Discurso da Coordenadora Residente da ONU, Myrta Kaulard, durante a abertura da terceira edição do MOZEFO Young Leaders

Discurso da Coordenadora Residente das Nações Unidas em Moçambique, Sra. Myrta Kaulard, durante a abertura da 4ª edição do MOZEFO Young Leaders.

  • Sua Excelência Secretário de Estado da Juventude e Emprego, Senhor Oswaldo Armindo Faquir Petersburgo,
  • Caros parceiros da Fundação Soico,
  • Caros jovens líderes,

Gostaria antes de mais nada agradecer a oportunidade para vos dirigir umas palavras de abertura deste importante evento. Este convite muito me honra uma vez que é um privilégio poder dirigir-me directamente à dinâmica e criativa juventude moçambicana que muito admiro devido à sua energia, potencial e paixão.

É uma honra especial também, pois sou uma grande admiradora do trabalho que Sua Excelência o Secretário de Estado tem desenvolvido incansavelmente no apoio e envolvimento com a juventude moçambicana.

Aproveito ainda para reafirmar a minha grande admiração pelo MOZEFO e em particular pelo Mozefo Young Leaders dada a sua incrível contribuição para acelerar o desenvolvimento sustentável em Moçambique.

A plataforma do MOZEFO Young Leaders se torna ainda mais relevante este ano em que Moçambique completa 45 anos de sua independência ao impulsionar a juventude como o motor e o cérebro do desenvolvimento sustentável do país para todas e todos.

Caras e caros participantes

Em todos os tipos de crises e momentos de necessidade, das mudanças climáticas aos conflitos armados ou distúrbios políticos, os jovens e as organizações lideradas por jovens têm agido rapidamente. O mesmo está acontecendo agora durante a pandemia da COVID-19.

Há muitas indicações de que a pandemia de COVID-19 terá impactos sociais, culturais, econômicos, políticos e multidimensionais de longa duração nas sociedades, incluindo os jovens.

Em número cada vez maior, os jovens estão combatendo proactivamente a propagação do vírus e trabalhando para mitigar e combater os impactos da pandemia.

Os jovens estão na vanguarda das iniciativas de comunicação em relação ao distanciamento físico e às outras medidas para impedir a propagação do vírus, bem como no combate à desinformação, à discriminação e ao estigma.

Os jovens estão ajudando a promover as diretrizes da Organização Mundial da Saúde e atendendo às necessidades relacionadas à COVID-19 dos mais vulneráveis nas suas comunidades.

Os jovens estão encontrando novas maneiras de mitigar os riscos que o distanciamento físico representa na justiça social e na inclusão.

Mesmo diante da escassez de equipamentos de proteção, jovens profissionais de saúde e estudantes estão arriscando suas vidas na linha de frente da pandemia.

Jovens trabalhadores, incluindo jovens agricultores e empresários rurais, estão inovando e usando várias tecnologias e ferramentas de comunicação para desenvolver soluções locais contra a COVID-19.

Para garantir que os jovens ajam com segurança e efetividade como agentes de mudança no contexto da pandemia de COVID-19, vários elementos importantes precisam ser levados em consideração:

Os jovens devem poder participar ativamente na definição das respostas à COVID-19 e devem ser incluídos em todos os seus aspectos e suas fases.

O desenvolvimento da juventude deve permanecer como uma das principais prioridades, para que o mundo se recupere da pandemia da COVID-19 de maneira sustentável e equitativa; é necessário que os jovens sejam apoiados para alcançar seu pleno potencial e prosperar.

As medidas de confinamento aumentam a probabilidade de violência contra os jovens - particularmente a violência física e sexual contra raparigas, meninos, adolescentes e mulheres jovens - e também podem prejudicar sua capacidade de procurar serviços de apoio, incluindo serviços de apoio à saúde mental.

Além disso, restrições desproporcionadas podem deixar os jovens construtores da paz, direitos humanos e defensores ambientais menos protegidos contra ataques e ameaças.

As intervenções relacionadas com a pandemia devem estar atentas aos jovens marginalizados ou vulneráveis, incluindo jovens rurais, migrantes e refugiados, raparigas e mulheres adolescentes, jovens com deficiência, jovens vivendo com HIV, jovens membros de comunidades LGBT e outros que são potencialmente marginalizados e em situações vulneráveis.

Um número sem precedentes de jovens está enfrentando uma perturbação significativa em sua educação. Jovens carentes geralmente não têm acesso a ferramentas remotas de aprendizado e à internet.  Isso pode levar a uma diminuição na probabilidade de que eles possam continuar seus estudos durante o encerramento das escolas e universidades.

Os jovens, e especialmente as mulheres jovens, são altamente vulneráveis, uma vez que a maioria delas provavelmente está empregada na economia informal e geralmente possui empregos com salários baixos, menos seguros e menos protegidos do que os homens e com maior probabilidade de viver na pobreza profissional.

Jovens com menos de 18 anos de idade correm o risco de aumentar a pobreza e serem expostos ao trabalho infantil, exploração sexual e casamento infantil. Os mecanismos de proteção social sendo implementados no contexto da crise da COVID-19 devem levar em consideração as vulnerabilidades específicas enfrentadas pelos jovens.

Especialmente, precisamos aumentar o nível atual de investimentos no potencial econômico e social dos jovens. Se a maior geração de jovens da história estiver preparada para a transição para o trabalho, o potencial de progresso global é ilimitado.

Caras, caros participantes,

Muitas decisões difíceis deverão ser tomadas no futuro próximo e será essencial reter a participação e opinião dos jovens sobre o futuro que queremos.

Só com o engajamento de vocês, jovens, conseguiremos transformar em realidade os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para todas e todos em Moçambique.

Este fórum é uma oportunidade única para os jovens líderes moçambicanos moldarem as respostas e agirem como agentes de mudança positiva para acelerar o desenvolvimento sustentável, a resposta mais eficaz à COVID-19.

Muito obrigada.

 

 

 

 

 

Discurso de
Autor
Myrta Kaulard
Coordenadora Residente e Coordenadora Humanitária para Moçambique
ONU
Myrta Kaulard
Entidades da ONU envolvidas nesta atividade
FAO
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
FIDA
Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola
OIT
Organização Internacional do Trabalho
OIM
Organização Mundial para as Migrações
ITC
Centro de Comércio Internacional
OCHA
Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários
ACNUDH
Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos
ONU Mulheres
Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento da Mulher
UN-Habitat
Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos
ONU
Organização das Nações Unidas
ONUSIDA
Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA
UNCDF
United Nations Capital Development Fund
PNUD
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
PNUMA
Programa das nações Unidas para o Meio Ambiente
UNFPA
Fundo das Nações Unidas para a População
ACNUR
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados
UNICEF
Fundo das Nações Unidas para a Infância
UNIDO
Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial
ONUDC
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime
UNV
Voluntários das Nações Unidas
PAM/PMA
Programa Mundial de Alimentação
OMS
Organização Mundial da Saúde