Cheias em Moçambique: ONU reforça resposta humanitária com chegada de suprimentos
26 janeiro 2026
Legenda: 88 toneladas métricas de suprimentos essenciais chegaram a Maputo nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, a bordo de um avião cargueiro Boeing 747 Jumbo Jet.
Após cheias severas afetarem mais de 600 mil pessoas, a ONU reforça a resposta humanitária com 88 toneladas de suprimentos financiados pela União Europeia.
MAPUTO, Moçambique - Moçambique enfrenta uma emergência humanitária em rápida escalada após chuvas excecionalmente intensas registadas entre dezembro de 2025 e meados de janeiro de 2026. As cheias que atingem sobretudo o sul e o centro do país já afetaram cerca de 650 mil pessoas, provocando a destruição de casas, escolas, unidades de saúde e infraestruturas essenciais, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
No âmbito do reforço da resposta humanitária, 88 toneladas métricas de suprimentos essenciais chegaram a Maputo nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, a bordo de um avião cargueiro Boeing 747 Jumbo Jet.
A carga foi financiada pela União Europeia, através da Direção-Geral da Proteção Civil e das Operações de Ajuda Humanitária (ECHO), e será distribuída pelo UNICEF, em coordenação com o Governo de Moçambique e parceiros.
A carga humanitária, avaliada em cerca de US$ 552 mil, inclui materiais críticos nas áreas de saúde, água, saneamento e higiene, nutrição, educação e proteção da criança, além de tendas de alto desempenho que permitirão a instalação de espaços amigos da criança, clínicas de saúde temporárias e outros serviços essenciais nas zonas mais afetadas.
Solidariedade internacional em ação
Para assinalar oficialmente a chegada dos suprimentos, realizou-se um evento na tarde de hoje, no Terminal de Carga do Aeroporto Internacional de Maputo, reunindo representantes do Governo, da União Europeia, do Sistema das Nações Unidas e parceiros humanitários.
Participaram do evento Sua Excelência a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas; o Embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore; a Coordenadora Residente das Nações Unidas e Coordenadora Humanitária para Moçambique, Dra. Catherine Sozi,; a Representante do UNICEF em Moçambique, Mary Louise Eagleton; e a Presidente do INGD, Luísa Meque.
“O impacto das cheias em Moçambique tem sido vasto e profundamente sentido em todo o país. O Governo apelou à solidariedade da comunidade internacional e tem recebido um apoio importante de parceiros como a União Europeia e o UNICEF”, afirmou a Ministra Maria Manuela dos Santos Lucas.
Legenda: Mais de 600,000 pessoas foram afectadas nas províncias de Gaza, Maputo e Sofala, incluindo mais de 306,000 crianças. Foto aérea da Província de Gaza.
“Estamos impressionados com a rapidez da resposta, mas as necessidades continuam a ser enormes”, continuou a Ministra Maria Manuela.
O Embaixador da União Europeia destacou que a ponte aérea humanitária reflete o compromisso europeu com Moçambique. “Esta operação traduz a solidariedade europeia em ação concreta, assegurando que a ajuda chegue rapidamente às famílias e comunidades que mais precisam, com o apoio do UNICEF”, afirmou o Embaixador Antonino Maggiore.
Pessoas no centro da resposta
Falando aos jornalistas, a Dra. Catherine Sozi sublinhou o impacto humano da crise. “Por detrás destes números estão pessoas reais, com necessidades urgentes de proteção, dignidade e esperança. Entre as mais afetadas estão mulheres e crianças, muitas das quais viram as suas casas destruídas, as suas escolas interrompidas e enfrentam riscos acrescidos à saúde e ao bem-estar”, afirmou.
Segundo a Coordenadora Humanitária, os suprimentos serão distribuídos prioritariamente a 99 centros de acolhimento, que atualmente acolhem cerca de 100 mil pessoas, sobretudo nas Províncias de Maputo e Gaza.
“A chegada destes suprimentos representa muito mais do que uma entrega logística. É um símbolo concreto da solidariedade da comunidade internacional com o povo de Moçambique. Num momento de crise, esta solidariedade é essencial - e hoje ela está visível”, acrescentou a Dra. Catherine Sozi.
Sozi reconheceu ainda que, apesar de crucial, esta assistência é apenas parte de um esforço mais amplo liderado pelo Governo e pelas próprias comunidades. “Sabemos que ainda há muito trabalho pela frente. Mas reiteramos ao povo de Moçambique: vocês não estão sozinhos”.
Legenda: Foto de pessoas sendo evacuadas devido às cheias que assolam o sul e o centro de Moçambique.
De acordo com dados atualizados do INGD, as cheias já afetaram mais de 600.000 pessoas. Foram registadas mais de 150 mil casas inundadas, das quais 767 totalmente destruídas, além de quase 230 unidades sanitárias e mais de 360 escolas danificadas ou destruídas. Desde o início da época chuvosa, em outubro de 2025, mais de 130 pessoas perderam suas vidas.
“As chuvas intensas estão a exercer uma pressão enorme sobre comunidades, serviços públicos e infraestruturas essenciais”, alertou Luísa Meque, Presidente do INGD.
“O Governo mobilizou todos os seus mecanismos de resposta e continua a trabalhar de forma coordenada com parceiros nacionais e internacionais. Este é um momento que exige o envolvimento de todos”, frisou a Presidente Luísa Meque.
A Representante do UNICEF, Mary Louise Eagleton, reforçou que as crianças estão entre as mais afetadas pela crise. “Este primeiro voo humanitário internacional representa um passo importante para fazer chegar, com urgência, suprimentos vitais às crianças e famílias nas províncias mais atingidas”.
“Nos próximos dias, a nossa prioridade é garantir que estes materiais cheguem rapidamente a quem mais precisa e continuar a mobilizar apoio adicional”, continuou.
Compromisso contínuo
As Nações Unidas, por meio do UNICEF e de todo o Sistema da ONU em Moçambique, continuarão a trabalhar lado a lado com o Governo e parceiros humanitários para reforçar a resposta às cheias, proteger as populações mais vulneráveis e garantir que nenhuma criança seja deixada para trás.
Directorate-General for European Civil Protection and Humanitarian Aid Operations
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