Fundo Central de Resposta a Emergências liberou US$100 milhões para apoio a vítimas de conflitos, desastres naturais e outras emergências em diferentes regiões.
MAPUTO, Moçambique - Moçambique é um dos 11 países que tiveram planos de resposta reforçados pelas Nações Unidas. A organização desembolsou US$ 5 milhões para o país lusófono, do total de US$ 100 milhões colocados ao dispor para situações com baixo apoio global.
De acordo com o anúncio, em Nova Iorque, Moçambique conseguiu menos da metade dos US$ 388 milhões que precisava para avançar com o Plano de Resposta Humanitária referente à complexa crise no norte do país assim como conseguiu apenas 18% dos US$ 48 milhões necessários para o Plano Emergencial de Resposta ao ciclone Gombe que atingiu o país em março de 2022.
Para a Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária para Moçambique, Myrta Kaulard, “a devastação causada pelo ciclone Gombe em Moçambique demonstra quão urgente é tomar medidas imediatas para combater as mudanças climáticas e aumentar visivelmente o apoio às nações de baixo rendimento na linha de frente”.
Moçambique enfrenta anualmente chuvas e ciclones durante o período chuvoso, que decorre entre outubro e abril. "O povo de Moçambique os vive todos os anos e sua resiliência e força são admiráveis”, frisou Myrta Kaulard.
"Estou muito grata ao CERF pelo financiamento urgentemente necessário para fortalecer a resposta humanitária e fornecer assistência humanitária a novos deslocados em Cabo Delgado", continuou.
Desembolso
O total desembolsado pelo Fundo Central de Resposta a Emergências, Cerf, vai para nações da África, da Ásia, das Américas e do Médio Oriente.
Os beneficiários vivem em áreas de conflitos, emergências climáticas, fome e deslocamento forçado, que totalizam 204 milhões em todo o mundo.
Num ano em que se observa a “maior diferença de sempre” entre fundos humanitários pedidos e que deram entrada em crises, a ONU diz precisar de US$ 49,5 bilhões para operações de ajuda. Cerca de US$ 17,6 bilhões já chegaram, segundo a organização.
Legenda: Além de afetar cerca de 730.000 pessoas, o ciclone Gombe também destrui infraestruturas importantes das Províncias de Nampula e Zambézia, partes do Programa MERCIM. Os danos nas estradas são extensos, com cerca de 1.000km danificados, incluindo a destruição de trecho da Estrada Nacional 1 (EN1) isolando a região centro do resto do país.
A situação deixa milhões de famílias sem apoio essencial, em particular em crises com pouca atenção internacional.
O Cerf atribui os fundos das Nações Unidas para cobrir essa lacuna e resolver os desequilíbrios de financiamento.
Moçambique está em 10º lugar, na lista de receptora liderada pelo Iêmen, com US$ 20 milhões. A seguir estão o Sudão do Sul, com US$ 14 milhões, e Mianmar com US$ 10 milhões. Os integrantes incluem Nigéria, Bangladesh, Uganda, Venezuela, Camarões e, por último, a Argélia.
Pela primeira vez, os fundos para emergências subfinanciadas do Cerf bateu US$ 250 milhões, de acordo com o subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários da ONU.
Conflitos, secas e inundações
Martin Griffiths apontou dificuldades geradas por conflitos, secas, inundações e outras emergências que aumentam as necessidades nessas crises, superando os recursos ao dispor.
Para este ano, o Ocha precisa de mais US$ 502 milhões para dar atenção a crises subfinanciadas e alcançar mais pessoas.
Desde a criação do Cerf pela Assembleia Geral, em 2005, mais de 8 bilhões de pessoas receberam apoio. As contribuições vieram de 130 Estados-membros, observadores e doadores particulares.