MAPUTO, Moçambique
- Prezados membros do Conselho Consultivo do UNDAC;
- Distintos representantes dos Estados-Membros; e
- Colegas.
Bom dia de Maputo com bastante chuva. Agradeço a oportunidade de compartilhar reflexões sobre a experiência com o UNDAC após as devastadoras inundações que afetaram o sul e o centro de Moçambique no início deste ano.
Moçambique, como muitos de vocês sabem, está na linha de frente da crise climática. Com um extenso litoral, vastas planícies aluviais e múltiplas bacias hidrográficas importantes, o País está altamente exposto a eventos climáticos extremos.
Nos últimos anos, ciclones, inundações, secas e o conflito prolongado levaram as comunidades e os sistemas nacionais ao limite.
Desastres naturais não são novidade em Moçambique — mas sua frequência, escala e intensidade estão aumentando, com inundações recorrentes de grande escala revertendo repetidamente os avanços de desenvolvimento.
E, no entanto, em meio a esses desafios, o que mais se destaca é a extraordinária resiliência do povo moçambicano. Crise após crise, as comunidades se reconstroem, se apoiam mutuamente e continuam avançando com notável força e dignidade.
Para nós, que trabalhamos ao lado delas, é uma profunda responsabilidade e um privilégio estar ao seu lado e servi-las.
Em janeiro de 2026, Moçambique enfrentou as piores inundações em 20 anos. Mais de 720.000 pessoas foram deslocadas. Casas foram levadas pela água. Famílias subiram em telhados e árvores para sobreviver.
Vi em primeira mão a escala da destruição e o custo humano dessa crise na província de Gaza, o epicentro dela.
Conversei com famílias que perderam suas casas e meios de subsistência, pais preocupados com a segurança e a saúde de seus filhos e comunidades que pediam não por caridade, mas por apoio oportuno que lhes permitisse se recuperar com dignidade.
Em momentos como esses, a necessidade de uma coordenação rápida e eficiente é essencial.
Informações confiáveis determinam quem é resgatado e quando — e se a assistência vital chega às pessoas a tempo. Rapidez salva vidas.
Foi aí que o Sistema de Avaliação e Coordenação de Desastres das Nações Unidas (UNDAC) fez uma diferença decisiva.
Em 48 horas após o pedido de assistência internacional do Governo de Moçambique, uma equipe de 23 membros do UNDAC foi mobilizada — reunindo o OCHA e parceiros especializados do Cluster Global Logístico, ECHO/Proteção Civil da UE, OMS/EMT, Mapaction e Atlas Logistique-HI — para fornecer conhecimento especializado crucial em apoio à resposta às inundações.
Eles se integraram diretamente ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a autoridade governamental responsável por liderar os esforços nacionais de resposta a desastres, trabalhando em estreita colaboração com ministérios, autoridades distritais e provinciais e atores humanitários, tanto nacionais quanto internacionais.
O UNDAC reforçou a liderança do INGD, não a substituiu.
A equipe do UNDAC apoiou a análise situacional em tempo real por meio de avaliações aéreas e com drones, bem como serviços de gestão da informação, incluindo mapeamento operacional, rastreamento da resposta humanitária, consolidação de cargas e transporte para as áreas afetadas.
Também auxiliaram na coordenação de operações de busca e salvamento, evacuações médicas e avaliações ambientais de barragens.
O setor privado também desempenhou um papel importante na resposta, fornecendo contribuições tanto em espécie quanto financeiras.
O UNDAC apoiou a criação da "Iniciativa Conectando Empresas" para rastrear e coordenar essa assistência de forma eficaz. Mais de US$ 6 milhões em contribuições do setor privado foram rastreados, juntamente com um apoio significativo em espécie. Esse feedback incentivou um maior envolvimento do setor privado.
Além de rastrear as contribuições, esse mecanismo também ajudou a abrir um diálogo com o setor privado, cujo potencial total no apoio à resposta humanitária permanece em grande parte inexplorado.
O impacto disso foi claro: decisões mais rápidas, direcionamento mais preciso e sistemas nacionais mais robustos.
A experiência de Moçambique, para mim, demonstra que o UNDAC funciona. Ele fortalece parcerias. Reforça a apropriação nacional. E traduz a experiência global em ações imediatas que salvam vidas.
Num mundo de desastres mais frequentes e mais severos, investir no UNDAC não é opcional.
É um investimento em preparação, um investimento em solidariedade — e um investimento em salvar vidas.
Agradeço a oportunidade de ser uma defensora do UNDAC aqui em Moçambique.
Muito obrigada.