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Comunicado de Imprensa
17 outubro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
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Discurso
16 outubro 2026
Discurso da Coordenadora Residente da ONU durante a Inauguração da Sala de Situações do Centro Operativo de Emergência (COE) da Província de Sofala
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Comunicado de Imprensa
16 outubro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Mundial da Alimentação
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão a contribuir a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 em Moçambique:
História
19 agosto 2026
Trabalhadores Humanitários em Ação: Como os Motoristas do PMA Mantiveram a Assistência em Movimento
MAPUTO, Moçambique - Quando as águas das cheias isolaram comunidades no centro e sul de Moçambique, no início deste ano, chegar às famílias que precisavam de apoio tornou-se um dos maiores desafios da resposta de emergência. Estradas ficaram submersas, vias de acesso foram interrompidas e comunidades inteiras ficaram isoladas.Para o Programa Mundial para a Alimentação em Moçambique (PMA), manter o acesso humanitário exigiu uma combinação de trabalho em equipe, coordenação e determinação. No centro desse esforço estavam os motoristas que operavam o SHERP, um veículo anfíbio para todo-o-terreno capaz de chegar a locais inacessíveis para os meios de transporte convencionais.Para Francisco Albano, motorista baseado na cidade da Beira, a dimensão da crise ficou clara desde o primeiro momento. “Vi estradas submersas, casas inundadas e famílias isoladas, sem poder sair ou receber assistência”, recorda. “Ver aquela situação despertou em mim um forte sentido de responsabilidade e uma vontade ainda maior de ajudar”. O SHERP tornou-se rapidamente um recurso essencial. Segundo Mohamed Razak, Oficial de Cadeia de Abastecimento, o veículo permitiu ao PMA e aos seus parceiros transportar alimentos e bens de assistência para zonas inacessíveis por estrada ou por via fluvial, ajudando a garantir que o apoio continuasse a chegar às comunidades afetadas apesar das cheias.Operar o veículo, no entanto, estava longe de ser simples. Muitas vezes, os motoristas tinham de atravessar zonas alagadas onde estradas e obstáculos permaneciam escondidos debaixo de água. “Nunca sabíamos se estávamos a passar por cima de um tronco submerso ou de outro obstáculo”, conta João Coca, também motorista baseado na Beira. “Era preciso manter um nível muito elevado de atenção e cautela”. O papel dos motoristas ia muito além do transporte. Como alguns dos primeiros profissionais a chegar às áreas afetadas, eles recolhiam informações críticas que ajudavam a orientar as decisões operacionais. “Eles eram os nossos olhos e ouvidos no terreno”, afirma Paulo Cuna, Gestor de Frota. “O sucesso de uma missão dependia muitas vezes da sua capacidade de avaliar as condições em tempo real e tomar as decisões operacionais certas”.Para Sergio Jafar, outro operador do SHERP e motorista baseado em Maputo, este trabalho reflete os valores humanitários que orientam a missão do PMA.“A minha motivação vem do desejo de ajudar famílias que precisam,” diz. “Sinto-me emocionado e cheio de energia ao saber que as comunidades reconhecem o trabalho do PMA e que faço parte dele”. A resposta exigiu uma coordenação estreita entre as equipas de logística, programas e emergência, que trabalharam sob condições em constante mudança.“As operações com o SHERP foram fundamentais para o sucesso da resposta”, afirma Tiago Coucelo, Coordenador da Resposta de Emergência. “Sem esta capacidade especializada, muitas famílias teriam enfrentado atrasos significativos no acesso à assistência vital”.Neste Dia Mundial Humanitário, as Nações Unidas prestam homenagem a estes motoristas que trabalham nos bastidores para tornar possível a ação humanitária. A sua competência, compromisso e coragem ajudaram a garantir que a assistência chegasse a quem mais precisava. Porque, quando as estradas desapareceram, eles encontraram uma forma de avançar.
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História
10 agosto 2026
Construindo o Futuro Juntos: Moçambique e ONU Alinham Prioridades
MAPUTO, Moçambique - O Governo de Moçambique e as Nações Unidas reuniram-se mais uma vez em Maputo para avançar na elaboração do novo Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável de Moçambique (UNSDCF em sua sigla inglesa) entre 2027-2030. O encontro juntou cerca de 70 representantes de instituições governamentais e entidades da ONU com o objetivo de alinhar prioridades e reforçar a parceria para os próximos quatro anos.Na sessão de abertura, a Diretora Nacional para as Organizações Internacionais e Conferências do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MINEC), Dra. Ilda Trigo Raivoso, destacou a importância do novo Quadro de Cooperação como principal instrumento orientador da parceria entre o Governo de Moçambique e as Nações Unidas.“Este instrumento orientará a colaboração entre o Sistema das Nações Unidas e o Governo de Moçambique no período 2027-2030, contribuindo para a implementação da Agenda 2030 e das prioridades nacionais de desenvolvimento”, destacou a representante do Governo. A relevância estratégica do encontro refletiu-se na forte participação de representantes do governo incluindo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ministério da Planificação e Desenvolvimento, Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Ministério do Interior, Ministério das Finanças, Ministério da Saúde, Ministério da Educação e Cultura, Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Ministério dos Recursos Minerais e Energia, Ministério dos Transportes e Logística, Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Instituto Nacional de Estatística, Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, entre outros, reforçando o compromisso de assegurar que os programas da ONU estejam alinhados com as prioridades nacionais e contribuam de forma complementar e eficaz para o desenvolvimento sustentável de Moçambique.“Resultados transformadores exigem processos inclusivos, liderados pelo país e sustentados pelo compromisso mútuo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com um desenvolvimento sustentável que não deixa ninguém para trás”, afirmou José Luis Fernández, Coordenador Residente Interino das Nações Unidas em Moçambique. Este segundo encontro serviu também para apresentar e discutir os programas propostos por oito Agências das Nações Unidas: FAO, ONU-Habitat, OIM, ACNUR, UNESCO, OMS, ONU Mulheres e UNODC. Avaliação dos progressos dos ODS em MoçambiqueComo parte da reflexão sobre as prioridades para os próximos anos, os participantes analisaram os principais resultados da Revisão Nacional Voluntária (VNR em sua sigla inglesa) de 2026, recentemente apresentada por Moçambique no Fórum Político de Alto Nível das Nações Unidas. Os resultados mostraram os progressos alcançados na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mas também os desafios que o país ainda enfrenta. As discussões destacaram a importância de fortalecer as parcerias e direcionar esforços e investimentos para as populações mais vulneráveis. Três prioridades para os próximos quatro anosDurante a atualização sobre o processo de formulação do Quadro de Cooperação, a equipa técnica das Nações Unidas apresentou as três grandes prioridades que servirão de base à ação das Nações Unidas em Moçambique entre 2027 e 2030:Aproveitar o dividendo demográfico, criando mais oportunidades para crianças e jovens, especialmente raparigas e grupos vulneráveis;Reforçar o contrato social, através de instituições mais inclusivas e participativas promovendo a paz, os direitos humanos e o acesso à justiça; eImpulsionar uma transformação económica resiliente e sustentável, capaz de responder aos desafios climáticos e gerar oportunidades de desenvolvimento inclusivo. Programas das Nações Unidas alinhados com as prioridades nacionaisO novo ciclo de cooperação assenta numa abordagem mais integrada, com maior enfoque em programas conjuntos e em soluções capazes de responder de forma mais eficaz aos desafios do desenvolvimento.Ao longo do encontro, a FAO, ONU-Habitat, OIM, ACNUR, UNESCO, OMS, ONU Mulheres e UNODC apresentaram os seus programas para o período 2027-2030 e demonstraram como as suas intervenções contribuirão para os resultados do futuro Quadro de Cooperação.Esta abordagem evidencia como diferentes áreas de atuação podem trabalhar em conjunto para gerar maior impacto. As entidades destacaram prioridades comuns como o alinhamento com os instrumentos nacionais de desenvolvimento, o fortalecimento das instituições públicas, a promoção de oportunidades para a juventude, a inclusão de mulheres e grupos vulneráveis, o reforço da resiliência das comunidades e a necessidade de construir soluções duradouras através de parcerias e da ação conjunta.Com o novo Quadro de Cooperação entre 2027-2030, o Governo de Moçambique e as Nações Unidas reafirmam seu compromiso de construir uma visão partilhada para o futuro do país: um futuro com mais oportunidades para os jovens, instituições mais inclusivas, comunidades mais resilientes e um desenvolvimento sustentável que não deixe ninguém para trás.
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História
02 julho 2026
Transformando os Frutos do Baobá em Oportunidade, Antes do Amanhecer
GURO, Moçambique - Às quatro horas da manhã, quando a maior parte da comunidade de Nhamassonge ainda dorme, pequenos grupos de mulheres iniciam silenciosamente sua jornada.Elas caminham por quase uma hora no escuro, através de matas onde cobras, vespas e animais selvagens fazem parte do terreno. Algumas carregam apenas lanches e gravetos. Outras dependem da luz fraca de seus celulares.Elas saem cedo por um motivo.“Quando o vento está forte, o malambe (o fruto do baobá) cai. Se você chegar primeiro, coleta mais”, uma delas explica.No distrito de Guro, no centro de Moçambique, é assim que a oportunidade começa. Uma economia florestal liderada por mulheresEm Nhamassonge, 35 mulheres, apoiadas pela Fundação Micaia, reuniram-se para compartilhar suas experiências como parte de uma associação de coleta de baobás que fornece produtos para a Baobab Products Mozambique (BPM).Juntas, elas representam uma força de trabalho crescente, porém muitas vezes invisível – mulheres que constroem seus meios de subsistência a partir de produtos florestais não madeireiros.Por gerações, o fruto do baobá tem feito parte do cotidiano: consumido fresco, misturado em mingau ou transformado em iogurte. Mas hoje, ele é também algo mais. É renda.Cada mulher pode coletar entre 70 e 150 quilos de frutos por dia durante a temporada. Vendidos inteiros, os frutos do baobá geram dinheiro que é imediatamente reinvestido em necessidades familiares, alimentação, mensalidades escolares e materiais de construção. “Em muitos casos, é assim que construímos nossas casas”, compartilha uma das participantes no encontro.Isso reflete uma realidade mais ampla nas florestas de miombo: as florestas não são apenas ecossistemas; são fontes de sustento e de oportunidades econômicas para as comunidades. Quem chega primeiro, levaAqui não há limites de propriedade em torno dos baobás, eles são um recurso compartilhado. O sistema é simples: quem chega primeiro colhe os frutos.Isso cria urgência e disciplina.As mulheres se organizam em pequenos grupos, geralmente de duas a cinco pessoas, não apenas para melhorar a eficiência, mas também por segurança. O medo faz parte do trabalho, já que os conflitos entre humanos e animais selvagens são sempre um risco.Ao entrarem na floresta, podem encontrar os animais que a habitam. Mencionam cobras. Mencionam javalis e hienas. Mencionam caminhar na escuridão sem iluminação adequada, sem saber quem está olhando para elas com olhos adaptados para enxergar à noite.E, no entanto, elas continuam.“Não temos medo quando vamos juntas”, diz uma mulher. Então, ela faz uma pausa. “Mesmo que tenhamos medo, ainda assim vamos. Precisamos do dinheiro”. Da floresta ao mercado: uma cadeia de valor frágilO fruto do baobá colhido em Nhamassonge percorre uma longa jornada: (i) os frutos são colhidos na floresta e levados para casa; (ii) são secos por cerca de um mês em estruturas de madeira elevadas; (iii) são, então, transportados para Guro para o processamento inicial; e (iv) para o processamento final, que transforma a polpa do malambe em pó em Chimoio.No passado, as mulheres também quebravam e processavam os frutos localmente, obtendo renda adicional. Mas isso mudou.As rigorosas normas de segurança alimentar exigidas pelos mercados internacionais dificultaram a manutenção do processamento local. Riscos de contaminação, como poeira, pragas e falta de ambientes controlados, impediam que a atividade atendesse aos padrões exigidos.Hoje, a maioria das mulheres vende apenas os frutos inteiros.Essa mudança destaca um desafio crucial: como conectar os produtores rurais a mercados de maior valor agregado sem excluí-los da agregação de valor. Preenchendo a lacuna: onde as florestas encontram os mercadosÉ exatamente aqui que duas iniciativas transfronteiriças – o Projeto Florestas de Miombo e o Projeto de Desenvolvimento da Cadeia de Valor e Comércio Agrícola Moçambique-Zimbábue – encontram-se. Duas iniciativas financiadas pela Itália através da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e implementadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em apoio aos esforços e liderança do Governo de Moçambique.De um lado, o Projeto Miombo se concentra na proteção e restauração de ecossistemas florestais, apoiando simultaneamente meios de subsistência sustentáveis baseados em Produtos Florestais Não Madeireiros, como os frutos do baobá.Do outro, o Projeto Comércio trabalha para fortalecer as cadeias de valor e melhorar o acesso aos mercados, garantindo que os pequenos agricultores possam passar de vendas informais e de baixo valor para sistemas comerciais mais estruturados e rentáveis.Juntos, abordam duas faces da mesma realidade.Em locais como Nhamassonge, o desafio não é apenas como os frutos do baobá são colhidos, mas como são transportados, processados e quem beneficia ao longo do processo.O Projeto Comércio reconhece que muitos produtores rurais permanecem excluídos dos mercados de maior valor devido à infraestrutura precária, à capacidade de processamento limitada e às barreiras ao comércio formal. Ao agrupar em associações os produtores que enfrentam esses desafios e ao fornecer orientação técnica e treinamentos, alguns desses desafios podem ser abordados localmente. Ao mesmo tempo, o Projeto Miombo enfatiza que a gestão florestal sustentável deve caminhar lado a lado com oportunidades econômicas viáveis para as comunidades. Os recursos naturais podem representar uma fonte contínua de renda para as pessoas que vivem em ambientes intocados, permitindo um crescimento que pode ser mantido geração após geração. Mulheres no centro da transformaçãoNessa transição, as mulheres não são apenas participantes. Elas são as principais agentes de transformação.Em Moçambique e no Zimbábue, as mulheres representam uma grande parcela dos pequenos produtores e estão tradicionalmente muito envolvidas em meios de subsistência baseados na floresta. No entanto, elas frequentemente enfrentam as maiores barreiras de acesso a mercados, recursos e espaços de tomada de decisão.As mulheres de Nhamassonge refletem tanto essa realidade quanto o seu potencial.Elas já estão organizadas. Elas já entendem o recurso. Elas já participam da cadeia de valor. O que lhes falta não é apenas capacidade, mas oportunidade.Com apoio direcionado, melhores equipamentos, condições de trabalho mais seguras, opções de processamento aprimoradas e vínculos mais fortes com os mercados formais, elas poderiam ir além da venda de matéria-prima e agregar maior valor ao seu trabalho. O início da mudançaDe muitas maneiras, a mudança na paisagem do Miombo não começará com novos sistemas, mas sim com o fortalecimento do que já existe.A Associação de Mulheres do Baobá é um desses pontos de partida.Suas práticas já estão alinhadas com a sustentabilidade: (i) coleta apenas de frutos caídos, sem danificar as árvores; (ii) trabalho coletivo para gerenciar riscos; e (iii) equilíbrio entre o uso de subsistência e a geração de renda.Seus esforços refletem o tipo de solução local que ambos os projetos visam apoiar e ampliar.À medida que a implementação avança, essas mulheres oferecem mais do que uma história, elas oferecem um caminho.Porque quando as mulheres são empoderadas dentro das cadeias de valor, e quando essas cadeias de valor estão conectadas à gestão sustentável dos recursos naturais, o resultado é mais do que renda. É resiliência. É apropriação. É mudança duradoura.
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História
21 julho 2026
Para além da resposta de emergência
MAPUTO, Moçambique - Moçambique continua altamente vulnerável aos crescentes impactos dos choques relacionados com o clima. Nos últimos anos, as comunidades agrícolas em todo o país enfrentaram repetidos eventos meteorológicos extremos, incluindo ciclones como Chido e Jude, cheias generalizadas nas regiões sul e centro, e uma seca severa induzida pelo fenómeno El Niño que afectou importantes zonas de produção. Com as previsões a indicarem o potencial surgimento de um novo episódio de El Niño nas próximas campanhas, mantêm-se elevadas as preocupações quanto à probabilidade de futuras perturbações relacionadas com o clima afectarem a produção agrícola e os meios de subsistência rurais. Estes choques recorrentes continuam a comprometer os meios de subsistência, danificar os sistemas de produção agrícola e agravar a insegurança alimentar de milhões de agregados familiares rurais.Em situações de emergência humanitária, a assistência atempada é essencial para ajudar as famílias afectadas a satisfazer as necessidades imediatas e restaurar a produção agrícola. No entanto, à medida que os choques climáticos se tornam mais frequentes e intensos, cada resposta de emergência deve também contribuir para a recuperação e resiliência a longo prazo.Na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), as intervenções agrícolas de emergência são concebidas não apenas para apoiar a recuperação imediata, mas também para reforçar a capacidade das comunidades para enfrentar melhor futuros choques. Ao promover práticas agrícolas sustentáveis e inteligentes face ao clima, apoiar o acesso a insumos adaptados às condições locais e reforçar os conhecimentos técnicos dos agricultores, a FAO está a ajudar comunidades vulneráveis a recuperar enquanto constrói meios de subsistência mais resilientes. Responder às cheias enquanto se reforça a preparação para a seca através da acção antecipatóriaA FAO reconhece que uma acção atempada antes de uma crise atingir o seu pico pode reduzir significativamente o impacto dos choques climáticos nos meios de subsistência agrícolas. Através de abordagens de acção antecipatória baseadas em evidências, a FAO apoia o Governo de Moçambique no reforço dos mecanismos de preparação e resposta precoce.Utilizando dados e análises do Sistema Global de Informação e Alerta Precoce (GIEWS) da FAO, a Organização trabalha com autoridades nacionais e locais para melhorar os sistemas de alerta precoce, a planificação da preparação e as acções antecipatórias previamente acordadas. Ao agir com base em previsões credíveis, incluindo os potenciais impactos de secas induzidas pelo fenómeno El Niño, as comunidades podem adoptar medidas preventivas antes da ocorrência dos choques previstos.Em Moçambique, as acções antecipatórias da FAO incluíram a distribuição de sementes tolerantes à seca e de ciclo curto, apoio a sistemas de captação de água e irrigação de pequena escala, promoção da agricultura de conservação e de práticas de agricultura inteligente face ao clima, bem como formação sobre gestão sustentável da água, produção de composto orgânico e biopesticidas. Estas medidas ajudam os agregados familiares vulneráveis a proteger os seus activos produtivos, reduzir perdas e reforçar a resiliência antes da ocorrência de desastres. Dignidade e escolha através da assistência baseada nos mercadosQuando ocorrem desastres, o apoio agrícola rápido é fundamental para garantir que os agricultores possam aceder aos insumos a tempo da campanha agrícola. Igualmente importante é assegurar que a assistência seja prestada de forma a reforçar os sistemas locais e apoiar a autonomia e a capacidade de decisão dos agricultores.Durante a resposta à campanha agrícola 2026, a FAO apoiou agregados familiares vulneráveis nas províncias de Gaza e Sofala através de uma campanha de distribuição de e-vouchers destinada a restaurar a produção agrícola após as cheias e outros choques relacionados com o clima. A intervenção abrangeu os distritos de Chibuto, Guijá, Mabalane, Mapai e Massangena, na província de Gaza, e Buzi, Chibabava, Machanga e Nhamatanda, na província de Sofala.Foi registado um total de 17 365 agregados familiares, face a uma meta prevista de 17 118 agregados familiares. No final do processo de distribuição, 15 599 agregados familiares tinham resgatado os seus e-vouchers, representando 89,8 por cento dos agregados registados e 91,1 por cento da meta planeada. Em Gaza, 9 032 agregados familiares utilizaram os vouchers, alcançando 99,1 por cento da meta provincial. Em Sofala, 6 567 agregados familiares utilizaram os vouchers, atingindo 82,1 por cento da meta provincial.Através do sistema de e-voucher, os agricultores receberam um voucher intransmissível no valor de 3 200 meticais, validado através de um sistema de verificação biométrica. Esta abordagem permitiu aos agricultores seleccionar os insumos agrícolas mais adequados às suas necessidades de produção, ao mesmo tempo que reforçou os mercados locais. Agrodealers locais forneceram sementes certificadas, enxadas, regadores e outros materiais essenciais através de feiras locais de insumos agrícolas organizadas próximo das comunidades afectadas.Os dados da distribuição destacam igualmente o papel central das mulheres na produção agrícola e na recuperação dos agregados familiares. As mulheres representaram 11 348 dos 15 599 agregados familiares que utilizaram os vouchers, ou seja, quase 73 por cento de todos os resgates. O registo através do sistema biométrico de e-voucher reforçou a participação das mulheres ao permitir-lhes aceder à assistência de forma directa, segura e independente, aumentando o seu controlo sobre os recursos e o seu papel na tomada de decisões no agregado familiar e no âmbito do programa. Ao colocar as decisões de compra directamente nas mãos dos beneficiários, o sistema reforçou igualmente a autonomia das mulheres ao longo de todo o processo de assistência. Semear resiliência através da agricultura inteligente face ao climaPara além da assistência imediata, a FAO continua a trabalhar lado a lado com as comunidades para reforçar práticas agrícolas sustentáveis e reduzir a dependência de apoios externos recorrentes. Através de abordagens participativas de formação em grupo, bem como de actividades individuais de acompanhamento e reforço de capacidades, os agricultores testam e adoptam técnicas de agricultura inteligente face ao clima adaptadas às condições locais e aos padrões meteorológicos cada vez mais imprevisíveis.A FAO trabalha também em estreita colaboração com os Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE), reforçando as capacidades locais de extensão rural através de abordagens de Formação de Formadores que permitem aos extensionistas continuar a apoiar as comunidades para além da duração dos projectos. Paralelamente, técnicos de campo da FAO e extensionistas dos SDAE prestam formação técnica directa aos agricultores ao nível comunitário, promovendo a adopção de práticas agrícolas resilientes e sustentáveis.Estas práticas incluem métodos melhorados de plantio, rotação de culturas, conservação do solo e da água e abordagens de gestão integrada de pragas. A formação incide também na auto-suficiência a longo prazo através do desenvolvimento de competências práticas em multiplicação de sementes e armazenamento pós-colheita, ajudando os agregados familiares a preservar insumos e a preparar futuras campanhas agrícolas.As comunidades aprendem igualmente a produzir biopesticidas naturais e biol, um fertilizante líquido orgânico, utilizando materiais disponíveis localmente para melhorar a saúde do solo, reduzir os custos de produção e promover práticas agrícolas ambientalmente sustentáveis. Muitas destas abordagens baseiam-se em conhecimentos locais existentes e em boas práticas tradicionais, ao mesmo tempo que promovem o uso sustentável dos recursos disponíveis localmente. Como resultado, as comunidades conseguem continuar a aplicar e adaptar estas técnicas muito para além da duração das intervenções dos projectos. Um apelo à parceria e ao investimento sustentadoCom milhões de pessoas em Moçambique a continuarem a enfrentar insegurança alimentar aguda, o investimento sustentado em meios de subsistência agrícolas resilientes continua a ser essencial. As comunidades agrícolas moçambicanas continuam a demonstrar uma forte capacidade de recuperação e adaptação quando apoiadas com ferramentas, conhecimentos e recursos adequados.A agricultura oferece um dos maiores retornos sobre os investimentos humanitários e de resiliência: a FAO estima que cada dólar investido no apoio agrícola pode gerar até três dólares em valor alimentar local, ao mesmo tempo que ajuda os agregados familiares a proteger os seus meios de subsistência e a reduzir futuras necessidades de assistência.No entanto, apesar de até 80 por cento das pessoas em situação de insegurança alimentar aguda viverem em zonas rurais, apenas uma pequena parcela do financiamento humanitário é dirigida à produção alimentar e à recuperação agrícola. Reforçar o investimento em sistemas agroalimentares resilientes continua, por isso, a ser fundamental não apenas para a recuperação imediata, mas também para reduzir a vulnerabilidade futura aos choques relacionados com o clima.A intervenção de e-voucher de 2026 ilustra como a assistência agrícola atempada pode apoiar simultaneamente a resposta de emergência e a recuperação a longo prazo. Com base nestes esforços, a FAO, em apoio ao Governo de Moçambique, está a implementar o Plano de Recuperação das Cheias em Moçambique 2026–2031, que visa restaurar a produção agrícola, reconstruir meios de subsistência e reforçar a resiliência das comunidades afectadas pelas cheias.O plano procura mobilizar US$ 107,66 milhões para apoiar 1,8 milhões de pessoas entre 2026 e 2031 através de intervenções integradas de recuperação e reforço da resiliência. No âmbito mais amplo do Plano de Emergência e Resiliência da FAO para Moçambique, estes esforços visam expandir o apoio aos agregados familiares agrícolas vulneráveis em todo o país, ao mesmo tempo que reforçam a capacidade das comunidades para enfrentar melhor futuros choques relacionados com o clima.A concretização destes objectivos exige uma colaboração contínua entre instituições governamentais, doadores, parceiros técnicos e comunidades locais. A intervenção de e-voucher de 2026 foi implementada através dos esforços conjuntos do Governo de Moçambique e da FAO, com apoio financeiro da Áustria, Bélgica, Noruega e União Europeia.O investimento em intervenções agrícolas atempadas, de elevada qualidade e ambientalmente sustentáveis continua a ser fundamental não apenas para a recuperação imediata, mas também para reforçar a segurança alimentar, a resiliência e os meios de subsistência rurais a longo prazo em Moçambique.
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História
15 julho 2026
UNV: “Aprendi a verificar antes de partilhar”
MAPUTO, Moçambique – Para Leonor Ruazire, o voluntariado é uma oportunidade de colocar os seus conhecimentos ao serviço das comunidades e contribuir para mudanças positivas. No âmbito do Projeto Democracia e Eleições do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Moçambique, Leonor trabalha como voluntária das Nações Unidas e monitora de mídia digital, analisando conteúdos que podem afetar a confiança pública, a participação cívica e a coesão social.“Sempre gostei de servir as comunidades. No voluntariado, encontrei uma oportunidade de fazer a diferença e aplicar os meus conhecimentos para gerar mudanças positivas”, afirma Leonor. Monitorar para proteger a integridade da informaçãoLeonor monitora conteúdos nas redes sociais, com particular atenção à desinformação, discurso de ódio e outros conteúdos nocivos.Seu trabalho foi especialmente relevante durante os processos eleitorais e o continua sendo no contexto do Diálogo Nacional Inclusivo - iniciativa promovida pelo Governo de Moçambique, cujo objetivo é debater consensos sobre o sistema de governação do País.Por meio da plataforma eMonitor+, ela analisa conteúdos nas redes sociais, identifica possíveis casos de desinformação ou de discurso de ódio e apoia a elaboração de relatórios que fortalecem a transparência, a integridade da informação e a confiança pública nela.Para além de reforçar as suas competências profissionais, essa experiência mudou a forma como Leonor recebe, interpreta e partilha informação no dia a dia.“Hoje sou mais crítica em relação à informação que recebo. Aprendi a verificar os fatos antes de partilhar qualquer conteúdo. Isso impactou a minha vida, a minha família e os meus amigos. Num tempo em que informações falsas circulam rapidamente, verificar tornou-se um hábito”, comenta. Agente de mudança em qualquer lugarUm dos momentos mais marcantes da missão de Leonor aconteceu fora do escritório, durante uma viagem num transporte público.Um jovem ao seu lado se preparava para partilhar um vídeo de conteúdo político num grupo de um aplicativo de mensagens instantâneas. Leonor perguntou se ele havia confirmado a veracidade da informação e o incentivou a verificar a fonte antes de divulgar.Após buscar mais informações, o jovem percebeu que se tratava de uma notícia falsa e decidiu não a partilhar.“Foi nesse momento que percebi que o meu papel não termina no escritório. Sou uma agente de mudança em qualquer lugar, seja na comunidade, em casa ou no transporte público”, diz Leonor.Para ela, esse episódio monstrou que pequenas intervenções podem impedir a propagação de informações falsas e fortalecer comunidades mais informadas, responsáveis e resilientes. Servir e fazer a diferençaLeonor acredita que o voluntariado começa com a vontade de servir e ganha significado quando se traduz em mudanças concretas na vida das pessoas e das comunidades.“Voluntariado significa servir e fazer a diferença. Significa acreditar que pequenas acções podem transformar vidas e contribuir para um mundo melhor” - Leonor Ruazire, Voluntária das Nações Unidas.A sua experiência destaca o papel dos Voluntários da ONU na promoção da paz, da inclusão, da participação cívica e do desenvolvimento sustentável.O PNUD apoia Moçambique no fortalecimento da governação democrática, da participação cívica e de instituições inclusivas. Por meio do Projeto Democracia e Eleições, em parceria com o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), o PNUD promove iniciativas para fortalecer a integridade da informação e combater a desinformação, o discurso de ódio e outros desafios no ambiente digital.
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História
07 outubro 2026
"É hora das crianças transformarem o mundo"
MAPUTO, Moçambique - A cantora moçambicana e embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, Neyma, defendeu uma transformação profunda na forma como olhar para a infância e a juventude em tempos de crises.Em entrevista ao Podcast ONU News, de Maputo, a estrela da música mencionou os desafios do mundo atual marcado por crises climáticas e por uma rápida transformação digital. Voz e capacidade para integrar soluçõesPara a artista, as crianças não devem ser tratadas como meras espectadoras ou seres humanos incapazes, mas sim como agentes ativos, que têm voz e capacidade para integrar as soluções dos problemas globais.“Têm atingido o nosso país e a gente vê um pouco pelo mundo. Muitas vezes, olha-se para elas, simplesmente, como pessoas e crianças que não podem solucionar os seus problemas e não podem participar. Mas a intenção, na realidade, é colocá-las a participar, a terem esta voz, esta presença ativa. Só assim é que elas poderão se safar de determinadas situações. Enquanto a gente continuar a olhar para elas como meramente crianças incapazes, elas vão continuar a ser incapazes. Se a gente der um voto de confiança e ensinar que numa situação de alerta é preciso e importante, um dever, todas elas vão participar. A partir daí, a gente vai, com certeza, minimizar várias situações que as tenham colocado em risco”. Neyma foi uma voz ativa na luta contra as mudanças climáticas. Ao recordar a sua passagem pelo distrito do Búzi, após inundações históricas no centro de Moçambique, ela lembrou do impacto de encontrar uma jovem mãe, de 20 anos, com três filhos, em situação de extrema vulnerabilidade.“A casa toda alagada, sem espaço para viver, estaria a dormir. Ela infelizmente também vivia sem o seu companheiro, o pai das crianças... E eu, enquanto conversava com ela, dizia: meu Deus, aquelas crianças todas tristes, com fome e a mãe sem poder ter o que dar. Eu acho que foi das histórias mais comoventes, para além de todas as outras que tenho vivenciado claramente, por se tratar de uma jovem com um futuro promissor, ainda retardando a sua vida por conta dos filhos que ela já tinha. A situação em que ela vivia, com certeza, foi marcante para mim e coloquei-me no lugar de mãe, porque, tenho uma filha de 26 anos hoje, a Iumna. Para mim foi um choque olhar para aquilo. Coloquei-me no lugar de mãe e questionava qual era o sonho dela, o que é que ela fazia e por que ela tinha tido todos aqueles filhos tão seguidos”. Necessidade de agirEste episódio reforçou a convicção dele sobre a necessidade de agir com empatia e de construir oportunidades reais.Para a embaixadora do UNICEF, atribuir responsabilidade e confiança aos mais novos é o caminho para quebrar ciclos de pobreza e de abandono. Quando a sociedade ensina e dá espaço para a participação ativa das crianças, elas aprendem rápido e passam a proteger a si mesmas e às suas comunidades.Ao abordar o cenário atual, a cantora destacou ainda que a nova geração conta com ferramentas tecnológicas e facilidades de acesso à informação que eram inimagináveis no passado.“As crianças sobretudo, memorizam e crescem muito rápido. Hoje são quem nos ensinam a mexer na tecnologia. Quando eu tenho uma dúvida, quando eu não sei mexer, é o meu filho que chega e diz: 'mãe, mas isto é assim'. É a própria Anayah, hoje em dia de cinco ou seis aninhos, que me diz: 'mãe, isto faz-se assim'. Eu fico a olhar para ela: 'Onde é que tu aprendeste isto?'. Elas têm esta capacidade de reter a informação. Então, por que não aproveitar esta retenção, esta capacidade de retenção de informação que elas têm para fazer melhor, apoiar, sem apontar o dedo, mas aproveitar? Tirar o que de bom elas têm, porque elas as têm, até mesmo para nos ensinar”. Maior presença e vigilância dos paisApesar disso, ela alertou que a abundância de recursos exige maior presença e vigilância por parte dos pais e encarregados de educação.A artista diz que é pelo diálogo direto e transparente sobre a realidade dos factos, orientando os jovens a canalizarem a sua facilidade com a tecnologia para a construção de propósitos de vida sólidos.A própria trajetória de Neyma, que perdeu a mãe com pouco mais de um ano de idade e enfrentou obstáculos até ela se afirmasse como uma das maiores vozes do ritmo marrabenta e da cultura moçambicana, serve de testemunho para a sua mensagem. Autoconhecimento, coragem e reconhecimento Dirigindo-se de forma especial às meninas, a artista lançou um apelo ao autoconhecimento, à coragem e ao reconhecimento dos direitos e deveres deste grupo na sociedade.Reafirmando que o seu trabalho à frente do UNICEF é uma “missão de coração para que nenhuma criança enfrente as privações”, Neyma encerrou com uma mensagem de esperança.A embaixadora do UNICEF lembrou que os maiores sonhos podem começar no lugar mais simples, bastando que a juventude receba o incentivo e a oportunidade de florir.
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História
02 outubro 2026
"Ação pelo clima exige respeito aos direitos humanos"
MAPUTO, Moçambique - Considerado um dos países mais vulneráveis aos extremos climáticos do mundo, Moçambique enfrenta atualmente o alerta de secas, ciclones e inundações agravadas pelo fenómeno El Niño.Foi neste cenário de urgência que a Relatora Especial para a promoção e proteção dos direitos humanos no contexto das mudanças climáticas, Elisa Morgera, visitou o país a convite do Governo, concentrando as suas avaliações nas Províncias de Tete e Sofala. Decisões de hoje, riscos de amanhãDurante a sua passagem por Maputo, Morgera manteve encontros com autoridades governamentais de setores ligados à pauta climática e aos direitos fundamentais.Ao apresentar o seu relatório preliminar na capital moçambicana, a perita deixou um aviso claro: as decisões tomadas hoje vão determinar a gravidade dos riscos futuros. O balanço final desta missão em Moçambique será entregue oficialmente ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em junho de 2027.“Eu recomendei ao governo que toda a economia tem que apoiar a resiliência climática. Há que planejar considerando as interações entre o clima, a natureza, a água, a alimentação e a saúde, além de proteger o patrimônio cultural e natural do país e os saberes locais, porque esses são os ingredientes essenciais para a resiliência climática”. Durante a vista a relatora da ONU manteve contatos com comunidades afetadas pelas mudanças climáticas, defensores ambientais dos direitos humanos, sociedade civil, académicos, agências da ONU, o setor privado e outras partes interessadas.Dados do Banco Mundial indicam que a extração de recursos naturais, nomeadamente combustíveis fósseis e minerais, fazem parte do setor em expansão, caracterizado como importante para a estratégia de desenvolvimento económico de Moçambique. Reforma da legislaçãoMorgera alertou o perigo do uso de combustíveis fosseis, destacando a necessidade de uma reavaliação dos planos de combustíveis fosseis, particularmente quando se trata de áreas de alta biodiversidade.“É necessária uma avaliação independente dos impactos sobre os direitos humanos decorrentes das atividades de mineração de carvão ou da produção de combustíveis fósseis. Com um enfoque nos direitos à saúde, à alimentação, à água, à moradia e ao meio ambiente saudável para as comunidades a redor”.Na ocasião da apresentação do relatório preliminar, a relatora, apelou também a urgência na reforma a legislação para proteção dos direitos humanos. A meta é apoiar a trajetória do desenvolvimento de Moçambique. Ela citou como exemplo a atual revisão da lei ambiental. Cooperação internacional e resiliência“É muito importante para incluir disposições explícitas sobre os deveres das autoridades públicas de fundamentar qualquer decisão sobre a melhor ciência disponível sobre mudanças climáticas e os impactos previsíveis sobre os direitos humanos. Há que definir obrigações muito claras para as empresas privadas e multinacionais, que têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos e evitar danos previsíveis ao ambiente e ao sistema climático”. Para Elisa Morgera, a comunidade internacional tem obrigações em matéria de direitos humanos, de apoiar a resiliência de Moçambique e de se abster de quaisquer atos, omissões ou pressões que possam minar a proteção dos direitos humanos num país que é o menos responsável pelas alterações climáticas e o mais afetado por estas. Transição para uma economia sustentável“Abster-se de apoiar opções de desenvolvimento que provavelmente causam significativos danos ao ambiente e aos direitos humanos, por exemplo, megaprojetos. E, em lugar disso, priorizar o apoio ao esforço de Moçambique para realizar uma transição para uma economia sustentável, movida a energia solar, com iniciativas lideradas por comunidades e por mulheres, que melhorem todas as condições necessárias para a resiliência no contexto das mudanças climáticas”. Mais de 724 mil pessoas foram afetadas por inundações severas no país entre o final de 2025 e o início deste ano. Os dados são do Escritório da ONU para os Assuntos Humanitários, OCHA, que revela ainda que 100 mil pessoas chegaram a viver em abrigos no pico da crise.O impacto económico é estimado em US$ 486 milhões. A agricultura sofreu perdas drásticas: segundo o PMA, o Programa Mundial para a Alimentação, 312 mil hectares de cultivo foram destruídos.E o cenário climático continua em alerta. Devido ao fenómeno El Niño, os próximos meses devem trazer secas prolongadas, ciclones tropicais e novas inundações localizadas.
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História
24 setembro 2026
Moçambique Destaca Jornada do País em Busca da Paz, na Sede da ONU
NOVA IORQUE, EUA - Em cenário global marcado por tensões e incertezas, Moçambique diz alçar a voz para enfatizar décadas de superação. O país africano aponta o diálogo, a justiça climática e o multilateralismo como as únicas saídas viáveis para os desafios atuais.Em entrevista à ONU News, em Nova Iorque, o presidente moçambicano, Daniel Chapo, indicou três pilares do posicionamento do país, reforçando o papel das Nações Unidas na construção de um mundo em favor da segurança e da equidade. Multilateralismo e jornada para a paz“Moçambique teve o apoio das Nações Unidas desde o percurso para a sua independência nacional, desde os anos 60, até à Proclamação da Independência nacional, a 25 de junho de 1975. Ano passado, comemoramos 50 anos. Este ano comemoramos 51 anos. Este é o legado das Nações Unidas. Depois da independência nacional, nós tivemos cerca de 16 anos de guerra, na qual mais de 1 milhão de moçambicanos perdeu a vida. O tecido econômico e social do país ficou completamente dilacerado. Para o alcance desta paz, com a assinatura do Acordo Geral de Paz, a 4 de outubro de 1992, em Roma, na Itália, as Nações Unidas desempenharam um papel extremamente importante”. Com o País exaltando mais de 35 anos de democracia multipartidária, Chapo disse que Moçambique está a conduzir um processo de “diálogo nacional inclusivo” e para garantir a manutenção da estabilidade.“Com jovens, mulheres, organizações da sociedade civil, todos os estratos sociais e sem exclusão de nenhum moçambicano sequer, e sem exclusão de nenhum partido político ou líder político, estamos a levar a cabo um diálogo nacional e inclusivo. Mais uma vez, as Nações Unidas, através das suas agências, em particular o Pnud, estão a dar um apoio extremamente importante neste processo de paz e de reconciliação entre os moçambicanos através do diálogo nacional inclusivo. Temos o desafio do terrorismo na província de Cabo Delgado, e aí as Nações Unidas, através das suas agências, estão a jogar um papel extremamente importante na assistência humanitária às populações deslocadas. Por isso, a primeira mensagem foi deixar claro que o multilateralismo através das Nações Unidas é extremamente importante para a manutenção da paz, extremamente importante para a questão relacionada com o desenvolvimento sustentável e, sobretudo, um aspecto extremamente importante é a estabilidade política, econômica e social global”.O presidente enfatizou que o multilateralismo é indispensável para manter a paz, a estabilidade global e o desenvolvimento sustentável. Justiça pelo climaO segundo recado de Moçambique para o mundo diz respeito às mudanças climáticas e a necessidade de um financiamento climático justo.De acordo com o chefe de Estado, a nação africana é um dos dez países mais vulneráveis a desastres naturais no mundo. Por ser atravessado por nove bacias hidrográficas, o país sofre ciclicamente com cheias, inundações, ciclones e, agora, com os impactos do fenômeno El Niño. Ele aponta que a injustiça climática é gritante.“Os países que mais poluem no mundo são os chamados mais desenvolvidos. Principalmente o G7, mas também temos o G20. E Moçambique não faz parte nem do G7, nem do G20. Dada a sua localização geográfica, é o que mais sofre. Polui menos, mas sofre mais. E achamos que o mundo precisa discutir de forma franca e aberta a questão do financiamento climático e a questão da justiça climática, por acharmos que nós, como Moçambique, estamos a investir os poucos recursos que temos por causa das mudanças climáticas, que não são provocadas diretamente por um país como Moçambique. Mas, dada a sua localização geográfica, sofremos ciclicamente. E há que se pensar de forma franca, aberta e com a humildade possível, sobre a questão do financiamento climático ao nível do mundo”. Não uso da força para resolução de conflitosChapo destacou que a terceira e última mensagem é um chamado para a transformação da geopolítica atual: o não uso da força para a resolução de conflitos.“Achamos que tem que ser respeitada a soberania dos Estados, a independência do Estado e a integridade territorial dos Estados ao nível do mundo. Foram essas três principais mensagens que nós deixamos. Achamos que o multilateralismo deve continuar a ser defendido por todos os países ao nível do mundo e, sobretudo, a importância das Nações Unidas”.O objetivo de Moçambique é exportar essa lição. O país transmite sua experiência de diálogo nacional inclusivo para a região, para o continente africano e para o mundo, evidenciando que o diálogo é o “remédio número um” para a manutenção da paz. Caminho para o futuroCom os prazos da Agenda 2030 batendo à porta, muitos indicadores ainda estão longe de serem alcançados. Como mensagem final, Moçambique faz um convite à união.Para Daniel Chapo, é preciso que povos e países se conectem para acelerar o passo rumo ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, garantindo que a paz, a reconciliação e o desenvolvimento sejam reais para o bem da humanidade.
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História
23 setembro 2026
"Investimento no Nosso Maior Ativo: O Talento do Povo Moçambicano”
MAPUTO, Moçambique - Durante o Debate Geral da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, destacou a importância do multilateralismo e de maiores investimentos na África para acelerar o desenvolvimento sustentável.Segundo o Chefe de Estado, os três pilares das Nações Unidas, paz e segurança, direitos humanos e desenvolvimento sustentável, enfrentam uma “pressão sem precedentes”, no momento em que a organização celebra 81 anos. Contudo, cooperação continua sendo a melhor forma de resolver os desafios comuns. “No domínio da paz e segurança, assistimos à multiplicação dos conflitos, ao agravamento do sofrimento das populações civis, à expansão do terrorismo e do crime organizado transnacional”, afirmou, apelando ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução pacífica de conflitos, ao respeito pelo Direito Internacional e à cooperação internacional.O Presidente recordou ainda o papel histórico das Nações Unidas em Moçambique, desde o processo de independência à construção da paz, reconstrução nacional, resposta a desastres naturais e promoção do desenvolvimento sustentável. Mais investimentos e oportunidades para ÁfricaAo abordar a economia, o Presidente defendeu investimentos que acrescentem valor aos recursos naturais, modernizem a agricultura, promovam a industrialização e ampliem o acesso à energia, contribuindo para a diversificação económica e o desenvolvimento humano.“África enfrenta, contudo, um paradoxo: é rica em recursos, mas ainda retém pouco do valor que estes geram”, afirmou o Presidente de Moçambique.O Presidente defendeu ainda que investimentos devem evoluir da simples extracção para a criação de valor, substituindo transacções por parcerias e fortalecendo as cadeias de valor nacionais e regionais.Para Moçambique, destacou a importância de transformar os recursos naturais em oportunidades económicas e “investir no maior ativo do país: o talento do povo moçambicano”. Resiliência climática e transformação digitalO Presidente alertou para os impactos das mudanças climáticas em Moçambique, que se traduzem em “vidas perdidas, famílias deslocadas, culturas destruídas e infra-estruturas danificadas”.Apelou ao aumento do financiamento para a adaptação climática, à melhoria do acesso aos fundos climáticos, à operacionalização dos mecanismos de perdas e danos e ao investimento em sistemas de alerta precoce e infra-estruturas resilientes.Sobre a transformação digital, defendeu que “África não deve limitar-se a fornecer os minerais que alimentam os centros mundiais de inovação”, apelando a investimentos em conectividade, investigação científica, formação, transferência de tecnologia e governação ética da inteligência artificial. Paz e segurança em Cabo DelgadoRelativamente a Cabo Delgado, o Presidente destacou os progressos no combate ao terrorismo e no reforço da segurança, graças aos esforços das Forças de Defesa e Segurança e ao apoio da SADC, União Europeia, Ruanda e Tanzânia.Contudo, reconheceu que a estabilização permanece incompleta, exigindo maior cooperação internacional e apoio coordenado para consolidar a segurança, a reconstrução e o desenvolvimento das comunidades afetadas.Ao concluir, o Presidente Daniel Chapo reafirmou o compromisso de Moçambique com o fortalecimento das Nações Unidas, defendendo o diálogo, a cooperação e a solidariedade como caminhos essenciais para a paz e o desenvolvimento sustentável.
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História
21 setembro 2026
Do Deslocamento à Colheita: A Jornada de Ntaquiha
METUGE, Moçambique - Quando a violência chegou à aldeia de Natugo, no distrito de
Quissanga, em Cabo Delgado, Ntaquiha Camala não teve outra escolha senão deixar para
trás a vida que tinha construído durante décadas.Na altura, trabalhava como agricultor e produtor de carvão vegetal em pequena escala,
actividades que sustentavam a sua grande família. Quando a insegurança se agravou,
juntou-se a outras famílias da sua comunidade que optaram por fugir, apesar dos riscos e
da incerteza do futuro.Em Março de 2020, aos 70 anos, Ntaquiha partiu com a sua família a pé em direcção a
Metuge. A viagem durou dois dias. Foi longa, exaustiva e repleta de incertezas. Para ele, o
esforço físico foi intenso. No entanto, apesar da exaustão e da capacidade de locomoção
limitada, ele continuou a avançar.Depois de uma viagem difícil, a família chegou ao Centro de Trânsito de Manono, onde
encontrou abrigo temporário junto com outras famílias deslocadas que fugiam do conflito.Meses mais tarde, em Dezembro de 2025, Ntaquiha decidiu mudar-se com parte da sua
família para Ntocota, em busca de estabilidade e de uma oportunidade de recomeçar.
Embora fosse um local mais seguro, o deslocamento tinha prejudicado significativamente o
seu acesso à terra e aos meios de subsistência. Antes capaz de sustentar a sua família de
15 pessoas, passou a enfrentar a realidade de recursos limitados e oportunidades
reduzidas.Em Ntocota, Ntaquiha e a sua família foram muito bem recebidos pela comunidade de
acolhimento, que lhe atribuiu terras agrícolas para cultivo. Este apoio permitiu-lhe começar
a restabelecer o seu principal meio de subsistência.Actualmente, Ntaquiha volta a dedicar-se à agricultura, produzindo arroz, gergelim, milho,
mandioca e outros produtos agrícolas. As suas actividades sustentam agora tanto o
consumo familiar como a geração de rendimentos em pequena escala. Determinado a
melhorar a sua resiliência, está também a preparar mais terrenos para o cultivo de bananas,
com vista a diversificar a produção.Para além dos meios de subsistência, a coesão social tem sido fundamental para a sua
recuperação. As interações diárias e os espaços comunitários partilhados têm promovido a
coexistência pacífica entre as famílias deslocadas e as comunidades de acolhimento. A
troca de conhecimentos, particularmente na agricultura e na produção de carvão vegetal,
tornou estas relações ainda mais fortes. Ntaquiha tornou-se também um participante activo na abordagem de Planeamento Baseado
na Comunidade (CBP) da OIM, que apoia o Governo de Moçambique na aplicação de processos de desenvolvimento inclusivos e
coordenados pela comunidade.“O Planeamento Baseado na Comunidade foi importante para nos
unirmos, construirmos uma visão comum e trabalharmos em
soluções que respondam às nossas necessidades”, explica Ntaquiha.Através do processo do CBP, as comunidades identificaram e estabeleceram prioridades
relacionadas com os principais desafios.Embora muitas iniciativas ainda estejam em
andamento, já são visíveis melhorias significativas, incluindo a instalação de iluminação
pública alimentada a energia solar, a reabilitação de fontes de água e a construção de
latrinas e abrigos.Estas intervenções melhoraram o acesso aos serviços básicos,
aumentaram a segurança e melhoraram as condições de vida em geral.A natureza participativa do CBP também ajudou a criar confiança, a promover o diálogo e a
fortalecer as relações entre os membros da comunidade e os líderes locais.“Temos visto as pessoas a falarem com mais vontade, a confiarem
umas nas outras e a trabalharem juntas. Até a nossa relação com os
líderes locais melhorou”, acrescenta ele.Através do acesso à terra, do planeamento inclusivo e de abordagens participativas, as
comunidades afectadas pelo deslocamento estão a tornar-se mais resilientes e a caminhar
para uma recuperação sustentável.Mais do que uma história de resiliência, a trajectória de Ntaquiha mostra como as
abordagens orientadas pela comunidade podem restaurar a dignidade, reconstruir os meios
de subsistência e promover a coesão social, lançando as bases para soluções duradouras
em lugares afectados pelo deslocamento. Esta actividade foi possível graças ao apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Commonwealth e do Desenvolvimento (FCDO), República da Coreia, e Departamento de Estado dos Estados Unidos.
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Comunicado de Imprensa
17 outubro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
NOVA IORQUE, EUA - A pobreza é uma afronta à dignidade humana e uma negação dos direitos humanos. Ela restringe oportunidades e deixa as pessoas mais vulneráveis quando surgem crises.O tema deste ano, “Lares Seguros para Todos”, destaca como a pobreza aumenta o risco de insegurança habitacional, ao passo que aluguéis inacessíveis, a falta de segurança na posse de moradia e a situação de rua podem empurrar as pessoas para uma pobreza ainda mais profunda. As consequências podem perdurar por gerações, reforçando a desigualdade, prejudicando a saúde, interrompendo a educação e tornando cada vez mais difícil obter um emprego estável.Romper esse ciclo vicioso significa evitar que choques na renda ou na habitação desencadeiem uma espiral descendente. Isso exige moradias a preços acessíveis e serviços básicos, aliados a trabalho decente e proteção social universal.A Declaração Política de Doha renovou o compromisso global de erradicar a pobreza e enfrentar as desigualdades e injustiças que a perpetuam. Cumprir esse compromisso requer ações nacionais mais robustas, apoiadas por cooperação internacional e financiamento adequado. O Compromisso de Sevilha aponta o caminho a seguir. Precisamos reformar a arquitetura financeira internacional para torná-la mais inclusiva, representativa e responsiva às necessidades dos países em desenvolvimento.Os recursos e o conhecimento existem. Neste Dia Internacional, mobilizemos a vontade política e os investimentos necessários para garantir que todos tenham um lar seguro e a oportunidade de construir uma vida com dignidade, livre da pobreza.
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Comunicado de Imprensa
16 outubro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Mundial da Alimentação
NOVA IORQUE, EUA - A alimentação é um direito humano fundamental.No entanto, cerca de 645 milhões de pessoas enfrentaram a fome no ano passado.E quase 2,7 bilhões de pessoas não têm condições financeiras para uma alimentação saudável.Choques e crises que se sobrepõem agravam essas pressões.Prejudicando as cadeias de produção e abastecimento.Elevando o custo dos alimentos e dos fertilizantes.E tornando uma alimentação nutritiva algo ainda mais inalcançável para milhões de pessoas.Temos o conhecimento, a tecnologia e a capacidade para alimentar o mundo.É hora de colocá-los em prática.O tema do Dia Mundial da Alimentação deste ano é “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”.Por meio do uso de dados, inovação e tecnologia — incluindo a inteligência artificial — para garantir que todos tenham acesso a alimentos nutritivos.Reunindo cientistas, pesquisadores, inovadores, agricultores, povos indígenas e jovens para encontrar soluções.Mobilizando recursos financeiros para tornar os alimentos nutritivos mais disponíveis e acessíveis, especialmente nos países em desenvolvimento.Apoiando os ecossistemas e as pessoas que tornam a produção de alimentos possível — em sintonia com este Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, e da Mulher Agricultora.E construindo sistemas alimentares globais e locais que sejam mais produtivos e resilientes.Juntos, vamos garantir que todas as pessoas, em qualquer lugar, tenham acesso a alimentos seguros, nutritivos e acessíveis.
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Comunicado de Imprensa
14 outubro 2026
Japão apoia assistência alimentar para 94 mil pessoas afectadas pelo conflito no norte de Moçambique
MAPUTO, Moçambique – O Programa Mundial para a Alimentação (PMA) das Nações Unidas acolhe com satisfação uma contribuição de 300 milhões de ienes japoneses, equivalente a aproximadamente 1,8 milhões de dólares norte-americanos, do Governo do Japão para apoiar a assistência alimentar a 94 mil pessoas afectadas pelo conflito no norte de Moçambique.A mais recente análise da Classificação Integrada da Segurança Alimentar em Fases (IPC), publicada em setembro, concluiu que 1,84 milhões de pessoas em Moçambique enfrentam níveis de insegurança alimentar de crise ou piores (Fase 3 do IPC ou superior). Estas famílias enfrentam graves carências alimentares e podem ser forçadas a reduzir refeições ou vender bens essenciais para sobreviver, enquanto as mais severamente afectadas enfrentam um risco acrescido de desnutrição aguda e morte. O conflito, eventos climáticos extremos, incluindo ciclones, secas e inundações, bem como os elevados preços dos alimentos, continuam a agravar a insegurança alimentar em todo o País.A contribuição do Japão permitirá prestar assistência alimentar a 94 mil pessoas deslocadas e afectadas pelo conflito nas Províncias de Cabo Delgado e Nampula, as áreas mais afectadas pela insegurança e deslocação. A assistência incluirá peixe enlatado proveniente do Japão e arroz adquirido localmente, apoiando fornecedores moçambicanos e os mercados locais.Falando numa cerimónia realizada em Maputo para anunciar a contribuição, Keiji Hamada, Embaixador do Japão em Moçambique, afirmou: “O Japão tem apoiado continuamente as populações vulneráveis afectadas por conflitos e desastres naturais em Moçambique, com particular ênfase na assistência alimentar. Através desta nova contribuição, esperamos ajudar a responder às necessidades alimentares urgentes das famílias deslocadas e afectadas pelo conflito, ao mesmo tempo que continuamos a trabalhar em estreita colaboração com o Governo de Moçambique e o PMA para apoiar aqueles que mais necessitam”.O PMA trabalha em estreita colaboração com as autoridades nacionais e locais, parceiros humanitários e comunidades para garantir que a assistência chegue às pessoas mais vulneráveis. No entanto, as necessidades humanitárias continuam elevadas e os recursos são criticamente insuficientes. As limitações de financiamento obrigaram o PMA a priorizar a assistência alimentar às pessoas mais vulneráveis no norte de Moçambique, evidenciando a necessidade urgente de recursos adicionais.“Graças à generosidade do Governo e do povo do Japão, as famílias podem satisfazer as suas necessidades alimentares básicas sem terem de recorrer a estratégias prejudiciais para enfrentar a fome”, afirmou Claire Conan, Representante e Directora Nacional do PMA em Moçambique. “A aquisição de arroz junto de fornecedores locais também contribui para apoiar os mercados locais. Esta contribuição chega num momento em que as necessidades humanitárias permanecem elevadas e os recursos são criticamente limitados. Com as previsões a indicarem que o El Niño poderá agravar a insegurança alimentar nos próximos meses, existe o risco de os recursos limitados do PMA serem ainda mais pressionados”.Desde 2022, o Japão disponibilizou 14 milhões de dólares norte-americanos ao PMA, apoiando operações humanitárias e de desenvolvimento que combatem a insegurança alimentar, reforçam a resiliência e melhoram o bem-estar das comunidades vulneráveis em todo o território moçambicano.[Fim] O Programa Mundial para a Alimentação (PMA) das Nações Unidas é a maior organização humanitária do mundo, salvando vidas em emergências e usando a assistência alimentar para construir um caminho para a paz, estabilidade e prosperidade para as pessoas que se recuperam de conflitos, desastres e do impacto das mudanças climáticas.Siga-nos no X, anteriormente Twitter, via @wfp_mozambique e no Facebook via @WFPinMozambique. O Governo do Japão tem vindo a fornecer assistência humanitária e para o desenvolvimento a Moçambique, incluindo apoio às populações afectadas por conflitos e desastres naturais. No norte de Moçambique, o Japão continua a apoiar comunidades vulneráveis através de ajuda alimentar e outras intervenções humanitárias, em estreita cooperação com o Governo de Moçambique e parceiros internacionais.Siga à Embaixada do Japão em Moçambique no Facebook via Embaixada do Japão em Moçambique / 在モザンビーク日本国大使館 @EMBJAPAOMOZ e no Instagram via @embaixadadojapaomoz.
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Comunicado de Imprensa
13 outubro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres
NOVA IORQUE, EUA - Nossas casas são o lugar onde dormimos, cuidamos uns dos outros e construímos nossa vida cotidiana. No entanto, a forma como são planejadas, construídas e mantidas pode determinar se elas nos mantêm seguros ou não.Todos os anos, milhões de casas são danificadas ou destruídas, provocando o deslocamento de famílias e o agravamento da pobreza; os impactos mais severos recaem frequentemente sobre idosos, pessoas com deficiência, famílias de baixa renda e outros grupos vulneráveis.É por isso que o tema do Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres deste ano — "A resiliência começa em casa" — é tão fundamental. A segurança começa onde vivemos, e a preparação no âmbito doméstico — compreender os riscos, ter um plano e agir com rapidez — pode significar a diferença entre a vida e a perda.Mas as famílias não conseguem fazer isso sozinhas. Os governos devem aplicar normas de construção e planos de uso do solo que levem em conta os riscos. O setor privado deve investir em construções resilientes e seguros acessíveis. E todos, em toda parte, devem ter acesso a sistemas eficazes de aviso prévio que os alcancem a tempo — a promessa central da Iniciativa "Avisos Prévios para Todos" (Early Warnings for All). Devemos também reformar a arquitetura financeira internacional para garantir que os países em desenvolvimento possam acessar os recursos de preparação de que necessitam.À medida que os riscos climáticos e de desastres se multiplicam, a construção de moradias mais seguras é uma responsabilidade compartilhada entre governos, incorporadoras, engenheiros e comunidades. Juntos, vamos nos comprometer a tornar cada casa resiliente, agora e no futuro.
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11 outubro 2026
Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia Internacional da Rapariga
NOVA IORQUE, EUA - A cada três segundos, o casamento prematuro interrompe a infância de uma rapariga. Uma em cada cinco raparigas no mundo se casa antes dos 18 anos.O casamento prematuro compromete a educação, a saúde e a segurança de milhões de raparigas em todo o mundo. Fundamentalmente, essa prática tem raízes na pobreza. O risco aumenta em tempos de conflito, choques climáticos e deslocamentos forçados, deixando as famílias com menos opções para suas filhas.Mas sabemos como acabar com essa prática nociva. Manter as raparigas na escola, melhorar as oportunidades econômicas para as famílias, fortalecer as proteções sociais e jurídicas e desafiar normas de gênero discriminatórias são medidas que ajudam as raparigas a retomar o controle de suas próprias vidas.Nos últimos 25 anos, tais soluções evitaram cerca de 68 milhões de casamentos prematuros. No entanto, cortes recentes no financiamento ameaçam esse progresso. No ritmo atual, levará séculos para eliminar o casamento prematuro. Neste Dia Internacional da Rapariga, conclamo governos, o setor privado, a sociedade civil e líderes comunitários a ampliar os investimentos em soluções comprovadas e a garantir que elas cheguem a todas as raparigas, em todos os lugares.É hora de acabar com o casamento prematuro de uma vez por todas. Juntos, vamos defender o direito de todas as raparigas a uma infância e garantir que cada filha, cada irmã, cresça livre para construir o seu próprio futuro.
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