Países do sul da África querem atuar a tempo para minimizar perdas causadas por catástrofes naturais.
MAPUTO, Moçambique - Em Moçambique, esta última semana foi de busca de compromissos para que melhores sistemas de aviso ajudem a minimizar o efeito de desastres no sul da África. Mais de 70 milhões de habitantes estão concentrados na região, que enfrenta riscos cada vez maiores devido às mudanças climáticas.
Foi para promover sistemas de alerta antecipado que especialistas, agências da ONU e parceiros de desenvolvimento se sentaram à mesa com representantes da Comunidade dos Estados da África Austral, Sadc. Os prejuízos de desastres meteorológicos ameaçam os seres humanos e o meio ambiente.
Modernização
Um dos marcos do encontro internacional foi a Declaração de Maputo sobre a cooperação regional para aliviar catástrofes.
Para o Presidente Filipe Nyusi, a iniciativa surge como "resposta à crescente frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, que juntamente com a vulnerabilidade do sistema socio-económico causam desastres com impactos devastadores em todo o mundo, cuja meta fundamental é o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas".
"Os ciclones Idai, Kenneth, Eloise, Guambe, Chalane, Ana e Gombe que surgiram entre 2019 até à data, são o testemunho mais recente da intensidade e gravidade de eventos climáticos extremos", afirmou o Presidente Filipe Nyusi.
"As Mudanças Climáticas já não são o assunto de que se fala sem que se compreenda ou discirna; Elas são uma realidade com que devemos lidar no nosso quotidiano com muita responsabilidade, porque afectam a vida de todos os que no planeta terra habitam", contimuou o Presidente de Moçambique.
Legenda: Presidente Nyusi liderou a reunião em Maputo com membros da SADC e União Africana sobre sistemsas de avisos prévios realizada em Maputo.
Durante a reunião, a ONU News ouviu especialistas que abordaram os esforços para melhor administrar e promover alertas.
O Diretor-Geral de Meteorologia em Angola, João Afonso, disse ter retido experiências dos países da região para o atual momento de atualização.
“Angola está a passar por um processo de modernização do serviço meteorológicos. Este processo de modernização inclui a implementação de diversas estações meteorológicas. Podemos dizer que é um cenário de 77 estações meteorológicas automáticas, incluindo na sua maioria que tínhamos no passado. Isso requer lidar com países mais avançados em lidar com novas tecnologias”.
Acesso
O Diretor do Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique, Inam, Adérito Aramuge, disse que a recente ocorrência de intensas chuvas e ciclones pode contribuir para melhorar a ação regional.
“Levamos para lá o cumprimento das orientações emanadas no protocolo de transportes, comunicações e meteorologia da SADC. Consiste que cada país possa envidar esforços no sentido de trazer condições melhores, necessárias ao serviço de meteorologia de maneira que estes serviços possam produzir informação de ponta e disponibilizar ao consumidor final. Isto irá, de alguma maneira, criar condições para que haja esta ação antecipada”.
Um dos momentos mais altos da reunião foi a apresentação do Relatório sobre Clima em África 2021. A análise revelou que apenas 40% dos habitantes da região têm acesso a sistemas de alerta contra condições meteorológicas extremas.
Legenda: Imagens de satélite da tempestade tropical Ana passando por Moçambique em 24 de janeiro de 2022.
“Os relatórios das academias mostram que, futuramente, teremos maiores intensidades dos eventos, assim como agravamento da magnitude desses eventos. Precisamos de conviver com estes fenômenos meteorológicos. Conviver com estes fenômenos meteorológicos implica tornarmos resilientes e esta resiliência começa com aviso prévio e termina com ação antecipada”.
Gestão Sustentável
Para o diretor do Inam, a localização geográfica de Moçambique torna o país vulnerável ao tipo de desastres. Esta realidade justifica o alinhamento do país com a Organização Meteorológica Mundial em planos para melhor alertar as populações de danos causados por desastres naturais.
Já o diretor de serviços de desenvolvimento na OMM, Filipe Lúcio, elogiou as lideranças políticas da região pelo compromisso de desencadear ações para garantir que todos os cidadãos sejam cobertos de um sistema de aviso prévio nos próximos cinco anos.
“Adoção de legislação, o reforço de coordenação, de cooperação entre instituições a nível nacional, mas também a nível regional. Porque os eventos extremos do tempo e do clima normalmente não observam fronteiras geográficas e, no caso de Moçambique que é um país que se encontra à jusante de muitas bacias hidrográficas, esta cooperação regional é crucial na partilha de informação e de dados que permitem que sejam tomadas ações apropriadas”.
Legenda: Confewrência reuniu Estados-membros da União Africana e SADC e especialistas de toda a África.
A agência da ONU aponta África como uma prioridade máxima de uma para atingir a meta no próximo quinquênio.
O novo relatório revelou haver cerca de 250 milhões de afetados pela escassez da água e pela seca no continente. Cerca de 80% dos países africanos poderão ficar desprovidos de uma gestão sustentável de recursos hídricos até 2030.
Declaração de Maputo
No final da conferência, a Declaração de Maputo foi acordada entre Estados-membros ressaltando a necessidade de maior investimento financeiro, de capital humano e maior prioridade à adaptação às mudanças climáticas.
Para o Presidente Filipe Nyusi, a "Declaração de Maputo, simbolize o compromisso individual de cada Estado Membro e colectivo de assumir maior dinamismo no apoio adiccional às capacidades humanas, financeiras e infra-estruturais das entidades de aviso prévio e permita os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais (SMNs) e às Agências de Gestão de Calamidades, tomar em tempo útil, medidas acutilantes e decisivas de adaptação e combate às mudanças climáticas".
"Estamos optimistas que conseguiremos melhorar as capacidades das nossas instituições e países na gestão do risco de desastres, adaptação à variabilidade e mudanças climáticas" - Presidente Filipe Nyusi.