Moçambique junta-se à Campanha Coração Azul, mobilizando jovens, comunidades e instituições na luta contra o tráfico de pessoas. Justiça e esperança em acção.
MAPUTO, Moçambqiue – Num gesto carregado de simbolismo e compromisso, Moçambique tornou-se o 46.º país no mundo e o 15.º em África a aderir à Campanha Coração Azul, uma iniciativa global das Nações Unidas que visa combater o tráfico de pessoas.
A cerimónia de adesão, realizada no Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, foi marcada por palavras de esperança, mobilização comunitária e histórias de transformação.
“Que o Coração Azul, que hoje passa a brilhar em Moçambique, seja um símbolo de esperança, de protecção e de justiça para todos,” declarou o Ministro da Justiça, Mateus da Cecília Finiasse Saize, ao formalizar a adesão do país na campanha neste 30 de julho.
A cerimónia contou ainda com a intervenção da Procuradora-Geral Adjunta de Moçambique, Amabélia Chuquela, do Chefe do Escritório do UNODC em Moçambique, Antonio De Vivo, e do representante da Embaixada da Noruega em Moçambique, Øystein Evenstad, cujo apoio possibilita a assistência do UNODC ao combate ao tráfico de pessoas no país.
A campanha não é apenas um compromisso institucional. É uma chamada à acção que já está a ecoar nas escolas, nos terminais rodoviários, nas universidades e nas comunidades.
Legenda: Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos de Moçambique e Chefe do Escritório do UNODC no país assinam certificado de adesão de Moçambique à Campanha Coração Azul.
Nas últimas semanas de Julho, centenas de jovens em escolas secundárias participaram em palestras que os alertaram para os sinais de risco e formas de autoprotecção contra o tráfico.
“Vocês agora são donos deste conhecimento e passam a ser agentes da mudança. Devem passar esta informação para outros meninos e meninas”, desafiou os estudantes Rosa Maciel, locutora da Rádio Moçambique.
Sensibilização nas estradas e nos transportes
Nos terminais rodoviários de Maputo, motoristas e passageiros foram sensibilizados para identificar sinais de tráfico.
“A ausência de documentos de identificação durante uma viagem pode ser um sinal de que alguém está sob controlo de um traficante”, explicou Joelma Dade, do Ministério dos Transportes e Logística.
Legenda: Grupo Nacional de Referência de Combate ao Tráfico de Pessoas consciencializa motoristas sobre os riscos e sinais de tráfico de pessoas.
Mais de 40 estudantes de dez instituições de ensino superior participaram no Fórum Académico sobre Tráfico de Pessoas, organizado pela Procuradoria-Geral da República com apoio do UNODC. Uma jovem da Universidade Joaquim Chissano partilhou:
“Tenho a ideia de criar uma organização de advocacia e conscientização sobre o tráfico de pessoas. Com estes debates, tive maior luz sobre como poderei materializar essa ideia”.
A campanha também levou uma Feira Jurídica a Maputo, onde cidadãos receberam apoio jurídico sobre casos de tráfico e outros serviços ligados à justiça. Esta iniciativa aproximou informação e assistência das comunidades mais vulneráveis.
Um crime organizado que exige resposta coordenada
O tráfico de pessoas é um crime que se infiltra nas indústrias legais e nas cadeias de abastecimento, explorando vulnerabilidades sociais e económicas. O Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas 2024 revela que 74% dos casos detectados têm origem em redes de crime organizado.
O UNODC, como guardião da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, continuará a apoiar Moçambique na construção de uma resposta sólida, coordenada e baseada em evidências.
“Este dia 30 de Julho é particularmente especial para Moçambique. É um marco que saudamos e celebramos”, afirmou Antonio De Vivo, Chefe do Escritório do UNODC em Moçambique.