Discurso da Coordenadora Residente da ONU, Myrta Kaulard, por ocasião do Dia Mundial da Pesca

Discurso da Coordenadora Residente da ONU, Myrta Kaulard, no Workshop alusivo ao Dia Mundial da Pesca, dia 21 de Novembro de 2020.

  • Sua Excelência Senhora Augusta Maíta, Ministra do Mar, Águas Interiores e Pesca;
  • Sua Excelência Senhora Sheila Santana Afonso, Secretária de Estado para a Cidade de Maputo;
  • Sua Excelência Senhor Eneas Comiche, Presidente do Conselho Municipal de Maputo;
  • Ilustres Membros do Governo, da família das Nações Unidas e do corpo diplomático;
  • Excelentíssimas e excelentíssimos representantes da sociedade civil;
  • Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Bom dia a todas e a todos,

É com grande honra e apreço que em nome das Nações Unidas, dirijo-me a esta audiência por ocasião do dia Mundial da Pesca, o dia 21 de novembro.

Todos os anos este dia é uma oportunidade bem-vinda para refletir sobre o conhecimento cada vez maior sobre a pesca, os pescadores, as comunidades costeiras e a situação dos oceanos e dos estoques de peixes, bem como para reconhecer a contribuição dos pescadores que fornecem alimentação, nutrição e segurança de rendimentos a milhões de pessoas em todo o mundo.

Este ano, a importância da pesca de pequena escala está no centro das comemorações e o dia visa chamar a atenção internacional para a necessidade de melhorar as condições de trabalho no sector pesqueiro.

O sector sustenta a vida de cada uma em cada dez pessoas no planeta. No entanto, a pesca é uma das profissões mais perigosas do mundo. O sector freqüentemente carece de regulamentação trabalhista adequada. A mesma indústria que oferece tantas oportunidades muitas vezes, leva à vitimização dos mais vulneráveis. A pandemia da COVID-19 apenas veio a agravar essa situação.

O Dia Mundial da Pesca nos ajuda também a destacar a importância crítica para a vida humana da água e das vidas que ela sustenta, dentro e fora dela. Ajuda-nos a lembrar da importância de conectar a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento socioeconómico das costas, mares e rios com a sustentabilidade dos recursos marinhos e costeiros, das àguas interiores e da sua governação sustentável.

Em Moçambique, com uma costa de mais de 2.700 (dois mil e setecentos) quilômetros e um enorme potencial de águas interiores e aquacultura, o sector representa uma importante fonte de alimentação e nutrição para população do país e é um mercado de trabalho vital. 20 (vinte) por cento da população depende da pesca para parte de sua renda. Em alguns casos, o peixe é a única fonte acessível de proteína.

Os setores da aquacultura e da pesca em Moçambique têm grande potencial de crescimento e a capacidade de impulsionar a produção econômica, contribuindo para a redução da pobreza e das desigualdades assim como para a promoção da ação climática e da preservação da biodiversidade.

A Economia Azul foi descrita pelo Secretário-Geral das Nações Unidas como a “nova fronteira do Renascimento Africano”, com potencial para gerar crescimento económico, inclusão social, e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade ambiental - questões integrantes da Agenda 2030.

É por isso que as Nações Unidas realizarão a Conferência dos Oceanos no próximo ano em Lisboa e determinou a próxima década como a Década das Ciências dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável.

No ano passado, Moçambique realizou a “Conferência Crescendo Azul” e juntou-se ao movimento global de acção da Década dos Oceanos visando estabelecer uma plataforma de diálogo permanente para a protecção dos ecossistemas marítimos numa abordagem integrada de gestão oceânica.

O Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul (ProAzul), demonstra como o mar virou hoje um assunto transversal e como há a necessidade de fomentar a complementaridade entre todos os sectores da economia.

Excelências, a aquacultura, a pesca e a Economia Azul estão na agenda das Nações Unidas e iremos reforçar esta colaboração para complementar os esforços na agricultura, protecão social e outras áreas críticas, tendo em vista as questões da alimentação e nutrição, da conservação, da geração de renda, da pesca em pequena escala e artesanal, assim como, das condições de trabalho no sector.

Contem sempre connosco! Estamos juntos e continuaremos juntos!

Muito obrigada.  

Discurso de
Autor
Myrta Kaulard
Coordenadora Residente e Coordenadora Humanitária para Moçambique
ONU
Myrta Kaulard
Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
FAO
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
RCO
United Nations Resident Coordinator Office