província mobilizaram cerca de 1.597 equipas fixas e equipas casa a casa, garantindo que nenhuma criança ficasse por vacinar.Argélia Cardoso Sainete, vacinadora fez parte desse esforço. Aos 36 anos, participa nas campanhas de vacinação contra a pólio desde 2024 e, nesta ronda, integrou uma equipa fixa no Centro de Saúde de Cateme, no distrito de Moatize, onde recebeu diariamente dezenas de crianças acompanhadas pelos seus cuidadores. “Como vacinadora, converso com cada mãe e cada pai para explicar que esta vacina protege as crianças contra a poliomielite e evita que cresçam com as consequências da doença", conta Argélia Sainete.Para alcançar as crianças que vivem longe das unidades sanitárias ou que ainda não tinham sido vacinadas, entraram em acção as equipas casa a casa, compostas por vacinadores, registadores, mobilizadores, coordenadores e líderes comunitários, que percorreram as comunidades até ao último dia da campanha.Foi assim que a filha de Suzene Tony, residente na comunidade de Kanhungwe, distrito de Moatize, recebeu a vacina em casa. Cenários como este repetiram-se em diferentes pontos da província, assegurando que mesmo as crianças ausentes nos primeiros dias fossem protegidas antes do encerramento da campanha. Simultaneamente, oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanharam as actividades de supervisão em diferentes distritos, verificando a conservação das vacinas, a disponibilidade de insumos, o cumprimento das normas de vacinação e a marcação dos dedos das crianças vacinadas.Este acompanhamento permitiu assegurar não apenas que mais crianças fossem alcançadas, mas também que a vacinação decorresse com qualidade e segurança.
“Esta segunda ronda permitiu reforçar os resultados alcançados anteriormente”, assegurou o Dr. Lelo Zola, Oficial Técnico da OMS e Coordenador Nacional da Iniciativa Global para a Erradicação da Poliomielite. “Estar no terreno garante que acompanhemos a campanha em tempo real para identificar desafios e apoiar as equipas para responder em tempo útil”, continuou o Dr. Lelo Zola. O trabalho conjunto das equipas fixas, equipas casa a casa e das actividades de supervisão permitiu reforçar o alcance da campanha nesta segunda ronda.Em todo o país, mais de 6.128.800 crianças foram vacinadas, superando a cobertura estimada.
Em Tete, 1.178.300 criancas constituem o grupo alvo e cada criança vacinada representa muito mais do que duas gotas administradas, representa a confiança necessária para proteger as próximas gerações e construir um Moçambique livre da poliomielite.
A campanha integra os esforços do Ministério da Saúde, com apoio técnico e logístico da Organização Mundial da Saúde e do UNICEF e financiamento de parceiros como o Governo do Reino Unido através do Foreign, Commonwealth & Development Office, do Banco de Investimento Europeu e da Fundação Gates, para reforçar a imunização e proteger todas as crianças elegíveis.
“Esta segunda ronda permitiu reforçar os resultados alcançados anteriormente”, assegurou o Dr. Lelo Zola, Oficial Técnico da OMS e Coordenador Nacional da Iniciativa Global para a Erradicação da Poliomielite. “Estar no terreno garante que acompanhemos a campanha em tempo real para identificar desafios e apoiar as equipas para responder em tempo útil”, continuou o Dr. Lelo Zola. O trabalho conjunto das equipas fixas, equipas casa a casa e das actividades de supervisão permitiu reforçar o alcance da campanha nesta segunda ronda.Em todo o país, mais de 6.128.800 crianças foram vacinadas, superando a cobertura estimada.
Em Tete, 1.178.300 criancas constituem o grupo alvo e cada criança vacinada representa muito mais do que duas gotas administradas, representa a confiança necessária para proteger as próximas gerações e construir um Moçambique livre da poliomielite.
A campanha integra os esforços do Ministério da Saúde, com apoio técnico e logístico da Organização Mundial da Saúde e do UNICEF e financiamento de parceiros como o Governo do Reino Unido através do Foreign, Commonwealth & Development Office, do Banco de Investimento Europeu e da Fundação Gates, para reforçar a imunização e proteger todas as crianças elegíveis.
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História
19 agosto 2026
Trabalhadores Humanitários em Ação: Como os Motoristas do PMA Mantiveram a Assistência em Movimento
MAPUTO, Moçambique - Quando as águas das cheias isolaram comunidades no centro e sul de Moçambique, no início deste ano, chegar às famílias que precisavam de apoio tornou-se um dos maiores desafios da resposta de emergência. Estradas ficaram submersas, vias de acesso foram interrompidas e comunidades inteiras ficaram isoladas.Para o Programa Mundial para a Alimentação em Moçambique (PMA), manter o acesso humanitário exigiu uma combinação de trabalho em equipe, coordenação e determinação. No centro desse esforço estavam os motoristas que operavam o SHERP, um veículo anfíbio para todo-o-terreno capaz de chegar a locais inacessíveis para os meios de transporte convencionais.Para Francisco Albano, motorista baseado na cidade da Beira, a dimensão da crise ficou clara desde o primeiro momento. “Vi estradas submersas, casas inundadas e famílias isoladas, sem poder sair ou receber assistência”, recorda. “Ver aquela situação despertou em mim um forte sentido de responsabilidade e uma vontade ainda maior de ajudar”. O SHERP tornou-se rapidamente um recurso essencial. Segundo Mohamed Razak, Oficial de Cadeia de Abastecimento, o veículo permitiu ao PMA e aos seus parceiros transportar alimentos e bens de assistência para zonas inacessíveis por estrada ou por via fluvial, ajudando a garantir que o apoio continuasse a chegar às comunidades afetadas apesar das cheias.Operar o veículo, no entanto, estava longe de ser simples. Muitas vezes, os motoristas tinham de atravessar zonas alagadas onde estradas e obstáculos permaneciam escondidos debaixo de água. “Nunca sabíamos se estávamos a passar por cima de um tronco submerso ou de outro obstáculo”, conta João Coca, também motorista baseado na Beira. “Era preciso manter um nível muito elevado de atenção e cautela”. O papel dos motoristas ia muito além do transporte. Como alguns dos primeiros profissionais a chegar às áreas afetadas, eles recolhiam informações críticas que ajudavam a orientar as decisões operacionais. “Eles eram os nossos olhos e ouvidos no terreno”, afirma Paulo Cuna, Gestor de Frota. “O sucesso de uma missão dependia muitas vezes da sua capacidade de avaliar as condições em tempo real e tomar as decisões operacionais certas”.Para Sergio Jafar, outro operador do SHERP e motorista baseado em Maputo, este trabalho reflete os valores humanitários que orientam a missão do PMA.“A minha motivação vem do desejo de ajudar famílias que precisam,” diz. “Sinto-me emocionado e cheio de energia ao saber que as comunidades reconhecem o trabalho do PMA e que faço parte dele”. A resposta exigiu uma coordenação estreita entre as equipas de logística, programas e emergência, que trabalharam sob condições em constante mudança.“As operações com o SHERP foram fundamentais para o sucesso da resposta”, afirma Tiago Coucelo, Coordenador da Resposta de Emergência. “Sem esta capacidade especializada, muitas famílias teriam enfrentado atrasos significativos no acesso à assistência vital”.Neste Dia Mundial Humanitário, as Nações Unidas prestam homenagem a estes motoristas que trabalham nos bastidores para tornar possível a ação humanitária. A sua competência, compromisso e coragem ajudaram a garantir que a assistência chegasse a quem mais precisava. Porque, quando as estradas desapareceram, eles encontraram uma forma de avançar.
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História
12 agosto 2026
Transformando comunidades, uma conversa de cada vez
MAPUTO, Moçambique – Em diferentes pontos do País, jovens estão a transformar as suas comunidades, promovendo o acesso à informação, à educação, à saúde e a novas oportunidades. No âmbito do Dia Internacional da Juventude, 12 de agosto, conheça as histórias de jovens que, com o apoio de iniciativas das Nações Unidas e seus parceiros, estão a contribuir para construir um futuro mais inclusivo em Moçambique. Miranda João, Teodoro André e Filomena António levam informação essencial sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos a jovens de suas comunidades na Província de Niassa, por meio de um projeto do UNFPA (Fundo das Nações Unidas para a População) financiado pela Agência Coreana de Cooperação Internacional (KOICA).Filomena, de 26 anos, percorre sua comunidade explicando sobre os diferentes métodos contraceptivos e sobre como aceder aos serviços de saúde sexual e reprodutiva. "No início, a minha comunidade estava muito fechada. As pessoas não sabiam o que era planeamento familiar", afirma Filomena.Hoje, mesmo as mulheres que não sabem ler reconhecem os diferentes métodos e sabem que podem recorrer à ativista ou à brigada móvel sempre que tiverem dúvidas.Teodoro, de 25 anos, orienta rapazes de sua comunidade sobre temas como contracepção e igualdade de gênero. Ele diz que sua actuação ajuda a desconstruir uma ideia com a qual muitos rapazes crescem: a de que esses "são só assuntos de mulheres".As primeiras sessões de diálogo não foram fáceis, os jovens faltavam, ocupados com o trabalho na machamba ou simplesmente desinteressados. Contudo, Teodoro ajustou-se, passou a marcar encontros ao fim-de-semana, envolveu a direcção da escola. Persistiu e conseguiu ser ouvido.Miranda, de 16 anos, acompanha um grupo de raparigas entre os 10 e os 14 anos, com sessões centradas na prevenção da gravidez precoce. Antes disso, também foi ativista comunitária e locutora de rádio, sempre falando sobre saúde sexual e reprodutiva.Um conselho que sempre repete às outras jovens é não enfrentar uma situação difícil sem apoio."Não fiquem só convosco, contem para alguém - é melhor do que ficar sozinhas com a pressão", frisa Miranda.Hoje, ela afirma que há menos gravidezes precoces e uniões prematuras na sua comunidade. Kwizera Achel, de 25 anos, cresceu como refugiado no Centro de Acolhimento de Maratane na Província de Nampula.A realidade da comunidade onde viveu inspirou não apenas a sua escolha profissional, mas também o tema da sua monografia, dedicada à integração sociocultural dos refugiados e à sua participação no desenvolvimento comunitário.Com o apoio do programa de bolsas DAFI, financiado pelo Governo da Alemanha e implementado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Kwizera concluiu a licenciatura em Desenvolvimento Local e Relações Internacionais na Universidade Lúrio, tendo sido distinguido como o melhor estudante do curso e recebido uma bolsa para o mestrado."A bolsa DAFI não foi apenas um apoio financeiro. Ela deu-me tranquilidade para estudar e sonhar. A minha história é uma prova de que, quando uma oportunidade é dada, ela pode mudar um destino", comentou Kwizera. Stiffenore Sitoe, de 24 anos, é estudante e coordenador do Núcleo Antidrogas do Instituto Comercial de Maputo.Formado pela Procuradoria da Cidade de Maputo, com o apoio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), o grupo liderado por Stiffenore realiza palestras mensais sobre prevenção do consumo de drogas e mobiliza os estudantes através de actividades desportivas, grupos de leitura e outras actividades extracurriculares.Para ele, apoiar um estudante em situação de risco começa por ouvi-lo e compreender o que está a viver. Os membros do núcleo conversam entre si e, quando necessário, encaminham-nos para aconselhamento e apoio especializado. E a força do trabalho está precisamente nessa proximidade.“Eu sou o exemplo do meu próprio colega. Por sermos da mesma idade, conhecemos as mesmas necessidades dos nossos colegas e, por isso, a nossa acção de prevenção e dissuasão pode ser mais eficaz”, frisa Stiffenore.O apoio do UNODC ao programa de reactivação e criação de núcleos escolares de prevenção do consumo de drogas é viabilizado pelo generoso apoio da Noruega.
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História
10 agosto 2026
Construindo o Futuro Juntos: Moçambique e ONU Alinham Prioridades
MAPUTO, Moçambique - O Governo de Moçambique e as Nações Unidas reuniram-se mais uma vez em Maputo para avançar na elaboração do novo Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável de Moçambique (UNSDCF em sua sigla inglesa) entre 2027-2030. O encontro juntou cerca de 70 representantes de instituições governamentais e entidades da ONU com o objetivo de alinhar prioridades e reforçar a parceria para os próximos quatro anos.Na sessão de abertura, a Diretora Nacional para as Organizações Internacionais e Conferências do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MINEC), Dra. Ilda Trigo Raivoso, destacou a importância do novo Quadro de Cooperação como principal instrumento orientador da parceria entre o Governo de Moçambique e as Nações Unidas.“Este instrumento orientará a colaboração entre o Sistema das Nações Unidas e o Governo de Moçambique no período 2027-2030, contribuindo para a implementação da Agenda 2030 e das prioridades nacionais de desenvolvimento”, destacou a representante do Governo. A relevância estratégica do encontro refletiu-se na forte participação de representantes do governo incluindo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ministério da Planificação e Desenvolvimento, Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Ministério do Interior, Ministério das Finanças, Ministério da Saúde, Ministério da Educação e Cultura, Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Ministério dos Recursos Minerais e Energia, Ministério dos Transportes e Logística, Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Instituto Nacional de Estatística, Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, entre outros, reforçando o compromisso de assegurar que os programas da ONU estejam alinhados com as prioridades nacionais e contribuam de forma complementar e eficaz para o desenvolvimento sustentável de Moçambique.“Resultados transformadores exigem processos inclusivos, liderados pelo país e sustentados pelo compromisso mútuo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com um desenvolvimento sustentável que não deixa ninguém para trás”, afirmou José Luis Fernández, Coordenador Residente Interino das Nações Unidas em Moçambique. Este segundo encontro serviu também para apresentar e discutir os programas propostos por oito Agências das Nações Unidas: FAO, ONU-Habitat, OIM, ACNUR, UNESCO, OMS, ONU Mulheres e UNODC. Avaliação dos progressos dos ODS em MoçambiqueComo parte da reflexão sobre as prioridades para os próximos anos, os participantes analisaram os principais resultados da Revisão Nacional Voluntária (VNR em sua sigla inglesa) de 2026, recentemente apresentada por Moçambique no Fórum Político de Alto Nível das Nações Unidas. Os resultados mostraram os progressos alcançados na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mas também os desafios que o país ainda enfrenta. As discussões destacaram a importância de fortalecer as parcerias e direcionar esforços e investimentos para as populações mais vulneráveis. Três prioridades para os próximos quatro anosDurante a atualização sobre o processo de formulação do Quadro de Cooperação, a equipa técnica das Nações Unidas apresentou as três grandes prioridades que servirão de base à ação das Nações Unidas em Moçambique entre 2027 e 2030:Aproveitar o dividendo demográfico, criando mais oportunidades para crianças e jovens, especialmente raparigas e grupos vulneráveis;Reforçar o contrato social, através de instituições mais inclusivas e participativas promovendo a paz, os direitos humanos e o acesso à justiça; eImpulsionar uma transformação económica resiliente e sustentável, capaz de responder aos desafios climáticos e gerar oportunidades de desenvolvimento inclusivo. Programas das Nações Unidas alinhados com as prioridades nacionaisO novo ciclo de cooperação assenta numa abordagem mais integrada, com maior enfoque em programas conjuntos e em soluções capazes de responder de forma mais eficaz aos desafios do desenvolvimento.Ao longo do encontro, a FAO, ONU-Habitat, OIM, ACNUR, UNESCO, OMS, ONU Mulheres e UNODC apresentaram os seus programas para o período 2027-2030 e demonstraram como as suas intervenções contribuirão para os resultados do futuro Quadro de Cooperação.Esta abordagem evidencia como diferentes áreas de atuação podem trabalhar em conjunto para gerar maior impacto. As entidades destacaram prioridades comuns como o alinhamento com os instrumentos nacionais de desenvolvimento, o fortalecimento das instituições públicas, a promoção de oportunidades para a juventude, a inclusão de mulheres e grupos vulneráveis, o reforço da resiliência das comunidades e a necessidade de construir soluções duradouras através de parcerias e da ação conjunta.Com o novo Quadro de Cooperação entre 2027-2030, o Governo de Moçambique e as Nações Unidas reafirmam seu compromiso de construir uma visão partilhada para o futuro do país: um futuro com mais oportunidades para os jovens, instituições mais inclusivas, comunidades mais resilientes e um desenvolvimento sustentável que não deixe ninguém para trás.
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História
21 julho 2026
Moçambique quer que ganhos com minerais críticos beneficiem toda sociedade
NOVA IORQUE, EUA - A corrida por minerais críticos usados em tecnologias de ponta, como celulares, carros elétricos e painéis solares está se intensificando. Países que possuem esses recursos naturais ocupam uma posição estratégica, mas também lidam com riscos ambientais, econômicos e de segurança. O tema está sendo tratado esta semana pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque.Antes do evento, Sua Excelência a Ministra das Finanças de Moçambique, Sra. Carla Alexandra Louveira, o país africano que detém reservas expressivas de Grafite, Titanium, Terras Raras, entre outros, falou à ONU News sobre a exploração desses minerais e como a ação será um eixo importante da estratégia de desenvolvimento do país. Carla Alexandra Louveira esteve na sede da ONU para um encontro de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável. Hub de energia verde“Nós estamos a olhar para Moçambique como uma opção, um destino e uma oportunidade de uso de energias renováveis, uso dos minerais críticos para que Moçambique possa ser, no presente e futuro, portanto, um hub de utilização de alternativas verdes de energia. E Moçambique tem um potencial massivo significativo. Já é conhecido o potencial ao nível das energias fósseis e agora estamos cientes do elevado potencial que Moçambique tem nos minerais críticos. Esse é efetivamente, o trabalho que nós estamos a fazer”.Em conversa com a ONU News durante o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, a ministra destacou que os ganhos com esta exploração precisam chegar a todos os segmentos da sociedade e não apenas ao setor privado. Inclusão das comunidades locais“Através, portanto, de um processo inclusivo do processo de produção e de ganhos para a sociedade e assim fazendo com que os ganhos resultantes da exploração destes minerais críticos possam catapultar sobretudo as comunidades locais. Portanto, existe aqui um processo de criação de capacidade do conteúdo local, onde a sociedade, as empresas, micro, pequenas empresas a nível do país também possam ter acesso e participar no processo desta produção, dessa exploração massiva que está a acontecer no país”. Carla Alexandra Louveira explicou que esta abordagem já está sendo posta em prática em relação à exploração de gás natural, com a criação de um Fundo Soberano que destina recursos para financiar as necessidades de desenvolvimento do país ou para responder a crises. Recursos naturais colocados à serviço da sociedadeEla lembrou que o país foi atingido no início deste ano por fortes inundações, que causaram ampla destruição. Nesse contexto, o governo recorreu a recursos adicionais da exploração de gás natural para financiar o processo de reconstrução. A ministra afirmou que esta é a mesma visão que será adotada em relação aos minerais críticos: os ganhos dos recursos naturais colocados a serviço da sociedade moçambicana.Ela adicionou que o desafio agora é assegurar que haja estabilidade política, legal e segurança para que a exploração desses minerais ocorra de forma a beneficiar todas as camadas da população.
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História
18 julho 2026
Músicos celebram Mandela com novas composições
MAPUTO, Moçambique - Neste 18 de julho, o mundo une-se para celebrar o Dia Internacional de Nelson Mandela, um dos maiores líderes da história contemporânea. A data é um convite para reflexão global sobre os feitos do ex-presidente da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz no mundo. A ONU News conversou com dois músicos moçambicanos, que viveram na África do Sul, e hoje moram em Maputo. O baterista Frank Paco e saxofonista Orlando Venhereque. Frank Paco afirma que a figura de Nelson Mandela evoca uma profunda ligação emocional e espiritual e destacou sua memória mais vida de Madiba. O Eco do Ubuntu na Humanidade“Nelson Mandela, Madiba foi emocionante...emocionante pelo discurso que ele fez e que continua a dar um eco nas nossas vidas, que é o Ubuntu, que significa fraternidade africana. Entre nós, africanos, sempre tivemos esse modo de vida, ajudar-nos um ao outro, no entanto, é um legado que tem muito significado para a nossa humanidade, para a África e para todo o mundo”.Paco participou nos concertos beneficentes “46664”, uma iniciativa global liderada por Nelson Mandela para conscientizar a população e arrecadar fundos para o combate ao HIV/Sida.De acordo com o baterista, a mensagem de Mandela não se perdeu no tempo, pelo contrário, ganhou uma urgência ainda maior no mundo atual. Arte de incluir e curar “Temos que respeitar um e o outro e guardarmos esse espírito do Ubuntu tenho formado jovens gratuitamente, que hoje em dia são grandes bateristas, uns estão a fazer mestrados e, para mim, é dar de volta o que eu recebi sem nenhum custo. No entanto, essa é a filosofia do Mandela, poder ajudar um ao outro. E, por isso, uma das minhas experiências foi poder criar algo que pudesse descrever isso, que é uma das músicas que dediquei ao Nelson Mandela, que é “Remembering Madiba”. Construir pontes sem preconceitoJá o saxofonista e compositor Orlando Venhereque vê a herança de Madiba no papel ativo do artista em construir pontes e celebrar as conquistas sociais.Venhereque destaca o papel crucial de Mandela na criação de uma sociedade verdadeiramente inclusiva, unindo um país profundamente retalhado pela segregação e pelo preconceito.“Na minha área, como músico, compondo, escrevendo, celebrando bons atos, como a criação de uma sociedade inclusiva para todas aquelas que eram as tribos, falo concretamente da Africa do Sul. A criação do Nelson Mandela, o hospital das crianças na África do Sul, um hospital especializado, foi uma maneira marcante e imortal”. Mandela contra xenofobiaO saxofonista afirma que os acontecimento atual sobre a xenofobia na África do Sul, não dignificam a filosofia de Nelson Mandela.“Eu não acredito que o Tata Madiba estaria feliz com o que acontece hoje na África do Sul, nosso país irmão. Isso me recorda um dos discursos que o Tata Madiba dizia a educação é um dos melhores mecanismos para erguer o homem. O que mais me tocava era aquele discurso que ele dizia que o desporto era representação cultural, que servia para unir os povos, especialmente neste momento que estamos a viver o mundial, devíamos ter usado esta ferramenta de coabitarmos”. As palavras de Frank Paco e Orlando Venhereque revelam que o espírito de Nelson Mandela continua a soprar através da música moçambicana. Seja através da filosofia do Ubuntu ou de ações concretas de inclusão e cuidado pelos mais vulneráveis. Igualdade e da erradicação da pobrezaEm Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, divulgou uma mensagem para honrar a vida e o legado de Nelson Mandela, que segundo ele, é uma figura fundamental da paz, da reconciliação, da justiça e dos direitos humanos. Guterres destaca o tema deste retratando Nelson Mandela como um empenhado defensor da igualdade e da erradicação da pobreza. O líder da ONU lembra que Mandela não via a erradicação da pobreza como caridade, mas sim como um ato de justiça. E um dever que pertence a todos. Para Nelson Mandela, todos podem contribuir na construção de economias justas e de sociedades inclusivas.O Dia Internacional de Nelson Mandela conhecido como Mandela Day foi criado em 2009 pela Assembleia Geral da ONU. A data, celebrada a 18 de julho, marca nascimento de Mandela, em 1918, e é um reconhecimento à contribuição do ex-presidente sul-africano para a cultura da paz, liberdade e reconciliação.
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Comunicado de Imprensa
26 agosto 2026
Comunidades de Cabo Delgado Validam Planos de Acção Espacial
MAPUTO, Moçambique - Desde 2017, a Província de Cabo Delgado enfrenta uma complexa crise, caracterizada pelo conflito, deslocamento interno em larga escala, elevada exposição a riscos climáticos, pressão sobre recursos naturais, infra-estruturas sociais e serviços básicos. Esta situação resultou numa convivência forçada entre comunidades acolhedoras, pessoas deslocadas internamente e aquelas que retornaram aos seus lugares de origem, frequentemente sem mecanismos claros de gestão territorial e de acesso equitativo aos recursos naturais, incluindo terra e água. Para ultrapassar os desafios colocados por esta conjuntura, o Governo da Província de Cabo Delgado, com o financiamento do Peacebuilding Fund (PBF) e apoio das Nações Unidas, conduziu um amplo processo de planeamento territorial participativo baseado na comunidade, com vista a gerir de forma integrada os recursos partilhados. As comunidades seleccionadas para esta iniciativa foram:Nankumi, com 4.788 habitantes, no distrito de Ancuabe;Naminawe, com 9.796 habitantes, no distrito de Metuge; eMetula, com 5.465 habitantes, na cidade de Pemba.Para a selecção destas comunidades, concorreram vários factores, entre os quais a densidade populacional e o elevado risco de tensão entre a população deslocada e a acolhedora.Essencialmente, os planos de desenvolvimento, elaborados com a participação activa da comunidade, servirão para: Orientar o desenvolvimento da comunidade;Apoiar a planificação do Governo;Mobilizar recursos junto de novos parceiros;Acompanhar a implementação das prioridades; eFortalecer o diálogo entre a comunidade e as instituições.Segundo Edson Pereira, Chefe do Subescritório do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) para a Região Norte, “caberá à comunidade liderar a implementação dos planos e utilizá-los para dialogar com o Governo e mobilizar novos parceiros para responder às prioridades identificadas”. Pereira acrescentou que o documento é dinâmico, pois “as prioridades poderão ser revistas e novas acções poderão ser acrescentadas à medida que a comunidade evoluir e novas oportunidades de parceria surgirem”.No curto prazo, os planos aprovados ajudarão as comunidades acolhedoras e deslocadas a ter um acesso mais seguro, justo e inclusivo à terra. Estão igualmente previstas acções de reflorestamento e a prática de agricultura resiliente, incluindo a construção de represas.O ONU-Habitat apoiou o processo com actividades referentes ao planeamento participativo para a integração sustentável de pessoas internamente deslocadas; a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) apoiou na componente dos sistemas de produção agrícola, pecuária e pesqueira; e o Programa Mundial para a Alimentação (PMA), deu o seu contributo na área de serviços ecossistémicos e soluções baseadas na natureza.
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Comunicado de Imprensa
19 agosto 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Mundial Humanitário
NOVA IORQUE, EUA - No Dia Mundial Humanitário, homenageamos os profissionais dedicados que prestam ajuda vital a milhões de pessoas necessitadas.Também nos deparamos com uma verdade chocante:Servir ao próximo tornou-se mais perigoso do que nunca.Mais de mil profissionais humanitários foram mortos nos últimos três anos.A maioria era de trabalhadores locais que apoiavam as suas próprias comunidades.Inúmeros outros escaparam por pouco de tiros, disparos de artilharia, bombardeios, sequestros e estupros.Escolas e hospitais estão sendo alvo de ataques.E novas ferramentas de guerra – incluindo drones armados – trazem novos riscos.Ao mesmo tempo, a desinformação está acabando com a confiança.O financiamento humanitário está sendo cortado.E o acesso humanitário está sendo restringido.Vemos comboios de ajuda sendo bloqueados.Trabalhadores humanitários ameaçados, presos e detidos. E pessoas desesperadas deixadas sem apoio.Ataques a trabalhadores humanitários são ilegais.E as consequências são arrasadoras para famílias que lutam para sobreviver.Crianças esperando por comida.Pacientes que buscam atendimento urgente.E tantos outros.O mundo assumiu compromissos.Agora, precisa agir:Para respeitar as regras da guerra;Garantir acesso seguro;Responsabilizar os autores dos ataques;E fornecer recursos suficientes.Os trabalhadores humanitários defendem as pessoas necessitadas.Nós temos que defendê-los.Devemos agir pela humanidade – agora.
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Comunicado de Imprensa
19 agosto 2026
Declaração da Coordenadora Residente da ONU e Coordenadora Humanitária para Moçambique por ocasião do Dia Mundial Humanitário
MAPUTO, Moçambique - No Dia Mundial Humanitário, as Nações Unidas prestam homenagem aos trabalhadores humanitários que, todos os dias, estão ao lado das pessoas afetadas por crises.Em todo o País, os trabalhadores humanitários estão no terreno, apoiando pessoas afetadas por conflitos, desastres naturais, surtos de doenças e outras emergências. Prestam assistência alimentar, cuidados de saúde, água potável, abrigo, proteção e outro apoio vital, muitas vezes em locais difíceis e perigosos.Os trabalhadores humanitários não trabalham sozinhos. Organizações locais, líderes comunitários, voluntários e as próprias comunidades afetadas são fundamentais para a resposta humanitária. Juntos, ajudam a garantir que a assistência chegue às pessoas que mais dela necessitam.No entanto, com demasiada frequência, os trabalhadores humanitários enfrentam violência, ameaças e ataques. Quando a ação humanitária é impedida ou atacada, são as pessoas que precisam de assistência que mais sofrem; as crianças podem ficar sem alimentos, medicamentos ou um local seguro para aprender; as mulheres grávidas podem não conseguir aceder a cuidados de saúde que salvam vidas. As famílias e comunidades podem ficar sem água potável, abrigo ou proteção — e sem o apoio de que necessitam para sobreviver e reconstruir as suas vidas e meios de subsistência.A humanidade é uma responsabilidade partilhada. Todos temos um papel a desempenhar na construção de um mundo onde ajudar as pessoas afetadas por crises seja protegido, respeitado e apoiado.Neste Dia Mundial Humanitário, a mensagem é simples: os trabalhadores humanitários não são alvos.
Os princípios humanitários e o direito internacional humanitário não são apenas palavras no papel. Existem para proteger as pessoas envolvidas em crises e para garantir que a ajuda humanitária chegue àqueles que dela necessitam — independentemente de quem sejam ou de onde venham.Neste Dia Mundial Humanitário, do Rovuma a Maputo, atendam ao apelo para apoiar aqueles que estão ao lado dos outros.Protejam as pessoas que assistem.Protejam as pessoas que precisam de assistência.Protejam a humanidade.Todos têm um papel a desempenhar: governos, comunidades, organizações humanitárias, jovens — todos nós.Porque a ação humanitária é mais do que responder a crises. Trata-se de escolher a humanidade — sempre, em todo o lado.
Os princípios humanitários e o direito internacional humanitário não são apenas palavras no papel. Existem para proteger as pessoas envolvidas em crises e para garantir que a ajuda humanitária chegue àqueles que dela necessitam — independentemente de quem sejam ou de onde venham.Neste Dia Mundial Humanitário, do Rovuma a Maputo, atendam ao apelo para apoiar aqueles que estão ao lado dos outros.Protejam as pessoas que assistem.Protejam as pessoas que precisam de assistência.Protejam a humanidade.Todos têm um papel a desempenhar: governos, comunidades, organizações humanitárias, jovens — todos nós.Porque a ação humanitária é mais do que responder a crises. Trata-se de escolher a humanidade — sempre, em todo o lado.
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Comunicado de Imprensa
14 agosto 2026
Especialista da ONU exorta Moçambique e seus parceiros a protegerem os civis na luta contra o terrorismo
MAPUTO, Moçambique - Manifestando solidariedade ao povo e ao Governo de Moçambique diante das persistentes ameaças terroristas, um especialista da ONU exortou hoje a que sejam envidados esforços mais intensos para proteger os direitos humanos e abordar as causas profundas do conflito.“Após nove anos de violência terrível, reconheço os esforços significativos envidados por Moçambique e seus parceiros na prevenção e combate ao terrorismo, incluindo a recuperação e estabilização de muitas áreas, o que permitiu que muitas pessoas deslocadas retornassem para casa”, afirmou Ben Saul, Relator Especial sobre a promoção e protecção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais no combate ao terrorismo, em uma declaração no encerramento de uma visita oficial ao país.O Relator Especial acolheu com satisfação a recente estratégia contraiterrorista de Moçambique, que reconhece a necessidade de uma abordagem abrangente, indo além de uma resposta altamente militarizada para lidar com as condições propícias ao terrorismo.“Uma abordagem abrangente é essencial”, disse Saul. “O governo e os parceiros internacionais devem intensificar os esforços para combater a ideologia extremista violenta, fortalecer as instituições do Estado e o desenvolvimento humano no norte, garantir que as comunidades de Cabo Delgado se beneficiem de forma justa dos ricos recursos naturais da província, regulamentar efectivamente as indústrias extractivas e fortalecer a governação inclusiva”.“Embora Moçambique enfrente restrições substanciais de segurança e financeiras, é possível fazer mais para mobilizar recursos por meio de reformas económicas e de governação internas. Um grande número de pessoas deslocadas internamente necessita de assistência humanitária, oportunidades de subsistência, protecção e caminhos para soluções genuinamente duradouras”, afirmou ele.O Relator Especial expressou grave preocupação com as violações cometidas durante o conflito, particularmente contra mulheres e crianças. Ele destacou relatos de assassinatos, mutilações, recrutamento forçado, violência sexual e baseada no género, atribuídos ao grupo terrorista.Também estou preocupado com as investigações das alegadas violações de direitos humanos o que envolvem as forças de segurança desde o inicio do conflito. “A impunidade alimenta ressentimentos, corrói a confiança entre as comunidades e as autoridades e, em última instância, prejudica os esforços eficazes de combate ao terrorismo”. Saul defendeu que a supervisão independente, a prestação de contas efectiva e a monitoria robusta da protecção sejam uma prioridade.Ele manifestou preocupação com a falta de recursos, procedimentos e mecanismos de prestação de contas adequados nas forças militares para prevenir, processar e remediar as violações, e pediu controlo, disciplina e treinamento eficazes dos grupos reconhecidos como Força Local.O especialista instou Moçambique a estabelecer formalmente e regulamentar de forma transparente programas de reabilitação e reintegração para indivíduos que abandonam o terrorismo. Ele enfatizou que crianças associadas a grupos armados devem ser tratadas, em primeiro lugar, como vítimas com direito a protecção especial.Ele também encorajou o governo a explorar possibilidades para uma resolução negociada do conflito, uma vez que uma solução puramente militar parecia improvável.Saul expressou preocupação com aspectos do marco jurídico de Moçambique para o combate ao terrorismo. Ele alertou que definições excessivamente amplas de terrorismo, penas desproporcionais e poderes administrativos, de inteligência e de segurança excessivos correm o risco de comprometer os direitos e liberdades fundamentais. Ele destacou preocupações relativas à detenção arbitrária, à detenção prolongada antes da acusação e antes do julgamento, às deficiências no devido processo legal e às condições carcerárias.O Relator Especial pediu que as medidas de combate ao financiamento do terrorismo fossem mais baseadas no risco e proporcionais, particularmente no que diz respeito a organizações sem fins lucrativos, e instou à adopção de isenções para a ajuda humanitária imparcial, em conformidade com o direito internacional.“As medidas contraterroristas, juntamente com outras restrições ao espaço cívico, incluindo jornalistas, defensores dos direitos humanos e vozes dissidentes, estão limitando a cobertura da mídia sobre o conflito e criando um efeito inibidor sobre o trabalho humanitário e de direitos humanos”, afirmou Saul.Ele exortou os parceiros internacionais a manterem o apoio político e financeiro a Moçambique neste momento crítico, diante dos recentes cortes devastadores no financiamento. “A comunidade internacional não pode deixar Moçambique para trás neste momento de necessidade”.“Existe o risco de que esse conflito perdure”, alertou ele. “O envolvimento internacional contínuo é essencial para apoiar os esforços nacionais de prevenção e combate ao terrorismo, garantindo ao mesmo tempo a protecção dos direitos humanos”.Saul apresentará um relatório sobre suas conclusões ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Março de 2027.FIM Ben Saul é o Relator Especial sobre a promoção e proteção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais no combate ao terrorismoRelatores Especiais/Especialistas Independentes/Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Juntos, esses especialistas são conhecidos como os Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas dos Procedimentos Especiais actuam de forma voluntária; eles não fazem parte do quadro de funcionários da ONU e não recebem remuneração por seu trabalho. Embora o Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos actue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os especialistas actuam a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são exclusivamente do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.Observações e recomendações específicas por país dos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os Procedimentos Especiais, os órgãos de tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/Para consultas e solicitações da mídia, entre em contato com: Karen Lorena Reyes Tolosa karen.reyestolosa@un.orgPara consultas da mídia relacionadas a outros especialistas independentes da ONU, entre em contato com Maya Derouaz (maya.derouaz@un.org) ou Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org)
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Comunicado de Imprensa
03 agosto 2026
Especialista da ONU em direitos humanos e combate ao terrorismo visitará Moçambique
GENEBRA, Suíça - O Relator Especial sobre a promoção e protecção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais na luta contra o terrorismo, Ben Saul, realizará uma visita oficial a Moçambique de 4 a 14 de agosto de 2026.Durante a visita, Saul terá a oportunidade de dialogar com autoridades governamentais e com uma ampla gama de interlocutores sobre os esforços de Moçambique para enfrentar os desafios colocados pelo terrorismo, assegurando simultaneamente a promoção dos direitos humanos e do Estado de Direito.O Relator Especial examinará os quadros jurídico, político e institucional do país relacionados com o combate ao terrorismo, incluindo o sistema de justiça criminal, as medidas de combate ao financiamento do terrorismo e as operações de segurança. Procurará igualmente compreender melhor o impacto do terrorismo nas comunidades afectadas, incluindo as vítimas do terrorismo, os seus familiares e as pessoas deslocadas internamente, bem como os factores subjacentes que possam contribuir para o terrorismo.Saul dará uma conferência de imprensa na sexta-feira, 14 de agosto, em Maputo, às 13h00 (hora local), nas instalações do ACNUDH, Avenida Kim Il Sung, n.º 974, Maputo. O acesso será estritamente reservado a jornalistas.O Relator Especial apresentará o seu relatório ao Conselho dos Direitos Humanos em Março de 2027.FIM Ben Saul, Relator Especial sobre a promoção e protecção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais na luta contra o terrorismo.Os Relatores Especiais/Peritos Independentes/Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Em conjunto, estes especialistas são designados por Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas dos Procedimentos Especiais exercem as suas funções a título voluntário; não são funcionários das Nações Unidas e não recebem remuneração pelo seu trabalho. Embora o Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os especialistas desempenham as suas funções a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e as Nações Unidas. Quaisquer opiniões ou pontos de vista expressos são exclusivamente dos respetivos autores e não refletem necessariamente os das Nações Unidas ou do ACNUDH.As observações e recomendações específicas por país dos mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas, incluindo os Procedimentos Especiais, os órgãos de tratados e o Exame Periódico Universal, podem ser consultadas no Índice Universal dos Direitos Humanos: https://uhri.ohchr.org/en/Para informações e pedidos dos meios de comunicação social, contacte: karen.reyestolosa@un.org e hrc-sr-ct@un.org.Para pedidos dos meios de comunicação social relacionados com outros especialistas independentes das Nações Unidas, contacte Maya Derouaz (maya.derouaz@un.org ) ou Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org).
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