MAPUTO, Moçambique
- Sua Excelência a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Senhora Maria Manuela dos Santos Lucas;
- Ilustres membros do Governo e da sociedade civil presentes;
- Minhas senhoras e meus senhores;
Boa tarde a todas e a todos,
Permitam-me começar por agradecer a Vossa Excelência Ministra Maria Manuela pela disponibilidade para este diálogo com as organizações não-governamentais nacionais e internacionais.
Esta reunião acontece num momento decisivo da resposta às cheias e demonstra a forte liderança de Vossa Excelência e a coordenação e sentido de responsabilidade coletiva de todo o governo.
Gostaria de expressar, mais uma vez, as minhas mais sinceras condolências e por reafirmar a solidariedade das Nações Unidas com todas as famílias afetadas. Muitas perderam casas, meios de subsistência e, tragicamente, vidas humanas.
O que estamos a viver confirma uma tendência preocupante. Eventos climáticos extremos estão a tornar-se mais frequentes e mais intensos.
Para Moçambique, isto significa impactos repetidos sobre as mesmas comunidades, muitas vezes já vulneráveis, corroendo suas capacidades de recuperação.
Minhas senhoras e meus senhores,
A resposta em curso é liderada pelo Governo de Moçambique, com o INGD a assumir a liderança técnica e operacional. Esta liderança é essencial para garantir coerência, priorização correta e uso eficiente dos recursos disponíveis.
As Nações Unidas e os parceiros humanitários estão alinhados com essa liderança. Estamos integrados nas estruturas nacionais, a reforçar a coordenação, a consolidação de informação e a articulação entre sectores, sempre em apoio às estratégias do Governo.
Neste momento, nossa prioridade absoluta é salvar vidas e reduzir riscos imediatos - garantindo que as pessoas tenham acesso a alimentos, água potável, abrigo seguro, cuidados de saúde, nutrição para bebês e suas mães, e assistência financeira para proteger sua dignidade e segurança.
Isso implica manter o ritmo das evacuações, garantir condições mínimas nos centros de acolhimento e evitar o agravamento das necessidades humanitárias.
É aqui que o papel das organizações não governamentais se torna indispensável. As ONGs estão próximas das comunidades, conhecem o terreno e conseguem responder rapidamente às necessidades reais das pessoas afetadas.
As organizações nacionais, em particular, trazem conhecimento local, confiança comunitária e capacidade de permanência. As organizações internacionais complementam com escala, recursos e experiência técnica. Juntas, fortalecem a resposta liderada pelo Estado.
A localização da resposta não é opcional. É o que garante que a assistência chegue a tempo, de forma digna e adequada aos contextos locais. É também o que fortalece sistemas nacionais e reduz dependências futuras.
Paralelamente, estamos a trabalhar para manter a atenção internacional sobre Moçambique.
Pela segunda vez, ontem, a situação no País foi destacada pelo Porta-voz do Secretário-Geral na conferência de imprensa diária, em Nova Iorque. Esta visibilidade é fundamental para mobilizar solidariedade e recursos adicionais.
As Nações Unidas já acionaram mecanismos de financiamento de emergência e continuam a apoiar o Governo na mobilização de apoio internacional.
Excelências, minhas senhoras e meus senhores,
A resiliência do povo moçambicano é extraordinária. Mesmo em contextos de grande adversidade, vemos comunidades a organizar-se, apoiar-se mutuamente e procurar soluções.
Esta força coletiva deve ser acompanhada por um compromisso renovado de todos nós, Governo, sociedade civil, parceiros nacionais e internacionais, para agir de forma coordenada, responsável e solidária.
Em nome das Nações Unidas e na minha capacidade como Coordenadora Humanitária, reafirmo o nosso compromisso em continuar ao lado do Governo e do Povo de Moçambique, apoiando a resposta atual, investindo numa recuperação mais resiliente e sustentável e em tudo aquilo que pudermos.
Contem com as Nações Unidas.
Muito obrigada. Kanimambo!